quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

MURMÚRIOS DE AVALON XXXII

O Mundo Colapsa
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18/09/2030
Guardian-Angel,
It seems I wasn't overreacting, after all. The world is at war. A third world war. What are they thinking? I'd laugh if I didn't feel like crying, instead. This is the biggest tragedy our generation will witness. It will be the last tragedy of all times. Greed has won, in the end, as usual. I always hoped for a better ending, though ... Isn't it foolish? You and I, we had that in common, we were part of an extincting breed that still believed in old fashioned values. But there was a big difference in our beliefs. You weren't naive to the point of believing the rest of the world could or would ever think like you. I was. I always hoped I could change the world. You were the only one I never wanted to change.
Tuesday
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Avaliação
Classe: Humano
Sexo: Feminino (?)
Posto: Civil - Voluntariado
Observações: Registar na Base de Dados; Categoria do Registo - Análise em Curso
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Ping!
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Session Start: Winter 01:56:23 2200
«too-sexy-to-my-shirt» got ya!
«Jupiter» diz
«too-sexy-to-my-shirt» nada que andas a fazer?
«Jupiter» registos nada de especial
«too-sexy-to-my-shirt» vai um cafezinho? llol
«Jupiter» bota aí ...
«too-sexy-to-my-shirt» :)))
«too-sexy-to-my-shirt» hoje há CM
«Jupiter» yep falamo-nos lá
«too-sexy-to-my-shirt» onde vais?
«Jupiter» hibernar um pouco
«too-sexy-to-my-shirt» eu tb tou a entrar em transe já tou ON á 1 mês sem parar
«Jupiter» da última vez que fiz isso ia ficando sem oportunidade para arrependimentos
«too-sexy-to-my-shirt» yep temos q ter cuidado
«Jupiter» bom vemo-nos na CM
«too-sexy-to-my-shirt» ok see ya
«Jupiter» see ya
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Session Close: Winter 02:15:05 2200
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Fez desaparecer a caixa de diálogo. Não precisava dela para nada porque o input processava-se a partir do seu próprio sistema - era como uma forma de telepatia virtual - mas ele gostava de ver o texto e inclusivamente tinha-o programado para ir aparecendo letra a letra, como no velhote ICQ. Assim era mais fácil acreditar que do outro lado alguém respirava e se movia, embora ele soubesse que isso não passava de treta. "Isso é uma tanga!" Pensou num sorriso. O seu circuito desenhou automaticamente um montão de sinais de pontuação que formaram o corpo duma mulher. Depois, subitamente, tudo explodiu e implodiu ao mesmo tempo e, no lugar da mulher, apareceu a palavra "PORRA!"
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Auto-desligou-se.
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System Hybernating.
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02.45 GMT

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Macro Secrets 17

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What would happen if I said:
"I quit." ?

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

MAGIC MOMENTS 87

Dazzling Duets - Duet #28 - Eric & Mark
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Dois guitarristas tocam a canção que um deles (Eric) escreveu inspirado pelo amor não correspondido pela mulher de outro guitarrista e amigo, George Harrison.
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domingo, 8 de Novembro de 2009

