quinta-feira, 7 de maio de 2009

NOTORIOUS NUMBERS

38
O Número da Divisão
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Paralelo 38 N é uma linha imaginária situada a 38 graus a norte da Linha do Equador. Passa por Itália, Japão, EUA e Açores.
O Paralelo 38 foi sugerido como a linha divisória para a Coreia em 1902. A Rússia tentava controlar a Coreia, enquanto o Japão havia acabado de assegurar o reconhecimento dos direitos coreanos à coroa britânica. Na intenção de evitar o conflito, o Japão propõe à Rússia separar as áreas de influências conforme o paralelo. Entretanto, nenhum acordo formal foi alcançado, e mais tarde o Japão tomaria o controlo total da Coreia.
Depois da rendição do Japão em 1945, o paralelo foi estabelecido como fronteira por Dean Rusk e Charles Bonesteel do Comité de Coordenação Naval de Guerra dos E.U.A. em Washington, durante a noite de 10-11 de agosto de 1945, 4 dias antes da libertação completa da Coreia. O paralelo dividiu a península ao meio. Em 1948, a linha divisória tornou-se a fronteira dos recém-criados países da Coreia do Sul e Coreia do Norte. No fim da Guerra da Coreia (1950-1953), uma nova fronteira foi estabelecida através da Zona Desmilitarizada da Coreia, que corta o paralelo 38 num ângulo agudo, do sudoeste para o nordeste. O paralelo 38 foi também o local onde o acordo de Panmunjon foi assinado, tendo como único resultado o cessar-fogo.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

MURMÚRIOS DE AVALON XIII

O Biólogo Teimoso
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O Biólogo estava junto de um chimpanzé e observava-o, embevecido.
O Escritor aproximou-se e desabafou:
"O ADN é algo fabuloso."
"Sim.", respondeu-lhe o Biólogo, sem tirar os olhos do chimpanzé, "A linguagem da vida. Capaz de infinitas combinações."
"Tal como as palavras."
"Ainda mais do que as palavras. Ou acha que uma palavra possui a mesma complexidade que um ser humano ou mesmo uma mera mosca da fruta?"
"Bem ... ando precisamente à procura de uma palavra que resuma uma vida inteira."
"Parece-me pouco provável que a encontre. Na verdade, acho mesmo impossível."
"Mas uma palavra pode ter milhares de interpretações. E ganha novos sentidos de cada vez que se muda de língua."
"Sim, mas não acha que resumir uma vida a uma única palavra, por mais sentidos que ela tenha, é muitíssimo redutor?"
"Pode ser que dependa da palavra."
"Repare.", e o Biólogo abandonou finalmente a observação do seu chimpanzé e olhou o Escritor nos olhos, "Este chimpanzé tem cerca de 98,7% do seu ADN igualzinho ao seu e ao meu. E veja a diferença descomunal que apenas 1,3% de combinações diferentes das quatro proteínas que compõem o seu ADN pode fazer. Ele não é capaz de falar, apenas articular alguns sons. Apesar de poder aprender a compreender linguagem gestual, o chimpanzé nunca poderá ser capaz de produzir obras de arte ou discursos coerentes que o levem a filosofar, por exemplo. E mesmo assim, uma única palavra não serviria para o descrever. Ele é diferente de todos os outros chimpanzés. É um ser único e insubstituível, com um humor próprio e características de personalidade que o distinguem dos outros companheiros da sua espécie."
