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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

PLIM! XIII (Palavras Loucamente IluMinadas)

"E na mesa do meu quarto absurdo, reles, empregado e
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anónimo, escrevo palavras como a salvação da alma e
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douro-me do poente impossível de montes altos vastos e
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longínquos, da minha estátua recebida por prazeres, e
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do anel de renúncia em meu dedo evangélico, jóia
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parada do meu desdém extático."
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Livro do Desassossego - Fernando Pessoa

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

PLIM! XII (Palavras Loucamente IluMinadas)



"Comprem chocolates à criança
a quem sucedi por erro.
E tirem a tabuleta
porque amanhã é infinito."
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Grandes São os Desertos - Álvaro de Campos

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

PLIM! XI (Palavras Loucamente IluMinadas)

Faz hoje 72 anos que Fernando Pessoa morreu.
fkjg
É sempre bom recordar que o mundo ficou um pouco mais pobre há 72 anos atrás, mas com o imenso espólio de Pessoa que existe ainda por revelar, essa falta vai sendo colmatada, para enorme prazer dos seus inúmeros "bebedores ávidos" :)
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Miguel Torga escreveu isto:lfkgçlf

"Morreu Fernando Pessoa. Mal acabei de ler a notícia no jornal, fechei a porta do consultório e meti-me pelos montes a cabo. Fui chorar com os pinheiros e com as fragas a morte do nosso maior poeta de hoje, que Portugal viu passar num caixão para a eternidade sem ao menos perguntar quem era."

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

PLIM! X (Palavras Loucamente IluMinadas)

É uma casa, abandonada. Entaipada pela câmara. Numa esquina de uma zona da cidade onde passei centenas de vezes. Porque morei lá perto, tão perto, durante anos, sem saber. Sem saber que os passos dessa Pessoa tinham calcorreado esses passeios dezenas de anos antes de mim. Sem saber que os olhos dessa Pessoa tinham espreitado pela janela dezenas de vezes e visto vista parecida, muito antes de mim. Sem saber que a Pessoa que tantos anos mais tarde me faria tanto bem à alma, morou tão perto de mim, há muito tempo atrás.
ºçdlºçdl
A câmara pretende manter a fachada ... E eu acho que essa Pessoa lhes diria algo como "Mas isso é só fachada ..."
fkjklfj
Fernando Pessoa morou aqui. Há muitos anos atrás. No segundo andar. Deveria ser um museu, onde pudéssemos sentar-nos na sua cadeira, apalpar a sua secretária, tocar nos seus cadernos, nas suas penas, nos seus objectos. Em vez disso é apenas uma fachada entaipada e abandonada ...
dlkçlf
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"Não sei que diga. Pertenço à raça dos navegadores e dos criadores de impérios. Se falar como sou, não serei entendido, porque não tenho Portugueses que me escutem. Não falamos, eu e os que são meus compatriotas, uma linguagem comum. Calo. Falar seria não me compreenderem. Prefiro a incompreensão pelo silêncio."
çfdlºfç
Escritos Autobiográficos, 1929-30
fçlfºçl
(como te entendo ...)
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Av. Almirante Barroso - Antiga casa de Fernando Pessoa

terça-feira, 13 de novembro de 2007

PLIM! IX (Palavras Loucamente IluMinadas)

"Saber que será má a obra que se não fará nunca.
Pior, porém, será a que nunca se fizer.
Aquela que se faz, ao menos, fica feita.
Será pobre, mas existe, como a planta mesquinha no vaso único da minha vizinha aleijada.
Essa planta é a alegria dela, e também por vezes a minha.
O que escrevo, e que reconheço mau, pode também dar uns momentos de distracção de pior a um ou outro espírito magoado ou triste.
Tanto me basta, ou me não basta, mas serve de alguma maneira, e assim é toda a vida."
ldkfçdlk
Livro do Desassossego - Autobriografia Sem Factos

domingo, 28 de outubro de 2007

PLIM! VIII (Palavras Loucamente IluMinadas)


"Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo."
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A partir de hoje este louco varrido ou génio absoluto vai migrar das Palavras Emprestadas para uma casa própria chamada PLIM!
çlfdkçd
De outra forma, torna-se completamente impossível registar aqui todas as cascatas brilhantes de palavras que este senhor verte para o cérebro desta sua devota serva.
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Não sei se era do rapé (vulgo, ópio), se era do vinho que lhe arruinou o fígado, se era da suspeita virgindade, mas este homem era, felizmente, completamente LOUCO :)
lfkdçlf
Depois de Pessoa, o que escrever? Tudo parece redundante ... porque Pessoa escreveu sobre tudo de uma forma que deslumbra a alma, aquece o coração e acorda os neurónios (imagino-os sempre em festa, aos pulos e gritos, coloridos e histéricos - "iuhuuu!! boa! malta, ela vai dar-nos mais Pessoa! schhiuuuu!!! vamos ouvir!").
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Mas sinto-o sempre a segredar-me ao ouvido "Escreve ... escreve ... escreve ... nada mais importa ... escreve ... escreve ... escreve ... transborda no que escreves ... oferece as tuas entranhas ao papel ... espalha-te nessas folhas ... escreve ... escreve ... bem? mal? ... mas escreve ... escreve ... escreve ..."
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E eu escrevo. E é tudo.
ºçdflºdç
ºçdlfdºçlf
"Viver uma vida desapaixonada e culta, ao relento das ideias, lendo, sonhando, e pensando em escrever, uma vida suficientemente lenta para estar sempre à beira do tédio, bastante meditada para se nunca encontrar nele. Viver essa vida longe das emoções e dos pensamento, só no pensamento das emoções e na emoção dos pensamentos. Estagnar ao sol, douradamente, como um lago obscuro rodeado de flores. Ter, na sombra, aquela fidalguia da individualidade que consiste em não insistir para nada com a vida. Ser no volteio dos mundos como uma poeira de flores, que um vento incógnito ergue pelo ar da tarde, e o torpor do anoitecer deixa baixar no lugar de acaso, indistinta entre coisas maiores. Ser isto com um conhecimento seguro, nem alegre nem triste, reconhecido ao sol do seu brilho e às estrelas do seu afastamento. Não ser mais, não querer mais ... A música do faminto, a canção do cego, a relíquia do viandante incógnito, as passadas no deserto do camelo vazio sem destino ..."
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Livro do Desassossego - Autobiografia Sem Factos

sábado, 6 de outubro de 2007

PLIM! VII (Palavras Loucamente IluMinadas)


