quinta-feira, 20 de maio de 2010

MORMORIOS DI FIRENZE XVI

Il Vero Mostro - Parte I
jfdkl

çjfdçkl
O verdadeiro Monstro de Florença começou a matar no Outono de 1974.
Entre esta data e o ano de 1985, sete casais foram assassinados enquanto faziam amor em carros estacionados nos bosques frondosos que rodeiam Florença. O caso tornou-se a mais longa e mais cara investigação criminal italiana. Perto de 100.000 homens foram investigados e mais de uma dúzia presos, muitos dos quais tiveram de ser libertados quando o Monstro atacou de novo.
çsºlçºs
sçlºçs
A geração de florentinos que atingiu a maioridade durante os assassínios afirma que estes mudaram a cidade e as suas vidas. Houve suicídios, exumação de corpos, alegados envenenamentos, partes corporais enviadas por correio, processos em tribunal, falsas evidências e vendettas judiciais. A investigação tem constituído uma espécie de malignidade, espalhando-se para trás no tempo e para fora no espaço, metastacizando para diferentes cidades e inchando em novas investigações, com novos juízes, polícias e promotores públicos, mais suspeitos, mais detenções e muitas mais vidas arruinadas.
Apesar da mais longa caça ao homem efectuada em Itália, o Monstro de Florença nunca foi descoberto.
.s-.s
sçlºçls
A investigação teve o condão de levantar o véu sobre os podres de Florença, nomeadamente sobre um submundo bizarro de cuja existência poucos florentinos tinham conhecimento - em Itália (como em outros países do Sul da Europa, incluindo Portugal), a maioria dos jovens vive em casa dos pais até casar e muitos casam tarde. Em consequência, ter relações sexuais em carros estacionados é um desporto nacional. Tem-se dito que 1 em cada 3 florentinos vivos foi concebido dentro de um carro. Em quase todas as noites de qualquer fim-de-semana, os bosques que rodeiam Florença estavam cheios de jovens casais estacionados por todo o lado. Durante a investigação do primeiro crime, a polícia descobriu que dezenas de voyeurs invadiam o campo para espiar estes casais. Localmente eram conhecidos como indiani, ou índios, porque se aproximavam sorrateiramente na escuridão da noite. Alguns chegavam até a carregar sofisticado equipamento electrónico, incluindo microfones, gravadores e câmaras de captação nocturna. Os indiani dividiam os bosques em zonas de operação, cada um gerido por um grupo ou "tribo" que controlava os melhores locais para o voyeurismo. Muitas vezes estes locais eram negociados ali mesmo, cedendo-se o posto a outro mediante o pagamento de dinheiro. Os indiani mais ricos chegavam até a contratar guias para minimizar os riscos. Depois havia ainda uma subcultura dentro desta subcultura - os que espiavam os próprios indiani para depois fazerem chantagem, ameaçando revelar as suas actividades nocturnas às mulheres, famílias e patrões.
lsºççºs
ºçslºsç
O Monstro de Florença teve o condão de, tal e qual como aconteceu noutros países com outros serial killers, revelar a verdadeira Florença aos próprios florentinos.
çlkfçlwe
retirado de "The Monster of Florence - A True Story" - Douglas Preston e Mario Spezi

quarta-feira, 19 de maio de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 107

Laboratório de Personagens 5
çdfjkldsf


fsdklf
I kill to survive, it would say if it could or if it thought as humans do.
Instead ...
smell ... the smell ... a smell ... the fear ... fear ... scence ... caution ... smell ... left ... right ... straight ahead ... left ... stop! smell ... feel ... fear ... caution ... stop! bend ... look ... smell ... it comes again ... same smell ... caution ... fear ... wait ... look ... smell ... the same smell ...
I know the smell, it would say if it could. I know the human, it would say if it thought as the human who comes to him.
Instead ...
go near ... not yet ... wait ... caution ... smell ... trust? ... not yet ... smell ... not yet ... soon ... not yet ...

terça-feira, 18 de maio de 2010

MURMÚRIOS DO PARAÍSO XXII

Os Turistas
ldkfdçl

çldfdçkl
Os turistas do Paraíso gostam de pensar que são seus donos, mas não podiam estar mais enganados.
As gentes do Paraíso deixam-nos pensar assim porque sabem que eles só lá passam e nunca ficam verdadeiramente. É possível ficar no Paraíso, mesmo quando não se está lá fisicamente, mas isso é um segredo que só poucos conhecem.
rlºrç
ºçlçrºt
Os "bifes", que não são apenas bifes porque vêm de vários cantos do mundo, são natural e geralmente alvos de pele e, por consequência, assam ao sol, adquirindo uma cor de lagosta rosada que dói só de olhar.
ltçlr
rlºtrç
Alguns são aventureiros e gostam de experimentar as iguarias nativas, deliciando-se com os manjares deliciosos do Paraíso. Os outros, que não imaginam o que perdem nem nunca o saberão, contentam-se com os hamburguers e a batata frita, generosamente regados de ketchup.
Normalmente estão já na reforma, desaguam no Paraíso aos pares ou aos grupos de quatro, levantam-se com as galinhas e deitam-se com os pardais, carregam garrafões de água para todo o lado, apreciam o areal particularmente ao pôr-do-sol, só pisam a areia com pés devidamente protegidos por meias brancas e sorriem a todos os nativos como se tivessem medo de represálias caso não o façam.
çltr
çltºçl
Os mais velhos fazem amizade com os donos dos restaurantes e têm olho para escolher os melhores. Gargalham a noite fora nas mesas das esplanadas, sorvem cocktails coloridos de palhinhas gigantescas, gastam uns trocos no casino e passam horas a boiar em colchões insufláveis nas piscinas dos hotéis.
rçlrç
ºçt
Ao jantar vestem-se como se estivessem na Riviera Francesa e é aqui, precisamente aqui, que o conhecedor consegue distinguir o verdadeiro turista daquele que já se sente dono do Paraíso. Este último já percebeu há muito que está no fim do mundo e que não vale, por isso, a pena caprichar na toilette.
Quando as primeiras chuvas caem, os toldos começam a ser recolhidos, os feirantes se fazem à estrada e as esplanadas encerram para o Outono, os turistas partem finalmente e deixam o Paraíso sossegado.
E só então, só então ao Paraíso se pode chamar Paraíso.
E mesmo quando dele nos temos de apartar, é sempre possível trazê-lo junto do coração, onde quer que estejamos.
lfkdçlf
lºçrlt
= FIM =
lvºfçv
P.S. Os textos desta rubrica são dedicados à vila de Monte Gordo, um dos lugares que mais amo neste mundo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

