quinta-feira, 15 de abril de 2010

MORMORIOS DI FIRENZE XII

O Estorninho - Parte II
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O Estorninho ergueu a cabeça e aspirou o ar. Estava uma tarde cálida e doce. A atmosfera, como sempre, era temperada com o doce cheiro de bolos, indefinível, aquele aroma que buscamos sem sucesso porque é de massa acabada de cozer e nunca tem tradução no produto final. Mas ela não deu importância a este aspecto.
Atravessou a praça onde Hércules subjugava o leão e aproximou-se do rio.
çlkfçdlk
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Caminhou apressadamente até desembocar numa esquina onde repousava uma botega de artigos de papel.
gçlfkg
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Se o Monstro a tivesse observado, diria que o Estorninho não sabia abrandar. Que corria pela vida sempre numa ânsia de descobrir, de desarrumar, de levantar a poeira, de perseguir, como um perdigueiro inquieto e obcecado. Mas não sabia ela que não é essa a natureza dos estorninhos? Sobretudo a desse estorninho que ela é.
Clarice entrou na loja e fingiu, um pouco desajeitadamente, deambular pelos artigos expostos como se procurasse coisa nenhuma em particular. Finalmente dirigiu-se ao balcão.
"Bon Giorno!", a dona da loja sorriu abertamente, mas Clarice apenas lhe devolveu o cumprimento com um rápido sorriso mecânico.
"Good afternoon. I am looking for a jewellery shop called Il Oro"
"Ponte Vecchio. À destra é pui la ponte Vecchio.", a outra indicou-lhe a direcção com a mão.
"Thank you.", deixou os dedos passarem ao de leve pela capa de um bloco de folhas de papel de carta. Tinha um padrão intrincado, cheio de folhas e volteados coloridos e dourados, que brilhava mesmo ali na penúmbra recolhida da pequena loja. Era um padrão famoso, porque já o vira noutros sítios de Florença e mesmo em Roma.
ºfglfçºdg

fglçºdfçlg
Saiu da loja, mas os seus dedos carregaram nas pontas a impressão de uma pergunta secreta: Apreciaria o Doutor Lecter este papel, para escrever as suas cartas?
Não saberia o Estorninho que essa simples interrogação a conduzia sem equívoco à sua verdadeira natureza? Ou não se dava conta que quando lia uma das suas cartas o sangue lhe corria vertiginosamente nas veias, enquanto o resto de si se quedava numa quietude ao mesmo tempo serena e frenética?
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baseado nos personagens Clarice Starling e Hannibal Lecter, criados por Thomas Harris

quarta-feira, 14 de abril de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 103

Pesquisa
dlkfçldf

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A partir de agora (quando conseguir acabar isto, se é que alguma vez vou conseguir acabar isto ...) juro pela minha rica saudinha que nunca, NUNCA, JAMAIS, irei escrever outra história que precise de pesquisa.
Irei dedicar-me definitivamente e duma vez por todas aos reinos do fantástico, planetas de galáxias que não existem, Terras Intermédias, universos paralelos e afins, onde posso inventar o que bem me apetecer, sem ter que ficar MALUCA com tanta pesquisa.
May the force be with me ...

terça-feira, 13 de abril de 2010

MURMÚRIOS DO PARAÍSO XVIII

A Chuva
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No Paraíso a chuva também cai.
Às vezes miudinha, outras em catadupa, e por vezes em tempestades avassaladoras que chocalham as fundações do Paraíso.
Estas não são muito sólidas. É normal que assim seja. Nada é perfeito, recordemos. Nem sequer o Paraíso. Ou, deveria dizer, muito menos o Paraíso. Existe sempre um preço a pagar por todas as coisas, sobretudo pelo Paraíso. Com efeito, este assenta sobre uma base periclitante mas, ao mesmo tempo, eterna. É que, embora infinitamente frágil, ela é sustentada pelos desejos de todos os seus habitantes e visitantes. E estes, ao contrário daquela, são tão fortes como titânio.
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A chuva miudinha incomodará apenas aqueles que são, como a chuva, picuinhas. De resto, sabe sempre bem banharmo-nos no cálido leite marítimo enquanto somos regados pelas alturas. Quem assim é aspergido sente-se como planta fresca e estaladiça.
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Quando cai em catadupa, lava os terraços invadidos pela areia trazida da praia diariamente, rega as plantas ressequidas e sedentas e chama os caracóis para fora dos seus esconderijos, invadindo muros e canteiros com seu traço babado. É, por isso, uma benção, mais do que um martírio. Poupa-nos trabalho e refresca-nos a alma.
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Já quando tempesta, é sempre anunciada previamente pelas imperatrizes gaivotas, logo, quem quiser fugir tem tempo suficiente para o fazer. Quando em terra, gritando e fugindo do mar, já se sabe, a ira dos deuses não tardará em estalar e as deusas marés vivas uivarão brevemente. Nessas alturas o céu cobre-se de um manto cinzento opaco e as fundações do Paraíso tremem amedrontadas.
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Mas a sequência de eventos é inevitável:
O areal mudará de geometria
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os canos da avenida principal entupirão irremediavelmente e lá andará o chinês do pagode, desesperado, em busca do esgoto com um pára-sol enferrujado
virão carros de bombeiros a meio da noite ajudar à festa
haverá o apagão geral e o casino terá de recorrer ao seu gerador, porque os jogadores não querem saber de dilúvios divinos
a lama inundará os jardins e afogará algumas frágeis miniaturas verdes
voarão chapéus e toldos e algumas placas que anunciam aluguer de lotes no Paraíso cairão das janelas onde estão pendurados e por pouco que não arrancarão cabeças de veraneantes inadvertidos
e todos olharão fascinados por trás de vidraças escorrendo água, à espera ... à espera ... à espera que a fúria passe.
Porque passa sempre. Mas enquanto dura é magnífica.
kdçldkf

