quarta-feira, 25 de agosto de 2010

MORMORIOS DI ROMA V

O Gladiador
kfdl

dfjkds
Entrou na arena.
O Sol quente da Primavera romana queimava-lhe a pele e trazia-lhe grossas gotas de suor à testa, que sentia escorrerem dentro do capacete de ferro, pelo rosto, até ao pescoço. Tudo lhe pesava, apesar de já estar habituado a tudo o que trazia no corpo. O capacete, a armadura, as correias e sandálias de couro, as armas, uma em cada mão.
Deu uma volta sobre si próprio e a multidão inundou-o, entonteceu-o, sufucou-o. Tudo lhe pesava porque se sentia ali, mesmo na arena aberta sob a torreira do sol, como se encapsulado, preso numa gaiola transparente. Respirou fundo. O som da respiração era pesado, debaixo do capacete.
dfdf
ghghg
A multidão zurrava, ululava, apupava, aplaudia, gritava, cantava. Era um som ensurdecedor, assustador, opressor. Se, por um qualquer acaso do destino, uma porta do Coliseu se abrisse e ele tivesse conseguido iludir a guarda pretoriana, não escaparia certamente à torrente de multidão que se precipitaria sobre si.
~çl~l
ç~~\ç
Roma amava as lutas, o choque das armas no ar seco, o sangue ensopando a terra branca da arena de vermelho negro, o odor a medo e morte. Roma lambuzava os beiços de prazer com o sabor da morte. Os jogos eram dos poucos entetenimentos da populaça, cansada de ser explorada e sedenta de festa. E se a festa se fazia à custa de alguns poucos inocentes, que importava isso? Roma queria, exigia morte.
jhhh
kjkj
Lá ao fundo, dois cristãos andrajosos tremiam como varas verdes, amarrados a um poste de madeira, enquanto um possante tigre listado de preto e amarelo rondava o perímetro, ainda acorrentado. O animal era gigantesco. Era a primeira vez que estava frente a frente com um. Tal e qual um gato, mas dez vezes maior, o tigre caminhava de um lado para o outro, compassadamente, cheirando as presas, as patas felpudas pousando suavemente no chão, os olhos amarelos vivos, que não deixavam escapar nada. Parou e mirou-o, lá do fundo. Depois continuou a rondar os pobres cristãos.
lkç
~lç~lç
Os dois homens frágeis olharam-no como se ele fosse o Messias. À medida que se aproximava percebeu que murmuravam algo, uma ladainha trémula, fervorosa. Oravam, porventura, ao seu Deus, fosse ele quem fosse, por uma salvação miraculosa.
Mas a única pessoa ali que os poderia salvar, seria ele próprio e ele não sabia se toda a força dos seus músculos treinados, nem toda a perícia aprendida em anos de lutas, seriam suficientes para derrubar uma besta de 300 quilos, ágil como um relâmpago e astuto como nenhum outro.
llç~lç~
ç~lç~
Lá em cima, na tribuna real, o imperador envolto em vestes brancas e douradas e rodeado por uma nuvem rosa de concubinas vaporosas, levantou-se. Dirigiu-se lentamente até debaixo da tribuna e proferiu as palavras que todos os gladiadores devem dizer:
"Ave Caesar. Morituri te salutamos!" (Avé César. Nós, que vamos morrer, te saudamos.)
Apertou a lança e o escudo nas mãos e virou-se para enfrentar o felino. Um deles não sairia vivo dali.
Quanto aos cristãos, mesmo que conseguisse matar o tigre, a sua sorte dependeria do humor do Imperador nesse dia. Deus, fosse ele quem fosse, fechara os olhos.
jkhjkhjk

terça-feira, 24 de agosto de 2010

MAGIC MOMENTS 116

DVD 23 - Dedicatórias Verdadeiramente Dedicadas
dfçldskf
A todas as pessoas que não acreditam no casamento como fim último para uma relação forte e duradoura a dois. It's so outdated ... Além do mais, "casamentos íntimos" têm muito mais piada e provavelmente são muito mais autênticos.
dkjfdkl

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Where The Streets Have No Name