PALAVRAS ESTÚPIDAS 95


çfdklçºldf
Já não sei quem sou
Quisera eu saber
Talvez pudesse encontrar
Algures, num mar
O que um dia eu fora
Mas não
Perdi-me
Nos espaços vazios
Fiquei sozinha
Tolhida
Entre silêncios e desvarios
Quisesse eu regressar
Ao que fora, talvez
Talvez pudesse abraçar
Aquela que eu era, talvez
Mas decidi caminhar
Até mais não
Sem saber
Sem saber já quem eu era
Sem já querer saber
Perdi-me de mim no escuro
Tenho medo
Vem-me buscar
Apaga a luz
Aperta-me
Estilhaça-me este mar
Conta-me estrelas
Fala-me delas
Não tenhas medo
De me abraçar
São contos de fadas
Dizem elas
As bruxas más
Para nos afastar
Um sonho dentro de um sonho
Disse ele
É o que a vida é
Uma ilusão, um pesadelo
Um oceano
Um novelo por deslindar
Quem era eu?
Perguntas tu
E abres a mão
Para que em concha eu ouça o mar
Quem eras tu?
Respondo-te eu
Devias saber
Quando te foste
Levaste contigo
O meu sonhar
E agora sobrou um único caco
Um espelho de mim
Invertido
Um clown de arrepiar

domingo, 16 de maio de 2010

AS TRIBOS DE ANDRÓMEDA

Yamana
ldkfçld

çldkfçlsd
Os Yaghan, também chamados Yagán, Yahgan, Yámana ou Yamana, são o povo indígena das ilhas a sul da Ilha Grande da Terra do Fogo, que se estende até ao Cabo Horn.
Os Yaghan eram nómadas, que viajavam em canoas entre as ilhas, para recolherem alimentos. Os homens caçavam leões marinhos, e as mulheres mergulhavam para apanhar marisco. Não usavam roupas até ao seu contacto com os Europeus. Mantinham-se quentes utilizando fogueiras, mesmo nas próprias embarcações. Aliás, a expressão Terra do Fogo foi dada pelos europeus precisamente por causa deste costume. Para além disso utilizavam as formações rochosas para se abrigarem e usavam gordura dos animais na pele. Ao longo do tempo desenvolveram metabolismos mais rápidos do que o comum, que lhes permitiam gerar mais calor corporal interno e também a sua habitual posição de repouso era agachada, o que reduzia a superfície de contacto com o exterior, conservando mais calor.
É possível que os Yaghan tenham sido empurrados para esta área inóspita por inimigos, mas o que é certo é que eram completamente indiferentes às condições atmosféricas agrestes, quer no exterior, quer dentro de água, pois as mulheres mergulhavam nuas em temperaturas da ordem dos 8º Celsius.
Ironicamente foram as doenças trazidas pelos Europeus que reduziram a já escassa população de 3000 indivíduos. E os Yaghan usavam este estratagema para enganarem os missionários, "adoeçendo" sempre que eram obrigados a colocar roupa. Na década de 1920 foi feita uma tentativa de preservar a tribo, recolocando-os na Ilha Keppel, nas Falklands, mas as mortes continuaram a ocorrer. A penúltima Yaghan pura morreu em 2005, chamava-se Emelinda Acuña. A última Yaghan pura é a "Abuela" Cristina Calderón que é também o último membro que ainda fala a língua Yaghan nativa.
kdfçld
O colibri era reverenciado pelos Yaghan. Esta ave aparece no seu mito da criação, bem como noutras histórias da mitologia da tribo. Também o albatroz está presente na sua mitologia.
Os Yaghan têm mitos dualísticos, com a presença de dois irmãos, frequentemente em oposição um ao outro, representando leis opostas.
Era suposto os shamans da tribo possuírem poderes sobrenaturais, controlando, por exemplo, as condições meteorológicas. Acreditava-se que o shaman realizava estas proezas enquanto sonhava, permanecendo o seu corpo imóvel durante o sono, enquanto a sua mente viajava e praticava actos fantásticos.
Existe uma crença na tribo curiosa: no passado eram as mulheres que governavam os homens. A presente situação, o domínio dos homens, crê-se que se deva a uma revolta daqueles.
kfçldkç
= FIM =
kflçdskf
P.S. Este ABC foi dedicado à minha Abuelita chilena, Carolina Violeta, descendente de índios :)

sábado, 15 de maio de 2010

MAGIC MOMENTS 105

DVD 12 - Dedicatórias Verdadeiramente Dedicadas
klçlfd
djklfd
A Portugal, apesar de tudo ... Porque apesar do vento soprar, do barco ter medo e do capitão nunca saber o segredo, somehow acaba sempre tudo em bem ...
kfçsdlkf