segunda-feira, 12 de abril de 2010

PALAVRAS ESTÚPIDAS 91

Newton versus Einstein
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Sou esquisita com tudo. Sempre fui. Sou tipo a Meg Ryan no "When Harry Met Sally".
Não faço pedidos esquisitos às mesas dos restaurantes, embora uma frase recorrente na boca de quem me conhece bem seja "Mas porque é que não pedes coisas normais?" Tenho até uma máxima na vida, que sigo escrupulosamente, no que diz respeito a restaurantes e qualquer sítio onde nos sirvam coisas que vão ser ingeridas - nunca! jamais! reclamar ou arriscamo-nos a que nos cuspam no prato ... literalmente. Pensarão então, mas ela engole tudo? Sim, quase tudo (eu até gosto da comida dos aviões!). A minha vingança é não dar gorja se não vier satisfeita. Sou, por isso, bem comportada e razoável à mesa, à excepção do ocasional pedido diferente.
fkgçl
Com a vida, a história pia mais fino. Ou menos, consoante a perspectiva.
Faço pedidos esquisitos à vida. Tenho noção disso. Desde que tenho 5 anos e que pensava que era uma feiticeira, que isso passou a acontecer com regularidade. E a vida mete os pés pelas mãos para me agradar, porque infelizmente não se rege pelas mesmas coordenadas mágicas que eu meti na cabeça que deveriam existir, ou seja, comigo a velha máxima chinesa "Tem cuidado com o que pedes, porque pode tornar-se realidade" acontece mais vezes do que aquelas que seria bom ou saudável desejar.
Gosto de perlimpimpins, pronto. A realidade para mim sempre foi demasiado sensaborona e precisa de um bocadinho de ajuda. Sou demasiado céptica e, não fosse este lado fantasista completamente tresloucado, estaria encurralada numa repartição de finanças a tentar à viva força que as contas do país batessem certo pela simples lógica da matemática.
Não. Minto. Não fosse este meu lado profundamente céptico e seria uma qualquer espécie de astróloga encafuada num filme do Harry Potter.
Peço à vida impossibilidades, tenho consciência disso. Impossibilidades às quais as leis da física e da química não conseguem responder. Gosto de dobrar o tempo, de usar poções que transformam os outros em seres mais intensos do que aquilo que na realidade são, de criar mundos alternativos onde as pessoas voam, não são filhas da puta umas para as outras e entendem a incessante busca do conhecimento, da arte e do amor.
fçfçgl
As minhas árvores de Natal são sempre perfeitas, consigo isso pelo menos. E nem sequer preciso de pózinhos mágicos. Já é alguma coisa ...
Fui descobrindo às minhas custas que a vida anda umas oitavas abaixo da minha e que, em geral, obedece a Newton, raramente a Einstein.

domingo, 11 de abril de 2010

AS TRIBOS DE ANDRÓMEDA

Pawnee
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"Misfortunes will happen to the wisest and best of men."
Provérbio Pawnee
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Os Pawnee pertencem à confederação dos Caddoan. O nome deriva provavelmente de parika, um corno, termo usado para designar a forma peculiar dos seus penteados, onde o cabelo era endurecido com tinta e gordura para se suster erecto e curvo como um corno. Os Pawnee auto-designavam-se Chahiksichahiks, `homens dos homens.'
A sua migração ocorreu por grupos separados, cujo lento processo abarcou longos períodos de tempo. As tribos Pawnee acabaram por se estabelecer no vale do Platte, no Nebrasca.
Em meados do século XVIII comerciantes franceses haviam-se estabelecido entre as tribos dos Pawnee. Era prática dos franceses e ingleses, nos séculos XVII e XVIII, obter de tribos amigas os seus cativos capturados em batalhas e vendê-los a colonos brancos como escravos. No entanto, os Pawnee não parece terem sofrido muito com este tipo de tráfico que, embora lucrativo, teve de ser abandonado devido às animosidades que provocava.
O facto de viverem em aldeias que ficavam longe das regiões contestadas por Espanhóis e Franceses nos séculos XVII e XVIII, fez com que os Pawnee escapassem durante algum tempo às influências maléficas da colonização, mas o contacto com a raça branca introduziu novas doenças e uma grande redução da população, juntamente com a perca de poder tribal.
Uma vez que grande parte do território Pawnee era atravessado pelas rotas dos colonos, aquele acabou por ser adquirido pelos EUA de forma pacífica.
A organização tribal dos Pawnee baseava-se em comunidades de vilas representando subdivisões da tribo. Cada vila tinha o seu próprio nome, o seu altar com objectos sagrados e o seu sacerdote, que estava encarregue dos rituais e cerimónias relacionados com esses objectos; tinha também os seus próprios chefes hereditários e o seu conselho composto pelos chefes e os líderes da tribo.
A tribo era mantida unida por duas forças: as cerimónias referentes a um culto comum em que cada vila ocupava o seu lugar e quota-parte, e o conselho tribal composto pelos chefes das diferentes vilas.
Os grupos de guerreiros eram iniciados por um indivíduo e compostos por voluntários. Se a vila fosse atacada, os homens lutavam sob o comando do seu chefe ou outro líder.
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As cerimónias religiosas estavam relacionadas com as forças cósmicas e os corpos celestiais. O poder dominante era Tirawa, ou "pai". Os corpos celestiais, os ventos, relâmpagos e chuva eram os seus mensageiros. As estrelas matinal e vespertina representavam os elementos masculino e feminino e estavam relacionadas com a existência e perpetuação de todas as coisas vivas na terra.
A mitologia dos Pawnee é incrivelmente rica em simbolismo e poesia e o seu sistema religioso é elaborado. As sociedades secretas, várias em cada tribo, estavam relacionadas com a crença em animais sobrenaturais. A sua função era atrair a caça, curar doenças e oferecer poderes ocultos. Os seus rituais eram elaborados e as cerimónias dramáticas.
Do mesmo modo que a doença, a morte era considerada como sendo o resultado de hostilidade e bruxaria. Os preparativos para funerais variavam de acordo com a categoria e posição do defunto. Pessoas importantes e os que morriam de velhice extrema eram pintados com um óleo sagrado encarnado, vestidos nos seus melhores fatos e envolvidos numa pele de bisonte. Acreditava-se que depois da morte a alma do defunto ascendia ao céu para se tornar uma estrela ou, no caso dos que morriam de doença ou de forma cobarde durante uma batalha, viajavam até uma vila de espíritos, para sul.

