sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

MURMÚRIOS DE LISBOA XC

Anjo-da-Guarda
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Vista da Torre de Belém
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Imaginei. Que vens proteger-me, de quando em vez. Talvez até interferir no rumo dos acontecimentos, nas emoções dos que cruzam a minha vida. Em mim, também.
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Imaginei. Que estás comigo, de vez em quando. Que me acompanhas, mesmo ali, a roçar-me, no inabitável precipício entre o passado e o presente. Que te consigo até tocar, talvez. E tu a mim.
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Imaginei. Que te sinto, próximo, tão próximo. Que me sorris. Que me olhas, atento, o rosto sério, esse rosto maravilhoso de que sinto tanta falta.
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Imaginei. Que te chegas a mim quando sofro. Que te ajoelhas perto e permaneces assim, sereno. Que estás comigo quando te chamo, quando te quero comigo. Assim mesmo.
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Imaginei. Pela força do hábito, talvez. Pelo costume criado, ao longo dos anos, de te querer.
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Imaginei. Que o teu amor atravessa as barreiras do tempo, do espaço, da memória, da física. Que me sentes, como te sinto. Que me vês, como te vejo.
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Imaginei. Que por vezes coincidimos no mesmo lugar, à mesma hora, com a mesma intensidade. Porque te sinto tanto, por vezes.
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Imaginei. Que o mesmo acontece contigo. Que também eu sou teu anjo-da-guarda, sem saber. Que o meu amor rasga cortinas de ferro, buracos negros e línguas de fogo para te proteger, para te guardar, para te embalar, para interferir no rumo da tua vida.
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Imaginei. Que sabes tudo isto. Que às vezes pensas, como eu, ser absurdo pensar assim mas que sabes, como eu, tens a certeza que é assim.
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Imaginei. Porque é estranho, tão estranho, que os turbulentos rios do tempo não te façam esvanecer, que antes uma míriade de pontes se ergam infinitamente para te trazer sempre cada vez mais, como se tivesse sido ontem.
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Imaginei. Que envelheço e que cada ruga me traz para mais perto de ti, como uma teia de estradas cruzando a minha vida na tua direcção. Que te aproximas cada vez mais, até eu e tu sermos um só, ainda que separados pelos intermináveis labirintos da existência.
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Imaginei. Que me basta olhar para trás, por cima do meu ombro, para te ver, do outro lado da rua.
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Imaginei tudo isto. Só não imaginei amar-te, nem nunca imaginei amar-te sempre, como agora, como ontem, como amanhã e assim mesmo até ao final do Tempo.
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Para ti, P.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

