quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

NOTORIOUS NUMBERS

4.30
O Número Light (ou deveria antes dizer Hot?)
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Nos EUA era às 11.30. Mas cá em Portugal era às 4.30. Provavelmente porque nos EUA se começa a trabalhar bem mais cedo do que em Portugal ... digo eu ...
A verdade é que fosse 4.30, 11.30, ou outro número qualquer do relógio, who cares? O importante é que ele aparecia! Certo, meninas?
Sim! Porque nós também merecemos anúncios com gajos meio despidos! Quatro vivas e meio aos publicitários da Coca-Cola!
Ah sim! Já tendo viajado para terras americanas, posso assegurar que aquilo não é só publicidade. Os homens das obras americanos são mesmo homenzarrões e não os lingrinhas que estamos habituadas a ver cá em Portugal ...
Portanto, os 4 vídeos que se seguem são especialmente para as meninas ;) Enjoy!
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

MURMÚRIOS DE AVALON III

O Umbigo Que Se Julgava Omnisciente
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Procurei-o algures entre o fim da adolescência e o princípio da idade adulta, naquela fase da vida em que eu também julgara saber todas as respostas de todos os mistérios já repensadas por tantos antes de mim. Nessa idade somos insuportáveis, claro, e balançamos constantemente entre a certeza de sermos o centro do mundo, esse maravilhoso umbigo em redor do qual todos os outros universos giram ininterruptamente, cantando odes como os serafins ao deus omnipotente, e o horror de constituirmos uma absoluta e irremediável incompreensão para os ignorantes (que são todos) que nos rodeiam.
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O Umbigo estava deitado no seu leito de cetim, rodeado de plumas e veludos, refastelado e lambuzando-se com bombons coloridos e cheirosos. O cenário era o de um Baco Caravaggiano, luxuriante e decadente, narcísico e tresandando insuportavelmente a odores corporais, vapores dérmicos e fluidos genitais.
Aproximei-me com cautela. O Umbigo era bonito, mas assustador. Parecia um minúsculo imperador no seu trono. Respirava ofegante, por baixo de todos aqueles tecidos, cremes e licores, mas parecia absolutamente satisfeito e murmurava uma melodia sem palavras, como se se estivesse a embalar a si próprio.
Chamei-o suavemente:
"Umbigo ..."
Ele respondeu, numa voz lânguida e sonolenta, nasalada e arrastada:
"Sim? ..."
"Venho pedir-te um conselho."
"Diz ..."
"Procuro uma palavra."
"Uma palavra?"
"Sim, procuro a palavra. Sabes qual é?"
"Que palavra procuras tu?", repetiu, enfastiado, como se eu fosse a criança e ele o adulto.
"A palavra que me falta."
"Já procuraste dentro de ti?"
"É isso que tenho andado a fazer."
"Procuras nos sítios errados, então. Tens de olhar melhor para dentro de ti. Conhece-te a ti mesmo. Estás familiarizado com Sócrates?"
"Sim. Mas ..."
"Porventura nas tuas buscas incessantes pensaste neste conceito?"
"Sim. Sim. Tenho feito isso."
"Não. Não mintas. Não estás a procurar bem. Porque vieste aqui importunar-me?"
"Porque quis falar com a altura da minha vida em que fui um umbigo."
"Errado. Estás profundamente errado. O passado não interessa. Eu faço parte do teu passado. Só o presente importa. O aqui e agora. Leste Hume?"
"Li. Li tudo o que há para ler."
"Então qual é a dúvida?"
"Não sei. Estou perdido. Preciso de me centrar."
"A dúvida é a única certeza. Sabes quem disse isto?"
"Descartes."
"Exactamente. Porventura já te interrogaste se não estarás condenado a não encontrar a palavra que tanto procuras?"
"Não pode ser."
"Talvez o sentido da tua vida seja esse mesmo. A busca da palavra, o que não implica necessariamente que a encontres, claro. Até porque, se assim fosse, terias de terminar a tua vida."
"O que queres dizer?"
"Se o sentido da tua vida é a busca dessa palavra, assim que a encontrares deixas de ter uma razão para existires ..."
"E se não for?"
"Se não for ... para quê tanto desespero?"
Reflecti sobre o que o meu próprio umbigo me dizia e não encontrei palavras para lhe responder. Muitas vezes, nesta idade em que achamos que sabemos tudo, momentos há em que somos de facto mais sábios do que jamais seremos, porque não temos medo. Sabia que ele não fazia a mínima ideia do que estava a dizer, eram apenas palavras que juntava daqui e dali, de leituras que eu fizera, de conclusões que eu retirara a partir das palavras de outros. Mas as combinações que eu criava nessa altura da vida eram tão prolíficas e variadas que acabava muitas vezes por acertar, quase como a lotaria da própria vida.
Ele prosseguiu:
"O que é a realidade? O que és tu? Para quê procurar alguma coisa? Conheces a filosofia zen?"
"Talvez porque seja escritor e precise disso. Não sei. Tem que haver um motivo?"
"Se não tem que haver um motivo, se a realidade não existe senão na nossa consciência, como disse Kant, então porque terá de existir uma palavra?"
Abandonei-o. Ele continuou a falar, mesmo depois de eu ter saído, sem dar conta de que ficara a falar para o boneco.
Mas ficara mesmo?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

EM BUSCA DE PALAVRAS 58

Aviso: Este post é de leitura interdita a menores de 18 anos e a qualquer pessoa sem o mínimo de bom senso ou senso de humor dentro da tola
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Dear Wendy
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"Lee is cold as ice
Grant is hot as hell
I think they are both real nice
And I hope it all ends well"