sábado, 10 de abril de 2010

MAGIC MOMENTS 101

DVD 8 - Dedicatórias Verdadeiramente Dedicadas
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Às vozes desafinadas deste mundo porque, apesar de mais frágeis, são quase sempre infinitamente mais interessantes do que as afinadas.
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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Fetiche #17

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se lhe atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
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"I hate mornings ..." - Garfield
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[Garfield]
1. Nome de gato com um ego da altura do Empire State Building, and then some ... > 2. Muito antes de gostar de gatos reais, já eu gramava à brava este bichano gordo e cheio de personalidade > 3. O boneco animado com a voz mais cool do universo e arredores > 4. Aquele que detesta manhãs, é guloso e odeia envelhecer só pode ser um fetiche > 5. Aquele que faz pouco do seu dono e do estúpido cão Odie só pode ser ... um gato
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quinta-feira, 8 de abril de 2010

'Till I Found You

O Mundo Colapsa 17
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2200, Inverno, 21.12 GMT
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Às vezes tinha vontade de o esganar. Às vezes tinha vontade de ter corpo outra vez, só para poder ter o prazer de lhe apertar o pescoço. O José. O José fora o culpado de tudo. Sorriu um dos seus sorrisos electrónicos. Não fora ele, e se calhar não estaria vivo hoje. Vivo ... Mas agora era mais vivo do que fora. A sua vida era uma merda. Só deixara de ser merda quando a conhecera. E mesmo assim, tivera de transformar tudo numa merda. Só fazia era merda. A única coisa certa que fizera na vida fora deixar de viver.
Por vezes desejava ser como o José, que aparentemente parecia ter certezas sobre tudo. O seu sistema ético parecia sempre intacto. A sua segurança inabalável, apesar de andar sempre com a mania da perseguição. Teorias da conspiração eram o seu oxigénio. Mas, ao contrário de si, que apenas as coleccionava por desporto, o José acreditava em todas. Ela andara obcecada por ele durante uns meses. Queria fazer uma reportagem sobre um hacker. E fora o José quem lhe falara dele. E avisara-a:
ºçº~ç
«too-sexy-to-my-shirt» n te metas c ele, ele é perigoso
çlçºl
Sorriu novo sorriso electrónico. Não acreditava no destino. Mas havia coisas que eram, no mínimo, divertidas, no máximo espantosas. Quando pensava nisso chegava sempre à conclusão absurda para um ateu convicto que o destino daqueles três seres fora traçado há muito nas estrelas da Via Láctea. Não podia ter sido de outra maneira.
Hoje, duzentos anos depois de tudo ter acontecido, tinha a certeza que sim. Hoje já não lhe causava impressão pensar que os três tinham feito parte de um estranho triângulo amoroso e que todos se tinham amado, cada um à sua maneira. Era tão óbvio. Era tão óbvio que aturara o maluco porque ela se afeiçoara a ele, mesmo depois de ter percebido que era completamente impossível fazer uma reportagem a partir de um tipo completamente marado, que a maioria das vezes nem sequer dizia coisa com coisa.
klçk
"Eu até gosto do miúdo, pá."
"Eu sei."
"Eu acho que gosto dele porque tu gostas dele."
"Gosto muito."
"Deves ser a única pessoa que lhe dá atenção."
"Se calhar."
lççkl
Era tão óbvio que o continuava a aturar e que até o propusera para seu Assistente ao Jorge, porque a sua presença lhe trazia a proximidade dela.
Não sabia porque continuara. O miúdo era capaz de ter razão. Continuara porque lá bem no fundo desejava que ela tivesse continuado também. Passava horas a analisar diários, resquícios dos que haviam deixado um qualquer testamento electrónico, porque o que procurava era o testamento dela. Estava-se nas tintas para o Programa. Mesmo sabendo que ela vivia de imagens e não de palavras, vivia há duzentos anos na esperança que ela tivesse deixado alguma prova de que tudo não fora em vão.
Mas que direito tinha de esperar o que quer que fosse, quando se tinha portado como um merdas?
Desistira dela. Tivera medo. E o medo fodera-lhe o resto da vida que ainda tinha.
çºflºçdf
System Hybernating

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Macro Secrets 32

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Imagination is as real as reality