Bor IV
dkfjld
Macro Comprimido
dkfjklds
Aquelas coisas todas eram muito estranhas. E tinham começado a dar-lhe um pouco a volta à cabeça. Já não olhava para a sua vida com os mesmos olhos. Questionava tudo. E começara também ele a ter comportamentos diferentes do habitual. Por exemplo, ficar na ronça. Nunca fizera aquilo. Mas ultimamente, como entretanto já não tinha uma Mãe-Inspectora todo o dia a observá-lo, apetecera-lhe ficar na ronça várias vezes. E de mais a mais, não estava a fazer nada de mal. Era o seu dia de folga do Centro de Investigação BioEspacial. Podia fazer o que lhe apetecesse. Podia inclusivamente ficar na cama o dia todo, se lhe apetecesse. Claro que seria estranho e o Ilac, assim que voltasse, iria bater-lhe imediatamente no vidro para inquirir o que se passava. Mas o máximo que podia acontecer era uma Mãe-Observadora vir bater-lhe à porta para verificar se os seus impulsos vitais estavam nos níveis normais. E depois? E depois, se não estivessem, provavelmente seria recambiado para o Centro de Observação Central para exames psico-biológicos durante uma semana. E depois? E depois, se mesmo assim houvesse algum valor incorrecto, seria desalojado e enviado directamente para a Colónia de Alimentação e Combustível da Europa. E depois? Depois ... não fazia a mínima ideia. De acordo com Ilac, ninuém saía vivo das Colónias de Alimentação e Combustível. Ponto final.
gflgk
Levantou-se. Mas ele não queria ficar na ronça. Tinha coisas para fazer. Enfiou o fato metalizado de protecção UV e nem sequer se lembrou de passar primeiro pelo Chuveiro Plasmático. Um dia sem se desinfectar também não trazia mal ao mundo. De mais a mais, não era por se desinfectar todos os dias que o céu deixara de ter aquela cor de caca castanho-amarelada. Olhou para a mesa junto à parede de entrada. Ainda tinha três rações de primeira refeição. Três pílulas coloridas. Uma amarela, com sabor a tutti-frutti. Uma verde, com sabor a mentol. E uma rosa, com sabor a morango. Decidiu-se pela rosa. Engoliu-a sem pensar e saiu de casa.
Caminhou pelo túnel devagar. Os seus passos ressoavam, fazendo eco. Não se via quase ninguém. Naquela Cúpula viviam 100 humanos. As cúpulas maiores encontravam-se na América e na Ásia onde havia até 500 ou 600 habitantes nalgumas delas. De resto, funcionava tudo da mesma forma. Umas 20 cúpulas por Continente. Cada Cúpula com a sua Central, onde se concentravam todos os serviços e onde toda a gente trabalhava. Cada Continente tinha um Centro Regulador onde reportavam todas as Centrais das Cúpulas. O resto das cúpulas era constituído por infindáveis túneis transparentes que se ligavam à Central e a praçetas temáticas. Tanto quanto sabia, era assim em todo o lado.
Dirigiu-se à Praçeta de Informação para saber as Notícias em Foco, antes de fazer qualquer coisa. Claro que podia ter-se informado a partir do seu PacMaster, mas não queria receber nenhuma mensagem do Grug antes de ter reflectido sobre tudo aquilo. Ele pusera-o em contacto com um tal de Lovitz que morava na rua paralela à sua e este por sua vez já tinha estabelecido contacto com uma tal de Rebeca que vivia na sua própria rua, mas cinco casas à esquerda da sua. E agora andava a tentar convencê-lo a encontrar-se pessoalmente com os outros dois. Nem o quisera ler! Era absolutamente interdito confraternizar com alguém que não fosse seu vizinho directo. Só o facto de estarem a contactar através dos PacMasters já era completamente insano, quanto mais pessoalmente. Todas as tardes, quando ligava o seu PacMaster, esperava a explosão. Há semanas que vivia aterrorizado. Não queria explodir. Era uma irresponsabilidade. Mas ao mesmo tempo ... era ... era ... como dizer? como explicar? ... era excitante? ... era um pouco como a cara do Lamba quando lhe mostrava o pénis através do vidro. Causava-lhe espasmos no peito. Que eram agradáveis, até.

domingo, 22 de agosto de 2010

Fetiche #31

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
fºçdº~fç

gkfçlkg
"Don't question why she needs to be so free
She'll tell you it's the only way to be
She just can't be chained
To a life where nothing's gained
And nothing's lost
At such a cost"
Keith Richards
çlfdºçdf
[Ruby Tuesday]
1. Nome de canção dos Rolling Stones > 2. Escrita por Keith Richards > 3. De acordo com a Wikipedia, Mick Jagger adora cantá-la > 4. E eu adoro ouvi-la > 5. O nome "Ruby Tuesday" ajuda, é bonito > 6. Nunca fui grande fã dos Stones, mas se calhar até sou, porque gosto de bastantes músicas deles > 7. Esta é um verdadeiro fetiche > 8. Na minha modesta opinião, das canções mais bonitas que já foram escritas (letra e melodia)
dkfdçsl

sábado, 21 de agosto de 2010

OS FILMES DE ANDRÓMEDA

Kill Bill, Vol 1 & 2
Realização: Quentin Tarantino (EUA)
Ano: 2003 e 2004
kldkf
dlsçafk
"Hattori Hanzo: I am finished doing what I swore an oath to God 28 years ago to never do again. I've created, "something that kills people". And in that purpose, I was a success. I've done this because, philosophically, I am sympathetic to your aim. I can tell you with no ego, this is my finest sword. If on your journey, you should encounter God, God will be cut."
kfdçlf
"Bill: There are consequences to breaking a heart of a killer."
lfkçdl
Recordo:
... Uma Thurman perfeita no papel de "A Noiva" ...
... Lucy Liu perfeita no papel de O-Ren Ishii ...
... Daryll Hannah perfeita no papel de Elle Driver ...
... sangue por todos os lados, mas nunca de mau gosto ...
... diálogos do caraças, música divinal, um enredo que entra directamente para a mitologia do cinema de todos os tempos ...
... aquela frase dita pela Lucy Liu, que começa num suave murmurar feminino e acaba num berro de fêmea brutal: "As your leader, I encourage you, from time to time and always in a respectful manner, to question my logic. And I promiss you, right here and now, no subject will ever be taboo ... except, of course, the subject that was just under discussion. The price you pay for bringing up either my Chinese or American heritage as a negative is - I collect your fucking head. Just like this fucker here. Now, if any of you sons of bitches got anything else to say, now's the fucking time! (Pausa) I didn't think so."
... o bailado lindíssimo da luta entre Uma e Lucy na neve, com banda sonora ao estilo toureiro ...
... a "luta das loiras", como lhe chamou o próprio Tarantino, entre Uma e Daryll ...
... os diálogos filosóficos do segundo capítulo ...
... resumindo, todas as cenas dos dois filmes (apesar de que o primeiro capítulo continua a ser o meu preferido) ...
... o par de filmes mais cool da história do cinema ...
fkldfj



kfdkf

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Macro Secrets 47

jfldkf
Thrown to the lions, to find out they were lambs ...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