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Em Dear Wendy, nada é o que parece.
Wendy não é uma mulher.
O mau da fita, não é exactamente aquele que estávamos à espera.
A velhota não é assim tão inocente.
A cidade não é exactamente uma cidade como a julgávamos.
E as crianças, para além de já não serem bem crianças mas ainda não exactamente adultas, também não são totalmente ... normais.
Para além disto, existe um conceito louco - o pacifismo com armas.
Mas quando um grupo de jovens estranhos e renegados se junta, coisas extraordinárias podem acontecer, uma das quais é começarmos a olhar para simples revólveres e pistolas como se fossem verdadeiros objectos de arte, providos de uma personalidade muito própria e até de nomes.
Um Dandy nunca deve exibir a sua arma, qualquer que seja a provocação. Elas serão usadas como apoio moral, podendo ser transportadas, mas nunca exibidas. E nunca se deverá acordar uma arma, ou ela seguirá a sua verdadeira natureza - matar. Com efeito, a palavra é tão proibida, que se utiliza uma outra em seu lugar e, portanto, se diz "amar" em vez de "matar". E "amar" nunca poderá acontecer.
E cada Dandy tem uma forma especial e muito própria de disparar, inventada ou encontrada por si. Cada Dandy é um só com a sua arma e nada faz sem com ela conferenciar primeiro. Cada Dandy é casado com a sua arma, numa cerimónia que segue todos os protocolos que a ocasião exige.
E se porventura algum dia um Dandy tiver que disparar com a sua arma contra outro homem, acordá-la-á primeiro antes de o fazer e chamá-la-á pelo seu nome.
E todos os Dandies caminham com mais confiança do que quando não eram Dandies. Porque sabem fazer, apesar de não o fazerem. Pois é precisamente isso que torna um Dandy mais forte e melhor que o seu adversário.
Mas ... como em todas as histórias, há sempre um mas ...
Dear Wendy é um filme mágico. Foi um verdadeiro manancial de informação sobre armas e merece a pena ser visto, mesmo que não se ande em pesquisa balística.
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O que aprendi com os Dandies?
* O orifício de entrada não diz nada e o orifício de saída diz tudo sobre um tiro, uma arma e o seu potencial ou a sua "alma"
* Os guerreiros Moro cortavam-se e atavam correias de cabedal ao pénis para ficarem tão imunes à dor que suportavam qualquer coisa durante as batalhas
* Se fores um Dandy, é possível dominares a técnica do tiro indirecto, disparando contra coisas para que a bala faça ricochete propositadamente e acerte no alvo, mas é preciso muito cabedal para isto
* Retirar a mira é uma alteração radical à arma, pois ela é uma parte muito importante da sua personalidade
* "A diferença entre nós é que talvez tu não compreendas muito bem as mulheres, ou os revólveres femininos. Na minha experiência, as mulheres gostam de palavras, mas esquecem-nas facilmente. Querem alguma acção."
* Nunca se deve confiar num homem que carrega uma L1080 de polímero, é uma arma traiçoeira
* Se tiveres um sniper a 120 metros de distância e o vento estiver ligeiro de noroeste, deves usar uma bala de calibre 7.63 mm com peso extra, que deverá baixar uns 90 cm na sua trajectória de vôo
* Se a temperatura for de 30º C, a Pressão Barométrica de 28.75'' Hg e a humidade relativa de 85% e tendo em conta que os valores standard para se poder disparar em condições óptimas são uma temperatura de 15ºC, uma pressão barométrica de 29.53'' Hg e uma humidade relativa de 78%, então se o nosso coeficiente balístico for de .299 (7.8 mm), calcula-se o factor de correcção de temperatura (que será 85 + 459.4 a dividir por 59 + 459.4) - 1.050, calcula-se o factor de conversão barométrica (que será 29.53 a dividir por 28.75) - 1.027 e obtém-se o novo coeficiente balístico = factor de correcção de temperatura x factor de correcção barométrica, ou seja, 1.050 x 1.027 e temos um novo coeficiente balístico de .322 (8 mm). Bingo!
Parece complicado? Agora imaginem ter que fazer isto de cabeça no meio duma batalha no Iraque, por exemplo ... Ainda vos parece complicado? ...
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E o cheirinho do filme brilhante:
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

PALAVRAS EMPRESTADAS 51


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"E quando me perguntam o que é que eu sei fazer?
Sei fazer ovos estrelados com bacon, um bom bife, café, com um molho porreiro, mostarda e natas, sei domesticar um animal. E de resto, epá, sei desmontar um rádio. Basicamente um gajo é directo, directo às coisas, pá. Eu não tou aqui pa enganar ninguém. Epá, esta frase é conhecidíssima, não é? (risos) Eu não tou aqui pa enganar ninguém. Eu tou aqui pa viver convosco, pá. E gracias a la vida, que me ha dado tanto. Epá, fumar os meus cigarros, beber uns copos, pá, fazer a minha vida e fazer aquilo que eu mais gosto, uma das coisas que eu mais gosto é música. De resto, não sei fazer mais nada."
Jorge Palma
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E eu pergunto ao Jorge Palma: Mas quem são os atrasados mentais pá, que te perguntam o que é que tu sabes fazer? ...
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domingo, 8 de fevereiro de 2009

PALAVRAS ESTÚPIDAS 47

Até tou gaga por causa disto.
Ora bem, é que nem nos meus sonhos mais arrojados, jamais a minha inocente mente teria tido capacidade para conceber uma coisa destas.
Eu juro que encontrei isto por mero acaso (é o destino! só pode!). Andava à procura de ... já nem sei o que era ... aliás, depois de ver o que está aí em baixo, eu já nem sei quem sou, já não me lembro de onde vim, não me lembro de nada do que fiz antes deste dia memorável. E de certeza que nunca mais serei a mesma.
Portanto, então é assim.
Desculpem, tenho que gulp! gulp! beber um pouco de água com açúcar para me gulp! gulp! acalmar ... ok ... agora sim ...
Então cá vai:
E se eu vos dissesse que aí em baixo nesse vídeo está nada mais nada menos do que o Russell Crowe em pelota!!! a montar um cavalo?!!! Hmm? Diriam que eu tinha perdido as estribeiras de vez, certo? E que a minha imaginação tinha saído disparada a galope qual Shadowfax, Pégaso ou qualquer cavalo do John Wayne? ...
A verdade é que está mesmo ...
E agora vou ali tomar os sais pela milionésima vez e desmaiar mais outras tantas.
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P.S. Praise the lord almighty!!!!!! There is a God, after all!!!!!!!
Thank you Loooord!!!! Thank you!!!!!! Thank you!!!!! Thank you!!!!!!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

SUGESTÃO DA SEMANA


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É sem dúvida nenhuma, na opinião desta vossa humilde leitora que já leu muita revista que anda por aí, uma das melhores revistas portuguesas. Não só porque os seus fotógrafos são imbatíveis, como também porque os textos que acompanham as fotografias, coisa rara nas publicações especializadas em imagem, são tão bons como o resto. Há um estilo de escrita NG e isso nota-se.
Depois, não só estará a disfrutar de uma revista belíssima e com conteúdos interessantíssimos (e não, eles não falam só de animaizinhos e plantinhas), como também contribui para as investigações realizadas pelos biólogos, antropólogos e outros ólogos por esse mundo fora, se assinar.
E ainda terá acesso aos mapas da NG, que são pequenas obras-primas da cartografia.
Ah! E em cada edição garanto que vai encontrar algo surpreendente sobre este nosso mundo que não tinha ainda descoberto.
Por isso, de que é que está à espera para se viciar na janela amarela? Hmmm?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