terça-feira, 6 de abril de 2010

MORMORIOS DI FIRENZE XI

O Americano e o Irlandês
lkgçdfl

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irlandês e o americano bebiam um whiskey no Guiubbe Rose quando o americano exclamou:
"Raios, James! Olha para isto!"
A sua voz tonitruante encheu o café, desde o fundo da última sala até à porta de entrada, fazendo estremecer os copos de cristal irizado nas prateleiras por trás do balcão.
kfdçlkf
çlfkdçlsf
O irlandês ajustou os óculos de fundo de garrafa no nariz e, sem se intimidar com a omnipotência do gringo, pegou no jornal que o outro lhe estendia. Examinou-o atentamente, o nariz enfiado nas letras miúdas, e depois, com um gesto displicente, devolveu o jornal ao americano.
"Não dizes nada?", insistiu o outro, "Não te apraz dizeres nada, meu velho?"
James não retorquiu. Bebeu mais um golo acobreado do seu copo baixo e observou a mesa atentamente. Estava algo tocado, estado que parecia permanente desde que se haviam encontrado ali, por acaso, há coisa de um mês.
çlfkdçklf
dçfkjçdls
Ernest, também ele já com uma boa dose de álcool a correr-lhe indolentemente nas artérias, levantou-se cambaleante e pegou no jornal com ambas as mãos, sacudindo-o e estendendo-o à distância dos braços grandes, enquanto balançava na direcção do balcão.
Guido levantou a cabeça da tarefa que o ocupava naquele momento - secar canecas de cerveja - e antecipou o comportamento do homem imponente que tonitruava pela sala como um grande urso à solta numa arena de circo.
"Vejam bem! Vejam bem isto! A Irlanda está de novo em fogo. E ele", girou a cabeça na direcção do irlandês e ergueu uma das sobrancelhas, "não quer saber."
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Guido pegou no jornal e examinou-o com interesse. A primeira página referia em letras garrafais que a violência regressara à Irlanda. Aparentemente, Liam Lynch, um dos maiores oponentes ao Tratado Anglo-Irlandês negociado por Michael Collins, repudiara a autoridade do governo do novo Estado Livre, que acusava de ter traído o ideal da República Irlandesa. A Guerra Civil estalara de novo, em resultado do apoio do antigo presidente da República Eamon de Valera, ao IRA anti-tratado.
Guido abanou a cabeça dum lado para o outro e fez um gesto tipicamente italiano, juntando os dedos da mão direita, com a palma virada para cima e balançando o braço num movimento cadenciado, como um pêndulo frenético.
"É a guerra, meus senhores. É a guerra!", vociferava Ernest, excitado, abrindo os braços e rugindo pelo café como um louco acicatado.
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Só então James se ergueu lentamente e disse:
"Meu caro Ernest, a Irlanda sempre esteve em guerra e sempre estará. E o irlandês está condenado a viver em estado de ira. Bebamos à boa vida, à arte e ao dolce fare niente, enquanto ainda podemos."
Ernest levantou o seu copo no ar e assentiu:
"You are quite right, my friend. A Florença! À boa vida! À bella Itália!"
E os dois amigos esqueceram por mais uns momentos o mundo e deixaram-se ficar mergulhados na doçura da Toscana.
dkçldf

segunda-feira, 5 de abril de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 103

Laboratório de Personagens 3
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He contemplates the sea and bids farewell. To the cyclical sound, undisturbed, gentle and strong, as of the heart of a monstrous being that softly licks his feet. He stays there, erect, near the crushing of the waves and lets himself be kissed in that way, softly. Until he gets tired. He strolls to fool the weariness, to fool his body. But his body wont be deceived anymore. It's late. Too late.
Such a hurry to live ... for this ... for everything to end this way, abruptly.
And the sea murmurs, as if it wants to tell him something. And he goes forward and leans his body a little bit further and his ear and listens to the sea, as if a child holding a sea-shell larger than his hand, to his ear, to learn the secrets of the depths. But what he hears is but the sound of his own blood running inside his veins. And the sound of the sea is the sound of his own heart whispering to him "I am tired. I will stop now."

domingo, 4 de abril de 2010

MURMÚRIOS DO PARAÍSO XVII

As Alforrecas
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As alforrecas são as princesas-rãs do Paraíso. Princesas no mar, rãs em terra.
Bailarinas de elegância diáfana debaixo de água, pedaços de gelatina desengonçada à beira-mar.
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As aforrecas dançam lagos dos cisnes ao sabor do ondular e vêm bailar a morte do cisne junto ao rebentamento das ondas.
jflkdjklf
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São pequenas ou grandes, umas mais esbranquiçadas, outras mais azuladas ou rosadas, todas delicadamente translúcidas. É possível traçar o rumo das suas frágeis vidas pulsantes correndo um dedo corajoso pela película gelosa, seguindo o caminho das artérias vermelhas e cobalto.
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Como pudins desbotados, as alforrecas descansam na areia, rodeadas do seu próprio prato rendilhado, como se esperassem participar em algum louco chá das cinco estival.
fçlkf
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Há quem, com efeito, brinque aos cozinheiros e lhes atravesse gratuitamente a capa gelatinosa com cascas de canivetes, cortando fatias de alforreca temperadas de brisa marítima.
Triste é, pois, o destino de algumas destas bailarinas graciosas que, arrastadas pela maré implacável, acabam seus dias num enterro de areia, esquartejadas por crianças sádicas.
Há um lamento no Paraíso, que entoa a efémera vida deste corpo de baile flexível e leve. É secreto. Se encostares o ouvido a uma alforreca, talvez o consigas ouvir.
çldkfçldf

sábado, 3 de abril de 2010

PALAVRAS ESTÚPIDAS 90

Desisto
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Desisto. Desisto de escrever. Desisto das palavras, das letras, da pontuação. Desisto da minha mão. Não quero escrever. Não quero saber o que é isso. Desisto.
Escrever para quê?
Escrever porquê?
Escrever para quem?
Desisto, sou humana. É inútil tudo isto. Que acrescento a mim ou aos outros por escrever? Nada. Rien de rien. Desisto, não quero saber. Farta, estou farta disto. Farta de procurar a perfeição. Farta de escrever até à exaustão. Farta de viver assim. Farta de escrever só p'ra mim. Desisto, ninguém quer saber. E para que haveriam de querer? Tudo isto é em vão. Para quê insistir? Com que fim, com que justificação? Ridícula, sou ridícula.
Patética. Patética. Patética.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

