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sábado, 21 de outubro de 2006

SENTIDOS V

















PROVAR
A sua boca
desenhou um rol de desejos no ar,
como uma trepadeira em tinta da china imaginária,
que se desenrolava em espirais artisticamente elegantes,
ao mesmo tempo doces e apaixonadas,
suaves e perigosas.

A sua boca
lançou sopros quentes de lascívia
que o envolveram numa teia
ardente e periclitante,
frágil e insegura.

A sua boca,
que ele podia desenhar
com um dedo trémulo no ar,
mesmo às cegas,
ondulou como uma onda feita de lábios
carnudos e ávidos,
mimados e suplicantes,
mas orgulhosos.

A sua boca
entreaberta
deixava antever uma câmara húmida
de pecados molhados,
escura e mortífera,
pronta a engoli-lo sofregamente
e a aprisioná-lo eternamente.

E foi ao encontro dela,
esqueceu-se de si,
impotente,
desarmado,
absolutamente despojado

quarta-feira, 18 de outubro de 2006

SENTIDOS IV

















CHEIRAR

Malditas feromonas !
Não sou formiga
Não quero o teu cheiro
Prefiro ter lombrigas !

Malditas feromonas !
Não sou pastor alemão
Não te quero na minha almofada
Já te bani do meu coração !

Malditas feromonas !
Não sou gato vadio
Desopila-me o nariz
A tua integridade está por um fio !

Malditas feromonas !
Não sou urso polar
Apaga de vez o teu rasto
Que estou quase ... a claudicar !

domingo, 15 de outubro de 2006

SENTIDOS III












SENTIR

Let me be
In this comfort zone
You make just
For me

The streets are a domesticated hell
Your voice speaks of velvet
People’s faces talk of madness
Your eyes sound like sweet sadness

I come in to you
To be warmed like no other
In your comfort zone
You make like a mother

It feels like melting
Inside this breath
When your words reach my eyes
It feels I’m blessed

You let me rest
In this comfort zone
And be my best
I need not be strong

Let me fade
In between your fingers
Let me reach
The moment that lingers

Time stands still
In your comfort zone
I’m never so real
In that almost but never

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

SENTIDOS II

















OUVIR

Estremeço
Começo
Encontro o quase equilíbrio


Vibro
Enlouqueço
Perco o chão por instantes
E vôo no precipício intencional

Num momento
Insubstituível
Sou a ponte flexível

Entre o visível e o impossível

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

SENTIDOS I
















OLHAR

O simples quebrar
Desse teu pulso
Encerra em si todos os segredos
No simples balouçar
Desse teu pulso
Posso imaginar tantos enredos

E o teu corpo inteiro
Posso resumi-lo
No ângulo absurdo
Do teu delicado pulso

E toda tu és para mim
Aquilo que desejas voar
Quando esse teu maravilhoso pulso
Se dobra e cai no meu olhar