sexta-feira, 14 de maio de 2010

'Till I Found You

O Mundo Colapsa 20
djfkld

kjfdkl
2200, Inverno, 02.03 GMT
klfçlfd
«Le0pard» o que é que pretendes exactamente?
«Jupiter» o que queres dizer?
«Le0pard» quero dizer q estás a tentar por todos os meios fazer-me perder a pachorra
«Jupiter» ah sim?
«Le0pard» os teus problemas com o K são pessoais e não têm que interferir jamais no Programa entendido?
«Jupiter» Hi I, Captain!
«Le0pard» Carlos, n me queiras fazer de urso e se n concordas c alguma coisa agradeço honestidade p cima da mesa e dispenso indirectas
«Jupiter» eu expus a minha opinião caramba
«Le0pard» baseada num amuo estupido pq n suportas o facto de ter sido o K a descobrir isto
«Jupiter» baseada na minha opinião como parte do Programa e membro dos Famous Five...
«Le0pard» Porra Carlos! Tu sabes q ele tem razão as provas são evidentes existiu uma Resistência
«Jupiter» as provas não são evidentes, Jorge. Sabes isso melhor q eu. São provas que o são se quisermos q sejam
«Le0pard» NÃO TE ADMITO PATERNALISMOS PORRA! ESPECIALMENTE QD SABES TÃO BEM QT EU Q O TEU RELATORIO VEM COMPROVAR S SOMBRA DE DUVIDAS ESTA TEORIA
«Jupiter» eu só disse que precisávamos agir cautelosamente
«Le0pard» E eu ordeno-te q interrompas todas as actividades e que empenhes 100% do teu sistema a comparar resulktados
«Jupiter» ordenas?...
«Le0pard» ordeno Carlos uso a minha regra pela 1ª vez
«Jupiter» e última
«Le0pard» tenho mais 2 mas como queiras ou tás connosco ou n tás your choice
«Jupiter» my choice indeed
«Le0pard» espero-te na RCM
DCC Chat off.
ºçfkçl
Nem lhe dera tempo para responder. C. sorriu um sorriso electrónico triste. Jorge estava apavorado, apesar da coragem que demonstrara. Mas era nestas alturas que se via quem é que tinha tomates, mesmo que fossem virtuais e, se calhar por causa disso, tinham mais valor. Porque aqui bater com a porta implicava uma solidão maior que a imaginação.
Ele conhecera um ou dois ARLIs que sobreviviam sozinhos na Rede. Comunicavam esporadicamente mas não pertenciam a nenhum grupo. Eram bytes solitários, navegando como espectros num mundo sem objectivos. Alguns tentavam ser heróis. Mas como Human lhe explicara, ser herói solitário naquele mundo era completamente impossível. E Human era um homem que vivera uma vida inteira a provar que não havia impossíveis. Outros tentavam ser diferentes, para descobrirem rapidamente que ninguém ali conseguia sobreviver totalmente alheado. Perdiam-se todas as referências, perdia-se o espírito humano. Ouvira falar de alguns que atingiam um tal ponto de alienação que se entregavam por iniciativa própria à Máquina. Era o que acontecia com alguns dos ARLIs flipados que começavam a achar que eram bytes e que sempre o tinham sido. Mas até a maioria dos ARLIs flipados se reuniam em grupos. Toda a gente fazia por pertencer a algum tipo de comunidade, nem que fosse a dos ARLIs que não tinham nada para dizer uns aos outros.
O José estava a fazer nova tentativa. Ignorou-o. Falaria com ele depois da RCM. Que se formatasse de desespero. Não queria saber.
O Jorge fizera-lhe um ultimato. Ou alinhas ou sais. Ele sabia que do outro lado estava a acontecer uma pressão enorme. O Krueg nunca fora com a sua cara. O Jorge não tinha razão nisso. Era o Krueg que tinha problemas pessoais com ele e não o contrário. E o Human estava do seu lado e fora por isso que lhe enviara o Memo. O Jorge estava apavorado porque sentia que estava a perder o controlo da situação e, afinal, ele era um puto, nada mais do que isso. Um puto excepcional, mas um puto. E sabia que se as coisas descarrilassem, não teria forças para as segurar sozinho. Decidira por isso atacar para o lado mais seguro, o seu. Porque se atacasse o Krueg podia ganhar um inimigo fatal. Se o atacasse a ele ganhava uma dor de cabeça tremenda, mas o miúdo sabia que dali não viria mal ao seu mundo. A sorte do puto é que gostava dele, e muito.
jkldj
Entrou em contacto com o Human.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Fetiche #21

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
jdfkl
"Ralph: Anyway, a few days ago I went out and bought a book all about existentialism.
Louise: That's very good, Rafe.
Kirk: Ralphie, Ralphie. Why didn't you phone me? I know a builder."
Dear John
çflsdºfl

dçfkçdl
[Kirk]
1. Nome de ser que nunca existiu, mas mesmo assim tinha de ser inventado > 2. Este homem mata-me completamente > 3. Quando aparecia, nem precisava de falar, que me punha a rir convulsivamente até aos créditos finais > 4. A Kate não o queria nem morto, mas o homem não desistia - and that's love, I don't care what anyone says > 5. A melhor sitcom do mundo chamava-se Dear John (sorry, Seinfeld, mas o primeiro amor é eterno) > 6. Ai que saudades ...
çfçsdlkf

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Macro Secrets 36

jfkldjf
Live dangerously

terça-feira, 11 de maio de 2010

MORMORIOS DI FIRENZE XV

O Carabinieri - Parte II
dlfdçkljs

kldfjdkls
Sentado na esplanada do Café Rivoire, Rinaldo Pazzi deu um último golo na chávena de chocolate quente e limpou os beiços e o bigode, antes de acender um cigarro. O seu semblante encontrava-se carregado, mas não por ter pago 6 euros e 75 cêntimos pelo chocolate. A agente telefonara-lhe no dia anterior para o informar que estava em Florença e que tencionava ter uma reunião com o seu departamento para acertarem estratégias. Mas Rinaldo decidira logo durante a conversa telefónica brusca que não iria ajudá-la de maneira nenhuma.
O que é que ela andava aqui a farejar? Voltasse lá para a terra do Uncle Sam. Haviam-no deixado escapar mesmo debaixo das pencas gringas e agora queriam-no de volta a todo o custo, mas esqueciam-se dum pequeno pormenor - Florença não era o Tennessee e Florença continuava a ser o seu território. E ali mais ninguém punha a pata a não ser ele.
ldkçld

dºçklºçld


No dia anterior consultara o site do FBI para verificar se não estava a ter visões. O Doutor tinha feito uma plástica, mas fora uma coisa leve. Lá estava ele, na página dos 10 Most Wanted Fugitives - Hannibal Lecter ou, como o Bureau carinhosamente o apelidava, Hannibal The Cannibal. A recompensa oferecida pelo milionário que Lecter havia desfigurado, para quem fornecesse informações sobre o paradeiro do psiquiatra, era de 3 milhões de dólares.
Com 3 milhões de dólares havia muita coisa que ele podia fazer. Muitos chocolates quentes que podia beber. Mas, sobretudo, muitas jóias que podia oferecer à sua lindíssima mulher, que escolhera ficar com ele sem que Pazzi entendesse até hoje tamanha sorte. E não era aquela pindérica do Kansas que lhe ia estragar os planos.
O Monstro era seu, pensou, enquanto batia ritmadamente com o segundo cigarro na mesa da esplanada, para concentrar bem as folhas de tabaco. Só precisava do raio das impressões digitais para fazer a prova.
Levantou-se e cruzou a praça com passo decidido. Na sua cabeça ainda ecoavam teimosamente as palavras da Agente Starling:
"You're trying to catch him yourself, aren't you? He killed three policemen while in custody. Turned the face of one of them and he will kill you too!"
çlºdd

çdºlºçd
inspirado nos personagens Rinaldo Pazzi, Clarice Starling e Hannibal Lecter, criados por Thomas Harris

segunda-feira, 10 de maio de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 106

Laboratório de Personagens 4
dlfkdçl

djfklsd
Inside of me there are a thousand voices. A thousand faces. A thousand stories. But none of them are mine. Or are all of them me?
lkdfd
Going through the motions. Just going through the motions. No will, anymore. What are we all doing here? What's the point? We are born, we grow up, we learn things, we work, we play, fall in and out of love, have children, suffer pain and disappointment, have joy and sorrow. And then what? And then we all die, just like that, no reason, no purpose. Free will? To do what? That which we cannot escape follows us every step of the way. Closer than our own shadow, death waits for us all.
fdfkjd
Inside of me there are a thousand voices. A thousand faces. A thousand stories. But none of them are mine. Or are all of them me?
jfkldf
I shall not wait for death to come. I shall escape its terrifying claws. I will outrun it and be free.