NOTORIOUS NUMBERS

50
O Número da Fuga
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De acordo com Paul Simon, deve haver p'ráí umas 50 maneiras de deixar o nosso amado/a. 50 Ways to Leave Your Lover. É certo que ele não especifica todas, mas dá algumas pistas. A saber: sair de fininho, fazer novos planos, ser arrojado, simplesmente abraçar a liberdade, apanhar um autocarro, não discutir muito o assunto e não esquecer de deixar ficar as chaves de casa, claro.
Portanto, inspirai-vos. Ideias não faltam. Ouçam o Tio Paul, que ele já cá anda há muito tempo.
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The problem is all inside your head
She said to me
The answer is easy if you
Take it logically
I’d like to help you in your struggle
To be free
There must be fifty ways
To leave your lover
She said it’s really not my habit
To intrude
Furthermore, I hope my meaning
Won’t be lost or misconstrued
But I’ll repeat myself
At the risk of being crude
There must be fifty ways
To leave your lover
Fifty ways to leave your lover
CHORUS: You just slip out the back, Jack
Make a new plan, Stan
You don’t need to be coy, Roy
Just get yourself free
Hop on the bus, Gus
You don’t need to discuss much
Just drop off the key, Lee
And get yourself free
She said it grieves me so
To see you in such pain
I wish there was something I could do
To make you smile again
I said I appreciate that
And would you please explain
About the fifty ways
She said why don’t we both
Just sleep on it tonight
And I believe in the morning
You’ll begin to see the light
And then she kissed me
And I realized she probably was right
There must be fifty ways
To leave your lover
Fifty ways to leave your lover
CHORUS

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A FANTÁSTICA FAUNA DE ANDRÓMEDA

Salamandra
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A Salamandra é um pequeno dragão de 4 patas, muito mais poderoso do que o seu tamanho faria supor. Este animal é tão frio, que extingue as chamas e produz a chamada "lã de Salamandra", um tecido mágico resistente ao fogo. É um dos mais mortíferos animais e destrói aldeias inteiras com o seu veneno.
Podemos encontrar as salamandras próximo do fogo. Procurando as chamas mais quentes, as salamandras rastejam para dentro das forjas dos ferreiros e quando o fogo se extingue, aqueles sabem que há uma salamandra na oficina. Terão de a caçar e destruir, antes de poderem reacender o fogo.
A Salamandra também pode ser vista junto dos vulcões, vivendo no calor da lava que escorre. Segrega um líquido leitoso da pele e da boca que, quando tocado, provoca a queda do cabelo e a descoloração da pele.
Para os alquimistas, a Salamandra é o espírito do Fogo, um agente essencial na transformação de um metal em ouro. Na heráldica, a figura é representada em chamas, significando coragem que não pode ser consumida pela adversidade.
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Short-Story: As Salamandras eram veneradas como deusas e a pira do Fogo Eterno era guardada por uma casta de sacerdotes consanguíneos, exóticos e deformados. Viviam, comiam e dormiam junto da pira do Fogo Eterno, atiçando-a para que nunca nela faltasse o alimento às pequenas deusas de pele luzidia e escorregadia. E por viverem sempre junto do fogo eterno, os sacerdotes tinham a pele tisnada e vermelha, escamada e luzidia, embebida em óleos perfumados que os protegiam da proximidade com as chamas. E eram chamados o Povo do Archote Sagrado. E todos temiam estes sacerdotes poderosos. Na verdade, toda a vida do reino revolvia em torno destes seres, metade homem, metade monstro.
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Sereia
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As Sereias são mulheres belíssimas da cintura para cima e peixes da cintura para baixo. Transportam um pente e um espelho consigo e são muitas vezes vistas a pentearem os longos cabelos e a cantar com irresistível doçura sentadas numa rocha perto do mar.
Mas as sereias têm um lado mais obscuro. Atraem jovens rapazes para a morte e a sua aparição prenuncia tempestades e desastres. De acordo com estas crenças, as sereias não só trazem infortúnios mas também os provocam, procurando avidamente vidas humanas, devorando homens ou afogando-os. Diz-se que nascem sem alma e a única forma de obterem uma é casando com um humano.
As sereias vivem num mundo marítimo submerso de grande esplendor e riqueza, mas podem assumir a forma humana, especialmente para visitarem mercados e feiras. Atraem frequentemente os marinheiros para a sua destruição e diz-se que reúnem as almas dos afogados em jaulas.
Há muitas explicações para a origem das sereias, mas a mais comummente aceite é a que fala em deusas pagãs representadas como metade humano-metade peixe e que evoluíram depois para a lenda da sereia.
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Short-Story: O garoto percorria a praia ululando ao mar, na linguagem que o pai lhe ensinara. O pai contava-lhe histórias de sereias, com corpos de mulheres, que atraíam os homens para os devorar nas profundezas. E por isso, quando o pai não voltou da faina naquele dia, o garoto assumiu que o haviam aprisionado lá em baixo, sob o terrífico rugido das ondas. Ululava ao vento e a sua vontade de trazer o pai de volta era tão grande, que os seus gritos se ouviam na aldeia e ninguém tinha coragem para o ir arrancar às asas do mar. E assim pai e filho foram aprisionados pelas sereias, um porque contava histórias, o outro porque as ouvia e nelas acreditava.
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Shadowfax
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"And there is one among them that might have been foaled in the morning of the world. The horses of the Nine cannot vie with him; tireless, swift as the flowing wind. Shadowfax they called him. By day his coat glistens like silver; and by night it is like a shade, and he passes unseen. Light is his footfall!"
JRR Tolkien - O Senhor dos Anéis
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Um dos cavalos da região de Rohan, na trilogia do Senhor dos Anéis, Shadowfax é o chefe dos Mearas - uma raça de cavalos selvagens da Terra Média, com uma inteligência e força extraordinárias, superiores aos outros cavalos, como os Elfos são superiores aos Humanos.
Shadowfax era uma garanhão prateado que entendia a fala dos homens. Era também destemido e podia correr mais depressa do que qualquer cavalo na Terra Média. Foi domado por Gandalf e foi-lhe oferecido como presente pelo Rei Théoden, dos Rohirrim, o povo dos cavalos. Nenhum homem podia domar Shadowfax pois ele não toleraria qualquer sela ou freio e apenas transportava Gandalf porque assim o desejava.
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Short-Story: E assim foi que o Senhor suprimiu a imaginação ao homem. Pois que teve ciúmes das suas criações maravilhosas. E quis que tudo perecesse, para que Shadowfax pudesse ser imortal. Pois que enquanto a obra de Tolkien sobrevivesse, o cavalo permaneceria mortal na Terra Média. E assim que fosse destruída, Shadowfax tornar-se-ia imortal e viria até junto de si.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