MURMÚRIOS DE LISBOA XCIX

The Traveller - Parte II
lfkdçlf
dfdçklf
And her grandmother, again.
Telling her, a long time ago, that one day she would find someone who would be like this - and she made the gesture of two hands interlacing fingers tight.
And back to him. When she met him, she didn't know this. But had she known, she would not have related both events. One needs time to figure things out. Sometimes years.
Now she knows her words were the exact truth.
She also knows she already wrote about her grandparent's love story whithout noticing she did. In the book she wrote when she was 21, there was Baltasar, an excentric swiss boy raised by english witches, and Isadora, the volcanic spanish gipsy who stole Baltasar's heart for ever.
She smiles with the recolection. And she smiles with the fact that for years she never noticed the obvious resemblance between her own grandfather Maurice, the shy english raised in Barbados who enjoyed building little intricate devices with his hands, and Baltasar, the mad scientist who experimented on everything, from plants to his own children. Or the resemblance between the fierce Isadora who danced and sang and cooked like a lioness, and her own grandmother, the outspoken chilean who never left anything unsaid or undone.
She smiles when her mother tells her she looks more and more like her grandmother.
Abuelita liked her smokes right up until the very end.
She smoked a cigarette near the little flower spot where Abuelita rests for eternity.
And then peace, at last. For she knows Carolina knew she was there.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

MAGIC MOMENTS 115

DVD 22 - Dedicatórias Verdadeiramente Dedicadas
dfkdlçk
A mim, porque mereço. Acabei de ganhar uma viagem aos Açores pela melhor declaração de amor à Natureza, num passatempo da National Geographic.
kfçdlkf
Ei-la:
Porque de ti brotei e a ti regressarei, fazes parte de mim.
Sou pó de estrelas, pólen de flores, água viva fluindo pelo teu mundo.
Vôo pela imaginação na ponta das asas de albatrozes, corro pela vida no dorso de alazões selvagens, suspiro de amor dentro de corolas floridas, choro lágrimas do teu mar salgado, respiro o vento e desfaço-me em tempestades fantásticas.
Sou montes e vales esculpidos em carne e sangue que pulsa a cada segundo, sempre em frémito quando te contemplo em todas as tuas manifestações, ó Mãe bela, poderosa, doce e eterna.

kçlfk

terça-feira, 17 de agosto de 2010

PALAVRAS ESTÚPIDAS 105

klfdkj
Escrever como quem sente
Escrever como quem mente
Escrever como quem diz
Escrever, foi o que fiz
fkdl
Escrever como dor
Escrever como pranto
Escrever como amor
Escrever como canto
dçlfkls
Escrever em desespero
Escrever como respiro
Escrever com alegria
Escrever todo o dia
jfsk
Escrever lentamente
Escrever com desvelo
Escrever docemente
Escrever como um novelo
amkljf
Escrever o que vejo
Escrever o que desejo
Escrever com punhais
Escrever até não poder mais
jgkfds
Escrever rios de tinta
Escrever vales de carvão
Escrever como quem pinta
Escrever com o coração
fklj
Escrever todas as estações
Escrever todas as emoções
Escrever todos os momentos
Escrever todos os sentimentos
fçlgk
Escrever à beira do precipício
Escrever no espaço
Escrever em suplício
Escrever até o que é baço
dçlfk
Escrever o vazio
Escrever num corropio
Escrever até morrer
Escrever para viver
dkjf
Só assim me conheço
Só assim me concebo
A escrever o que posso
A escrever como um placebo
çdfdsfkl
Escrever é para mim
Uma espada de marfim
Bela, doce, perigosa, ruim
Escrever será o meu fim
dsçfkj
Quando me for desta vida
Quero ao menos ter sido lida
Quero ter sido compreendida
E talvez até reflectida
fkjdçlf
A escrever ir-me-ei
Foi sempre assim que desejei
O lápis dos dedos largarei
E o último suspiro libertarei
çdsfj
E se existir um depois
Lá, a escrever, estarei, pois.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

GEOLÂNDIA 44

VERDES

FKLDÇLF

domingo, 15 de agosto de 2010

GEOLÂNDIA 43

PENTEADO

KLFDÇLSF

sábado, 14 de agosto de 2010

GEOLÂNDIA 42

RESOLUÇÃO

LFKDÇLF

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

GEOLÂNDIA 41

RGB VERSUS CMYK

LKFÇLD

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

GEOLÂNDIA 40

STRESS

LKFDÇLSF

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

GEOLÂNDIA 39

EXTENSÕES

DFKDÇLF

terça-feira, 10 de agosto de 2010

GEOLÂNDIA 38

ESQUERDA

KLFDÇLFK

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

GEOLÂNDIA 37

Girl's Best Friend

dfdçlkfv

domingo, 8 de agosto de 2010

GEOLÂNDIA 36

Relação Pacífica

dlfkçdlf

sábado, 7 de agosto de 2010

Piloto Automático


ksdçlkf
Durante os próximos 9 dias, este blog estará em piloto automático.
Quanto à dona, vai de férias para a Irlanda, realizar uma das suas viagens de sonho.
Entretanto, fiquem na companhia da Geolândia.
Bye Bye
Fheiceann tú go luath