EM BUSCA DE PALAVRAS 87

A Máfia - Parte II
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Camorra
A Camorra (o "Sistema", como lhe chamam os seus membros) domina o território de Nápoles e a região que o integra, a Campânia. Trata-se de uma organização horizontal e flexível de clãs autónomos, sem uma cúpula evidente, pelo que é difícil controlá-la. Mata com impunidade e está infiltrada em todo o tecido social da região, em especial na degradada periferia napolitana. Controla sindicatos e municípios e é a principal fonte de emprego, o que explica a sua popularidade.
Segundo a Polícia, entre 80 e 100 mil pessoas trabalham directa ou indirectamente para a Camorra, que controla 50% dos estabelecimentos comerciais de Nápoles. Obtém os principais rendimentos do tráfico de estupefacientes, da recolha e reciclagem de lixo e do mercado de falsificações e imitações. O DDA (Departamento Antimáfia) da região descobriu que os clãs envolviam toda a sociedade no negócio da cocaína. Reformados, trabalhadores e pequenos empresários davam dinheiro (quantias que variavam entre 100 e 600 euros) aos mafiosos, os quais investiam o dinheiro em novas transacções de droga. Num mês, recebiam o dobro.
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Ndrangheta
Tem sede na Calábria e é considerada a máfia menos conhecida e mais perigosa do planeta. É constituída exclusivamente por ndrine, ou famílias com laços de sangue, cada uma das quais controla o seu território e se relaciona com o exterior de forma autónoma, associando-se entre si quando se trata de grandes negócios, como contratos públicos, narcotráfico e controlo de fundos europeus. Devido aos laços de parentesco entre os seus membros, há menos "arrependidos" da Ndrangheta dispostos a confessar-se à Polícia (60 nos último anos) do que da Cosa Nostra (500) e da Camorra (400), o que faz com que seja a organização mais segura no cenário do crime internacional. Actualmente, controla o tráfico mundial de cocaína, o que lhe permitiu expandir-se pelo Norte de Itália, Europa, Austrália, Canadá, Colômbia e México.
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Sacra Corona Unita
É a mais jovem das máfias italianas, com base na região de Puglia, e tem uma estrutura pouco ordenada e horizontal, semelhante à da Camorra. Inclui cerca de 2000 membros que mantêm boas relações com a máfia albanesa e com a Ndrangheta. Domina uma posição estratégica no Adriático, em frente aos Balcãs e à Albânia, saída natural de todo o intercâmbio ilegal com a Europa central. Vive da extorsão, do tráfico de estupefacientes e do contrabando de tabaco e álcool.
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No próximo capítulo, as máfias noutras partes do mundo e as características duma organização mafiosa.
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Retirado da reportagem "O Império dos Padrinhos" - Revista Super Interessante

sábado, 7 de Novembro de 2009

MURMÚRIOS DO PARAÍSO II

No Paraíso
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No Paraíso os supermercados quase nunca têm tudo o que queremos ou exactamente aquilo que queremos - temos que nos contentar com aproximações que exigem, por vezes, o máximo da nossa capacidade imaginativa.
No Paraíso nunca está tudo a funcionar a pleno e ao mesmo tempo - ou falta a luz a meio da noite, ou é o gás que se acaba a meio de um banho restaurador, ou é o transmissor de um canal (dos únicos 4 existentes!) que pifa de repente, a meio do único filme bom da semana, ou é um pára-sol que fica sem a pipeta de enterrar na areia logo ao segundo dia de praia, ou são os canos da avenida principal que entopem durante uma trovoada descomunal.
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No Paraíso há mirones estranhos, conquilheiros demasiado atrevidos e pescadores sem maneiras.
No Paraíso há, por vezes, tanta gente que mal se consegue andar na rua, dormir a sesta descansado ou encontrar um lugar vazio para abancar no areal.
No Paraíso os empregados do Casino andam sempre de nariz empinado e fazem pouco das madamas que esbanjam o dinheiro nas máquinas de jogo.
No Paraíso não há revistas suficientes na única tabacaria de jeito, às vezes todos os multibancos decidem ficar sem dinheiro ao mesmo tempo e para nos abastecermos como deve ser somos obrigados a calcorrear o itinerário completo dos supermercados.
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No Paraíso é frequente levantar-se um vento de nortada exactamente a partir das 3 da tarde, que arruina o resto do dia de praia e pára de soprar precisamente quando o sol se começa a pôr e é hora de regressar a casa.
No Paraíso há feirantes chatos que enchem as ruas de tralha e o final de tarde de check-sounds ensurdecedores berrados aos microfones.
No Paraíso há grilos assustadores, osgas repelentes, aranhas invasoras e melgas irritantes.
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Em contrapartida,
No Paraíso todos os pôres-do-sol são absolutamente deslumbrantes.
No Paraíso há dezenas de gaivotas magníficas que planam nos céus todos os dias.
No Paraíso o areal é infinito.
No Paraíso o mar monta espectáculo diariamente à nossa porta.
No Paraíso as estrelas brilham mais intensamente no céu nocturno.
No Paraíso há mirones caricatos, conquilheiros românticos e pescadores nobres.
No Paraíso as tempestades são belas e cheias de personalidade.
No Paraíso há conquilhas deliciosas, gambas pecaminosas e manjares irresistíveis.
No Paraíso as máquinas de jogo são, por vezes, abundantemente generosas.
No Paraíso há beleza, paz, liberdade e tempo para tudo.
No Paraíso há vagar e cheiro a maresia e poesia espraiada por todos os cantos.
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Por isso, estou em crer que, apesar de tudo, é sempre um bom negócio passar uns tempos no Paraíso.