MURMÚRIOS DE AVALON II

A Bailarina Que Se Julgava Um Cisne
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Como qualquer bailarina, esta encontrava-se ocupada em manter uma posição absolutamente impossível para qualquer mortal.
Quando o Escritor entrou, ela nem deu pela sua presença, tal era a concentração.
Este atravessou a sala circular em bicos dos pés e depois, como não encontrasse nenhum canto, sentou-se no chão e ficou a mirá-la durante o que pareceria a qualquer observador exterior uma eternidade. Para ele e para ela passaram-se apenas alguns momentos de êxtase absoluto.
O Escritor fez uma nota mental para conseguir lembrar-se de todos os pormenores que lhe permitiriam descrevê-la minuciosamente mais tarde:
Corpo de flamingo cor-de-rosa
Pernas delgadas mas musculadas e desenhadas por anos de exercícios implacáveis
Braços ondulando no ar, aparentemente sem a presença de quaisquer articulações
Mãos de dedos longos e delicados
Cintura de vespa
Pescoço de garça
Cabelo castanho apanhado atrás da nuca no típico pompom de bailarina clássica
O que o levou ao vestuário:
Mayô preto
Meias cor de carne
Tutu preto
Ah! e finalmente as sapatilhas de cetim rosa e, por consequência, os pés.
O Escritor inclinou a cabeça para um dos lados, não temos presente qual deles, e murmurou encimesmado:
"A essência está nos pés"
"Sempre me disseram que eu tinha pés de bailarina", e quando ela falou pareceu-lhe mais um grito, porque se assustou depois daquele silêncio ensurdecedor.
"Sim?"
"Claro. Em pequena conseguia já pôr-me em pontas descalça, algo verdadeiramente prenunciador. Quer um chá?", e desmembrou-se de volta a algo parecido com um ser humano, enquanto chapinhava pelo chão, os pés virados para fora, na direcção de uma garrafa de água pousada do outro lado da sala, ao mesmo tempo que limpava o pescoço sinuoso com uma toalha branca.
"Vim procurar uma palavra."
"Uma palavra?"
"Sim, com efeito. Desertou-me, a ingrata. Por acaso não a viu por aí, enquanto dançava?"
"Não ... eu não vejo palavras. Eu só vejo corpos. E neste momento, cisnes."
"Compreendo. Mas talvez ela esteja escondida algures por aqui. Talvez dentro da caixa de resina?"
A Bailarina chapinhou até à caixa e flectiu o pé até formar uma curva perfeita, a fim de remexer no seu conteúdo.
"Não me parece."
"Ou então ... talvez ... permite-me que dê uma olhadela?", e o Escritor aproximou-se da Bailarina a medo.
"Com certeza. Mi cuerpo es su cuerpo.", e riu-se com a sua piada.
O Escritor levantou um dos braços da Bailarina, depois o outro. A posição era, portanto a quinta, uma vez que ela afastara também os pés para melhor se equilibrar enquanto era alvo do exame.
Depois levantou-lhe delicadamente a perna direita para a frente, em ângulo recto.
"Hmmm. Não me parece que esteja por aqui. De qualquer forma, existem muitas palavras no seu corpo. Mas nenhuma é aquela que procuro."
"E que palavras são essas?"
"Oh, uma infinidade delas. Tantas, que poderia escrever uma epopeia sobre o seu corpo. Talvez o faça um dia. Mas agora deixo-a. Vou continuar a procurar a minha palavra."
"E o chá?"
"Passarei por aqui mais tarde e tomarei um chá consigo. Prometido."
O Escritor escreveu um ramo de rosas encarnadas e ofereceu-as à Bailarina.
Ela agradeceu com a sua vénia mais esculpida e sorriu. Depois regressou à sua posição impossível de cisne moribundo.
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inspirado em e dedicado a Margot Fontayne
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P.S. Por amor à arte e por estupidez, a autora desta história lesionou-se ao pôr-se em pontas para treinar a fotografia, sem o aquecimento devido, quando não fazia exercício há mais de um ano.
Resultado: Uma dor agonizante no músculo da parte inferior da perna que demorou 60 excruciantes segundos.
Resolução: Recomeçar a praticar exercício o quanto antes. Que vergonha, irra!
Obrigada, Margot.
Warning: Do not attempt this stunt at home!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

MAGIC MOMENTS 59

Welcome

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2 the GeniUs Xperience:

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Step 1: TUrn yoUr head 2 the left

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Step 2: TUrn yoUr volUme Up

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Step 3: Now simply DANCE
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We hope U have enjoyed the GeniUs Xperience
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If U wish 2 relive the GeniUs Xperience, please retUrn to Step 1
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;)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

MURMÚRIOS DE LISBOA LXXVIII

Amélie Poulain Precisa-se - Parte III
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Ruínas do Convento do Carmo
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Amélie, isto é só para te pôr ao corrente dos últimos desenvolvimentos no reino do surrealismo e pedir-te um conselho.
A filha da senhoria foi buscar uma toalha cor-de-laranja que tinha sido soprada pela chuva para o quintal da maníaco-depressiva. Telefonou. Para avisar que tinha deixado um post-it colado à porta que rezava assim: "A toalha que está caída no seu quintal é minha. Quando puder pode devolvê-la." (!!!!) A maníaco-depressiva chegou a casa, dobrou a toalha cuidadosamente e telefonou à filha da senhoria para a avisar que podia ir buscá-la, se lhe apetecesse. Ela foi. Agarrou na toalha como se fosse uma criança e a maníaco-depressiva uma criminosa perigosíssima por ter quintais onde caem toalhas cor-de-laranja completamente indefesas e desprotegidas.
Depois, a maníaco-depressiva, como possui dentro de si uma pontinha travessa de sadismo, chamou-a quando a outra já ia a fugir para o elevador e obrigou-a a ficar entalada na porta e a responder-lhe a perguntas parvas sobre o prédio e a renda da casa. Supomos que a filha da senhoria, quando regressou ao seu ninho lá em cima, tenha tido que beber um chá de camomila ao mesmo tempo que embalava a sua toalha cor-de-laranja, para se acalmar depois deste encontro imediato forçado com a maníaco-depressiva. É bem feita!
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A porteira reapareceu, Amélie. Ao fim de não sei quantos meses. E acabou por perguntar à maníaco-depressiva aquilo que lhe andava atravessado na garganta desde há 4 anos: "O que é que a menina faz?"
A menina respondeu que escrevia. Que trabalhava numa agência de publicidade. A porteira não percebeu o que era aquilo de agência de pub... (o seu rosto franziu-se quando tentou repetir a denominação) mas registou o facto de a menina escrever (lá está, o Sindrome de Fernando Pessoa aqui num momento bem revelador) com admiração e um certo fascínio nos seus pequeninos olhos azuis curiosos (tradução: quem escreve é logo colocado numa categoria mais elevada, mesmo que só escreva merda ...).
E depois a conversa foi parar a doenças e achaques, como é costume nas conversas com porteiras e prosseguiu da seguinte maneira:
"Sabe, Dona X (não revelaremos o nome da porteira para manter o seu anonimato), o que é pior é quando a cabeça não está bem. A doença de Alzheimer, tenho um medo que me pelo disso. Perder a memória."
"Ah sim, menina. Olhe, o que temos de mais importante é o pensar, o ver e o falar."
"Ah isso falar, Dona X, eu não me importava de ficar sem isso."
A porteira olhou para a menina com os olhos muito abertos.
"Não?!"
"Eu é mais escrever, Dona X. Por isso não me importava nada de perder a fala. Não sou muito faladora. Eu gosto é de escrever."
A porteira riu-se, espantada, e disse:
"Ah então é por isso que a menina ... escreve. Pois."
A maníaco-depressiva não ensinou à porteira um segredo da vida - é que os olhos falam mais que a boca, na maioria das ocasiões, e o que os olhos da porteira lhe disseram foi exactamente isto: Afinal, esta menina não é uma tontinha qualquer. Ela escreve!
Em contrapartida a maníaco-depressiva aprendeu um pedaço de informação preciosa com a porteira (nunca subestimeis a vossa porteira): que quando vai chover os aviões vêm daquele lado de lá e quando não chove, vêm todos do outro lado. A partir daquele dia a maníaco-depressiva nunca mais andou a carregar com guarda-chuvas o dia inteiro para nada, o que é sempre bom.
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Não se sabe se a porteira foi imediatamente contar à vizinhança estas últimas novidades, mas o que é facto é que o rapaz da garagem agora foge da maníaco-depressiva. Em vez de ficar plantado na porta da garagem a ver se lhe consegue arrancar um sorriso, finge que estuda os troféus expostos na vitrine do dono da garagem. Não se sabe se ficou a pensar que a maníaco-depressiva era um ser estranho por não gostar de falar, ou se achou que porque a maníaco-depressiva escreve está num patamar acima do seu, no que concerne a assobios perdidos no ar da rua. O que se sabe é que se ele soubesse que a maníaco-depressiva se está perfeitamente nas tintas para patamares, certamente ficaria espantado. Também se sabe que se ele soubesse que a maníaco-depressiva já lhe desenhou vezes sem conta cada milímetro do seu rosto dentro da sua cabeça, que não fugiria dela para se esconder em vitrines de troféus.
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Entretanto, o biológico ou vegan ou o raio que o parta, não é avistado há meses e quando é, anda demasiado atarefado com frutas e cenouras para grandes cumprimentos. A maníaco-depressiva suspira de alívio. Mas pensa que vem aí a Prima Vera e que os biológicos ou vegans ou o raio que os parta costumam sair mais das suas tocas quando a Prima Vera chega ... Os rapazes de garagem também saem muito das suas tocas quando avistam a Prima Vera, para apreciar a paisagem circundante ...
Amélie, achas que eu devia escrever um poema sobre o rapaz da garagem? Será saudável?
Talvez seja melhor esperar que a Prima Vera chegue ...
Aguardo instruções.
Au revoir.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