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Where The Streets Have No Name

Bor III
lfkldçf
Macro Ovo Estrelado
kfjdlk
Mas ele não percebera a indirecta, nem quisera alongar muito a conversa, porque a sua casa passara a ser vigiada noite e dia por uma Mãe-Inspectora que zumbia ininterruptamente do lado de fora da cúpula envidraçada.
Descobriu a caixa por acaso, porque andou a vasculhar a casa toda à procura de qualquer coisa que o Grug pudesse ter deixado. Gostava de Grug. Fora o seu companheiro desde sempre. Davam-se bem. Grug não era como certos companheiros que fazem a vida negra a uma pessoa. Mantinha-se na dele, a maior parte do tempo. Lamba, o companheiro de Ilac era um inferno ambulante, segundo o que Ilac dizia e segundo o que ele próprio via através da parede de vidro que ligava as duas casas. Aparentemente, passava a vida a perseguir Ilac com insinuações indecentes. Aparecia-lhe nu por todo o lado e já lhe tinha até mostrado a si próprio o pénis umas quantas vezes do outro lado do vidro. O vidro era à prova de som, por isso a única coisa que Bor conseguia perceber era que Lamba era doido, mas de acordo com o que Ilac lhe dizia parecia ser outra coisa distinta.
“Porque é que não te queixas à Mãe-Inspectora do sector?”
“Já me queixei dezenas de vezes. A resposta é sempre a mesma. Continue, por favor. Continue, por favor ... Continue uma merda. Queria ver se ela tivesse que dormir com aquele tarado todos os dias. Espeta-me com o coiso dele debaixo dos sovacos e diz que me ama.”
Piscara os olhos. Desde o desaparecimento de Grug que tudo lhe começara a parecer periclitantemente estranho. Como se estivesse prestes a desabar. Depois descobrira a caixa por acaso. Só que a caixa não o ajudara muito. Pelo contrário. As coisas da caixa explicavam-lhe como era a vida muito tempo antes do seu tempo. Mas não lhe explicavam como é que aquilo se fora transformando nisto. Era quase como se estivessem a descrever universos distintos. E, finalmente, para piorar as coisas, há dois meses atrás começara a receber umas mensagens estranhas no seu PacMaster. Aparentemente eram do próprio Grug, que afinal estivera mesmo na Colónia de Alimentação da Europa, só que conseguira escapar e agora vivia dentro do seu computador. Não era bem dentro do seu computador, porque aparentemente podia circular por todo o mundo, mas de qualquer modo e pelo que conseguira perceber, estava dentro do circuito ou Sistema, como Grug lhe chamava.
Aos poucos, Grug fora-lhe conseguindo explicar uma série de coisas muito, muito estranhas. E agora, ali de pé, à espera que a porcaria do último ovo da ração de seis a que tinha direito por mês, ficasse totalmente colado ao raio da frigideira, decidiu que tinha de fazer alguma coisa porque estava farto de comer ovos pegados, quando agora sabia que um dia tinha havido um mundo em que não havia rações e em que os ovos eram manjares deliciosos porque eram postos por galinhas sãs, criadas por agricultores em quintas ao ar livre, debaixo de céus azuis a perder de vista.
kfddkfld
Naquela manhã tinha folga. Acordou um pouco mais tarde do que o habitual e ficou na ronça, ouvindo o zumbido das Mães lá fora, pela janela aberta.
Olhou o pequeno cubículo transparente. Pelo canto do olhos reparou que Ilac já saíra de casa. Provavelmente tinha ido tratar de algum assunto pessoalmente à Central da Cúpula onde estavam os grandes computadores ordenadores. Ilac era um dos responsáveis pelo Plano de Vida Intraestelar. Trabalhava a partir de casa, como quase toda a gente, mas de vez em quando era preciso introduzir cálculos directamente nos Ordenadores. Felizmente a sua casa fazia esquina e portanto não tinha vizinhos do lado direito. Mas depois lembrou-se que sempre fora assim e que nunca se preocupara muito com isso. Toda a gente vivia em aquários. As Mães tinham de controlar tudo o que se passava no interior dos apartamentos. Claro que o faziam através de sensores e portanto não havia necessidade de existirem paredes transparentes. Mas de acordo com o que Grug lhe dissera, as Máquinas ... as Mães ... Grug referia-se às Mães como Máquinas ... as Mães haviam decidido no princípio da Nova Era que deveriam aproveitar as características do ser humano contra ele próprio e portanto tinham decidido que toda a gente viveria em casas transparentes para que o risco de transgressão diminuisse consideravelmente. Segundo Grug, o ser humano era bisbilhoteiro e delator por natureza, uma vez que pensava em si próprio primeiro e só depois nos outros.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

