terça-feira, 20 de julho de 2010

OS FILMES DE ANDRÓMEDA

Há Lodo no Cais
On the Waterfront
Realização: Elia Kazan (EUA)
Ano: 1954
kflçdf
dlkflçds
"Terry: You don't understand. I coulda had class. I coulda been a contender. I coulda been somebody, instead of a bum, which is what I am, let's face it. It was you, Charley."
dlkflçd
Recordo:
... o preto-e-branco cru e poético ...
... a banda-sonora intensa e perturbadora ...
... um enredo rico e complexo, pleno de tensão, paixão e drama ...
... uma das interpretações mais geniais de Brando, o doce e perdido Terry Malloy ...
... um casting de secundários absolutamente brilhantes - Eva Marie-Saint, Karl Malden, Rod Steiger ...
... a primeira vez que Brando me tirou o fôlego e o tapete debaixo dos pés ...
... aquela cena no telhado com os pombos ...
... aquela que é considerada pela maioria dos experts como a cena mais bem representada por um actor em toda a história do cinema - a cena do carro entre Terry e o irmão ...
... se tivesse que explicar a um extra-terrestre o que é o Cinema, mostrava-lhe este filme ...
dfkldsçlf

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Fetiche #29

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
fºçdº~fç
"A day without sunshine is like, you know, night." - Steve Martin
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[Steve Martin]
1. Nome de cómico norte-americano brilhante > 2. Actor, escritor, pintor, show-man > 3. O seu sentido de comédia é um assombro de génio, sempre > 4. A prova mais do que provada que para ser um cómico de excelência, não basta dizer umas baboseiras, é preciso cultura e inteligência > 5. O digníssimo sucessor de Peter Sellers, salvo as devidas distâncias (Sellers foi o maior génio da comédia) > 6. Este homem faz-me rir até às lágrimas
dkfçldk

domingo, 18 de julho de 2010

Macro Secrets 44

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Make your own destiny.
It's so much more fun!

sábado, 17 de julho de 2010

MORMORIOS DI ROMA II

Chinco Minuti
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Quer ir do Coliseu ao Panteão?
São chinco minuti!
lfdºçf
dfldºç
Do Panteão à Fonte di Trevi?
São chinco minuti!
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Da Fonte ao Castelo de Sant' Angelo?
Chinco minuti!
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Do Castelo ao Vaticano?
Chinco minuti!
É caso para perguntar, será que atravessar Roma inteira é possível em ...
Chinco minuti! Sim!
Os espanhóis costumam dizer que "É já ali!"
Para os romanos, chinco minuti parecem ser o pão nosso de cada dia.
Roma e Pavia não se fizeram num dia.
Fizeram-se em Chinco minuti!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

PALAVRAS ESTÚPIDAS 102

Smeagol, o Gato de Biblioteca - Lição nº 3
fkdlsçf

dlçfkdsçlf
"When you notice a cat in profound meditation,
The reason, I tell you, is always the same:
His mind is engaged in a rept contemplation
Of the thought, of the thought, of the thought of his name:
His ineffable effable
Effanineffable
Deep and inscrutable singular Name."
T.S. Eliot - Old Possum's Book of Practical Cats
dlkfdçlf
T.S. Eliot tem, portanto, uma explicação bem mais prática para os supostos "fantasmas" que os gatos parecem fixar.
Quando vir o seu gato em profunda meditação, a razão é sempre a mesma: a sua mente está ocupada na contemplação do seu nome secreto.
Smeagol, qual é o teu nome secreto?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

MAGIC MOMENTS 112

DVD 19 - Dedicatórias Verdadeiramente Dedicadas
kflçdgk
Aos Chimpanzés, porque deveriam ter um estatuto diferente dos outros animais - ainda não são humanos mas também já não são completamente animais. E, sobretudo, não deveria haver um único chimpanzé dentro de uma jaula, em nenhuma parte do mundo.
dfkdlçsf