EM BUSCA DE PALAVRAS 57

Como as Mulheres
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"Um homem regressa a casa e é abordado por dois soldados:
'Onde vais?', pergunta-lhe o soldado.
'Para casa', responde o homem.
O soldado mata-o.
'Porque é que fizeste isso? Ainda faltam 20 minutos para a hora do recolher.', diz-lhe o outro soldado.
'Eu sei. Mas eu sei onde ele mora. Não conseguiria chegar a tempo.'"
Anedota contada por um habitante de Sarajevo, durante o cerco da cidade pelos Sérvios
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Goran não tinha mais de 30 anos. Vivia em Sarajevo há vinte e seis. Sarajevo era, portanto, a sua cidade. E, como tal, ofereceu-se para a defender, apesar de nunca ter pegado numa arma antes disso, porque, como referiu, do outro lado estão animais que invadem as casas das pessoas e violam as mulheres, sem razão nenhuma. Goran foi um sniper bósnio durante o cerco de Sarajevo e já lá iam 4 meses quando as suas palavras ficaram gravadas para a posteridade. Antes disso era estudante de Biologia. Agora tinha de matar homens com uma arma, porque se não os matasse, esses mesmos homens matá-lo-iam a ele.
Goran esconde-se no interior de um edifício e aponta a sua mira lá para fora, através de uma janela coberta por um cortinado, espreitando pelo visor e tendo o cuidado de manter o cano da espingarda resguardado no interior da estrutura. Dispara 2 tiros seguidos. Depois, agarra nela com ligeireza e sai disparado a correr, gritando para o jornalista que o filma "We must go! Go! Go! Go!" Mesmo não tendo experiência anterior, Goran rapidamente aprende que um sniper nunca permanece no mesmo sítio muito tempo, o tempo de disparar 2, 3 tiros no máximo. Algures lá fora, já se ouvem os tiros de resposta do sniper sérvio.
Todos dobram a curva do corredor e Goran senta-se numa cadeira que alguém abandonou por ali. Sorri. Olha para a câmara e diz: "When I say 'go', please you stop filming and run. Ok?" Sorri de novo, como a desculpar-se pelo que se passa na sua cidade, como se tivesse vergonha de não poder oferecer uma outra recepção de boas vindas, muito diferente, menos sangrenta e mais apropriada ao visitante - um jornalista francês que recolhe imagens para um documentário sobre o cerco de Sarajevo.
Goran não gosta de matar homens, apesar de serem animais, mas ainda assim são pessoas, diz ele. É um momento terrível, afirma, quando se pega numa arma e se tem de disparar. Depois não consegue prosseguir e afasta-se para chorar, encostado a uma estante.
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"O que pensas das armas?", pergunta-lhe o jornalista.
"São como as mulheres. Muito bonitas, muito suaves e muito perigosas."
"Amas a tua arma?"
"Sim."
"Tens a certeza que amas a tua arma?"
"Sim. Mas só quando não tenho de matar com ela."
"O que vais fazer a seguir à guerra?"
Goran ri-se, como se o "a seguir à guerra" fosse algo tão distante e tão impensável que ele nem sequer se permite pensar nisso.
"Vou olhar as estrelas sobre o mar. Todos os combatentes precisam de paz, depois da guerra. Talvez acabe os meus estudos e tente viver normalmente. Se ficar vivo."
Numa outra secção da cidade, Goran observa com um olhar triste e grave um grupo de crianças que brincam com armas reais e fingem disparar. Há pouco tempo, Goran era uma destas crianças, agora abandonou as coisas de criança e fez-se homem.
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Não sabemos se Goran sobreviveu para terminar o seu curso de Biologia e olhar as estrelas sobre o mar. Desejamos que sim.
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O cerco de Sarajevo foi um dos conflitos mais terríveis e sangrentos da segunda metade do século XX. Nele habitantes de uma mesma cidade defrontaram-se durante quase 4 anos. Das 12.000 pessoas mortas e 50.000 feridas, 85% eram civis. Os franco-atiradores pululavam por todos os cantos da cidade e a avenida principal, por ter inúmeros prédios altos, era local de preferência dos snipers, tendo ficado conhecida como a "Sniper Alley". Os habitantes acostumaram-se a correr de um lugar para outro ou a esperarem pela passagem dos camiões da ONU para se protegerem por trás deles. De acordo com dados recolhidos, os snipers foram responsáveis por 1.030 feridos e 225 mortos, 60 dos quais eram crianças.
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a partir da reportagem do jornalista Philippe Buffon "Sniper: La Mort Au Bout Du Fusil"