OS FILMES DE ANDRÓMEDA

Jogo de Lágrimas
The Crying Game
Realização: Neil Jordan (Irlanda)
Ano: 1992
dºlfkdçlsf
dfkdçlf
"Jody: ...and as they both sink beneath the waves, the frog cries out, 'Why did you sting me, Mr. Scorpion? For now we both will drown!' Scorpion replies, 'I can't help it. It's in my nature!' "
çlkfdçlf
Recordo:
... o único filme que vi 3 vezes no Cinema ...
... na altura andava em pesquisa sobre o IRA e devorava tudo - este filme foi um presente dos deuses ...
... aquela frase lindíssima, retirada da Bíblia, e que Stephen Rea imprimiu de uma tristeza profunda e comovente - "When I was a child, I spoke like a child, I thought like a child, I reasoned like a child; when I became a man, I gave up childish ways."
... três actores em estado de graça - Miranda Richardson, Stephen Rea e Forest Whitaker ...
... uma história sobre pessoas, que nos recorda a todo o momento que, por trás de fardas, soldados, guerrilheiros, ideologias, políticas, terroristas, exércitos, rótulos, sexos, nacionalidades ou raças, há sempre simplesmente ... pessoas ...
... um twist absolutamente genial, que começou a moda dos enredos com segredos guardados a sete chaves ...
... Neil Jordan conseguiu imprimir um fio condutor de uma doçura e humanidade estarrecedoras, numa história sobre um dos grupos terroristas mais implacáveis do mundo ...
... e quem pode esquecer a terna e rouca voz de Boy George a cantar a canção que serve de título ao filme? ...
eueiou

dçlfkdçlf

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Fetiche #30

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
fºçdº~fç

"Believe me! The secret to reaping the greatest fruitfulness and the greatest enjoyment from life is to live dangerously!" - Friedrich Nietzsche

dfjldkjf

çlfdºçdf
[Frutarias]
1. Nome de promessas doces, deliciosas, frescas, sumarentas e coloridas > 2. Será da mistura de aromas naturais? Talvez ... > 3. Será das cores? Talvez ... > 4. Será da promessa de sabores? Talvez ... > 5. Sempre tive mais olhos que barriga, mas uma frutaria enche-me as medidas gulosas dos olhos sem provocar indigestão no estômago > 6. Haverá visão mais saudável? > 7. Para além disso, gosto da arquitectura da frutaria - caixas de madeira cheias de presentes, inclinadas num ângulo de alguns graus e cachos de frutos pendurados por todo o lado - há algo de muito romântico, campestre, e tradicional nisto, que me atrai

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Macro Secrets 46

jsdlskad
I still believe in the impossible

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

MORMORIOS DI ROMA IV

Pedro e o Sonho
ksjdklsa
kljf
Tenho um sonho.
Poder passear pela Praça de S. Pedro completamente sozinha, ou de madrugada ou ao entardecer, quando o mundo ainda está quieto ou se prepara para se aquietar.
DKFÇLDKF

FKDÇLK
Como se por um instante o mundo se tivesse esquecido da Igreja e dos seus apóstolos e dos seus mandamentos e apenas os pombos soubessem, por hábito, encontrar o caminho até ao esboço grandioso de Michelangelo.
KFÇLD

DLKFÇL
Devagar, percorreria os corredores de colunas e sentar-me-ia nos seus degraus, estudando minuciosamente cada uma das esculturas que a povoam, silenciosas, seculares, secretas.
kvcçlf
kbfdçlnb
Só o borbulhar das fontes e o frissom das penas esvoaçantes serviria de banda sonora aos meus passos no empedrado.
KFDÇDLF
DFKDÇL
Calmamente procuraria a linha branca traçada ao longo da entrada da praça, que delimita o Vaticano do resto da Itália e faria fonambulismo imaginário em cima dela.
E depois, como uma sombra crepuscular, exactamente naquela hora em que os meus olhos míopes vêem menos, a hora que eu mais aprecio porque tudo parece coberto por uma ténue neblina imaginária, o Santo Padre surgiria envolto em vestes carmim do outro lado da praça, aparecendo e desaparecendo por trás das colunas, a brincar às escondidas.
ÇDFLDºÇLF

DFLºDF
E eu concluiria que as multidões retiram toda a grandiosidade à Praça de Pedro. Que a diminuem e que toda a gente deveria ter direito a um momento assim, sozinho, com os pássaros, "Deus" e o silêncio.

domingo, 1 de agosto de 2010

PALAVRAS ESTÚPIDAS 104

Dúvidas Existenciais # 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17 e 18
dfkçldkf

ldkfçldkf
Já não há pachorra para este gajo e o seu marketing da tanga, ou sou só eu?
kfdçlf
E já que estamos a falar de políticos, esta gaja não parece que está sempre naquela altura do mês?

lkfçl
E por falar naquela altura do mês, eu fico sempre pior que estragada quando vejo gajos vestidinhos de fato e gravata e depois ... com mochilinha às costas. Ridiculous!
ldfkdlçf
E já que estamos a falar de gajos vestidinhos de fato e gravata, porque é que não fazem séries sobre pedreiros ou mesmo guardas nocturnos? É que já não há pachorra para médicos e advogados, ... da-se!
lfkdçlsf
E já que estamos a falar de séries, mas alguém tem horas da semana para ver tanta série junta?
lkflsdçf
E já que estamos no assunto da televisão, mas alguém ainda tem pachorra para esta gaja?

kfjldksf
E já que estamos perto de Hollywood, é impossível não gostar do Mário Augusto, não é?

dfkdsfjl
E agora sem ter nada a ver com nada, mas estes gajos já não sabem o que hão-de inventar? Mas que aberrações são estas agora de mistelas de sabores de sumos e iogurtes que não lembram ao diabo?