quarta-feira, 14 de julho de 2010

MURMÚRIOS DE LISBOA XCVI

Kurosawa Never Went
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dfkdlçf
De panamá azul na cabeça, com um carreiro de cinco formigas correndo atarefadamente atrás dele, Kurosawa palmilhava o miradouro do Jardim do Torel, dando indicações.
O cameraman e o sonoplasta filmaram durante uns momentos a vista magnífica de Lisboa, enquanto o realizador se quedava na rectaguarda, sobre uma elevação do terreno, para melhor apreciar o cenário e as suas potencialidades.
De microfone gigante empunhado sobre a câmara de filmar, o sonoplasta captava os sons típicos de Lisboa, enquanto a câmara fixava o casario a descer em cascata até à fita brilhante de rio lá ao fundo.
Depois trotaram todos em fila indiana, seguindo em azáfama o pequeno e sereno Mestre nipónico, em direcção a outro miradouro. A fila fechava com a assistente japonesa, petit, segurando uma sombrinha negra que a protegia do sol.
Confirma-se, portanto, que Kurosawa continua a fazer filmes. Outra coisa não seria de esperar. E que outro sítio poderia ele ter escolhido lá de cima, com a vista abrangente que possui a partir do Olimpo dos Deuses?
Lisboa, claro!