AS TRIBOS DE ANDRÓMEDA

Omaha
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"Ask questions from your heart and you will be answered from the heart."
Provérbio Omaha
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Omaha significa "aqueles que caminham contra o vento ou a corrente". Os Omaha são uma das 5 tribos do chamado grupo Dhegiha da família Siouan (os outros são os Kansa, Quapaw, Osage e Ponca). Por volta de 1500 o ramo dos Omaha deslocou-se ao longo do grande rio Missouri para Norte. Desde essa altura até à chegada dos colonos, os Omaha travaram constantes guerras com os Sioux. Entre 1700 e 1800, os Omaha foram a tribo mais poderosa das Grandes Pradarias. Foram os primeiros a dominar a arte equestre e desenvolveram uma extensa rede de comércio com os exploradores brancos e viajantes. Por volta de 1855 moveram-se para a região do Nebraska e aliaram-se a outras tribos. Em 1854 cederam parte das suas terras, pelo tratado de Washington, embora a porção que constitui actualmente a sua reserva lhes fosse cedida.
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Os povoados primitivos dos Omaha possuíam uma estrutura social intrincada, intimamente relacionada com o seu conceito de união inseparável entre o céu e a terra. Esta união era vista como fundamental para a a perpetuação de todas as coisas vivas. A tribo encontrava-se dividida em duas partes, o povo do Céu e o povo da Terra. O povo do Céu era responsável pelas necessidades espirituais da tribo e o povo da Terra pelo seu bem-estar físico. Cada povo era constituído por 5 clãs.
As crenças dos Omaha encontravam-se simbolizadas nos seus povoados. Durante a maior parte do ano viviam em casas de terra, em cujo centro uma fogueira simbolizava o mito da criação. A entrada estava virada para Este, para ser banhada pelo sol nascente e recordar às pessoas a sua origem e migração ao longo do rio. O desenho circular das aldeias reflectia as suas crenças. O povo do Céu vivia na parte norte da vila, a área que representava os céus. O povo da Terra vivia na zona sul, que representava a Terra. Em cada metade da aldeia, clãs individuais eram localizados de acordo com os deveres tribais dos seus membros e a sua relação com outros clãs. Eram também usadas tendas durante as caçadas, longe da aldeia.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

MAGIC MOMENTS 100

DVD 7 - Dedicatórias Verdadeiramente Dedicadas
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Às escolhas do coração. Porque são difíceis, por vezes parecem completamente erradas, loucas e estúpidas, e dão cagaços de medo, mas são sempre certas. Escolher com o coração é voar com asas de pássaro.
dçlfkçd
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Got a wife and kids in baltimore jack
I went out for a ride and I never went back
Like a river that don't know where it's flowing
I took a wrong turn and I just kept going
fklçdf
Everybodys got a hungry heart
Everybodys got a hungry heart
Lay down your money and you play your part
Everybodys got a hungry heart
dçºflçºdf
I met her in a kingstown bar
We fell in love I knew it had to end
We took what we had and we ripped it apart
Now here I am down in kingstone again
çfdçºlf
Everybodys got a hungry heart...
Everybody needs a place to rest
Everybody wants to have a home
Don't make no difference what nobody says
Aint nobody like to be alone
lfkdlçf
Everybodys got a hungry heart...

quarta-feira, 31 de março de 2010

PALAVRAS EMPRESTADAS 66


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"Gondor! Gondor, between the Mountains and the Sea!
West Wind blew there; the light upon the Silver Tree
Fell like bright rain in gardens of the Kings of old.
O proud walls! White towers! O winged crown and throne of gold!
O Gondor, Gondor! Shall Men behold the Silver Tree,
Or West Wind blow again between the Mountains and the Sea?"
Cântico de Aragorn - The Lord of The Rings - J.R.R. Tolkien
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"To Isengard! Though Isengard be ringed and barred with doors of stone;
Though Isengard be strong and hard, as cold as stone and bare as bone,
We go, we go, we go to war, to hew the stone and break the door;
For bole and bough are burning now, the furnace roars - we go to war!
To land of gloom with tramp of doom, with roll of drum, we come, we come;
To Isengard with doom we come!
With doom we come, with doom we come!"
Cântico dos Ents - The Lord of The Rings - J.R.R. Tolkien
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"Where now are the Dúnedain, Elessar, Elessar?
Why do thy kinsfolk wander afar?
Near is the hour when the Lost should come forth,
And the Grey Company ride from the North.
But dark is the path appointed for thee:
The Dead watch the road that leads to the Sea."
Mensagem de Galadriel para Aragorn - The Lord of The Rings - J.R.R. Tolkien
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"Legolas Greenleaf long under tree
In joy thou hast lived. Beware of the Sea!
If thou hearest the cry of the gull on the shore,
Thy heart shall then rest in the forest no more."
Mensagem de Galadriel para Legolas - The Lord of The Rings - J.R.R. Tolkien
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"Lockbearer, wherever thou goest my thought goes with thee. But have a care to lay thine axe to the right tree!"
Mensagem de Galadriel para Gimli - The Lord of The Rings - J.R.R. Tolkien
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"Arise now, arise, Riders of Théoden!
Dire deeds awake, dark is it eastward.
Let horse be bridled, horn be sounded!
Forth Eorlingas!"
Rei Théoden - The Lord of The Rings - J.R.R. Tolkien

terça-feira, 30 de março de 2010

Fetiche #16

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se lhe atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.