sábado, 31 de julho de 2010

MAGIC MOMENTS 114

DVD 21 - Dedicatórias Verdadeiramente Dedicadas
kfdçlsf
Para ti, Paulo.
kfdçlf

sexta-feira, 30 de julho de 2010

MURMÚRIOS DE LISBOA XCVIII

The Traveller
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fdkçfl
"Journey's end in lovers' meeting
Every wise man's son doth know."
William Shakespeare - Carpe Diem
kldjfdkl
She looks out the window and wonders what it is about the passing of the landscape on a motorway that makes one more reflective than usual.
Great, deep thoughts arise, always. At least for her.
How the world calls to her. Not just a portion of it, but the entire world. Not the people, but the landscapes, the spaces, the geography. And she never cared much for geography at school, go figure ...
How she doesn't know what she is meant to be, meant to do, but that she feels she's getting closer to her mission in this world.
There is a mission, she knows that. Is there? She feels so. Could be totally wrong ...
She thinks of her grandmother, The Traveller. Antofagasta (Chile), Paris, Monte Carlo, South of France, Estoril, Windsor, San Francisco, Palma de Mallorca, and back to England, where she finally lay resting for eternity, in a vase of flowers burried in the earth of one of those beautiful anglo-saxonic cemeteries, that resemble gardens instead of places of death.
The Traveller.
She is as her grandmother was. She knows that. Always wanting to leave, always some unspeakable, silent calling from the depths of her soul, from the depths of the land, to her.
But she does not know how or when she's supposed to go. What she is supposed to do. Where she is supposed to be.
To the heights of Machu Picchu, through the great road that crosses America from one coast to the other, until the depths of the antipodes in New Zeland, that's where she wants to be, everywhere.
She remembers him, also. He is constantly with her, as her heart, because he lives in her heart, always. A part of her, as the skin, as the organs, as the limbs.
She wishes she never met him. But it's a bitter-sweet thing. She doesn't really wish that.
What for?
To know that the impossible exists? That which we all crave for?
To know that it exists and then to have it taken away is so much worse than to not know it exists.
She wishes she had never known what it feels to be complete.
Skin of her skin, he is, now, for ever.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Where The Streets Have No Name

Bor II
dfjdkl
Macro Nota Euro
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Decidiu pensar mais um pouco. No avô. Desde que começara a vasculhar as coisas do avô que tudo lhe parecia estranho, deslocado. Descobrira muitas coisas estranhas mas, por qualquer motivo, a sua vida em comparação com a do bisavô descrito nos papéis do seu filho, é que lhe começara a parecer estranha.
No tempo do bisavô o mundo era das pessoas. Estranho. Eram as pessoas e não as Mães que mandavam. Havia países, muitos. E guerras entre os países. Como tribos. Guerreavam-se constantemente e alcançavam o poder e depois voltavam a guerrear-se, sobretudo por causa duma coisa chamada dinheiro. Ele tinha encontrado um exemplar do dinheiro no caixote do avô. Uns papéis às cores e umas coisas de metal redondas, todas com um determinado número. O dinheiro era numerado, não havia nomes. Quer dizer, havia, mas só os nomes das pessoas que apareciam nos papéis coloridos e que eram pessoas importantes dessa época. Presidentes, por exemplo. Um presidente era como uma Mãe-Chefe. Só que humano. Havia muito mais homens chefes do que mulheres, no tempo do bisavô. Bem, não se podia dizer que as Mães eram mulheres porque não tinham sexo. Discutir o sexo das Mães, seria um pouco como discutir o sexo dos anjos. Mas pelo menos eram tratadas como femininas. O dinheiro servia para obter tudo no tempo do bisavô. Até alimentos. Não havia rações. Ia-se a uma coisa chamada supermercado e comprava-se o que se queria.
Aparentemente, no tempo do bisavô podia-se muitas coisas. O céu era azul. Azul! Havia uma série de condições atmosféricas como chuva, sol, vento e neve. Havia inclusivé estações do ano. Na Primavera as flores nasciam. No Verão ia-se à praia tomar banhos de mar. No Outono caíam as folhas das árvores e no Inverno havia neve e frio. Tudo se passava ao ar livre. Viajava-se de uns países para outros de comboio, avião, carro. Ar, terra, mar. Tudo separado, compartimentado. Até as pessoas. Havia os pobres que viviam em barracas ou favelas. Os da classe média que trabalhavam em muitas coisas diferentes e tinham apartamentos. Havia médicos, políticos, agricultores, vendedores. Havia os ricos que tinham até ilhas inteiras no meio do oceano.
Com efeito, parecia-lhe tudo imensamente estranho. Mas ao mesmo tempo havia uma coisa que lhe parecia ainda mais estranha – as pessoas pareciam viver livremente, como queriam. Escolhiam o que queriam ser. Escolhiam para onde queriam ir. Havia até pessoas que escolhiam não ser nada, como algumas que decidiam ir para mosteiros ou simplesmente morrer. Suicídios. Fora uma coisa que lhe fizera muita confusão. Uma pessoa podia decidir acabar com a sua vida. Era um pouco difícil, tinha que ser feito às escondidas, mas de
qualquer modo era possível, e a prova disso era que havia milhares de suicídios.
Depois havia substâncias. Álcool, drogas. Que alteravam as pessoas. E que também provocavam a morte de muitos milhares. Mas eram de venda livre.
Parou. Olhou para a enciclopédia que começara a ler há uns meses atrás. Encontrara-a por acaso, juntamente com o caixote do avô, num compartimento do apartamento que a Mãe-Inspectora aparentemente não conhecia.