terça-feira, 13 de julho de 2010

'Till I Found You

O Mundo Colapsa 27
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Establishing Ident
Status: On-Line
Identity: Code Red
Translation: Jupiter
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Send DCC Chat
Chat Established
kldfçldk
«Jupiter» Greetings
«Krueg» Greetings, C. First of all let me just say that I do not support you leaving the Program. You might think I do, but that is not so. You are an extremely valuable member and it would not be intelligent at all to say otherwise. We need every brain with us.
«Jupiter» Sure …
«Krueg» On the other hand, I don’t understand why you can’t at least consider me the benefit of doubt, when you know as well as I do that the information I gathered is extremely valuable and coherent.
«Jupiter» I disagree. Even if I considered it valid, which I don’t, the suicidal plan you’ve come up with is completely insane.
«Krueg» It’s the only way to get results. We can’t know for sure unless we attack. We all knew that this day would come eventually. I think you’re suffering from what every guerrilla warrior eventually comes to suffer.
«Jupiter» Really? Enlighten me.
«Krueg» The denial syndrome. Usually they’ve been fighting for so long for a certain cause that they simply end up fighting just for the sake of it. What happens is, they don’t want to find a solution because the solution would mean the end of the fight and fighting has become their sole purpose for living.
«Jupiter» You’re forgetting a minor detail, there. We’re not alive. We’re living inside machines. We are not human anymore.
«Krueg» You know exactly what I mean. And we are alive. You might not consider this a form of life, but I do. And a lot of others do too. I’m not dead. I am my mind. And my mind is very much alive.
«Jupiter» Look. I didn’t come here to discuss philosophy with you. What exactly do you want?
«Krueg» I want you to stay. That’s it. I need your help. We all do. Especially J. You’re destroying him with your tantrums.
«Jupiter» How very fatherly of you to be so concerned about J’s health. Especially when you’re the one who’s going to kill him.
«Krueg» Ok. I tried. You obviously seem all worked up on maintaining a childish course of action. I presume you’re going to keep investigating the Dheli material?
«Jupiter» That’s none of your business, is it? Or do you want to be accused of conspiracy with a rebel?
«Krueg» I just wanted to warn you. That course of action is extremely dangerous. If you’re out, I don’t care. I mean, I do, but I can’t do anything about it. What I can and will do is prevent you from doing anything that might destroy the Program.
«Jupiter» Oh really? And what exactly do you intend to do?
«Krueg» You’re alone, C. If you leave the Program, I will do whatever is in my power to see that you don’t get any help at all from any ARLI.
«Jupiter» I see. I understand.
«Krueg» Think well before you do something you might regret for the rest of your … whatever it is that you call it now.
«Jupiter» For the rest of my artificial life.
«Krueg» Greetings.
«Jupiter» Greetings.
fkçlf
DCC Chat Off.
klçlf
Muito bem. Percebeu imediatamente porque é que o Human tinha querido que ele falasse com o Krueg. E talvez tivesse sido também, uma derradeira tentative de o demover. Porque talvez o Human tivesse pensado que, se visse preto no branco a solidão em que iria mergulhar, isso o fizesse pensar duas vezes.
Mas o Human também já o devia conhecer suficientemente bem para saber que quando tomava uma decisão, não havia retorno. Podia demorar séculos (literalmente) mas quando a tomava era irreversível. E subitamente percebeu com uma clareza enorme, que já tinha perdido demasiado tempo com tudo aquilo.
jlfkj
Enviou uma mensagem ao Human:
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«MemoServ» I’ll see you when I see you. It was a pleasure working with you, my friend.
fkjklf
Depois estabeleceu contacto com o Jorge:
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Establishing Ident
Status: On-Line
Identity: Code Red
Translation: Jupiter
lfçkçlf
Send DCC Chat
Chat Established
lçfk
Mas o Jorge não respondeu. Aparentemente estava em processo de negação. Só lhe restava deixar uma mensagem.
fçºlfºç
«MemoServ» Escusado será dizer que não vou esperar pela CM para ser expulso oficialmente por um miúdo. Mesmo que esse miúdo seja a pessoa com quem tive a maior honra de ter trabalhado. Serás sempre o mentor disto tudo, esteja eu onde estiver. Toma cuidado, Jorge. Hasta la vista.
çlfkçfld
Chegara o momento. Embora nunca tivesse havido nenhum abandono voluntário do Programa, sabia exactamente quais eram os procedimentos, porque fora ele quem os estabelecera juntamente com o Jorge, no início, há 200 anos atrás.
Qualquer ARLI que decida voluntariamente ou que seja obrigado a abandonar o Programa por decisão unânime dos 5 Chefes e respectivos Assistentes, terá de respeitar as seguintes regras:
Regra Nº1: Interrupção imediata de quaisquer contactos com outros ARLIs, sob pena de destruição sumária
Regra Nº 2: Destruição voluntária de qualquer informação em memória sobre o Programa, que possa ser útil ao inimigo
Regra Nº 3: Jamais esse ARLI poderá reintegrar o Programa, mesmo que a sua reintegração seja benéfica para o mesmo
lfkçlf
No mercy. Era ditatorial, mas as regras tinham sido estabelecidas desse modo precisamente porque do outro lado não havia qualquer tipo de misericórdia. Lidavam com máquinas, não com seres humanos. E, infelizmente, essas máquinas nunca tinham ouvido falar nas Leis da Robótica*.
çlfklçf
Como fazia parte do Governo Sombra, também tinha que entregar todos os códigos de que dispunha para participar nas CMs.
Ligou o Automatic e iniciou a operação de upload de todo o material. Claro que guardou um backup de tudo. Não era parvo. Toda a gente sabia que ele não era parvo. E toda a gente sabia que não era por ali que o Programa seria destruído. O problema era outro – a Dheli. Mas também toda a gente sabia perfeitamente que o facto de ter realizado investigações à Dheli à revelia do Programa, lhe permitia obviamente guardar essa informação para si. Houve outra coisa que também não entregou – o diário do sujeito 9843852. Era seu.
E, finalmente, o vazio. A partir daquele momento estava entregue a si próprio. Ficou alguns momentos parado, algures num PacMaster em Itália. Promoveriam o José a Chefe da Europa? O mais certo era um deles, provavelmente o Jorge ou o Krueg acumular dois continents sob a sua chefia. Pensou como seria a primeira CM sem a sua presença. E lembrou-se … Muitas vezes quem abandona sente-se muito pior do que quem é abandonado, ao contrário do que se possa pensar. O abandonado não toma qualquer decisão. Tem pura e simplesmente que aceitar e viver com isso. A vida continua … mesmo quando por momentos parece que vai acabar. Mas para quem parte, a vida é uma consequência totalmente nova. E tem que se viver com ela para o resto dos nossos dias, sabendo que não é possível voltar atrás.
A vida continuaria para os 4 Chefes e os seus 5 Assistentes. Continuaria para os restantes ARLIs. Teriam que se adaptar à nova situação. Haveria um momento inicial de confusão, talvez. De dúvidas e incertezas. O Programa seria levemente abalado, certamente. Jorge teria de emitir um comunicado a todos os ARLIs, garantindo que nada afectaria o Programa. Provavelmente o Krueg fá-lo-ia passar uma imagem um pouco mais distorcida da realidade. Inventariam que ele flipara? Ou que se passara para o outro lado? Talvez tivesse que ter cuidado. Sim, talvez a forma do Krueg garantir que ninguém o ajudasse, fosse fabricar, sem o conhecimento de Jorge, uma história de que ele, Carlos, é que era o agente duplo. Teria que contar com todas as possibilidades. E, sobretudo, tinha que se pôr em acção o quanto antes.
kklsl
Nota: As Leis da Robótica foram estabelecidas pelo escritor de ficção científica Isaac Asimov em 1954, na colectânea de contos “Eu, Robot”: 1 – Um robot não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal. 2 – Um robot deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, excepto quando as ordens contrariam a primeira lei. 3 – Um robot deve proteger a sua própria existência, desde que tal protecção não entre em conflito com a primeira e a segunda leis.
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= FIM DA PRIMEIRA PARTE =

segunda-feira, 12 de julho de 2010

OS FILMES DE ANDRÓMEDA

Guerra das Estrelas (Saga Completa)
Star Wars
Realização: George Lucas (EUA) (para todos os efeitos, o guru, criador do enredo e do conceito, mesmo que não tenha realizado todos os filmes)
Ano: 1977
lfºçdl