domingo, 9 de maio de 2010

MURMÚRIOS DO PARAÍSO XXI

A Senhora dos Pastéis de Amêndoa
kfdçkf

kdjfklds
A Senhora dos Pastéis de Amêndoa já não aparece há coisa de três anos ...
A Senhora dos Pastéis de Amêndoa, sempre a conheci velha, de panamá branco na cabeça, óculos de ver ao longe e blusa e saia de cores claras
A Senhora dos Pastéis de Amêndoa, sempre a conheci tão tisnada pelo sol, tão enrugada
De cesta na mão, lá ia ela a apregoar os seus pastéis de amêndoa com voz miúda
jlkj

kjlk
A Senhora dos Pastéis de Amêndoa não era de muitas conversas, só queria chegar ao fim do dia de cesto vazio, as pernas cansadas, tão cansadas, o dinheiro no bolso, que a vida nunca lhe andou fácil
A Senhora dos Pastéis de Amêndoa, há uns três anos que já não aparece ...
klçl

sábado, 8 de maio de 2010

PALAVRAS ESTÚPIDAS 94

Escrever
ldkfsdçlf

çkfdçl
Escrever porque sim
Escrever porque não
Escrever porque nim
Escrever para preencher os espaços que sobram de mim
Escrever como quem rasga as cidades
Como quem voa nos remoinhos dos furacões
Escrever para abrir estradas
E viajar nas asas do condor
Escrever vírgulas, sinais, pecados e virtudes
Escrever para escapar do escuro do vazio
Escrever montanhas, mares, riachos e rotundas
Escrever nos muros, nos frontispícios, nas ruas, nas avenidas
Riscar a vida de traços
Apagar grades e fazer estilhaços
Cacos penetrantes que rasgam a pele
Escavar a alma, baralhá-la e voltar a dar
Esventrar as palavras com os nós dos dedos
Tomá-las como minhas, frias, duras, quentes
Arrebatá-las, roubá-las, esmiufrá-las
Arremessá-las ao ar e dançar em redor delas
Escrever-me passo a passo
Como quem canta uma alma
Reinventar intervalos de fôlego suspenso
Abrir brechas e empurrar
Esculpir com as mãos
Esgravatar, revolver ossos
Calcar o papel
Escrever como quem parte para nunca mais regressar
Desenhar o horizonte de novo e de novo e de novo
G
ritar bem alto no fundo da página
Criar buracos negros eternos e wormholes paralelos
Escrever até ao fim do fim do infinito
Voltar atrás, entontecer, abrir a porta e correr
Correr pelas palavras como nenúfares de emoções
Escrever como dor
É como parto
Escrever
Escrever
Escrever
Escrever e só fazer sentido
Assim, nem não, nem sim
Nem nim
Escrever em mim
Escrever em ti
Escrever até morrer

sexta-feira, 7 de maio de 2010

AS TRIBOS DE ANDRÓMEDA

Yanomani
çdklfçl

çklfdçld
Povo constituído por diversos grupos cujas línguas pertencem à mesma família. Denominada anteriormente Xiriâna, Xirianá e Waiká, a família Yanomami abrange as línguas Yanomami, falada na maior extensão territorial, Yanomám ou Yanomá, Sanumá e Ninam ou Yanam, as quatro com vários dialectos.
Os Yanomami vivem no oeste de Roraima, no norte do Amazonas e na Venezuela, num total de 20 mil índios. É o último povo indígena das Américas que conseguiu sobreviver mantendo o seu património cultural e social. Os seus membros, 7822 indivíduos, vivem dos dois lados da fronteira entre o Brasil e a Venezuela, próximo do Pico da Neblina.
Os Yanomami abrem várias trilhas para ligar as diferentes aldeias com as áreas de caça, os acampamentos de verão e as roças recentes e antigas. Todos os elementos da tribo vivem numa grande casa colectiva e as crianças ocupam um lugar de destaque, sendo as suas necessidades prontamente atendidas e os seus pedidos sempre tomados em consideração. Embora haja um intercâmbio frequente de mulheres e produtos, cada uma das aldeias tem completa autonomia política e administrativa.
Os garimpeiros disputavam as suas terras desde 1987, atraídos pelas grandes reservas de diamante, ouro, cassiterita e urânio, colocando em risco a sobrevivência do povo Yanomami. Em 1990, o governo brasileiro adoptou medidas de protecção às terras indígenas, iniciando a retirada dos garimpeiros.
Muitos Yanomani são guerreiros ferozes. É costume capturarem mulheres de outras aldeias, de forma a maximizarem o seu sucesso reprodutivo. Também as aldeias entram em guerra por muitas razões e esta faz parte integrante da vida dos Yanomani. Cerca de 40% dos adultos masculinos já matou outra pessoa e cerca de 25% dos adultos masculinos morrerão de alguma forma de violência.
O comércio entre os Yanomani impede muitas vezes a ocorrência de guerras, uma vez que quando uma aldeia possui bens que outra aldeia cobiça, estes podem ser trocados por mulheres.
Os arranjos matrimoniais são vitais para forjar alianças e também para manter a paz entre as famílias. A maioria das mulheres tem casamentos pré-combinados e casam muito novas. O casamento preferido pelos Yanomani é o "casamento bilateral entre primos", que ajuda a vincular relações fortes entre famílias e aldeias.
Os Yanomani dividem-se em Povo da Floresta - Caçadores - e Povo do Rio - Pescadores. O Povo do Rio é muito mais sedentário e subsiste através da pesca e do comércio de bens como canoas e anzóis. O Povo da Floresta é constituído por horticultores, caçadores e recolectores.
O facto de a maioria dos Yanomani viverem bem no interior da selva amazónica, tem sido muito significativo para a sua sobrevivência. Uma vez que a maioria dos invasores tem viajado através dos grandes rios, os Yanomani têm conseguido viver em isolamento até muito recentemente. Assim, têm conseguido preservar a sua cultura e identidade, perdida por muitas outras tribos da Amazónia.
Até 1980 os Yanomani tinam muito pouco contacto com o mundo exterior. Mas a partir dessa década foi descoberto ouro no seu território, o que levou a uma invasão ilegal de milhares de mineiros ao seu território. O ruído das máquinas e aviões afuguentou grande parte da caça necessária à sobrevivência dos Yanomani. O mercúrio usado para separar o ouro da rocha infectou as águas dos rios, destruindo eco-sistemas inteiros, incluindo a saúde das crianças, cujo desenvolvimento é afectado. Afectados pelo álcool e pelas doenças trazidas pelos mineiros, os Yanomani viram-se privados da caça e reduzidos a pedir esmola ou trocar sexo por alimentos. O governo brasileiro continua a tentar reduzir ao máximo o território dos Yanomani, de forma a poder aproveitar os seus riquíssimos depósitos minerais.
dlkfçldf
Os Yanomami acreditam que os mundos natural e espiritual constituem uma força unificada; a natureza cria tudo e é sagrada. Acreditam que o seu destino, e o destino de todos os povos, está intrinsecamente relacionado com o destino do ambiente; com a sua destruição, a humanidade está a cometer suicídio.
Os Yanomani queimam os seus mortos e comem as suas cinzas. Eles acreditam que os espíritos, que podem ser bons ou maus, habitam as plantas e os animais.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