"Sou teimoso, que quer? Sem teimosia o ser humano não teria chegado onde chegou."
"Mas teime à vontade. É livre de o fazer. Apenas penso que muito dificilmente poderá resumir toda a sua vida numa única palavra. E para quê?"
"Não sei. Porque as respiro, como ar. Porque as amo. Porque ... me apeteceu."
"Então deveria querer usá-las todas para se descrever. Já pensou nisso? Conseguir usar todas as palavras existentes para documentar a sua vida."
"Tarefa hercúlea e inútil. Uma única palavra é um desafio maior. Um escritor é escritor porque aprende a desbastar, percebe? Até chegar ao essencial."
"Também se pensava que decifrar o código genético era impossível e veja onde estamos. Daqui a poucos anos os mais potentes computadores serão capazes de apresentar a sequência completa do código que compõe um ser humano. A partir daí, as possibilidades são infinitas. Seremos capazes de decifrar a sequência de cada indivíduo em particular."
"Estaremos resumidos a um código numa página quilométrica de papel?"
"Homem! Exactamente como você quer reduzir uma pessoa a uma palavrita insignificante."
"Está a querer comparar quatro simples moléculas com um alfabeto de 26 letras?"
"Estou. E mais. Essas quatro moléculas a que se refere com tanto desprezo, são capazes de combinações infinitas e mais complexas do que qualquer conjunto de palavras. São elas as deusas que nos criam a toda a hora. São elas as mães dos biliões de seres humanos que têm nascido desde que o Homem caminha sobre a Terra e serão as mães dos biliões que ainda estão para nascer."
"Bem, vistas as coisas por esse prisma, também as palavras são responsáveis por biliões de poemas, romances, pensamentos que foram e serão escritos pelos humanos até ao fim dos tempos."
"Mas lembre-se que as proteínas são apenas 4 e que as letras são 26 e que as palavras são aos milhões. É fenomenal a quantidade de variações que 4 proteínas possuem. Cada singular variação que produzem é uma obra-prima ambulante - você, eu, este chimpanzé."
"Você é mais teimoso que eu."
"Se não fosse teimoso, não poderia trabalhar com chimpanzés.", e o Biólogo sorriu para o seu espécimen e estendeu-lhe a mão.
O chimpanzé rebolou no chão e depois aproximou-se. Permaneceu quieto a observar os dois.
"Também ando à procura duma palavra, sabe?"
"Não me diga."
"Uma palavra que ele consiga entender. Uma única palavra. A partir daí, a partir do momento em que consiga entender uma, as possibilidades serão infinitas."
"Desejo-lhe boa sorte."
"Para si também. E desista."
"Não posso. Sou parecido consigo, teimoso."