A Mãe-Inspectora aparecia uma vez por mês para revistar os apartamentos de alto a baixo. Era uma rotina, desde que nascera. Mas nos últimos meses questionara-se sobre a razão pela qual teria de existir uma Mãe-Inspectora, como se toda a gente fosse uma criança. Tinha quarenta e quatro anos. Com a sua idade o bisavô tinha já constituído família, tinha tido quatro filhos. Ele ainda não fora sequer introduzido no Programa de Descendência. Aguardava a autorização para o treino há anos.
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Cofiou a barba e levantou-se. Tinha mesmo que comer. Pegou no ovo que repousava dentro duma caixa metálica compartimentada em seis. No seu mundo a única coisa que era compartimentada era a comida. De resto tudo era comum. Até os apartamentos. Dividira-o até há um ano com o Grug. Só que o Grug desaparecera há um ano atrás, subitamente, da noite para o dia. Depois vieram substituir-lhe o PacMaster. Foi uma chatice porque teve de refazer do zero a base de dados toda do inventário das rações que estavam a seu cargo. No tempo do bisavô, as pessoas deixavam cartas quando se suicidavam. No seu tempo, pura e simplesmente desapareciam. Ele suspeitara que o Grug tina andado a fazer coisas que não devia com o PacMaster. Mas não havia maneira de saber. Ainda tentou enviar um Pedido de Informação para a Central da Cúpula, mas nada. Ilac, o seu vizinho do 08210050, que tinha um conhecido a trabalhar na Colónia de Alimentação da Europa, segredou-lhe apenas uma vez: “Deve ter ido servir de combustível.”

quarta-feira, 28 de julho de 2010

OS FILMES DE ANDRÓMEDA

Idade da Inocência (A)
The Age of Innocence
Realização: Martin Scorsese (EUA)
Ano: 1993
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"Newland: You gave me my first glimpse of a real life. Then you asked me to go on with the false one. No one can endure that.
Ellen: I'm enduring it."
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Recordo:
... uma história de amor impossível, numa época cheia de costumes escruciantemente ridículos ...
... três actores em estado de graça - Michele Pfeiffer, Daniel Day Lewis e Winona Ryder (onde anda ela que nunca mais a vi?) ...
... Scorsese a ser capaz de me comover apenas com o simples movimento da sua câmara ...
... aquela cena fabulosa, em que com um único plano que viaja por todas as divisões de uma casa, Scorsese nos dá um retrato duma época - só os génios conseguem isto (lembro-me daquele parágrafo memorável em "Orlando" de Virginia Wolf ...) ...
... depois de ver o filme, li o livro, que é fabuloso, e percebi que o génio de Scorsese tinha sido absolutamente fiel ao génio de Edith Wharton ...
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terça-feira, 27 de julho de 2010

Macro Secrets 45

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I've come a long way since the playground

segunda-feira, 26 de julho de 2010

MORMORIOS DI ROMA III

A Ponte dos Anjos
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Em tempos idos, passagem de peregrinos para S. Pedro, ainda hoje é a forma mais bonita de atravessar o rio Tibre, de Roma para o Vaticano.
A Ponte Sant'Angelo.
Diz-se que um anjo apareceu no telhado do Castelo para anunciar o fim da peste, no século VII. Desde aí, o castelo passou a chamar-se do Anjo, e assim a Ponte também.
Foi aqui que, durante séculos, eram expostos os corpos dos executados.
Dez anjos guardam a ponte, cada um segurando um objecto da Paixão.
É, sem dúvida, o meu local eleito em Roma, apaixonada que sou por homens com asas.
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Anjo com a Coluna
"Tronus meus in columna" (O meu trono está sobre uma Coluna)

De acordo com a tradição, os prisioneiros romanos eram chicoteados enquanto estavam presos a um pilar baixo ou coluna.
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Anjo com o Chicote - Flagelação
"In flagella paratus sum" (Estou pronto para a flagelação)

De acordo com Marcos 15:15, o governador romano Poncius Pilatos ordenou que Jesus fosse chicoteado antes de ser crucificado.
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Anjo com a Coroa de Espinhos
"In aerumna mea dum configitur spina" (A Coroa está presa em mim)

De acordo com Marcos 15:17, os soldados romanos coroaram Jesus com uma coroa de espinhos, antes de o crucificarem.
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Anjo com o Sudário
"Respice faciem Christi tui" (Contempla o rosto do teu Cristo)

De acordo com a tradição, uma mulher chamada Veronica limpou o rosto de Jesus com um pano, enquanto ele trasportava a cruz; a sua imagem ficou gravada no pano.
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Anjo com as Vestes e os Dados
"Super vestimentum meum miserunt sortem" (Pelas minhas vestes, eles jogaram aos dados)
De acordo com Marcos 15:24, os soldados romanos levaram as vestes de Jesus e jogaram aos dados pela sua posse.
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Anjo com o Prego
"Aspicient ad me quem confixerunt" (Eles me contemplaram, os que me pregaram)
De acordo com as palavras de Tomás em João 20:25, Jesus foi pregado a uma cruz.
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Anjo com a Cruz
"Cuius principatus super humerum eius" (O domínio repousa nos seus ombros)

Este verso relaciona as profecias de Isaías com Jesus.
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Anjo com a Inscrição "INRI"
"Regnavit a ligno deus" (Deus reinou desde a árvore)

A inscrição é uma abreviatura da frase em latim "Jesus o Nazareno, Rei dos Judeus." De acordo com os Evangelhos, esta sigla foi afixada na cruz de Jesus.
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Anjo com o Pano (com vinagre)
"Potaverunt me aceto" (Deram-me vinagre a beber)