MAGIC MOMENTS 104

DVD 11 - Dedicatórias Verdadeiramente Dedicadas
çdkfçlds
Aos irlandeses. Por serem um povo nobre e lutador. Por serem um povo de poetas e de músicos soberbos. Porque em breve lá estarei, na Ilha Esmeralda, a recolher murmúrios dos meus antepassados.
Chama-se Caoineadh Cu Chulainn (Lamento) e faz-me chorar sempre que o ouço. Quem disse que "saudade" não pode ser traduzido? Claro que pode ... é só ouvir:
dlfkçld

quarta-feira, 5 de maio de 2010

'Till I Found You

O Mundo Colapsa 19
çlfkçldkf

dçfdkl
2200, Inverno, 01.05 GMT
lfºçdlf
Jorge, aka Le0pard, capitão da equipa. O Mestre. O ARLI mais rápido da história e o único que conseguiu o incrível feito de iludir a Máquina. 17 anos. Português. Ex-Hacker. Usa o Upgrade de Terceira Geração, mas mantém o espírito intacto.
Carlos, aka Júpiter. Chefe da Europa. O Cérebro. O ARLI mais inteligente e o único que afirma peremptoriamente não querer deixar esta vida. 33 anos. Português. Ex-Larva. Dos poucos ARLIs que resistiram aos upgrades. Há quem lhe chame também o Resistente.
Vincent, aka Krueg. Chefe da América. O Professor. Conhece a Máquina como a palma das mãos. 27 anos. Norte-americano. Ex-Cracker. Os seus REM's são todos da NBA.
Ariel, aka Devil_Master. Chefe da Ásia. A Rocha. A mente mais resistente do grupo. 34 anos. Israelita. Ex-soldado do exército israelita.
Human, aka L00p. Chefe da África. O Inventor. Pelas suas mãos passaram quase todos os melhores programas do mundo. 40 anos. Juguslavo. Ex-Hacker. Ex-Cracker.
E ali estavam todos reunidos. As cinco mentes brilhantes ... Se pudesse suspirar, teria suspirado. De auto-comiseração. Tanta capacidade, tanto talento e, no entanto, há 200 anos que andavam a boiar perdidos numa sopa primordial de algoritmos. Tudo para quê?
Os cinco cumprimentaram-se. Jorge fez o ponto da situação:
«Le0pard» Gentlemen, I think we all saw what Krueg found out. I believe it's a major breakthrough. I'd like to see your thoughts on this
çlfkçf
Cada um tinha a sua vez marcada na CM e que era sempre respeitada, para não haver atropelos de bytes.
çdlºçfd
«Krueg» Let me just add that this report is the result of a year's research crisscrossing vital data and I have the backup information to sustain every piece of evidence presented
çlfºç
O Krueg e a sua demagogia enervavam-no e provocavam-lhe dores de cabeça virtuais.
lkçlfk
«L00p» i analysed the data and i agree. it's something worth looking at. At this point it's the only thing i can add to the discussion.
«Júpiter»
lfºç
Passou a sua vez. Não lhe apetecia engraxar o Krueg.
ujujyt
«Devil_Master» I believe we need to put together an operation ASAP...
«Le0pard» C., I'd like u to share u're thoughts with us
jljk
Apeteceu-lhe brincar um pouco. Mas sabia que não era altura para brincadeiras. Deixou o cronómetro chegar aos cinco minutos e os Assistentes cumpriram a sua função. A Shell rodopiou silenciosamente pela rede, algures entre a Ásia e a Europa. Quando estabilizaram de novo, fez a vontade ao Jorge. Sabia que ia ouvir depois disto terminar. Um grande sermão. Jorge detestava manifestações de egocentrismo. Resolveu não levantar ondas.
çlºçf
«Júpiter» I second everyone.
«Le0pard» ok. As we speak u're report is being transmitted to all. The data u've been analysing seems to me the best proof that what K has found is something worth studying. What is u're opinion on this?
«Júpiter» As I said before, it might be a light at the end of a very dark tunnel or it might be nothing. I say we act cautiosly on this. It's the best I can offer right now
«L00p» But what about the diaries? u've been analysing data for almost 2 centuries
«Devil_Master» True. Not even a hint?...
«Le0pard» There must be something
«Krueg» Of course there is. We just have to look at it more carefully.
«Júpiter» Gentlemen, in my opinion, I think we shouldn't lay our hopes too high nor stress our systems too hard on just this single option. Need I remind you that if we do that, we might be overlooking other options that may prove as or much more important?
«Le0pard» there's a point there but u're underestimating our systems capacities. L00p?
«L00p» in my opinion the life support systems have proved to sustain much more than we would have in this case
«Devil_Master» And let's not forget the colective force.
«Le0pard» exactly
«Krueg» I agree. I second Devil. We should organize an emergency operation immediately. We live on an eternal dead-line. This is no time for cautious behaviour.
«Júpiter» I wasn't just talking about cautious behaviour. I was talking about cautious hope.
«L00p» i'm tired of caution. i know this is not the most inteligent thing to think but i have a feeling about this
çlfºçfd
A Shell rodopiou de novo. Estava a ficar com uma séria vontade de se desligar.
lºçl
«Devil_Master» I have taken the liberty of putting together an emergency course of action which I'm transmitting as we speak...
«Le0pard» good I think I'm happy with this meeting I wanted a direct yes from u guys on the matter we all agree that this is something worth considering carefully we'll adjurn until 10 hours counting now I'd like ideas to proceed and u're opinion on A's plan gentlemen give me u're Code Green please
lºçl
Todos responderam imediatamente com os seu botões de Alerta Verde. Era um sim geral. C. hesitou talvez dois segundos, mas Jorge reparou. Ia ouvir até ficar com as orelhas a arder.
çlºçfl
A RCM acabou. Ideias... ideias ... Parou um pouco. Merda! O que é que se passava consigo? Sabia o que era. A porra da Dheli e aquele mar de pixeis tinham-no posto assim. Num estado de absoluto estupor.
Quando deu por si tinha três tentativas de comunicação. Uma era do Jorge. A segunda do José e a terceira do Human, que percebeu a lotação e lhe deixou a mensagem:
«MemoServ» come see me before the meeting
dfçldºç
O José insistiu. Estava danado para saber novidades. Mas teria que esperar para depois da próxima RCM. Que flipasse durante a espera! Não tinha pachorra para o aturar. Decidiu enfrentar a fera o mais depressa possível.
Jorge não estava com papas na língua