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"There was a demon that lived in the air. They said whoever challenged him would die. Their controls would freeze up, their planes would buffet wildly, and they would disintegrate. The demon lived at Mach 1 on the meter, seven hundred and fifty miles an hour, where the air could no longer move out of the way. He lived behind a barrier through which they said no man could ever pass. They called it the sound barrier." - The Right Stuff
lkfnbçlf

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[MIG]
1. Abreviatura poderosa, enigmática e mítica > 2. Abreviatura dos dois criadores, Artem Mikoyan (M) e Mikhail Gurevich (G). O "i" do meio significa "e" em russo > 3. Ágil e potente maravilha tecnológica tornada famosa nos anos 80 pelo filme Top Gun > 4. Nunca acontecerá, até porque não deveria nunca passar nos testes cardíacos, mas continua a ser um sonho de adolescente voar num deles > 5. Há melhores, bem sei, e mais potentes, mas foi o MIG que eu sempre quis, o MIG, o MIG, o MIG, ok? > 6. Hochu letatʹ na Mig, ok? Yestʹ problemy?

segunda-feira, 29 de março de 2010

'Till I Found You

O Mundo Colapsa 16
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09/02/2030
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Guardian-Angel,
Time. What is that? I've lost track of time. Seconds are like minutes, minutes go by like hours and hours seem like days. Yesterday was Monday, or was it Tuesday? It must have been Monday because the food supplies arrived. I looked at myself in a mirror and I didn't recognize who I saw. I guess I'm no longer Tuesday. I'm a soldier now. A lost soul. But it's so much better this way. I still don't know where I'm going, but I have a place of my own. Even if it's Hell itself.
Tuesday
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15/02/2030
sçºldºçs
Guardian-Angel,
I have a fantasy. When I die, someone will ask me what is the one thing my life was worth living for. And I will answer - you. Knowing you, being with you, feeling you, talking to you, listening to you, loving you. But that's over now. And I have to live with that for the rest of my days in this world. My consolation is that those days wont be many, now. I hope you find what you were looking for. I really hope that.
Tuesday
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2200, Inverno, 20.51 GMT
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Someone wants to communicate.
DCC Chat
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Dormir. Nem a dormir conseguia ter descanso. O sistema de hibernação alertava qualquer tentativa de comunicação automaticamente, se fosse Code Red. E era quase sempre, a não ser que lhe quisessem pedir o raio da fotografia emprestada, ou falar sobre a porra do comportamento das margaridas sob a influência dos raios gama, e ninguém falava dessas coisas. Ninguém gostava de dissertar sobre sentimentos. Era um sistema de auto-defesa que todos haviam assimilado inconscientemente no início, sem ser preciso acordar nada. Qualquer conversa sobre as suas vidas passadas ou qualquer desabafo podia pôr em perigo tudo, porque bastava descuidarem-se nalgum pormenor para o sistema lhes cair em cima.
Mas era mais do que isso. Era também um sistema de auto-preservação pessoal. Não valia a pena porem-se com reminiscências sentimentalóides sobre vidas que haviam desaparecido há dois séculos atrás, pessoas que já não existiam nem sequer em registos. Já bastava os pensamentos que os acompanhavam todos os dias, todas as horas.
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System Hybernation Interrupted
System On.
Cheking Ident
Status: On-Line
Identity: Code Red
Translation: too-sexy-to-my-shirt
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«too-sexy-to-my-shirt» hey
«Júpiter» hey
«too-sexy-to-my-shirt» o q é q se passa?
«Júpiter» o q foi?
«too-sexy-to-my-shirt» como é q podes tar a dormir numa altura destas pa??
«Júpiter» dormindo
«too-sexy-to-my-shirt» há CM daqui a 4 horas
«Júpiter» já sei
«too-sexy-to-my-shirt» essa garina ainda tá aí...
«Júpiter» ???
«too-sexy-to-my-shirt» a tua garina
«Júpiter» o q tem?
«too-sexy-to-my-shirt» nunca a esqueceste...
«too-sexy-to-my-shirt» hey
«Júpiter» o q foi? já acabaste?
«too-sexy-to-my-shirt» tás te a cagar p isto porque n a podes trazer de volta mas...
«too-sexy-to-my-shirt» mas...
«too-sexy-to-my-shirt» mas...
«Júpiter» mas o q?
«too-sexy-to-my-shirt» e se ... ela continuou?
«Júpiter» não continuou
«Júpiter» não sabia
«Júpiter» vou dormir
«too-sexy-to-my-shirt» podia saber ...
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DCC Chat Off.

domingo, 28 de março de 2010

Macro Secrets 31

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Dancing is the closest possible to the intangible

sábado, 27 de março de 2010

MORMORIOS DI FIRENZE X

O Duomo
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O Duomo ergue-se redondo no meio do casario. Redondo e orgulhoso. Redondo e baixo, mas em terra de cegos quem tem olho é rei.
O Duomo tem olho grande, abobadado. E por isso o Duomo é rei em Florença.
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Sobe-se ao Duomo por escadas estreitas, escuras e intermináveis - 463 degraus, para ser mais precisa.
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Uma vez lá em cima, é-se dono de Florença. Mas apenas por breves momentos. Recordemos - Florença não se entrega assim a ninguém. Apenas nos dá essa sensação.
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Lá em cima somos reis, com o Duomo. Imperadores dessa maré vaza renascentista que se espraia, cor de tijolo até ao abraço das montanhas.
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O Duomo guarda todos os segredos do Berço, escondidos no arco-íris dos seus vitrais,
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na geometria dos seus arcos ogivais,
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nas frestas dos seus frescos abobadados.
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No Duomo todos os florentinos sussurram, desde séculos passados, os seus desejos mais secretos, que se esvaem em fumo de velas na direcção do infinito.
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sexta-feira, 26 de março de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 102