terça-feira, 5 de maio de 2009

SUGESTÃO DA SEMANA

Crie Algo
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"Só quando já não sabe o que está a fazer, é que o pintor consegue fazer coisas interessantes." Degas
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As melhores coisas que realizamos são livres e soltas, sem tabus de qualquer espécie.
Por isso, liberte o pensamento de qualquer espécie de censura e crie algo. Pode ser qualquer coisa, desde um quadro a um prato de cozinha. Vale tudo. A única regra é não existirem regras. Mesmo que lhe pareça totalmente absurdo ou impraticável, experimente e tente chegar o mais próximo possível do que idealizou na sua mente. Demore o tempo que for preciso, não se apresse, aperfeiçoe todos os pormenores que quiser ou recomece do início as vezes que forem necessárias.
É bom criar algo só nosso. Experimente!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

MAGIC MOMENTS 69

Dazzling Duets - Duet # 11 - Bruce & Arcade Fire
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domingo, 3 de maio de 2009

EM BUSCA DE PALAVRAS 69

Shakespeare Atrás das Grades
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"Tal como vós de crimes
Sereis perdoado
Com vossa indulgência
fazei-me libertado"
William Shakespeare - A Tempestade
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Estamos no Complexo Prisional de Luther Luckett (Kentucky), uma prisão de segurança média, que alberga 1100 reclusos. Segurança média significa que possui um perímetro duplo a toda a volta e um cordão de defesa armado, com 4 torres de vigia armadas e alerta 24 horas por dia. Quanto aos reclusos, os crimes variam da pedofilia, aos assaltos à mão armada, até aos assassínios em primeiro grau.
Alguns dos homens mais perigosos dos EUA estão retidos aqui dentro, a cumprir penas que variam dos 20 anos a prisão perpétua, sem possibilidade de recurso a liberdade condicional. E destes, alguns escolhidos a dedo podem ter a oportunidade única de embarcar numa viagem tão original e surpreendente, quanto perigosa - ensaiar e representar uma peça de Shakespeare diferente todos os anos, com a ajuda de Curt Tofteland, um professor de teatro que trabalha voluntariamente para, nas suas palavras, "ser um catalizador para estes homens."
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É possível, perguntamo-nos, colocar criminosos a representar Shakespeare? Não só é possível, como pode ser profundamente redentor para homens que precisam, mais do que ninguém no mundo, do perdão alheio e, mais difícil ainda, do auto-perdão. Como diz Curt, Shakespeare adoraria estes "actores" improvisados, uma vez que no seu tempo quem costumava representar as suas peças eram precisamente assassinos, ladrões e patifes comuns da sociedade britânica da época. "A sua dádiva foi a observação do comportamento humano. Nas suas peças posso encontrar comportamento humano que é tão verdadeiro agora, como era há 400 anos."
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Para esta temporada que este extraordinário documentário relata, Curt escolheu propositadamente a peça A Tempestade, sobre a vingança e o perdão. A Tempestade conta a história de um homem com poderes mágicos, Próspero, que é traído pelo seu irmão e expulso do seu prórpio reino, lançado num barco à deriva para morrer. Consegue, no entanto, acostar a uma ilha onde, com os seus poderes mágicos, subjuga toda a população e reina de novo sozinho. Um dia, o destino faz com que também os seus inimigos se encontrem num barco à deriva no mar, próximo da sua ilha e Próspero invoca uma enorme tempestade para os fazer naufragar. O barco vem parar à ilha e Próspero tem agora a oportunidade de se vingar ou de perdoar o mal que lhe fizeram. Que fará ele?
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Big G pensava que os reclusos dariam bons actores, porque estão habituados a mentir e a representar. Mas descobriu que não podia estar mais enganado. Na realidade, eles devem trabalhar com a verdade, procurando a incorporação do personagem. Curt explica-lhes que "os grandes actores são grandes observadores da vida" e que incorporar um personagem não é tão simples como possa parecer, obrigando a um verdadeiro mergulho no fundo de si próprios e a um confronto com as suas próprias verdades.
Leonard, o pedófilo em recuperação, parece ser o filósofo do grupo. Ele afirma que uma das coisas mais notáveis no mundo é pedoar alguém e que Shakespeare entende isso porque entende que todos nós precisamos de ser perdoados por alguma coisa, o que varia é apenas o grau. Leonard tem um pedido: não deseja ser recordado pelo pior acto que cometeu, mas sim que a sua vida possa ser olhada na totalidade e que alguém possa ver a balança equilibrada, o que seria uma forma de redenção. Mais raro do que a vingança neste mundo, afirma, é o perdão e são precisamente os que menos o merecem que mais precisam dele.
E quando Leonard afirma que se não houvesse perdão no mundo, haveria uma espécie de anarquia moral, percebemos que ele tem razão. Que o perdão tem de existir, não porque nos possa beneficiar a nós ou aos prevaricadores, mas porque todos viremos a precisar dele alguma vez nas nossas vidas e só então entenderemos o quanto dele precisamos.
E recordo-me subitamente de Richard Kuklinsky, o impiedoso e frio assassino da máfia, que verte lágrimas sentidas quando diz que desejava apenas uma coisa no mundo - que a sua mulher e os seus filhos fossem capazes de o perdoar.
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É essa a lição de Shakespeare, o grande observador do comportamento humano. E é essa a lição de Hal, Leonard, Desmond, Big G, Red e Sammie, alguns dos grandes prevaricadores deste mundo.
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Texto inspirado no visionamento do documentário de Hank Rogerson para a National Geographic - "Shakespeare Behind Bars".
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sábado, 2 de maio de 2009