terça-feira, 4 de maio de 2010

Fetiche #20

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
jdfkl
"I'd love to get pajamas. Good, nice and warm flannel ones." - Charlize Theron
çflsdºfl

dçfkçdl
[Pijamas]
1. Substantivo confortável e divertido > 2. De todas as cores e padrões possíveis > 3. De preferência com fechos inusitados, fitas penduradas e berloques ou pom-pons > 4. Com frases do género "I hate mornings" e "Do not disturb" > 5. De algodão, flanela ou outro tecido sintético confortável como a imitação de veludo, jamais de seda - a seda é fria e escorregadia, um pijama quer-se quente e amoroso, a abraçar o corpo > 6. Com nódoas de leite com chocolate, doce de pêssego e pão-de-deus > 7. Com bolsos, para enterrar as mãos quando se atravessa a casa gelada para ir à casa-de-banho > 8. Largos, folgados e leves > 9. Os da Woman Secret passam estes testes todos, felizmente

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Macro Secrets 35

jfdklf
Maybe it's about time a miracle should happen

domingo, 2 de maio de 2010

MORMORIOS DI FIRENZE XIV

Perseus e a Medusa
çlkjf
lkjfddk
Perseus avançou no escuro da caverna, mal tocando o chão. As sandálias aladas que as ninfas lhe tinham oferecido eram muito úteis naquele antro escuro e fétido, onde cada passo em falso o denunciaria ao terrível monstro que lá habitava.
lfdºçldf
flkf
Empunhou a espada forjada com lâmina de diamante, a única que podia atravessar como manteiga a pele rígida das górgonas.
fdºçlf

lfdºçldvb
O capacete tornava-o invisível, mas apenas a sua identidade, não a sua presença. E as górgonas não entretinham companhia, muito menos humana. Abominavam tudo o que mexesse acima ou abaixo do Olimpo. Amaldiçoadas por Poseidon, cuja recusa de Medusa aos seus encantos lhe ferira o orgulho, as três irmãs haviam sido condenadas a viver como monstros, cujos olhos quem fixasse se tornava instantaneamente pedra.
Atena prevenira-o e oferecera-lhe o seu escudo límpido como um espelho.
Avançou cautelosamente e descobriu-as, dormindo junto a um lago interior de águas irizadas, iluminado por uma única clarabóia aberta no topo da caverna. Os reflexos coloridos da ténue luz pintalgavam os rostos e os corpos das irmãs. Duas eram monstruosas, hediondas. Medusa era a única que permanecera bela mas, talvez por isso mesmo, fosse ainda mais terrível do que as outras. A sua beleza irada, calejada de ódio e envolta por um repuxo de serpentes sinuosas e sibilantes, arrepiava o mais valoroso dos guerreiros até à medula.
Perseus aproximou-se lentamente de costas, empunhou o escudo e olhou para o rosto da górgona reflectido na superfície límpida de bronze. Depois desferiu o golpe fatal. A cabeça de Medusa rolou pelo chão. Perseus pegou nela vitorioso.
çlfdºçf
ºçlfdºç
Mas as duas irmãs sobreviventes acordaram e o semi-deus não foi suficientemente rápido. Distraiu-se e olhou-as. E assim ficou, petrificado para a eternidade.
ldkfçldf

çfdkjçld
Hoje, reside na Piazza della Signoria, onde é admirado pelas centenas de humanos que por lá passam todos os dias.
fçlkf

kfçl
As górgonas, essas, talvez ainda vivam, algures para os lados da península grega.
kçlfdk
Baseado no mito de Perseus

sábado, 1 de maio de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 105

Ingrediente Secreto
çdjfdkljs

klfdjkldf
Existe um ingrediente secreto, claro.
Existem armas, polícias, criminosos, snipers, assassinos, investigações e crimes. E depois existe um ingrediente secreto.
Este ingrediente é muito simples, pouco rebuscado, mas é na simplicidade que reside muitas vezes o segredo das coisas.
Porque é secreto e assim deve permanecer, não pode ser revelado, nem mesmo neste recanto discreto de palavras, lidas por quase ninguém.
É um ingrediente caro à autora por diversos motivos.
Foi escolhido por ser pouco usado e não estar na moda.
Era preciso algo interessante, que conferisse aquele toque de exotismo e ao mesmo tempo de sustentação filosófica que oferecem a um enredo uma base de reflexão sólida.
Foi escolhido porque a autora sempre viveu fascinada por ele, nas suas diversas formas e manifestações.
Foi escolhido porque a autora nutre um infinito respeito por ele.
É simples, infinitamente simples.
E sábio. E belo.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

MURMÚRIOS DO PARAÍSO XX

Os Vendedores de Bolas
çjfl

lsdkjfkld
Os vendedores de bolas são os flautistas de Hamelin do Paraíso. Em vez da flauta usam o aroma delicioso da massa quente e do açúcar e as cordas vocais para nos atrair para o maldito pecado da gula.
Voamos na sua direcção como ratos em busca do queijo, perseguindo os vapores doces que escapam dos cestos de verga com dupla abertura.
Existem outros manjares escondidos no seu interior, mas as bolas são as rainhas soberanas do picnic estival, sempre.
dksçlfk
çfjdklsçf
Os vendedores de bolas pisam a areia quente de lés a lés, percorrem quilómetros apregoando o seu tesouro com vozes de barítono:
jdklsfj
çfjçdsf
"Boliiiiiiiiiiiii Berliiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!! É com creme e sem creme!"
São novos, a maioria. É forçoso que o sejam. Percorrer a praia de uma ponta à outra, sob o sol escaldante, enterrando os pés na incómoda areia seca e fervilhante, carregando dois cestos pesados de bolas de berlim, um em cada braço, com creme ou sem creme, não é para os fracos.
Mas os vendedores de bolas devem regozijar-se porque não só vendem pecados, como sonhos. Todos os adultos voltam a ser crianças de bigode açucarado, quando eles passam perto. E essa magia está ao alcance de muito poucos.
çjfdksf