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

PALAVRAS ESTÚPIDAS 80

O Amor Platónico
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"(...) mas esqueço que só o amor não correspondido pode ser romântico. E é preciso estarmos incompletos para nos apaixonarmos."
O Funeral de Marissa Cooper - Jorge Mantas - Revista Umbigo Setembro 2009
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Só o amor não correspondido pode ser romântico. Porque só o amor não correspondido tem o potencial de desespero trágico próprio do romantismo. Diria mais, só o amor platónico pode ser romântico. Porque é secreto, não partilhado pelo objecto de desejo e incólume à infecção gélida da realidade. Quando amamos ou nos apaixonamos por alguém que desconhece em absoluto ser o causador desse amor ou dessa paixão, ele ou ela crescem desmesuradamente, tornam-se maiores que a vida, cristalizam num casulo intocável e nada nem ninguém é capaz de destruir essa imagem em nós, nem mesmo o próprio objecto desse desejo.
O amor platónico é egoísta e avaro e orgulhoso. Nada tem de luxúria e refugia-se da inveja porque se esconde dela. É também preguiçoso porque não exige cuidados esmerados, apenas a presença do outro no nosso campo de visão ou no nosso pensamento. É glutão também porque se refastela sozinho.
Se o amor platónico é romântico solitário, abandonado à auto-comiseração, já o amor não correspondido é goticamente romântico no sentido mais literário e académico do termo. O seu espectro varia consoante o objecto do desejo tenha ou não conhecimento dele. Se não tiver, regressamos ao platónico, e se tiver embarcamos na tragédia exagerada e desesperada.
O amor platónico é cobarde, o amor não correspondido é estupidamente corajoso, sendo que aqui o advérbio "estupidamente" não é usado no seu sentido pejorativo, mas para ilustrar um extremo extremado ao máximo. Quem se declara não tendo a certeza da correspondência do outro e depois é obrigado a viver com a sua negação, merece ser elevado ao panteão de heróis do calibre de navegadores destemidos, exploradores bravos e argonautas insanos.
Poucos são os que o fazem com experiência de vida. O amor não correspondido é para os jovens imberbes, corajosos porque naives. À medida que avançamos na vida resguardamo-nos na cobardia do platonismo, depois de termos levado umas quantas negas descomunais. O amor platónico é mais seguro, apesar de sofrido. Fechamo-lo na nossa caixinha de jóias secreta e retiramo-lo quando e onde nos apetece, sem corrermos perigo.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

PALAVRAS EMPRESTADAS 57

O António
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"Tão inteligente para umas coisas e tão estúpido para outras, espantava-se a minha mãe. Aborrece-me admitir que é uma excelente definição do António. Nunca fui uma criatura estruturalmente má: na verdade não passo de um aselha, um parvo, incapaz de lidar com as coisas mais simples do quotidiano, um imbecil desamparado. Se os meus amigos não tomassem conta de mim com tanto desvelo não estava aqui a escrever isto, pedia esmolas nos semáforos."
António Lobo Antunes - Revista Visão - Crónica "De profundis"
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"Para quem pensam que escreve o imbecil desamparado? Para as lágrimas de um homem pela agonia do filho, para uma mulher a caminhar diariamente quilómetros na esperança de que Deus o curasse. No jazigo dos meus avós lê-se
Ao nosso Antoninho
e, de vez em quando, vou lá às escondidas. Podem pensar na minha cretinice, não me rala, sinto-me bem junto deles. Os meus livros são isso: as lágrimas daquele homem, os passos daquela mulher. No caso de se aproximarem mais das páginas é o que realmente verão, em lugar de palavras impressas. E talvez vejam também o cretino a espreitar, comovido, pelas grades da porta."
António Lobo Antunes - Revista Visão - Crónica "De profundis"
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"As pessoas com quem me entendo melhor são, em geral, pessoas que falam muito pouco. Ou então são pessoas que falam muito porque me distraio, deixo de ouvir ao fim de 5 minutos e basta dizer que sim de vez em quando."
António Lobo Antunes - Entrevista à Revista Visão
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"Não sou capaz de deitar um livro fora. Para mim, um livro é como o pão."
António Lobo Antunes - Entrevista à Revista Visão
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"As pessoas são como os arco-íris. Não combinam em todas as cores. Combinam em 3 ou 4. E isso já é muito bom. Para que é que nos havemos de preocupar com as cores que não combinam, quando temos aquelas 3 ou 4? Um casamento é isso - um homem e uma mulher que combinam em 4 ou 5 cores."
António Lobo Antunes - Entrevista Judite de Sousa - RTP 1