PALAVRAS ESTÚPIDAS 59

Clint
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"Eu gosto de Clint Eastwood porque ele só tem duas expressões faciais. Uma com o chapéu e outra sem ele." - Sergio Leone
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Tenho uma paixão assolapada por este homem. Que raia o amor incondicional. Foi um amor que cresceu devagarinho, ao longo dos anos, tal e qual a carreira deste actor-realizador-auteur. Sossegado. Sem grande estardalhaço.
Em 1993, quando recebeu o oscar de melhor realizador por Unforgiven, Clint Eastwood não se esqueceu de agradecer aos críticos de cinema francês que apoiaram o seu trabalho como realizador desde o início e não se esqueceu de agradecer a todos os realizadores europeus que o contrataram para papéis no género do western spaghetti, como Sergio Leone, e que lhe moldaram a lenda do homem sem nome. E tal e qual como o seu personagem mais famoso, Dirty Harry, o polícia amargo e mal-humorado, bruto mas justiceiro, a lenda de Clint cresceu e prolongou-se mais tarde em quase todos os filmes que realizou e protagonizou - Clint é sempre Clint, apenas muda o cenário e a história.
E que histórias ele criou. Tudo começou com o maravilhoso Bird, sobre a vida do controverso, genial e trágico saxofonista Charlie "Bird" Parker, filme que lhe valeu os maiores elogios da crítica e que o lançou definitivamente no caminho para se tornar um dos maiores realizadores americanos da segunda metade do século XX. Sempre sem grande estardalhaço. Sempre com uma sensibilidade apuradíssima. Sempre sobre pessoas comuns que realizam feitos extraordinários - seja com um saxofone nos lábios (Bird), com uma arma nas mãos (Unforgiven), com o coração na ponta dos dedos (As Pontes de Madison County), com os punhos fechados (Million Dollar Baby), com o fel da vingança na língua (Mystic River), com o amor nos olhos (Changelling). Sempre com uma maturidade extraordinária. Sempre com um melodramatismo contido no ponto exacto da escala, sem exageros. Quase sempre com o seu amado jazz como pano de fundo.
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sexta-feira, 1 de maio de 2009

OS FOTÓGRAFOS DE ANDRÓMEDA

(Alfred) Eisenstaedt
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"Once the amateur's naive approach and humble willingness to learn fades away, the creative spirit of good photography dies with it. Every professional should remain always in his heart an amateur.”
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Beijo II Grande Guerra One in a million
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quinta-feira, 30 de abril de 2009

NOTORIOUS NUMBERS

60
O Número do Jornalismo
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Programa americano televisivo de jornalismo de investigação, no ar desde 1968, no canal CBS News. Criado pelo produtor Don Hewitt, tem ganho numerosos prémios de jornalismo ao longo de décadas. É considerado por muitos como a referência no jornalismo televisivo de investigação nos EUA. É o programa televisivo de qualquer género a ser transmitido em prime-time há mais tempo, nos EUA. É também o único programa de televisão americano a nunca ter utilizado nenhuma tema de abertura, apenas o som do cronómetro Aristo, que faz tique-taque.
A versão portuguesa é apresentada por Mário Crespo no canal SIC Notícias.
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