Os Índios e a Morte
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Os índios Sioux depositam os corpos dos seus mortos em plataformas no topo de árvores, para que sejam limpos pelos pássaros e outros animais antes do seu enterro final na terra, sob a forma de esqueleto.
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É habitual na mitologia de várias tribos índias do continente americano, existirem casamentos entre pessoas vivas e fantasmas
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Para os Caddo, um povo nativo da região leste do Texas, não existia morte. No entanto, os bebés não paravam de nascer e não tardou que a Terra estivesse a abarrotar de gente. Os membros mais velhos da tribo reuniram-se para discutir o problema e sugeriu-se que talvez fosse uma boa ideia se as pessoas morressem durante algum tempo e regressassem mais tarde à Terra. O Coiote compareceu e ficou impaciente com o acordo. Se as pessoas morressem temporariamente, afirmou, isso apenas adiaria o problema. A população continuaria a crescer na sua ausência e, assim que regressassem, o mundo enfrentaria a pior das crises, pois não haveria aliemento para todos. Perante este argumento, o conselho não conseguiu consenso - embora admitissem que o Coiote tinha razão, não podiam aceitar que os seus entes queridos se perdessem para sempre. Decidiu-se, por isso, que os mortos deveriam abandonar este mundo durante algum tempo e depois regressar. Foi construída uma "casa medicinal" para onde os espíritos seriam conduzidos pelos cânticos do sacerdote, uma vez terminada a sua viagem pelo reino da morte. Quando o primeiro homem morreu, os sacerdotes esperaram 10 dias e chamaram o seu espírito de volta. Ele foi visto, um remoinho soprando no céu. À medida que se aproximava da casa, no entanto, o Coiote fechou-lhe a porta. Desviado, o tornado prosseguiu na direcção do esquecimento. A partir de então, a morte tem sido um estado permanente. Os Caddo consideram os tornados como as almas errantes dos mortos e o Coiote doi expulso, tornando-se um renegado.
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Para os índios das pradarias americanas, o cavalo era tão importante como o barco para os Vikings. Quando um guerreiro Sioux morria, muitas vezes o seu cavalo preferido era sacrificado juntamente com o seu corpo, para poder transportá-lo para a terra dos mortos.
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Em geral, os nativos americanos parece não terem tido qualquer noção de uma existência para além da terrena. Acreditavam que os mortos simplesmente se extinguiam como em fumo, podendo continuar a viver mas apenas na memória dos seus entes queridos. Era um credo austero, mas não necessariamente triste - se a morte não trazia nenhuma promessa, também não carregava nenhuma ameaça.
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retirado de "The History of Death" - Michael Kerrigan

quinta-feira, 25 de março de 2010

MURMÚRIOS DO PARAÍSO XVI

Os Caças
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Nem só de bucolismo vive o Paraíso.
Em tempos remotos, este mesmo Paraíso costumava ser invadido por pássaros grandes, poderosos e ágeis.
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Precisamente às 7 da manhã de um dia perfeitamente pacato, os habitantes e visitantes do Paraíso eram brutalmente arrancados a um sono justo por um som assustador - o som da barreira do próprio som a ser quebrada.
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kçplç+
O que foi isto? perguntavam-se, aturdidos, os pobres incautos em seus leitos fofos, estremunhando pela madrugada, ainda o sol não ia alto. É um pássaro? É um super-homem? Não, pelos deuses! são os danados dos caças da base ali para os lados do Alentejo que decidem brincar em procissão rasante pelos telhados do Paraíso e roubar sossegos merecidos.
"Porra!" era o que mais se ouvia pelo Paraíso nesses dias. Um coro de porras e um baque colectivo de batimentos cardíacos acelerados que, como uma onda humana, ia assaltando os peitos dos veraneantes em sucessão, à medida que o raio dos caças passavam.
Alguns conseguiam regressar aos braços de Orfeu, após mais algumas injúrias proferidas com voz cavernosa debaixo dos cobertores. Para outros, infelizmente, a manhã teria sido completamente arruinada.
Os malucos dos caças faziam de propósito. Sabe-se até de fonte segura que havia um prezado senhor-piloto que costumava rasar o Paraíso exactamente sobre o areal vespertino, só para se exibir frente à sua mais que tudo.
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joijoi
Hoje em dia os malucos foram proibidos de rasar o Paraíso ou então cansaram-se. Nunca mais foram ouvidos por estas partes. Já que vistos era coisa rara, porque quando o incauto veraneante se levantava e corria para a varanda para lhes mostrar um dedo, já os doidos haviam cruzado a linha do horizonte para nunca mais serem vistos.
oijoij

quarta-feira, 24 de março de 2010

PALAVRAS ESTÚPIDAS 89

Pegada Ecológica
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NÃO FAÇO RECICLAGEM!!!!! Pronto, já confessei. Uff!!! Tirei um peso de cima dos ombros. Agora o mundo inteiro vai saber que sou uma pária poluidora.
Para além disso...
Ocasionalmente tomo longos banhos de imersão, nos quais gasto certamente mais de 10 litros de água potável.
Deixo sempre a torneira aberta enquanto lavo os dentes, porque se a fechar sinto que me falta qualquer coisa - aquele som de água a correr, que me acompanha desde a infância.
Lavo a louça com a água a correr porque infelizmente os ralos do lava-louças da minha cozinha não têm tampas que prendam a água (e sim, já andei feita doida a correr as capelinhas todas das drogarias de Lisboa sem sucesso, até que, vencida, desisti).
Lavo a roupa a qualquer hora do dia e estou-me pouco lixando para as horas económicas da EPAL.
Não uso pilhões e deito as pilhas no lixo normal.
Gasto resmas de papel normal porque, não só detesto o mau acabamento do papel reciclado e aquele ar "acabei de ser feito na lixeira municipal" que tem, como detesto usar folhas de papel que já tenham algo escrito nas costas.
Fumo cerca de 1 maço de cigarros por dia.
Nunca desligo as fichas dos aparelhos eléctricos durante a noite ou quando não estou em casa (mentira: passei a desligar tudo ou quase tudo desde que tenho um gato doido em casa).
E, não menos importante, tenho uma aversão total a pessoas ditas "verdes" - são chaaaaaaatos e armados em intelectualóides pá! que só à bofetada ...
kflçdf
Em contrapartida ...
Já fui mãe adoptiva de um golfinho escocês cujo nome não recordo mas devia ser algo parecido com Flipper ...
Assino a National Geographic há 9 anos (parte do dinheiro da minha assinatura reverte para projectos de investigação e conservação patrocinados pela revista - pelo menos é isso que eles me fazem o favor de lembrar de vez em quando).
Não uso automóvel, desloco-me para todo o lado a pé ou de transportes públicos.
Tomo duches de 5 minutos.
É raro viajar de avião (aqui vivo na esquizofrenia total - por um lado é infelizmente, porque isso significa que não viajo tanto como gostaria, mas por outro é felizmente, porque tenho pavor de viajar de avião).
E, se quisermos ir ainda mais longe, não tenho filhos, ou seja, nunca contribuí para um dos maiores flagelos mundiais - a sobrepopulação.
dfkldçf
Contas feitas, parece-me que a minha pegada ecológica não é assim tão grave quanto isso, afinal de contas ...

terça-feira, 23 de março de 2010

AS TRIBOS DE ANDRÓMEDA

Navajo
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"Thoughts are like arrows: once released, they strike their mark. Guard them well or one day you may be your own victim."