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"Obi-Wan Kenobi: Use the Force, Luke.”
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Recordo:
... uma ida ao cinema memorável, quando tinha 5 anos, que ficaria gravada para sempre na minha memória ...
... um som irresistível, até hoje, tzzzzzzzzzz ... tzzzzzzzzzzzz ...
... uma saga entusiasmante, repleta de personagens míticos ...
... uma voz terrível, uma silhueta negra, uma tragédia grega ...
... efeitos especiais que ainda hoje se mantêm actuais ...
... a velocidade incrível daquelas perseguições de naves, na longínqua década de 70 ...
... Yoda, Yoda, Yoda ...
... The Force, you can't resist that Force, that Force is the coolest concept in the entire universe ...
... In a Galaxy far, far away tchan!! tchan!! tchan!! tchan!! tchan!! ...
... Avé George Lucas, Avé!
klfçdlk

domingo, 11 de julho de 2010

Fetiche #28

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
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"Um penalty é uma forma cobarde de marcar." - Pele
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[Penalties]
1. Forma cobarde de marcar, segundo Pelé > 2. Epá, Pele, filho, não quero saber, adoro penalties! > 3. Não os de beber, os outros, os do futebol > 4. O terror de qualquer jogador de futebol, em qualquer parte do mundo > 5. Adoro a emoção, a tragédia, a expectativa, o horror ... algures num relvado internacional > 6. Eu sou o horror de qualquer fã de futebol, mas não percebem que eu estou-me nas tintas para o jogo em si, eu gosto é da emoção, da tragédia, da expectativa, do horror ... > 7. Excepto, claro! quando joga Portugal > 8. Eu já mencionei que adoro a emoção, a tragédia, a expectativa, o horror ... do penalty? > 9. Por mim todos os jogos acabavam sempre assim - eliminavam-se as análises estúpidas sobre os jogos, "jogámos mal porque bla bla bla" e se calhar a emoção, a tragédia, a expectativa, o horror, fariam os meninos mimados trabalhar mais ... > 10. É só uma sugestão ...
kfldkfl

klslçks
E só para recordar ... Ai que saudades ...
ldkçld

sábado, 10 de julho de 2010

Macro Secrets 43

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I won't change the way I am to accommodate the world

sexta-feira, 9 de julho de 2010

MORMORIOS DI ROMA I

Caos
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Em Roma, sê Romano, diz-se. Assim fizemos.
Julgais o trânsito caótico em Lisboa? Pois que não conheceis o da Cidade Eterna. É um eterno caos, cíclico e redundante.
Atravessar a rua? Uma odisseia homérica. Ou se espera chinco minuti preciosos, ou se arrisca a vida.
lfdºçlf
dfkdlf
Em Roma, sê Romano, dizem. Pois que seja.
Atravessamos. Crendo que, tão próximo do São Pedro, nada de mal nos poderá ocorrer.
dfklçldf

dfldºçf
Aí vamos nós.
E, de súbito, eis que mergulhamos directamente num filme da época dourada da Cinnecitá. Não de Fellini.
O táxi passa a rasar, o motorista berra impropérios italianos (não faço a mínima do que fomos apelidados ... e acho que não quero saber ...), assume o típico punho fechado, de dedos entrecostados a abanar violentamente para trás e para a frente e quase que salta pela janela fora, enquanto o carro guina vertiginosamente para o outro lado.
Corremos destemidamente e desatamos a rir do outro lado da rua. É impossível não rir.
Mas é que estamos atrasados, porca miséria!
Há tanta coisa para ver. A cidade das cúpulas espera por nós.
lfklfd