quinta-feira, 29 de abril de 2010

PALAVRAS ESTÚPIDAS 93

James - Parte IV
kfçld

jfklds
James Joyce auto-proclamava-se um artista socialístico, defendendo que o vulgar era o domínio próprio do artista e que o sensacionalismo e o heroismo deveriam ser remetidos para os jornalistas. Para estes últimos, as palavras são peças que podem ser reorganizadas indiferentemente. Para o artista, só pode haver uma ordem ideal.
Talvez a melhor e mais fácil maneira de entender isto seja lendo "Dubliners", sugiro eu, um conjunto de contos escritos por James aos 32 anos e que são uma obra-prima do quotidiano.
O impulso de Joyce é sempre o de reduzir grandiosos chavões a uma dimensão humana, domesticando o épico. Para ele, o heroísmo é a capacidade de suportar sofrimento, em vez de a capacidade de o infligir. E o verdadeiro heroísmo, como a verdadeira santidade, nunca tem consciência de si próprio. São, por isso, heróis todos os homens e mulheres comuns, heróis da sua própria vida.
E talvez por causa desta procura da mundanidade tão clara, a sua relação com o corpo na literatura fosse tão natural e ao mesmo tempo tão escandalosa para a sua época, sobretudo em Ulisses. O que Joyce queria era oferecer ao corpo o reconhecimento equivalente ao da mente, mas a geração pós-vitoriana (e ainda a nossa, porventura) não suportava uma imagem da sua própria condição.
Mais uma vez, um grande livro tinha demonstrado que, ao invés de o estarem a ler, eram os leitores que eram por ele "lidos", expondo de forma crua os seus pontos fracos.
Ulisses está estruturado de acordo com as diferents partes do corpo humano. Há quem defenda que esta anatomização do plano da obra (um órgão por capítulo) representava a abstração última da forma humana.
É muito possível que Ulisses tenha sido moldado, conclui a introdução do livro, a partir de um molde para o qual ainda não existe sequer um nome.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

AS TRIBOS DE ANDRÓMEDA

Tuareg
fkjdçklf
kjkljfkljsdf
Tuareg é um termo usado para identificar numerosos grupos diversos de pessoas que partilham uma língua e história comuns.
As caravanas de camelos dos Tuareg desempenharam o papel principal no comércio do Sahara até meados do século XX, quando as linhas ferroviárias e os camiões europeus levaram a dianteira. Durante milhares de anos, a economia dos Tuareg gravitou em redor deste comércio. Existiam 5 rotas de comércio que se extendiam através do deserto, desde a costa Mediterrânica africana até às grandes cidades na ponta sul do Sahara. Os mercadores Tuareg eram responsáveis pelo transporte de mercadorias desde estas cidades até ao norte. Devido à natureza do transporte e ao espaço limitado disponível nas caravanas, os Tuareg comercializavam normalmente produtos de luxo que ocupavam pouco espaço e capazes de grande lucro. Também eram responsáveis pelo transporte de escravos para o norte desde a África ocidental, para serem vendidos a Europeus e Asiáticos.
A história dos Tuareg começa na África do Norte, onde a sua presença foi registada por Herodoto. Muitos grupos se moveram entretanto para as regiões do sul, ao longo dos últimos 2000 anos, em resultado das pressões do norte e da promessa de terrenos mais férteis no sul.
Hoje em dia os Tuareg vivem em comunidade sedentárias, nas cidades fronteiras ao Sahara que foram em tempos os grandes centros de comércio da África ocidental. Embora a maioria dos Tuareg pratique alguma forma de Islamismo, não são considerados árabes.
Historicamente, a sociedade dos Tuareg encontrava-se dividida entre aqueles que trabalhavam a terra e os outros. Numa determinada época, trabalhar a terra era considerado digno apenas das classes mais baixas, enquanto as classes mais altas se envolviam no comércio.
Habitualmente grupos de Tuareg sedentários prometiam apoiar um determinado chefe eleito localmente que, por sua vez, reportava ao nobre que dominava a aldeia. Ao longo do tempo, no entanto, estes agricultores sedentários conseguiram acumular riqueza à medida que as rotas trans-Saharianas diminuiam de importância. Também lhes era dado estatuto político pelas administrações coloniais e pós-coloniais.
dfklçdf
A grande maioria dos Tuareg segue o islamismo. Tal como a maioria dos seguidores do Islão na África, os Tuareg acreditam na presença de vários espíritos, os djins. A divinação é conseguida através do Corão. A maioria dos homens usam amuletos protectores que contêm versos do Corão. Também começam a usar um véu aos 25 anos, que lhes cobre a totalidade do rosto, à excepção dos olhos. Este véu nunca é removido, mesmo junto de familiares.