MURMÚRIOS DE AVALON XII

O Monge Agnóstico - Parte II
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"Totalmente de acordo. Aliás, eu próprio tive uma crise de identidade durante a minha conturbada adolescência, que me fez chegar à mesma conclusão - não nasci para ter Fé.
"Sim, eu sei, eu sou uma materialização dessa crise. Sou uma das suas muitas possibilidades."
"Mas eu nunca quis ser monge franciscano. Isso é ridículo, desculpe. Nunca tal ideia me passou pela cabeça."
"Com efeito. Mas eu sou aquilo que você imagina que seria se fosse um monge."
"E no entanto acabei por ser coerente."
"Sim. Mas a coerência por vezes perturba as possibilidades."
"De qualquer modo, continuei a interessar-me ao longo da vida por religiões. Não abandonei totalmente a Fé, num sentido filosófico, por assim dizer."
"De acordo. Mas nunca a professou. Nunca jurou votos de castidade e de pobreza perante uma assembleia de irmãos. A minha história é trágica."
"Parece-me grave, sim. Melhor seria perguntar-se porque motivo alguma vez teve Fé, já que a perdeu com tanta facilidade. Provavelmente nunca a chegou a encontrar verdadeiramente."
O monge fitou o Escritor e os seus olhos piscaram rapidamente. Parecia confuso. E bloqueado, como um programa de computador subitamente a braços com um bug repentino.
"Mas isso é impossível."
"Porquê?"
"Porque eu não era nem nunca fui um fanático que acredita pura e simplesmente naquilo que lhe impingem. Eu era um estudioso, como todos os monges da minha ordem, aliás. Eu professava a dúdiva existencialista. Eu questionava o Verbo. E mesmo assim conseguia encontrar justificações racionais para a sua existência."
"A verdade é que provavelmente se questionou tanto que acabou por chutar o Verbo para um esconderijo improvável. O Verbo teve medo de si e fugiu a sete pés."
"Agora está a ser insolente!"
"Peço desculpa. Então o que acha que aconteceu?"
"Eu lia muito. Estava a par de todas as correntes do pensamento. Acho que acabei por soterrar a Fé sob quilos e quilos de palavras, algumas das quais completamente inúteis, provavelmente."
"Conheço muitas pessoas extremamente inteligentes e letradas que, apesar de tudo, acreditam em Deus. O que me diz disso?"
"Melhor para elas. Eu não ponho isso em causa. A ignorância só traz felicidade."
"Totalmente em desacordo, agora."
"Também eu pensava assim. Agora, tudo o que levou anos a cimentar desmoronou-se num ápice. Tudo é relativo, até as nossas crenças, como vê. A única coisa que me salva são os prazeres da vida, como esta sopa e este pão maravilhoso."
"Não o entendo."
"É tudo cíclico, meu amigo. Ou se tem, ou não se tem. E não vale a pena estar a forçar nada. Ela retornará, se tiver que ser. Como a sua palavra."
"O que tem a minha palavra a ver com isto."
"Não a force a vir. Deixe-a vir até si. Há coisas que não gostam de ser apressadas, como os bons vinhos, que demoram tempo a amadurecer. Como a sua palavra, pela qual talvez valha a pena esperar mais um pouco do que pensava."
E com isto o monge abriu uma garrafa de vidro verde escuro e verteu um líquido encarnado cheio de pequenos reflexos dourados para dentro de ambos os seus copos. Sorriu, enquanto os dois brindavam às coisas demoradas.

terça-feira, 28 de abril de 2009

SUGESTÃO DA SEMANA

Faça uma Linha da Vida!
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Parece complicado, mas vai ver que é super divertido e muito esclarecedor.
Pegue em várias folhas A4 e cole-as umas às outras de modo a fazerem um harmónio dobrado. Traçe uma linha na horizontal na parte inferior do comprimento de todas as folhas, que tenha início no seu ano de nascimento e termine na sua idade actual. Divida a linha com traços verticais que representam cada ano da sua vida. A cada folha A4 destine 10 anos da sua vida.
Vá buscar canetas ou lápis às cores e marque na sua linha da vida todos os acontecimentos mais relevantes por temas. Ex: Amor, Amizade, Educação, Viagens, Família, Saúde, Aventuras, Sonhos Realizados, etc. Invente uma legenda para esses temas e dê a cada um deles uma cor diferente. Traçe linhas curvas correspondentes no gráfico da idade, de acordo com a importância que esses temas foram tendo ao longo da vida. Marque também momentos mais relevantes com símbolos correspondentes à legenda que criou para esse tema específico. Ex: No tema da Família, o nascimento do primeiro filho deve ser considerado um marco importante do tema Família.
O gráfico deverá ficar parecido com uma série de curvas coloridas sobrepostas, que vão subindo e descendo ao longo dos anos e ser recheado de símbolos.
Ficará surpreendido com o resultado final! O gráfico dar-lhe-á uma perspectiva diferente e inesperada da sua vida e quem sabe até ânimo para experimentar coisas diferentes ou aquelas coisas que sempre quis fazer e foi adiando interminavelmente.
Bom trabalho :)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