sábado, 31 de janeiro de 2009

PALAVRAS ESTÚPIDAS 46

Tudo
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"Isso tudo????!!!"
Esta frase é recorrente na minha vida. Exclamada por outros. A nível pessoal e profissional.
"Escreveste isso tudo???!!!"
Pois. Sim, escrevo muito. Sim, já escrevi muito, desde os oito anos de idade. Sim, tenho ainda muito mais para escrever, até aos 80, por aí, mais ano menos ano. Tenho 36.
Escrevo muito. Mas, para mim, esse "muito" é relativo. Para outra pessoa, uma página inteira A4 pode ser muito, para mim é peanuts. Para outra pessoa, escrever 4 folhas A4 pode levar um dia inteiro, para mim às vezes bastam 10 minutos para as encher. Para outra pessoa, escrever o dia inteiro e ficar cheia de cãibras nas mãos pode ser um suplício, para mim é uma alegria tremenda. Para outra pessoa ter ideias para escrever num blog todos os dias do ano pode ser uma tarefa impensável, para mim é quase automático e não perco mais que meia hora por semana com isso. Para outra pessoa o facto de eu ter escrito 4 livros inteiros pode ser motivo de espanto. Para mim é muito pouco, comparado com os quilómetros de escrita de alguns autores. Ou, por outra, custaram sim, muito, a escrever, mas são trabalho necessário para todos os outros que ainda quero escrever e que darão muito mais trabalho.
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Não sei porque escrevo. Uma das minhas primeiras memórias de criança é uma página pautada e a minha mão direita a desenhar cuidadosamente as primeiras letras aprendidas. O movimento do indicador e do polegar a segurar o lápis e a conduzir a mão lentamente através da folha. Desenhar letras. A escrita começou assim, para mim. E permanece. Ainda gosto disso. Ainda gosto de desenhar letras, muitas, numa folha de papel. A diferença está em que agora escrevo muito mais depressa do que quando era criança e às vezes nem preciso de estar a olhar para a folha para o fazer. Esse movimento físico é-me tão essencial como respirar. Nunca perdi muito tempo a perceber por que escrevo. Como nunca perdi muito tempo a perceber por que respiro. Escrever é como respirar. Escrevo tudo. Escrevo sobre tudo. Quero escrever sobre tudo. Tudo é motivo de escrita. Não penso nisso. Escrevo. Penso, isso sim, em como escrever a próxima frase melhor que a anterior, sempre. E escrevo. Escrevo. Inspiro. Escrevo. Expiro. Escrevo.
ºdfºçfl
Sei porque gosto de contar histórias. Há motivos psicológicos e psicanalíticos e freudianos. Já os analisei todos. Sei muito bem porque gosto de criar personagens. Uma parte disso está relacionada com uma das características da minha personalidade - gosto de controlar as coisas. E, por isso, quando escrevo uma história, sou Deus nessa história. Mas, apenas até um certo ponto. E uma das coisas que descobri na tarefa de construir uma história, foi o maravilhoso mundo estranho dos personagens. Ser conduzido por um personagem é infinitamente melhor que ser Deus.
fºçfl
Escrevo.
Escrevo muito.
Sim.
Para quê?
Pouco me importa o para quê.
Para viver.
É tudo.
Ponto final.
Parágrafo.
Segue ...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A FANTÁSTICA FAUNA DE ANDRÓMEDA

Rumpelstiltskin
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Rumpelstiltskin é um personagem de conto de fadas originário da Alemanha, recolhido pelos Irmãos Grimm. A história de Rumpelstiltskin reza o seguinte: Para se fazer mais importante do que na realidade era, um moleiro mentiu ao rei e disse-lhe que a sua filha era capaz de tecer ouro a partir de palha. O rei chamou a rapariga, encerrou-a numa torre com palha e uma máquina de fiar e exigiu que ela produzisse ouro durante três dias, caso contrário seria executada. A pobre rapariga ficou desesperada e tinha perdido já qualquer esperança de salvação, quando um anão surgiu no quarto e teceu ouro a partir da palha, em troca do seu colar. Na noite seguinte Rumpelstiltskin pediu-lhe o anel. Na terceira noite, nada mais tendo para lhe oferecer, Rumpelstiltskin pediu-lhe o seu primeiro filho. A rapariga anuiu.
O rei ficou tão impressionado com a rapariga que permitiu o seu casamento com o príncipe, mas quando o primeiro filho nasceu, Rumpelstiltskin regressou para levá-lo como prometido. "Agora dá-me o que prometeste." A rapariga, agora rainha, assustada, ofereceu-lhe toda a riqueza que tinha, se pudesse manter a criança. O anão recusou mas finalmente concordou em esquecer a promessa, caso a rainha conseguisse adivinhar o seu nome daí a três dias. Na primeira tentativa, a rainha falhou. Mas na segunda noite, o seu mensageiro ouviu o anão a saltitar em redor de uma fogueira e a cantar.
"To-day do I bake, to-morrow I brew,
The day after that the queen's child comes in;
And oh! I am glad that nobody knew
That the name I am called is Rumpelstiltskin!"
Quando o anão regressou, a rainha adivinhou o seu nome e pôde manter o seu filho. Existem várias versões para o final da história, mas o mais conhecido é aquele em que Rumpelstiltskin, louco de raiva, bate com o pé no chão com tanta força que se enfia nele até à cintura e então, num arremesso de fúria incontrolável, pega no seu pé esquerdo e se parte a si próprio em duas metades. Noutras versões, a profundidade da cova é tão grande que o anão se afunda nela para nunca mais ser visto.
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Short-Story: Aladino esfregou a lamparina, mas em vez do génio esperado, apareceu um anão. Disse a Aladino que trocava três desejos por três tesouros que Aladino lhe pudesse oferecer. Aladino deu-lhe os brincos de pérolas que trazia pendurados nas orelhas e pediu riqueza eterna. Rumpelstiltskin fez surgir uma arca cheia de jóias e disse-lhe que a arca estaria constantemente cheia, não importava quantas vezes Aladino a esvaziasse. Depois Aladino ofereceu-lhe a adaga cravejada de pedras preciosas, que trazia à cintura, e pediu protecção contra todos os que lhe quisessem mal e todas as doenças que o pudessem vir a afligir. Rumpelstiltskin deu-lhe um pequeno frasco com um líquido verde fumegante e disse-lhe para beber uma gota do frasco todas as manhãs antes de sair de casa. Finalmente, Aladino lamentou não ter mais nada para oferecer. Rumpelstiltskin disse: "Tens, sim. A lamparina mágica. Quero-a." Aladino franziu o sobrolho e retorquiu: "Mas assim nunca mais poderei trazer-te de volta quando precisar. Ela é o bem mais precioso que tenho." Rumpelstiltskin respondeu: "Tens riqueza e saúde. Que mais podes precisar? Além do mais, falta um desejo. Escolhe-o bem, pois é o último." Aladino pensou uns momentos e entregou-lhe a lamparina. "Quero a lamparina mágica de Rumpelstiltskin." Furioso, o anão não teve outro remédio senão devolver-lhe a lamparina mágica. Antes de desaparecer numa nuvem de fumo encarnado, ainda gritou: "Não sei para que queres tu desejos. Tens o bem mais precioso que qualquer homem pode possuir - inteligência! Se a usares bem, poderás ter tudo o que desejares e não precisarás de lamparinas mágicas!"