flçfl
Arrivederci!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

PALAVRAS ESTÚPIDAS 101

James - Parte V
fkdlçfk

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Em Ulisses Joyce insinua que a maioria das pessoas, por baixo das superficialidades da personalidade, são tipos e não indivíduos, ou seja, somos todos iguais, mais ou menos, uns aos outros e variamos pouco entre nós. Numa cultura de massas, as poucas ideias ou sentimentos únicos de uma pessoa são facilmente deformados para se transformarem em clichés convencionais - de outra forma, todos nós seríamos artistas!
Joyce leva a sua afirmação ainda mais longe, sugerindo que nem mesmo os nossos monólogos interiores são verdadeiramente nossos.
Esta afirmação, embora representasse uma ideia nada agradável, não fazia mais senão repetir o que Jung já tinha demonstrado, acrescentando um facto importante - que o "mesmo" podia de alguma forma tornar-se no "novo".
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O romance foi desde sempre um artefacto, uma farsa para representar a realidade, mas agora, com Joyce, passa a ser uma farsa assumida - e o autor quer mostrar os pregos do mecanismo, em vez de "usar arte para esconder arte", como se fazia no passado. Ao desmistificar o mecanismo de construção do próprio romance que se propôs escrever, justapondo tantos estilos diferentes de escrita (um estilo diferente por cada capítulo do livro), Joyce pretende demonstrar o quanto é deixado por dizer por todos eles, mostrando a limitação de todos.
Tem sido argumentado que dentro deste conjunto de modos, não existe nenhum estilo propriamente joyceano. Tradicionalmente, "estilo" é suposto representar a forma única de um escritor ver o mundo, mas isto nunca impediu o julgamento de um estilo "bom" ou "mau". Joyce foi um dos primeiros artistas modernos a apreciar que o estilo era menos a marca da personalidade de um escritor e mais o reflexo da prática linguística aprovada num dado período histórico. O que parecia um estilo pessoal, frequentemente não era mais do que a descoberta de uma nova convenção, como quando Hemingway descobriu que era mais eficaz descrever acções em linguagem telegráfica, em vez das circumlocuções intermináveis victorianas.
jdkls
Joyce previu que a palavra escrita estava condenada ao declínio, numa era de comunicações electrónicas. O facto de as palavras terem de ser escritas aborrecia Joyce, que se angustiava com tudo o que se perdia na transição do éter para o papel. E isto é absolutamente surpreendente, num artista que tinha poderes expressivos extraordinários, e apesar da habilidade com que realizava o seu génio! Se ele estava descontente, o que seria dos outros, a léguas de distância de si próprio?
Ulisses é, pois, um livro que pede que se façam sérias considerações à possibilidade de que qualquer pessoa poderia tê-lo escrito. Se as nossas palavras raramente são mesmo nossas, sugere Joyce, então também os enredos não são nossos, podendo ser pedidos emprestados a Homero, como é o caso de Ulisses. Ele afirmava muitas vezes que a melhor parte do seu material havia sido pedido emprestado aos cidadãos de Dublin e orgulhava-se perversamente de partilhar com Shakespeare o facto de nunca ter criado um único enredo original.
Anulando-se uns aos outros, os diferentes estilos de Ulisses recordavam ao leitor que mesmo a melhor literatura não passa de uma imitação parodiada da verdadeira experiência da vida.
O que torna Joyce um escritor radical é a sua vontade de questionar, não apenas os poderes expressivos da linguagem, mas também a própria instituição da literatura - a sofisticação máxima.
Ao levantar dúvidas acerca do meio literário, Joyce está a questionar o mesmo meio através do qual essas dúvidas são expressadas.
Joyce atingiu o ponto terminal do modernismo - quando uma cultura, tendo florescido, se auto-anula radicalmente.
d,jfdk
retirado da introdução de "Ulisses"

quarta-feira, 7 de julho de 2010

MAGIC MOMENTS 111

DVD 18 - Dedicatórias Verdadeiramente Dedicadas
dfldç~lf
À Argentina. Porque, convenhamos, foi uma humilhação ...
kfdlçkf