MAGIC MOMENTS 68

Dazzling Duets - Duet # 9 - Debbie & Iggy
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E esta é a versão original do mesmo dueto :)
Dazzling Duets - Duet # 10 - Frank & Bing
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Que delícia que é ouvir Frank Sinatra simular cantar completamente embriagado, acompanhado pela voz que um dia alguém disse ser a voz que todos achamos ter quando cantamos no duche - a mais bem colocada voz de todos os tempos - Bing Crosby.
ºkdsºald

domingo, 26 de abril de 2009

EM BUSCA DE PALAVRAS 68

Cop Land
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Este é o filme que todos aqueles que pensam que Sylvester Stallone não é bom actor, deveriam ver.
Nele, Stallone contracena com 3 muito respeitáveis senhores da representação e não lhes fica atrás: Robert De Niro, Harvey Keitel e Ray Liotta.
Nele, Stallone representa um papel que é uma espécie de antítese parodiada de todos os papéis heróicos que sempre retratou - um xerife de meia-idade, com barriga de cerveja e surdo de um ouvido, meio lento e muito balofo, que se vê subitamente a braços com uma missão demasiado pesada para as suas pernas cansadas e que nunca viram muita acção - limpar a sua cidade da seita de polícias corruptos que nela enraizaram um reduto protegido e intocável para as suas actividades ilícitas.
Um filme com um grande elenco e um Sylvester Stallone em estado de graça.
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O que aprendi com Cop Land?
* A Regra da Diagonal: "Luz vermelha, não a enfrentes, vira à direita. Se passas o vermelho, mesmo com as luzes de emergência e a sirene, vais encontrar o trânsito todo entupido. O objectivo é o movimento perpétuo, portanto segues diagonalmente. Fazes ziguezagues, em vez de pegares estes tipos de caras."
* Uma das melhores e mais divertidas deixas que já ouvi em anos:
"Foi a criança dentro de ti quem apostou."
"Faz-me um favor. Anda cá, abre-me a braguilha, tira a minha criança interior para fora e mama-a, fá-la crescer e ficar grossa."
lfkdçlf
E o cheirinho de Cop Land:
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sábado, 25 de abril de 2009

MURMÚRIOS DE LISBOA LXXXIV

Cruzes
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Vitral Capela - Quinta da Regaleira
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Todos têm a sua cruz para carregar.
Marques é ex-polícia e todos os Sábados vem buscar o Sr. Dr. para almoçar. O Sr. Dr. é a cruz de Marques, porque lhe operou a filha e o Marques sente-se em dívida. O Sr. Dr. tem um temperamento no mínimo estranho. Insulta qualquer coisa que mexa e bebe que nem um cacho. Berra muito também. Se o Marques chega adiantado 5 minutos, tem de esperar lá em baixo antes de ligar ao Sr. Dr., ou o Sr. Dr. terá um ataque de insultos e o almoço ficará arruinado.
Agnes é casada com o Sr. Dr. há 40 anos. Nenhum desses 40 anos foi sequer remotamente feliz. Agnes carrega uma cruz pesada, porque quer. Ninguém a obrigou a isso. Ela própria se obriga a sacrificar-se. Agnes poderia ser considerada uma santa noutra época longínqua. Hoje em dia, Agnes é apenas considerada uma tonta.
Quem mais pagou pelo auto-sacrifício de Agnes foram as crianças do Sr. Dr. Agora adultos disfuncionais. Maria proferiu a seguinte frase no outro dia: "Já ouvi isto algures. Que os filhos pagam sempre pelos pecados dos pais. Acho que foi na Bíblia." Maria não acredita na Bíblia, nem em cruzes, nem em mártires, muito menos em santos ou em sacrifícios. Mas nos últimos tempos ela tem insultado, da mesma maneira que o Sr. Dr., seu pai, os filhos da puta que ela acredita estarem lá em cima algures no espaço a realizarem experiências com tubos de ensaio e cobaias como ela. A sua cruz chama-se Quimioterapia.
Maria acredita que todos temos um deserto para atravessar, como Jesus. Ao invés de Jesus, porém, o deserto de Maria não são apenas 40 dias (40 dias seriam one piece of fucking cake!), mas 210. Ela já os contou.
Maria espera que isto chegue para pagar os poucos pecados que cometeu ao longo da vida e em que nem sequer acredita. Mais os do Sr. Dr., seu pai, e mais os da mártir, sua mãe.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

PALAVRAS ESTÚPIDAS 58

Mamadu Bobo
Hulk
Quique Flores
Sissinho
Pato
Gatuso
Marlon Brandão
Cristiano Ronaldo
Franco Foda
Koné
Panuchi
Boa Morte
Pit Bull
Cleberson
Erivelton
Kinkin Fonseca
Mantorras
Maxi Pereira
Reguila
Tanque Silva
Domingos Paciência
Olegário Benquerença
Fábio Coentrão
e estes são apenas alguns, poucos, exemplos ...
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E depois este gajo é que é o ridículo????!!!!!