terça-feira, 27 de abril de 2010

MAGIC MOMENTS 103

Aos dias pacíficos, porque os há.
jflkdjf

segunda-feira, 26 de abril de 2010

'Till I Found You

O Mundo Colapsa 18
sjdklsd

jsdklf
2200, Inverno, 00.30 GMT
dlºçsklf
System Hybernation interrupted
System ON
Alert
30 minutes to CM
klsdçls
Não pusera o programa de REM. Quando adormecia assim tinha sempre a sensação que morrera. E que ressuscitava quando acordava de novo. Era uma sensação estranha e horrível. Uma sensação de vazio absoluto. Se calhar era por isso que a natureza engendrara sonhos para os seres humanos e alguns animais. Porque os seres capazes de raciocínio e auto-consciência não suportariam mergulhar naquela espécie de limbo negro todas as noites.
Era raro hibernar sem REM. Precisamente porque da primeira vez que experimentara, logo se apercebera que estava a um passo da chamada Depressão Cibernética. Alguns ARLIs tinham ido parar ao Cemitério Virtual por causa disso. Havia os que achavam que sonhar era uma coisa do passado e que suportavam anos sem REM. O efeito secundário desta aventura era mergulharem lenta e irreversivelmente num estado de apatia sistémica. Os programas começavam a enfraquecer e, eventualmente, a desligarem-se totalmente.
Cada ARLI era constituído por um pacote-base de programas essenciais. Depois havia os que se artilhavam com coisas supérfluas, mas não era aconselhável circular com mais do que o necessário. Ele funcionava com a última versão do Linux, um update do Miles para as emergências e o WireAdvantage. Tinha tudo o que precisava. Os outros membros do Programa também.
O que acontecia aos ARLIs que dispensavam o REM era uma espécie de morte por desgosto. Iam definhando, até acabarem parados num canto da Rede, moribundos. Às vezes a Brigada Néon conseguia resgatá-los antes que o sistema os detectasse, mas era raro.
Faltavam 15 minutos para a CM quando deu por si. Começou imediatamente a recolher o material que achava mais importante, mas não incluiu o diário nº 9843852. Queria analisá-lo melhor antes de o submeter ao Programa. Havia qualquer coisa de estranho naquele diário. Parecia um diário perfeitamente normal, de alguém que fora voluntário na guerra, mas havia qualquer coisa que não batia certo.
Organizou aquilo que pensava ter relevância, incluindo os dados sobre a Dheli de Cascais. Mas sabia que no que dizia respeito à Dheli teria de investigar melhor. Ainda era muito cedo para concluir qualquer coisa e feelings nos tempos que corriam tinham de ser comprovados com factos. Mas o que tencionava fazer era arriscado. Tencionava entrar em contacto com o dono da Dheli. Mas antes teria que fazer mais observações ao local, para se certificar que as suas suspeitas tinham fundamento.
dlçkfçld
A CM começou. Nas CM's de emergência participavam apenas os cinco Chefes, para diminuir ao mínimo o risco de detecção. Os Assistentes montavam a guarda à Shell improvisada e de cinco em cinco minutos a Shell era transferida para outro local. As CMs de emergência eram apelidadas na gíria, de RCM (Roller Coaster Meeting) porque os cinco eram transportados numa viagem alucinante dentro da Shell pelos Assistentes. Era a coisa mais arriscada que podiam fazer, porque se fossem detectados iam os cinco parar ao cemitério de uma só vez. Os assistentes detestavam as RCMs, por razões óbvias. E acusavam sempre um stress preparatório irritante. Por isso é que o José viera falar com ele. E agora estava furioso.
kjklj
«cool» ainda tenho q te salvar o coiro grrrr
«Jupiter» life sucks
«cool» devia era deixar-vos ir a todos pelos ares
«cool» tou farto desta merda
«Jupiter» welcome to the club
«cool» porra j´á te disse p falares portugues merda
«Jupiter» 200 anos e ainda n aprendeste a lingua?
«cool» vai à merda
«Jupiter» é o q vou fazer
hmpf
Os cinco Chefes estavam agora no interior da Shell, a circular algures num PacMaster indiano. C. pensou como seriam feitas as apresentações se isto se tratasse de um jogo de futebol americano.

domingo, 25 de abril de 2010

Fetiche #19

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
jdfkl
"Not only is there no God, but try getting a plumber on weekends." - Woody Allen
çflsdºfl

dçfkçdl
[Woody]
1. Judeu nova-iorquino > 2. Fábrica do humor mais inteligente do planeta (sorry, é só mesmo para alguns ...) > 3. Sinónimo de riso até às lágrimas (sobretudo naquela cena das New York Stories em que a mãe aparece no escritório com a amiga e a partir daí começo a rir e nunca mais páro até ao fim do filme) > 4. O melhor, mais belo, mais autêntico, mais poético cicerone da fabulosa Manhattan, especialmente no filme com o mesmo nome, filmado num preto-e-branco soberbo > 5. A prova de que um ser pequeno, feio, caixa de óculos e desprovido de qualquer espécie de sex-appeal é capaz de triunfar no mundo do espectáculo se for provido de um sentido de humor absolutamente corrosivo e de uma inteligência acima da média > 6. Ver filmes deste senhor faz-me bem à alma e ao cérebro e aos canais lacrimais e aos músculos faciais e aos da barriga > 7. A maioria das estrelas de Hollywood aceita entrar nos filmes do Woody à borla, só para terem o prazer e o privilgéio de ter este senhor no currículum > 8. Os Óscares foram durante muitos anos à Segunda-feira e este senhor nunca lá punha os pés porque tocava clarinete todas as segundas-feiras no Michael's Pub e não trocava jamais a sua Manhattan por Hollywood mas ... quando o World Trade Center sofreu o atentato, Woody deslocou-se até Los Angeles numa viagem sem precedentes, porque a sua Nova Iorque precisava do seu apelo > 9. J'adore this man, what can I say?
kdçlsk
E a melhor anedota de stand-up jamais contada, pelo próprio - The Moose (embora a versão audio seja bem melhor do que esta versão encurtada ...):
kfçdlf

kfçdlkf
E uma das melhores aberturas de filmes jamais realizadas:
çfdjkldsf

sábado, 24 de abril de 2010

Macro Secrets 34

lfkçl
Fear keeps you alive

sexta-feira, 23 de abril de 2010

MORMORIOS DI FIRENZE XIII

O Canibal - Parte V
kffdçl

fçljfjçkld
Do outro lado do rio, no miradouro Piazzale Michelangelo, o Monstro observa o Estorninho com um par de poderosos binóculos apertados entre as mãos grandes.
Há muitos turistas por ali, apreciando a vista de Florença do outro lado do rio. Para além dos turistas, um casamento asiático colectivo polvilha a paisagem de risos e conversas e roçares de sedas e rendas. São quatro as noivas vestidas de merengue branco e quatro os noivos de tronco nu, apesar do frio gélido. Alguma promessa de noivado ou costume asiático.
kfçlkf

çlºdç
Hannibal não larga os binóculos e segue-a até à Ponte Vecchio. Depois perde-a de vista por trás das habitações coloridas que, como peças de lego usadas, compõem a mais anciã das pontes da cidade.
Murmura:
"Clarice ... Não demoraste muito. Sempre a farejar onde não deves ..."
Observa as extremidades da ponte por uma boa meia hora, mas perdeu-a de vez.
Vira-se para o David, cópia do verdadeiro exposto na Galleria della Academia. Não gostava deste. Para além de ser esculpido naquele horrível bronze, as diferenças estruturais entre a cópia e o original eram, naturalmente, assombrosas. Não que a maioria das pessoas reparasse nesse pormenor. As máquinas poderosas disparavam a torto e a direito e ele tinha a certeza que a maioria dos seus donos não estaria sequer interessada em visitar o original. Infelizmente este não era permitido fotografar. Talvez isso desmotivasse muitos, sempre na ânsia de registar na máquina e não na mente. Não sabiam o que perdiam.
kçlfd

kçfl
Com uma altura de cinco metros e dezassete centímetros, o David esculpido por Michelangelo respirava humanidade. Ia lá olhá-lo pelo menos uma vez por semana. Gostava de o rodear numa volta completa de 360º, inspirando o génio que emanava da pedra polida. Depois quedava-se sempre uma boa meia hora a desenhá-lo. Todas as semanas encontrava um pormenor que lhe houvera escapado. Era extraordinário.
Como extraordinário era o animal de pele alva que se movia nesse preciso momento algures pelas ruas de Florença, farejando o seu encalço. Hannibal inspirou o ar e cheirou-lhe a mel.
dkljfdk
inspirado nos personagens Hannibal Lecter e Clarice Starling, criados por Thomas Harris