terça-feira, 6 de julho de 2010

'Till I Found You

O Mundo Colapsa 26
fkdçklf

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Do José desta vez népias.
ldfçdºf
Ligou-se ao Human.
dfkçdlf
«Jupiter» Greetings o Inventor
«L00p» Greetings o Brain. Or should I say brain less? Are you out of your fucking mind?
«Jupiter» I’m out. Plainly and simply.
«L00p» Oh man. What the fuck are you doing?
«Jupiter» Following my instincts. Crazy, huh?
«L00p» Not crazy. Suicidal. What the hell are you going to do?
«Jupiter» What I’ve always done. Rely on myself. I’ve always worked better alone, anyway.
«L00p» Yeah. That’s as egocentric as you can get.
«Jupiter» I understand why it looks like that. But it’s not. Believe me. Maybe for the first time in my fucking life, it isn’t.
«L00p» You never told me about the Dheli.
«Jupiter» I didn’t want to burn you.
«L00p» I wish I could follow you. But I think I’m more useful here.
«Jupiter» You have to stay. When this starts to blow up in J’s face, he’ll need someone on his side. Devil’s bound to follow Krueg.
«L00p» To his own death. He’s double, hey?
«Jupiter» If I had any doubts, I lost them all today. Couldn’t be more obvious than that. And he knows I know. Be careful with him. He knows you’re not dumb.
«L00p» Keep me enlightened, will you?
«Jupiter» I’ll try. But being out, means just that. You know it better than me.
«L00p» I know. But I also know you can do better than that ;)
«Jupiter» As soon as I can, but I don’t believe in luck.
«L00p» Au revoir.
«Jupiter» A bientôt.
ºlfºçdf
Quando terminou a conversa com o Human tinha um memo do Jorge e outro do Krueg.
dlfkºçdf
«MemoServ» CM em 24 horas. May the force be with you.
dkflçdf
Sorriu. Sorriu mesmo. Não foi um sorriso electrónico. Sentiu que tinha sorrido. Mas foi um sorriso triste.
çldfºçd
«MemoServ» Please contact me before you leave.
dlfçldf
Sabia o que o Krueg queria. Queria saber o que ele sabia. Mas não lhe daria essa satisfação. Não sabia se havia de aceitar a conversa ou não. Decidiu falar com o José antes de tomar essa decisão. Human tinha-lhe enviado outra mensagem.
ldkfldf
«MemoServ» Krueg. Talk to him. Better.
çldkfçld
Ok. Primeiro o José, depois o Krueg. E depois? Depois o vazio …
çkldfçd
Establishing Ident
Status: On-Line
Identity: Code Red
Translation: Jupiter
çldfºçd
Send DCC Chat
Chat Established
ºçklfdçd
«Jupiter» hey
«fucking-shit» hey …
«Jupiter» presumo que já sabes
«fucking-shit» sim …
«Jupiter» eu sei … sou um idiota
«fucking-shit» daaase
«Jupiter» vais ter que ficar
«fucking-shit» claro …
«Jupiter» mas vou precisar de ti
«fucking-shit» claro …
«Jupiter» tou a falar a sério
«fucking-shit» e se eu não tiver para isso?
«Jupiter» não tás … não posso fazer nada …
«fucking-shit» se essa gaja não tivesse morta matavaa outra vez
«Jupiter» isto não tem nada a ver com ela
«fucking-shit» yeah yeah yeah pois … right … whatever …
«Jupiter» assim que puder contacto
«fucking-shit» faz o que quiseres
«Jupiter» farei
«fucking-shit» ouve …
«Jupiter» diz
«fucking-shit» vais-nos lixar a todos
«Jupiter» prefiro essa remota hipótese a que me lixem a mim de certeza
«fucking-shit» o Krueg é infiltrado?
«Jupiter» é … só pode ser …
«fucking-shit» e o que é que se faz?
«Jupiter» segues tudo até onde puderes sem te lixares
«fucking-shit» fácil de dizer …
«Jupiter» assim que vires que podes tar lixado, recuas
«fucking-shit» e sou comido das 2 maneiras
«Jupiter» nope, quando começar a Guerra vai ser o salve-se quem puder de qualquer das maneiras vou tentar antecipar-me. Ainda vou precisar dum tempo para reunir as tropas
«fucking-shit» vais fazer o quê?
«Jupiter» vou-te mantendo informado
«fucking-shit» yeah … right … o tanas não podes … senão o Krueg descobre o que andas a fazer
«Jupiter» eu arranjo maneira não te preocupes
«fucking-shit» ok … hey
«Jupiter» yep
«fucking-shit» não stresses
«Jupiter» não … see ya
«fucking-shit» see ya
çldfºçd
DCC Chat Off
ºçlfºçd
Relutantemente, estabeleceu o contacto com Vincent.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