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"Nuvens ... Existo sem que o saiba e morrerei sem que o queira. Sou o intervalo entre o que sou e o que não sou, entre o que sonho e o que a vida fez de mim, a média abstracta e carnal entre coisas que não são nada, sendo eu nada também. Nuvens ... Que desassossego se sinto, que desconforto se penso, que inutilidade se quero!"
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Livro do Desassossego - Autobiografia Sem Factos, Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa (semi-heterónimo de Fernando Pessoa)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

PLIM! VI (Palavras Loucamente IluMinadas)


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"Para que a arte possa ser arte, não se lhe exige uma sinceridade absoluta, mas algum tipo de sinceridade. Um homem pode escrever um bom soneto de amor sob duas condições - porque está consumido pelo amor, ou porque está consumido pela arte. Tem de ser sincero no amor ou na arte; não pode ser ilustre em nenhum deles, ou seja no que for, de outro modo. Pode arder por dentro, sem pensar no soneto que está a escrever; pode arder por fora, sem pensar no amor que está a imaginar. Mas tem de estar a arder algures. De contrário, não conseguirá transcender a sua inferioridade humana."
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Fernando Pessoa (Heróstrato ou o Futuro da Celebridade)

terça-feira, 21 de agosto de 2007

PLIM! V (Palavras Loucamente IluMinadas)

REGRA DE VIDA
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  1. Faz o menor número de confidências possível. É melhor não fazeres nenhuma, mas se fizeres algumas, fá-las falsas ou imprecisas.

  2. Sonha o menos possível, excepto quando o propósito directo do sonho for um poema ou uma produção literária. Estuda e trabalha.

  3. Tenta ser o mais sóbrio possível, antecipando a sobriedade do corpo por uma atitude sóbria da mente.

  4. Sê amável, apenas por simples amabilidade, não abrindo a tua mente ou discutindo livremente os problemas que estão ligados à vida íntima do espírito.

  5. Cultiva a concentração, tempera a vontade, faz de ti uma força pensando, o mais intimamente possível, que és realmente uma força.

  6. Considera quão poucos amigos verdadeiros tens, porque poucas pessoas são capazes de ser amigas de alguém.

  7. Tenta cativar por aquilo que o teu silêncio contém.

  8. Aprende a agir prontamente nas pequenas coisas, nas coisas triviais da vida da rua, da vida doméstica, da vida do trabalho, a não tolerares atrasos vindos de ti próprio.

  9. Organiza a tua vida como uma obra literária, pondo nela tanta unidade quanta seja possível.

  10. Mata o Assassino.

Fernando Pessoa (Reflexões Pessoais)

Reflexão de Andrómeda: "Trabalhar a 2... (sonhar é o meu pé de Aquiles) a 9... (unidade na minha vida é a anedota do ano ha! ha!) e continuar a trabalhar a 10... (a minha "assassina" é bera como o caraças). As outras estão mais ou menos entendidas e assimiladas ... também se aos 35 não estivessem ... era preocupante ... gosto deste senhor, gosto cada vez mais deste senhor ... tornou-se como que uma voz interior nos últimos tempos ..."

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

PLIM! IV (Palavras Loucamente IluMinadas)


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"Pertenço a uma geração - supondo que essa geração seja mais pessoas que eu - que perdeu por igual a fé nos deuses das religiões antigas e a fé nos deuses das irreligiões modernas. Não posso aceitar Jeová, nem a humanidade. Cristo e o progresso são para mim mitos do mesmo mundo. Não creio na Virgem Maria nem na electricidade."
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Barão de Teive (semi-heterónimo de Fernando Pessoa),
A Educação do Estóico, supostamente 1928

terça-feira, 24 de julho de 2007

PLIM! III (Palavras Loucamente IluMinadas)

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"Sou a sombra de mim mesmo, à procura daquilo de que é sombra.
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Paro às vezes à beira de mim próprio e pergunto-me se sou um doido ou um mistério muito misterioso."
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Fernando Pessoa (1912, Escritos Autobiográficos)

quinta-feira, 21 de junho de 2007

PLIM! II (Palavras Loucamente IluMinadas)


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"Páro às vezes, de repente, entre a vida que vai e a que vem, estagno à margem do decorrer. E o assombro de tudo esboroa-se sobre mim.
Há outros momentos em que parece que o universo de repente representa mal e se trai outro, em que pareço subitamente ouvir-lhe outra voz, colher-lhe de relance outra naturalidade, (espaço deixado em branco pelo autor). Como um reposteiro que um vento toque e, num repente (espaço deixado em branco pelo autor), entremostra um bocado irrevelado de qualquer desconhecida e inesperada coisa ..."
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Fernando Pessoa (Notas Pessoais, 1913)

domingo, 4 de março de 2007

PLIM! I (Palavras Loucamente IluMinadas)



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"A morte é a curva da estrada
Morrer é só não ser visto."

Fernando Pessoa