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Por amor de deus ... Tenham juízo! ...da-se!!!!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

OS FOTÓGRAFOS DE ANDRÓMEDA

Diane Arbus
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"Most people go through life dreading they'll have a traumatic experience. Freaks were born with their trauma. They've already passed their test in life. They're aristocrats."
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Estranho Diferente Inquietante
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ºçslçºs
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quarta-feira, 22 de abril de 2009

NOTORIOUS NUMBERS

0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, 233, 377, ...
O Número de Fibonacci
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A sequência de Fibonacci foi assim nomeada por causa do homem que a introduziu na matemática Europeia (já tinha sido descrita na matemática indiana) - Leonardo de Pisa, também conhecido como Fibonacci, "filius Bonaccio" ou "filho de Bonaccio".
A sequência funciona do seguinte modo: adicionando os dois primeiros algarismos - 0+1, obtém-se o terceiro =1; adicionando este terceiro algarismo e o segundo - 1+1, obtém-se o quarto = 2; e assim sucessivamente.
Para o fascínio que a sequência de Fibonacci exerce, contribuiu o facto de se descobrir que também na natureza ela aparece nos mais diversos ambientes biológicos, tais como os nós dos troncos de árvores, arranjos de folhas num caule, pétalas de flores ou gomos de frutos.
Por esse motivo, e com poucas provas ou provas não devidamente consubstanciadas, é costume apelidar esta sequência como a matemática da natureza.

terça-feira, 21 de abril de 2009

MURMÚRIOS DE AVALON XI

O Monge Agnóstico - Parte I
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Havia uma mesa de madeira com uma refeição completa preparada e dois lugares postos. A comida fumegava do interior de recipientes de barro e exalava um odor que lhe despertou de imediato as papilas gustativas. Saboreou a sua própria saliva, inundando-lhe subitamente a língua.
Sentado à mesa encontrava-se um monge de túnica castanha e cabeça rapada, à maneira dos franciscanos, a ler um livro. Levantou-se e espreitou-o por cima dos óculos encavalitados no nariz. Fechou o livro, marcando-o cuidadosamente com uma folha verde escura comprida e estaladiça e sorriu:
"Estava à sua espera."
"À mnha espera?"
"Efectivamente. Eu espero sempre a vinda de alguém. E quem apareceu foi você. Portanto, pode-se dizer que estava à sua espera."
"Procuro uma palavra que me escapou. Por acaso não a viu?", sentiu que com o monge não precisava de rodear a questão e podia ir directo ao assunto, sem demoras.
"Não, não vi nenhuma palavra. Mas sente-se. O almoço está a arrefecer."
O monge não esperou que o seu conviva se instalasse e regressou à mesa.
Decidiu sentar-se, para não parecer mal educado.
"Como vê", disse o monge, "eu não pratico o que prego.", agarrou numa enorme fatia de pão de centeio e barrou-o com um queijo cremoso amarelo, que pareceu ao Escritor extremamente apetitoso. O seu estômago começou a rugir indecorosamente.
"Coma, coma.", e o monge estendeu-lhe um prato fundo e despejou uma concha gigante de sopa encarnada lá para dentro.
"E agora conte-me. Que palavra procura e porquê?"
"Bem ... é complicado. Eu perdi-a, compreende? Foi-se. Varreu-se-me completamente. Portanto, nem sequer sei de que palavra se trata."
"Compreendo.", o monge abanou a cabeça, pensativo e com um ligeiro sorriso no canto dos olhos.
"Não compreende, não. Não pode compreender. É impossível explicar-lhe o desespero inerente à perda de uma palavra.", o Escritor levou a mão à cabeça e coçou-se. Parecia cansado.
"Ouça, deve ser o mesmo desespero que se sente quando se perde a Fé.", e o monge levantou ambas as sobrancelhas e fez um esgar parecido com um sorriso, enquanto apontava para a cruz que trazia ao peito.
"Perdeu a Fé?"
"Completamente. Absolutamente. Totalmente. Irreversivelmente, arrisco dizer."
"E porquê?"
"Não sei. Talvez seja como a sua palavra. Varreu-se-me completamente do espírito."
"E agora o que vai fazer?"
"Não sei. A partir do momento em que a perdi, deixei de a querer encontrar, compreende?"
"Não sei se estou a percebê-lo."
"Repare, a vida só fazia sentido com a presença de Deus. Hoje, a vida só faz sentido sem Deus. Deus passou a ser ridículo aos meus olhos, uma invenção do Homem para suportar o peso da perda terrível e do vazio insuportável que a morte significa numa vida que sempre teve consciência de si própria e que por isso mesmo não consegue conceber a não consciência. É tão simples quanto isto. Como é óbvio, neste estado presente de coisas, procurar reencontrar a Fé seria uma incongruência, no mínimo."