OS FILMES DE ANDRÓMEDA

Filha de Ryan (A)
Ryan's Daughter
Realização: David Lean (Inglaterra)
Ano: 1970
dkfçld

dlfkldç
"Father Collins: Don't nurse your dreams, Rosy. You can't help having them, but don't nurse them. Because if you nurse your dreams, they tend to come true."
lkfdçlf
Recordo:
... aquela praia imensa, na Irlanda ...
... o pachorrento e doce Robert Mitchum ...
... a frágil e sonhadora Sarah Miles ...
... o tonto da aldeia mais verosímil de sempre, que de tonto não tinha nada, interpretado pelo grande John Mills ...
... a forma soberba como Lean nos mostra a paixão de Rosy pelo oficial inglês, através das cores e da intensidade da vida à sua volta ...
... um filme maravilhoso, cheio de actores tremendos, cenários lindos e intensos, uma história de amor e paixão profundos e uma realização magnífica, de que nunca me canso ...
çldkfdlç

domingo, 4 de julho de 2010

Fetiche #27

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
fºçdº~fç
"I don't have to do the lead. If I dig a part, I'll do it." - Kevin Bacon
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çlfdºçdf
[Kevin]
1. Eterno secundário norte-americano > 2. Kevin começou em Footloose e vai acabar não se sabe onde, mas a viagem é garantidamente sempre a subir > 3. Há um jogo famoso em Hollywood que consiste em relacionar Kevin a qualquer actor, realizador ou filme jamais feito - e consegue-se - ele acha piada > 4. Sempre escolhido ou para secundário ou para mau da fita, Kevin não se importa e nós também não - ele pega nos seus secundários e torna-os como se fossem principais, mais rápido do que o diabo esfrega um olho > 5. Kevin é bom, muitíssimo bom, e eu gosto de tudo o que ele faz
ºfredºçlf

sábado, 3 de julho de 2010

Macro Secrets 42

kdjfkld
When there is money, there's no time;
when there is time, there's no money ...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

MURMÚRIOS DE LISBOA XCV

Lá Vai a Maria
ldçkfçdl

çdjfdçklf
A Maria entra no eléctrico e trepa para o primeiro banco do lado direito, logo depois do condutor. Vem vestida com calções curtos cinzentos, uma t-shirt cor-de-rosa desmaiado e sandálias de tiras. Traz uma bola de basquete do mesmo tamanho que a sua cabeça, que pousa em cima do colo, enquanto rasga o papel do chocolate que se dispõe a roer calmamente.
As pernas balançam no ar e a Maria vai compenetrada no chocolate. Nem repara que o eléctrico inteiro suspirou quando ela entrou. Em uníssono. É que a Maria parece um anjo, daqueles dos livros de catequese que toda a gente que vai no eléctrico teve quando era da idade da Maria.
A Maria é, pois, loira de olhos azuis, uns olhos que magoam só de olhar para eles - da cor do céu de Verão.
Não me lembro onde a Maria entrou. Sei onde saiu - no Largo das Portas do Sol. Sei que se chama Maria porque duas vizinhas um pouco mais velhas que ela a trataram assim.
"Olá Maria!"
"Olá"
"Tá tudo bem?"
A Maria não fez muito caso delas. Respondeu que sim com a cabeça e continuou a roer o chocolate, os olhos perdidos não se sabe onde. Já tem aquela superioridade natural das pessoas lindas.
O motorista do eléctrico, que tem mais uns 20 anos que ela, sonha todos os dias com a Maria. Não esta Maria, a de sete anos, mas a de dezassete. Quem sabe se ela continuará a subir para o eléctrico daqui a 10 anos, com mini-saias em vez de calções? Ele tem vontade de ficar a conduzir o eléctrico esse tempo todo, só para poder ver a Maria de dezassete.
Ela sai, a bola nos braços.
Lá vai a Maria, diz Lisboa, suspirando.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