Provérbio Navajo
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Os Navajo, como os Apache, migraram para a região do Arizona/Novo México desde o Canadá e o Alasca, algum tempo antes da chegada dos Espanhóis ao Sudoeste do Continente Americano, no século XVI.
Os Navajo eram originalmente um povo nómada, constituido por caçadores, mas com a introdução de ovelhas, cabras e cavalos pelos Espanhóis, desenvolveram uma economia pastoral, cultivando também pomares e jardins; também a captura de mulheres da tribo Pueblo introduziu nos Navajo a agricultura, a tecelagem e novos rituais religiosos.
A organização familiar dos Navajo era matrilocal e matrilinear, tendo o recém-esposo que deixar a sua família para ir residir com a da sua esposa. A mulher podia pôr fim ao casamento simplesmente enviando o marido de volta para a sua família. Era comum um marido ter mais do que uma mulher, sendo a segunda frequentemente a irmã da primeira, na esperança de que este arranjo evitasse fricções entre as mulheres.
Tradicionalmente estavam identificados apenas 4 clãs Navajo, mas no século XX já existiam 75, divididos em 9 grupos principais. Duas pessoas do mesmo clã ou de clãs relacionados estavam proibidas de casar, pois era considerado incesto. Os membros de um clã relacionavam-se de forma muito próxima, utilizando os termos "irmão" ou "irmã" entre si. Não conseguir cuidar dos membros da sua família era considerada uma ofensa gravíssima e este sentido de obrigação é interpretado não como um dever, mas como um privilégio.
Ainda assim, existe também um sentido muito forte de individualismo ou auto-suficiência. Cada Navajo passava muito tempo sozinho, frequentemente em território hostil, onde a incapacidade para agir de forma independente podia ser fatal. Esta experiência pode explicar porque motivo deus é definido em termos de ordem ou controlo, enquanto que o "mal" é o caos ou a perca de controlo.
Em 1863 o General James Carlton ordenou a retirada dos Navajo para uma reserva chamada Bosque Redondo, no Novo México. A táctica usada foi destruir todos os seus meios de sobrevivência: o gado foi morto, os poços foram envenenados, as culturas e pomares destruídos. Mais de 8.000 Navajo foram forçados a caminhar cerca de 500 quilómetros. Os que não conseguiam acompanhar a caminhada, "alguns aleijados e crianças ... eram mortos a tiro". O objectivo era que abandonassem os seus modos selvagens e se tornassem pequenos homens brancos. Em 1868, no entanto, foi-lhes permitido regressar ao seu território, tendo sido assinado um tratado que definiu as fronteiras da nação Navajo. Hoje em dia esse território é constituído por cerca de 70.000 quilómetros quadrados.
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No Universo Navajo existem vários mundos. Há 4 submundos, o mundo onde vivemos, o céu e um mundo mais elevado chamado a Terra-Para-Além-do-Céu; assim, o nosso mundo é o quinto. Estes mundos constituem hemisférios, cada um deles suportado por pilares concebidos a partir de pedras preciosas. Os pilares, cujo número varia, estão dispostos em cada uma das 4 direcções (norte, este, sul e oeste). Estes pilares são chamados Aqueles-Que-Se-Erguem-Sob-o-Céu e são considerados como deidades. O espaço entre os hemisférios é preenchido por estrelas, enquanto que cada hemisfério sucessivo é um desenvolvimento do que lhe precede e, por isso, maior. Os pilares são também pontes que ligam os diferentes mundos.
A principal divindade é o Sol, que gera e cria as coisas. Tem sido sugerido que muitos, senão todos os deuses Navajo são aspectos diferentes do Sol.
Também existem diferentes explicações para a origem do Homem. Uma delas conta que os seres humanos foram transformados a partir do milho. Outro relato conta que Mulher Que Se Transforma, uma das divindades dos Navajo, esfregou pedaços da sua pele uns contra os outros, criando os 6 grupos de pessoas que subsequentemente formaram os diferentes clãs Navajo.
A sua relação com a Terra é descrita como "Estas (sagradas) montanhas são o nosso pai e a nossa mãe. Provimos deles; dependemos deles. Cada montanha é uma pessoa. Os cursos de água correm nas suas veias e artérias. A água neles é a sua vida, tal como o sangue nos nossos corpos."
Entre os inúmeros seres que podem auxiliar os homens, estão animais e pássaros que servem frequentemente de mensageiros. Os animais domésticos são considerados inferiores, vistos como propriedade, ao contrário dos selvagens.
O Coiote é a antítese da ordem, ou do "bem". É descrito como cobarde, desonesto, libertino, pouco fiável e amoral e é, por isso, desprezado.
Os Navajo não têm noção da imortalidade. Quando as pessoas morrem, a sua personalidade permanece no corpo e o defunto torna-se uma "parte indefenível do todo universal". No entanto, enquanto que parece não existir uma vida para além da morte e a noção de imortalidade pessoal ser quase universalmente repudiada, parece haver alguma forma de imortalidade através da "continuação biológica" - a perpetuação dos pais nos seus filhos.
Apesar de temerem os mortos, os Navajo gostam de falar sobre a vida, as boas acções e os feitos dos defuntos.