segunda-feira, 20 de abril de 2009

SUGESTÃO DA SEMANA

Corneto de Leite Creme
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Porque é simplesmente divinaaaaaaaaaaaaaaal ...

domingo, 19 de abril de 2009

EM BUSCA DE PALAVRAS 67

Os Suspeitos do Costume
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"O maior truque que o Diabo alguma vez realizou, foi convencer o mundo que não existia."
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O Cinema precisava de argumentos destes, quando Os Suspeitos do Costume estreou, em 1995. Felizmente que depois disso as coisas começaram a melhorar de novo e bons argumentos é coisa que hoje em dia não falta.
Os Suspeitos do Costume conta a história de um grupo de gatunos presos e colocados numa linha de identificação por algo que não fizeram. Quando saem, os 5 juntam-se e planeiam um golpe para se vingarem da polícia. Eles já se conhecem de outras andanças, mas não confiam inteiramente uns nos outros, como é sempre de bom tom entre gatunos. E é então que nas suas vidas entra o misterioso, invisível e poderoso Kayser Söze que, como um Deus do sub-mundo parece puxar todos os cordelinhos de todas as diagonais do crime e arredores, sem que nunca ninguém lhe tenha posto a vista em cima. Encurralados, cada um dos nossos gatunos é forçado a entrar num jogo perigoso, obrigados a retribuir a Söze algum mal que lhe fizeram no passado.
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Este foi o filme que fez o mundo reparar num senhor chamado Kevin Spacey. Foi também o filme que começou a moda dos grandes twists finais inesperados.
O que aprendi com os Suspeitos?
* Como descobrir um assassino: "Digamos que se prendem 3 tipos pelo mesmo crime. O que estiver a dormir na manhã seguinte é o nosso homem. Quando somos culpados, sabemos que fomos apanhados. Descansamos. Baixamos as defesas."
* "Um homem não pode mudar a sua natureza. Pode convencer os outros que mudou, mas nunca a ele próprio."
* "Não podemos ser traídos, se não tivermos pessoal. Não se deve trabalhar com ninguém durante muito tempo, nem repetir as pessoas; e deve-se garantir que essas pessoas não sabem para quem trabalham."
* "O que é preciso para ter a sua próprioa máfia, para ter poder, não são armas, nem dinheiro, nem mais gente, mas a vontade e a disposição para fazer o que os outros não fazem."
* "Para um polícia, a explicação nunca é complicada, é sempre simples. As ruas não têm mistérios, não há criminosos por trás disso. Quando se encontra um morto e se acha que o assassino foi o seu irmão, temos razão."
* Nunca subestimar o poder de um nome bem esgalhado
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E o cheirinho dos suspeitos, o do costume:
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sábado, 18 de abril de 2009

MAGIC MOMENTS 67

Dazzling Duets - Duet # 8 - Mya, Pink, Lil, Christina & Missy
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