MORMORIOS DI FIRENZE XIX

Il Vero Mostro - Parte VI
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"A palavra italiana para 'mal' e 'doença' é a mesma - 'male'. E a palavra italiana para 'linguagem' e 'estudo' é também a mesma - 'discorso'.
A palavra 'Patologia' pode ser definida em italiano como 'discorso sul male' (estudo da doença ou do mal). Prefiro defini-la como 'male che parla' (mal ou doença que fala). O mesmo se passa com 'psicologia', que é definida como o 'estudo da psique'. Mas eu prefiro 'o estudo da psique lutando para falar através dos seus distúrbios neuróticos'.
Já não existe verdadeira comunicação entre nós, porque a nossa própria linguagem está doente, e a doença do nosso discurso conduz inevitavelmente à doença nos nossos corpos, à neurose, se não mesmo à doença mental.
Quando já não consigo comunicar através do discurso, falarei com a doença. Os meus sintomas serão trazidos à vida. Estes sintomas expressam a necessidade da minha alma em se fazer ouvir, sem o conseguir, porque eu não tenho as palavras para tal e porque aqueles que deveriam ouvir-me não conseguem ouvir para além do som das suas próprias vozes. A linguagem da doença é a mais difícil de interpretar. É uma forma extrema de chantagem que desafia todos os nossos esforços para a apagar e evitar. É uma tentativa derradeira de comunicação.
A doença mental reside no fim desta luta para se ser ouvido. É o último refúgio de uma alma desesperada que compreendeu finalmente que ninguém está a ouvir ou que alguma vez ouvirá. A loucura é a renúncia de todos os esforços para se ser compreendido. É um grito de dor e necessidade sem fim, através do absoluto silêncio e indiferença da sociedade. É um grito sem eco.
É esta a natureza do Monstro de Florença. E é esta a natureza do mal em todos e cada um de nós. Todos temos um Monstro no nosso interior; a diferença está no grau, não na natureza."
Irmão Galileo - monge franciscano e psicanalista a quem Mario Spezi, o jornalista mais proeminente do caso Monstro de Florença, recorreu quando os horrores do caso começaram a interferir com a sua estabilidade emocional
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Entre Agosto de 1968 e Setembro de 1985, o Monstro de Florença assassinou 16 pessoas, 8 casais nos arredores de Florença:
* 21 Agosto 1968 - O casal Antonio Lo Bianco (29) e Barbara Locci (32) foram assassinados com tiros de uma pistola Beretta .22 em Signa, uma pequena vila a oeste de Florença, enquanto o filho de Locci dormia no banco de trás do carro. Locci tinha vários amantes e o marido acabou por ser considerado suspeito do assassínio e preso durante 6 anos. Mas outros casais continuaram a ser mortos, enquanto ele estava na prisão.
* 15 Setembro 1974 - Pasquale Gentilcore (19) e Stefania Pettini (18), um casal de adolescentes, foram mortos a tiro perto de Borgo San Lorenzo, enquanto praticavam sexo no interior de um carro. O corpo de Pettini foi violado com um tronco de vinha e desfigurado com 97 facadas.
* 6 Junho 1981 - Giovanni Foggi (30) e Carmela Di Nuccio (21), noivos, foram mortos a tiro e esfaqueados perto de Scandicci. O corpo de Di Nuccio foi arrastado para fora do carro e o assassino cortou a sua zona púbica com uma faca.
* 23 Outubro 1981 - Stefano Baldi (26) e Susanna Cambi (24), noivos, foram mortos a tiro e esfaqueados num parque perto de Calenzano. A zona púbica de Cambi foi cortada da mesma forma que a de Carmela Di Nuccio.
* 19 Junho 1982 - Paolo Mainardi (22) e Antonella Migliorini (20), noivos, foram mortos a tiro num carro estacionado numa estrada rural em Montespertoli. Desta vez o assassino não mutilou a vítima feminina. Mainardi foi encontrado vivo, mas morreu poucas horas depois.
* 9 Setembro 1983 - Horst Wilhelm Meyer (24) e Jens Uwe Rüsch (24), dois turistas alemães, foram mortos a tiro dentro de um carro. Pensa-se que o cabelo loiro comprido de Jens e a sua pequena estatura possam ter levado o assassino a pensar que se tratava de uma mulher. A polícia supôs que se tratasse de um casal homossexual, mas isso nunca foi provado.
* 29 Julho 1984 - Claudio Stefanacci (21) e Pia gilda Rontini (18), casal de adolescentes, foram mortos a tiro e esfaqueados dentro de um carro estacionado no bosque perto de Vicchio di Mugello. O assassino voltou a cortar a zona púbica da rapariga e também o seu seio esquerdo.
* 7-8 Setembro 1985 - Jean Michel Kraveichvili (25) e Nadine Mauriot (36), turistas franceses e campistas. Nadine foi morta a tiro e esfaqueada enquanto dormia na tenda que tinham montado perto de San Casciano. Jean Michel foi morto perto da tenda, enquanto tentava fugir. O corpo de Nadine foi mutilado. O assassino enviou uma carta e um pedaço de um seio de Nadine à procuradora-geral, desafiando as autoridades a tentarem encontrar as vítimas, antes dos corpos terem sido descobertos.
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Várias pessoas foram acusadas ao longo dos anos de serem o Monstro de Florença, incluindo o jornalista Mario Spezi, co-autor de um livro sobre um dos casos de assassinato em série mais terríveis do mundo. Thomas Harris viajou até Itália e assistiu a diversas audiências dos julgamentos que decorriam, tirando inspiração para o personagem Hannibal Lecter.
O Monstro de Florença nunca foi encontrado.
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FIM