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

NOTORIOUS NUMBERS

1111
O Número do Quarteto

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Formado em 1967, foi composto por António Moniz Pereira, Mário Rui Terra, Mike Sargent, Michelle Moniet Silveira, José Cid e Tozé Brito.

O nome foi inspirado no número de telefone onde decorriam os ensaios.
O primeiro EP do grupo foi A Lenda de El-Rei D. Sebastião, o primeiro disco português a tocar no programa "Em Órbita" do Rádio Clube Português.
O grupo teve bastantes problemas com a Censura, por causa de canções que tinham uma forte carga política e contestatária.
Apesar de continuar ainda mais alguns anos, oficialmente o Quarteto acabou em 1975, com a saída de José Cid.
Para sempre ficam, no entanto, músicas como a que se segue, inesquecíveis e parte da memória da minha geração, pelo menos:
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

SUGESTÃO DA SEMANA

Pronto! Tenho a anunciar que existe um sério rival de Russell Crowe para ocupar o lugar de homem mais sexy da Galáxia Andrómeda.
O homem que me fez gostar do parolo do James Bond, chama-se Daniel Craig, tem uns olhos azuis que trespassam como punhais, um "focinho" de rafeiro irresistível e ainda! não só fala inglês com sotaque russo na perfeição como também!!!! fala russo impecavelmente.
Por isso, minhas senhoras e meus senhores, a sugestão desta semana vai para "Os Resistentes", uma americanada tragável baseada na história verídica de três irmãos russos que salvaram centenas de pessoas das ignóbeis e malévolas mãos desses schwein nazis!
Agora a sério. O filme vê-se bem, as interpretações são razoáveis e só pelo facto de ter sido uma história verídica vale a pena a ida ao cinema. É o filme ideal para ir ver com a cara metade. Elas vão adorar os três irmãos (há para todos os gostos, loiro, moreno ou mais tenrinho para as mais pitas), a sua bravura e a sua nobreza de carácter. Eles vão adorar as armas, a guerra, a fraternidade, a acção.
E esta Andrómeda saiu muito feliz da sala, os ouvidos retinindo alegremente com o som dessa língua maravilhosa. Aqui fica o trailer.
sksjks

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

MURMÚRIOS DE AVALON I

O Actor Que Se Achava Um Inútil
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O Actor interpretava uma parede. Por isso, quando entrou não o viu. O Actor era bom. Era o melhor. Apesar dele próprio nunca poder admitir isso, nem em público, nem sequer em privado, mesmo que interiormente o soubesse melhor que ninguém. E, apesar de dizer umas baboseiras de quando em vez, das poucas vezes que concedia entrevistas, como quando afirmou que tinha a profissão mais inútil do mundo. Podia até ser que tivesse razão. Afinal de contas, a profissão de actor não alimenta ninguém, na maioria dos casos nem sequer o próprio.
O Escritor conhecia bem aquele Actor. Por isso, ficou deveras nervoso, quando viu que o outro tinha reparado em si. De mais a mais, ele era conhecido por ser insuportável para pessoas insignificantes como ele, porque era uma estrela, e as estrelas não têm paciência para pulgas.
Mas o Actor moveu-se lentamente até chegar à beira do palco, naquele seu modo muito característico, e quedou-se a observá-lo, sem pestanejar sequer. Estava vestido de preto dos pés ao pescoço, o Escritor imaginou que para disfarçar a sua gordura lendária.
Proferiu as únicas palavras que há muito pensara sobre ele e fantasiara um dia poder oferecer-lhe:
"Tu és, foste e serás durante muito tempo o maior actor que o mundo conheceu."
O seu coração bateu mais forte e sentiu-se transpirar subitamente. Também se sentiu ridículo. Quantas vezes teria ele ouvido aquelas palavras banais durante toda a sua vida de actor?
Não lhe respondeu. Sentou-se no rebordo do palco e continuou a observá-lo. Ao fim de alguns minutos, o Escritor percebeu o que se estava a passar. Era a sua forma de agradecimento, talvez, por aquelas palavras, ou talvez ele estivesse apenas a fazer precisamente aquilo para que nascera e a única coisa que sabia - representar. Apercebeu-se que o Actor estava agora a representá-lo a si. Era como se estivesse a olhar para um espelho vivo.
"Procuro uma palavra.", disse.
"Procuro uma palavra", repetiu o Actor exactamente com a mesma entoação.
"Por acaso não se encontrou com ela?"
"Por acaso não se encontrou com ela?"
E depois apercebeu-se que o Actor não poderia nunca ter encontrado a sua palavra porque ele apenas trabalhava com as palavras dos outros, ou as ideias dos outros. O Actor apenas poderia encontrar as palavras que o Escritor já tinha encontrado, ou as palavras correspondentes às ideias que o Escritor já teria pensado. Porque não inventava palavras, repetia-as. Mesmo admitindo que este Actor era de todos o que mais improvisava, mesmo assim, ele repetia as palavras de outros, todos os outros, pois qualquer outro era a sua fonte de inspiração, o seu alimento, o seu lume.
O Escritor despediu-se do Actor com uma vénia profunda. O Actor imitou-o e depois sorriu imperceptivelmente antes de se virar de novo para a parede e se confundir com ela, até não ser mais possível perceber onde começava a parede e acabava o homem.
lkfçlkg
inspirado em e dedicado a Marlon Brando

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

PALAVRAS EMPRESTADAS 49


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"Sometimes we will announce what we did, sometimes we will not announce what we did. We don't always have to announce it."
Ariel Sharon, enquanto Primeiro-Ministro de Israel
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"A minha alma está cansada da minha vida."
Job, Livro de Job
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"Cascata
A criança sabe que a boneca não é real, e trata-a como real, até chorá-la e se desgostar quando se parte. A arte da criança é a de irrealizar. Bendita essa idade errada da vida, quando se nega a vida por não haver sexo, quando se nega a realidade por brincar, tomando por reais as coisas que o não são!
Que eu seja volvido criança e o fique sempre, sem que importem os valores que os homens dão às coisas nem as relações que os homens estabelecem entre elas. Eu, quando era pequeno, punha muitas vezes os soldados de chumbo de pernas para o ar ... E há argumento algum, com jeito lógico para convencer, que me prove que os soldados reais não devem andar de cabeça para baixo?
A criança não dá mais valor ao ouro do que ao vidro. E na verdade, o ouro vale mais? A criança acha obscuramente absurdos as paixões, as raivas, os receios que vê esculpidos em gestos adultos. E não são na verdade absurdos e vãos todos os nossos receios, e todos os nossos ódios, e todos os nossos amores?
Ó divina e absurda intuição infantil! Visão verdadeira das coisas, que nós vestimos de convenções no mais nu vê-las, que nós embrumamos de ideias nossas no mais directo olhá-las!
Será Deus uma criança muito grande? O universo inteiro não parece uma brincadeira, uma partida de criança travessa? Tão irreal ...
Lancei-vos, rindo, esta ideia ao ar, e vede como ao vê-la distante de mim de repente vejo o que de horrorosa ela é (Quem sabe se ela não contém a verdade?) E ela cai e quebra-se-me aos pés, em pó de horror e estilhaços de mistério ...
Acordo para saber que existo ...
Um grande tédio incerto gorgoleja erradamente fresco ao ouvido, pelas cascatas, cortiçada abaixo, lá no fundo estúpido do jardim."
Bernardo Soares (Fernando Pessoa) - Livro do Desassossego
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"Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer."
Bernardo Soares (Fernando Pessoa) - Livro do Desassossego
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"You shoot me in a dream, you gotta wake up and apologize."
Mr. White (Harvey Keitel) - Reservoir Dogs