Os Evangelhos de Mateus e Marcos contam que mesmo antes de Jesus ter morrido, um dos soldados que o crucificou colocou uma esponja molhada em vinagre num pau e lhe molhou os lábios.
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Anjo com a Lança
"Vulnerasti cor meum" (Destruiste o meu coração)

De acordo com o Evangelho de João, depois de Jesus ter morrido, um dos soldados furou o seu corpo de lado para se certificar de que estava mesmo morto.

domingo, 25 de julho de 2010

PALAVRAS ESTÚPIDAS 103

AVISO: Este blog vai descer ao nível mais baixo alguma vez alcançado. Pede-se o favor às mentes demasiado susceptíveis, que fechem os olhos e voltem amanhã.
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"Deita-me açúcar em cima." - Def Leppard
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Gosto duma boa rockalhada. Não tenho culpa. Deve ser da bifa que há em mim. Gosto de mexer o rabo. Literal e metaforicamente. Gosto de vibrar. Gosto de dançar. Gosto de músicas que me fazem mexer os músculos todos do corpo e da cara.
Gosto de vozes masculinas fortes, poderosas, de macho. Gosto do Bruce Springsteen. Gosto do Billy Idol. Gosto dos Whitesnake, dos Def Leppard e dos Van Halen.
Gosto de ritmo e de canções sem um pingo de poesia, com letras parvas, letras cuja função é única e exclusivamente acender a rata (pronto, este blog desceu oficialmente ao mais baixo nível jamais alcançado; mais baixo que isto era impossível - estou arruinada - mas daqui para a frente é sempre a subir, garanto).
Gosto de músicos vestidos de cabedal em cima do palco, a fazerem malabarismos com o suporte do microfone, a correrem dum lado para o outro meio despidos, a suarem as estopinhas e a berrarem a plenos pulmões, com gestos másculos de "olha para este material, vem cá provar-me". Gajos que dão tusa só de abrirem a boca (afinal sempre era possível descer ainda mais baixo, mas prometo que a partir daqui é que é sempre a subir).
Gosto de solos de guitarra de ferir os tímpanos e de ritmos de bateria primitivos e que acordam os mortos nas campas (se vissem como eu fico quando ouço os primeiros acordes do Pour Some Sugar on Me, até se assustavam). Se o Eddie Van Halen alguma vez me aparecesse à frente, eu mijava-me de comoção (isto não é bem descer de nível, é mais entrar pela latrina adentro mesmo). Um acorde naquela guitarra extraordinaire dele e transformo-me numa gata com o cio (PRONTO! AGORA É QUE FOI! O MAIS BAIXO QUE ERA POSSÍVEL!!!).
Uma palavra cantada do Joe Elliot e é melhor prenderem-me com algemas. Um zurro do Billy Idol gritado com aquela beiçola para fora? SAIAM DA FRENTE!!! É MEU!!!
Porquê? Não faço a mais pequena ideia. Deve ser hereditário. A minha mãe tem 65 anos e ainda vibra como uma menina com uma boa popalhada (ela é mais pop).
É que não há nada na vida que me entusiasme tanto. A sério. Não tou a brincar.
fkdçlfk
P.S. E acho que quem não gosta duma boa rockalhada deve ser chato como o caraças ...
E para que não restem dúvidas, tomem lá mais uma!
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sábado, 24 de julho de 2010

MAGIC MOMENTS 113

DVD 20 - Dedicatórias Verdadeiramente Dedicadas
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A todos os voluntários deste mundo. Invejo o tamanho dos vossos corações.
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sexta-feira, 23 de julho de 2010

PALAVRAS EMPRESTADAS 68


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"- Achas que os mortos se interessam pelas nossas vidas?

- Acho que sim. Acho que perdoam os nossos pecados. Até acho que é fácil para eles."
Einar e Mitch em "Uma Vida Inacabada" - Lasse Hallström
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"Death was the understanding of the immediate present: that there is finally nothing else."
Anne Rice - The Queen of the Damned - The Vampire Chronicles
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"It cannot be seen, cannot be felt,
Cannot be heard, cannot be smelt.
It lies behind stars and under hills,
And empty holes it fills.
It comes first and follows after,
Ends life, kills laughter."
Adivinha de Gollum - The Hobbit - J.R.R. Tolkien

quinta-feira, 22 de julho de 2010

MURMÚRIOS DE LISBOA XCVII

Cerejas
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O pombo atravessa o rio, sobrevoa alguns instantes o castelo e as velhas casas caindo em cascata e depois desce suavemente, poisando numa varanda adornada de malmequeres amarelos e brancos.
Amanhece em mim. Olho e olho-me. E nesse puro instante de limpidez páro. Respiro, mas não dou conta que respiro. Suspendo-me e o tempo suspende-se comigo.
Está calor. Um desses raros dias (já não tão raros, da maneira que o mundo anda ...) em que os termómetros de Lisboa rebentam para os 40º e a cidade parece pingar arfante, até o sol se dignar o derradeiro mergulho nas águas do Tejo.
Sem tirar os olhos da lenta agonia que se desenrola lá fora e que mancha o céu de rastos rosa e o rio de brilhantes cintilantes, penso:
As conversas são como as cerejas e as cerejas são lisboetas, que vão vivendo presos aos pares em carnudo convívio, numa eterna meia-estação.
Lisboa é talhada a tijolo e suja, e lá ao longe no mar de prata os cargueiros nascem parados para sempre num postal.