domingo, 25 de janeiro de 2009

EM BUSCA DE PALAVRAS 56

Conselhos de Um Sniper
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Se Maomé não pode ir até à montanha, a montanha poderá vir até Maomé. Neste caso concreto, se a Marta não pode ir até ao sniper, o sniper vem até à Marta.
Eu explico melhor.
Se depois de cerca de 600 páginas de pesquisa (ainda não totalmente lidas), + 10 livros sobre armas, investigação em locais de crime e polícias + cerca de 40 filmes (and rolling ...) + cerca de 20 documentários sobre snipers de toda a espécie, feitio e formato, se depois de tudo isto a Marta ainda não se conseguiu decidir sobre qual a melhor espingarda para o seu sniper, então nada melhor do que perguntar a um sniper real o que escolheria, face a certas e determinadas circunstâncias.
E perguntam vocês: mas como é que a Marta encontrou um sniper verdadeiro disposto a partilhar consigo os segredos da profissão? É simples. Na era da internet, uma Marta e um sniper podem trocar e-mails de forma rápida e eficaz. Vai daí, passo a citar o currículum vitae do dito cujo:
* Formado na US Army Sniper School de Fort Benning
* Curso de SWAT conduzido pelo FBI
* Sniper profissional da US Army National Guard, onde foi líder de equipa
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Desesperada, enviei um e-mail a M. com a seguinte questão deveras urgente:
Preciso de saber que raio de espingarda é que um sniper criminoso utilizaria no meio da cidade, sendo que o meu sniper percebe tudo sobre armas, é completamente maluco por elas, conhece-as todas e quer uma arma que possa desmontar, mas que mantenha a precisão de disparo.
Claro que eu já sabia que M. me responderia que um sniper prefere sempre uma arma inteira, porque as que se desmontam perdem a precisão, mas também não tinha muita fé em que ele respondesse a uma maluca qualquer que manda um mail a dizer que quer arranjar uma espingarda para um sniper criminoso ...
O facto é que M. respondeu (é por isso que gosto dos americanos ...). Pediu-me pormenores sobre o meu personagem, background, se esteve ou não no exército, de que nacionalidade é, porque isso, disse-me ele, tem influência na escolha de espingarda que um sniper faz.
Muito bem, pensei. Now we're talking real business. Lá lhe enviei um retrato o mais detalhado possível do meu sniper, sendo que ainda não decidi uma série de pormenores mas já tenho algumas ideias delineadas.
M. aconselhou-me duas espingardas de que eu nunca tinha ouvido falar, com a devida ressalva que, com efeito, um sniper prefere sempre uma arma inteira, não desmontável. E cito: "Snipers typically do not like rifles that "break down" meaning detachable barrels, etc, because the accuracy is typically not as good." O facto de nunca ter ouvido falar nelas é um óptimo sinal. Se ele me tivesse indicado alguma das que eu já conheço, que são as mais comuns, ficaria de pé atrás. Mas não. Este sniper percebe realmente do assunto.
Como é óbvio, não vou revelar aqui quais foram as armas que M. me aconselhou. Fica no segredo dos deuses, da Marta, do sniper M. e de um certo sniper imaginário. Deixo apenas o cano duma das ditas cujas lá em cima ;) Ainda não sei se vou seguir o conselho de M. Quem tem a última palavra é sempre o personagem. E, portanto, terei de lha colocar à consideração e ver o que ele decide. É que ele é muuuuuuuuuuito picuinhas com estas coisas, percebem? Mas, posso adiantar que a sua primeira reacção a uma delas foi muito boa. Houve inclusivé um baque de coração, daqueles de amor à primeira vista, nunca negligenciáveis. Porquê? Ora, porque é elegante e bonita ... mas ainda faltam outros testes essenciais ...

sábado, 24 de janeiro de 2009

MURMÚRIOS DE LISBOA LXXVII

O Canibal
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Borboleta - Jardim Botânico
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Discover Howard Shore!
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"First principles, Clarice. Simplicity. Read Marcus Aurelius. Of each particular thing ask: what is it in itself? What is its nature?"
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Tenho um segredo. Sei onde está um dos 10 Most Wanted Fugitives procurados pelo FBI. Em Lisboa. Vi-o ontem. Entrou no autocarro e saiu na estação de comboio. Vinha vestido com umas calças de ganga azul céu e um kispo com duas riscas grossas, uma encarnada, outra azul. Trazia um boné de pala preto enfiado na cabeça, que lhe tapava parcialmente o rosto. O seu cabelo está todo branco, mas a sua expressão continua idêntica. Já fez a cirurgia à mão e, portanto, tem novamente 5 dedos completos.

Mas a mim não me enganou. Os mesmos olhos azuis claros que se abrem como lagos de águas gélidas para um abismo incompreensível, sem fim. A mesma linguagem corporal lenta mas ligeira, como um réptil que se move com a preguiça do sol e logo dispara um gesto inesperado e mais rápido que a cautela possa adivinhar. O mesmo estranho voltear do pescoço para os lados, como se nos estivesse sempre a avaliar o potencial nutritivo numa dieta exigente.
Se dúvidas houvesse, foram totalmente varridas quando demorou o olhar num restaurante por onde o autocarro passava. Observou os convivas, refastelados nas mesas com os seus manjares fumegantes a despertarem os sentidos. Fixou os lagos gélidos em alguns dos que disfrutavam do último repasto do dia. E deixou-os permanecer aí mais uns momentos do que o estritamente necessário.
Observava também com interesse as ruas por onde o autocarro ia passando. Decorava itinerários, memorizava pontos-chave, decidia rotas, presumo. Ou simplesmente escolhia presas?
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No dia seguinte o inesperado aconteceu. Alguém se sentou ao meu lado. Distraída com a música, apenas senti o seu cheiro intenso e reparei na presença de um corpo enorme, entroncado. Só me apercebi que era ele quando se levantou, se dirigiu à porta e saiu novamente na estação de comboios. No dia anterior, porque estava afastada, não tinha tido a noção de que era tão grande. Saiu ligeiro, apesar dos cabelos brancos. Antes de sair o seu olhar azul gélido passou pelo meu e um arrepio percorreu-me a espinha.Terá escolhido a sua próxima vítima?
Cuidado, preciso ter muito cuidado. Anda um Canibal à solta em Lisboa. O seu nome? Dr. Hannibal Lecter, M.D.