AS TRIBOS DE ANDRÓMEDA

Aborígenes
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"Quanto mais sabes, menos precisas."
Provérbio Aborígene
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Os aborgíenes australianos vieram provavelmente da Ásia, há mais de 40.000 anos. Na altura da colonização europeia, no século XVIII, havia cerca de 500 ou 600 grupos distintos de aborígenes que falavam cerca de 200 dialectos diferentes (50 dos quais estão actualmente extintos). Embora culturalmente diversificados, estes grupos não eram entidades políticas ou económicas e não existiam hierarquias sociais ou chefes. Viviam da caça e da colecta e havia grande comércio inter-grupos em todo o continente australiano.
Os aborígenes possuem um intrincado sistema de classificação que define relações de consanguinidade e regula os casamentos. Os Kariera, por exemplo, estão divididos em hordas ou grupos locais de cerca de 30 pessoas, que por sua vez estão divididos em 4 classes ou secções. A pertença a uma secção determina rituais e a posse de território. Em metade das hordas os homens estão divididos entre as secções Karimera e Burun; na outra metade estão divididos entre as secções Palyeri e Banaka. Estas secções são exógamas e as regras que regulam o casamento, a descendência e residência determinam como estas secções interagem entre si: os homens da Karimera devem casar com mulheres Playeri e os seus filhos são Burun, e por aí fora.
Os filhos vivem nas mesmas hordas que os pais, o que faz com que a composição destas alterne em cada geração. Este sistema complexo, requerendo que cada homem case com uma mulher de apenas uma das três secções possíveis, favorece uma rede alargada de relações sociais e cria solidariedade familiar dentro da horda.
Os aborígenes mantêm sistemas elaborados de totemismo (a crença de que existe uma relação genealógica entre as pessoas e as plantas ou animais). Vêem a relação entre plantas e animais totémicos como um mapa simbólico das relações entre pessoas diferentes.
O contacto com os colonos britânicos, a partir de 1788, levou à marginalização económica, perca de autonomia política e morte por doença. A chamada pacificação pela força culminou no final de 1880, conduzindo a uma despopularização e extinsão em massa para alguns grupos. Por volta da década de 40, quase todos os aborígenes tinam sido assimilados na sociedade australiana rural e urbana como mão-de-obra barata, com direitos limitados; muitas crianças aborígenes foram retiradas aos seus pais biológicos e dados a pais adoptivos, para promover a assimilação.
Em 1976 e 1993 o governo australiano promulgou legislação sobre a propriedade, que devolveu aos aborígenes um certo grau de autonomia; também decisões judiciais em 1992, 1996 e 2006 reconheceram a propriedade aborígene e os direitos nativos. O recente incremento da população aborígene reflecte a melhoria das condições de vida e uma definição alargada e inclusiva da identidade aborígene por parte do governo. No entanto, a sua expectativa de vida e as condições de vida médias do aborígene não se comparam aos da maioria dos australianos.
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A religião Aborígene é caracterizada pela presença de um deus ou deuses que criaram as pessoas e o ambiente durante um período de criação específico, no início dos tempos. Cada tribo de aborígenes acredita num número diferente de divindades, cuja imagem é frequentemente representada através de uma forma tangível e reconhecível. Pode ser uma característica geográfica, uma imagem, um animal ou uma planta.
Acreditam também que muitos animais e plantas podem trocar de lugar com os humanos através da reincarnação. As divindades aborígenes desempenham muitos papéis e são agrupadas em 3 categorias, podendo cada divindade pertencer a uma ou mais das 3:
* Seres da Criação (seres criadores de algo, seja humano, ou não humano)
* Seres Ancestrais (ancestrais directos das pessoas vivas actualmente, que ensinaram as primeiras populações a fazer armas e ferramentas, caçar animais e recolher alimentos, etc)
* Seres Totémicos (representa a forma original de um animal, planta ou outro objecto, tal qual era no Período da Criação)
A sociedade encontra-se dividida em dois grupos, chamados "moieties", cada um deles com Seres Totémicos específicos. Todas as pessoas pertencem a um ou outro "moiety", que por sua vez estão subdivididos em secções ou subsecções. Todos os indivíduos provêm de pelo menos um Ser Totémico e estes ajudam a definir as conexões e relações de uma pessoa com o mundo, a sua relação com o passado, o presente e o futuro.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fetiche #4

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se lhe atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
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"Click! Click! Click!" - som na canção "319" de Prince
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[Click]
1. Onomatopeia > 2. Som que inspira e atrai > 3. Ruído que excita e provoca a imaginação > 4. Cascata que refaz o ritmo da vida e do corpo > 5. Esgar tecnológico pleno de promessas inventivas > 6. Barulhinho que simplesmente adoro ouvir e provocar

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

'Till I Found You

O Mundo Colapsa 4
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O sistema alertou-o para a proximidade da hora da CM:
* 120 minutes left to:
- check 500 entries
- file 490 registers
- analise 490 registers
- create 2 reports of recent activities
- update VR
NOTE: check out the Dheli in Cascais
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Interrompeu a lista e pensou numa careta.
Hard work and no play these days ...
As horas que gastava a hibernar eram um mal necessário. Descobrira isso às suas próprias custas quando há uns 20 anos atrás ia sofrendo um colapso terminal com a sobrecarga de dados. Por outras palavras, quase que tinha ido desta para nenhures. Era fácil perder a noção do tempo quando não se tinha existência física e se vivia no interior de um sistema em que as únicas coordenadas eram dois dígitos: 0 e 1. Passara um ano em ON e claro que às tantas o sistema de suporte começou a apresentar falhas que se foram agravando porque ele não procedia a uma manutenção regular. Resultado: entrou em hibernação permanente e, se não fosse a Brigada Neon tê-lo avistado por acaso algures num PacMaster no Japão, teria ido parar ao Cemitério Virtual juntamente com os 2 milhões de Suzies que todos os dias lá caíam de vez. A partir dessa altura nunca mais correu riscos, mas a desvantagem era que tinha de trabalhar mais e mais depressa durante o tempo que estava ON. Sabia de casos de ARLIs que batiam todos os recordes, mas esses tipos estavam para além de qualquer salvação possível - haviam perdido toda a essência humana, não passavam de bytes sem qualquer tipo de substância. Como o J. costumava dizer, já nem poeira de estrelas tinham debaixo dos braços. Gajos completamente tripados. E perigosos, também. Era mais fácil passar para o outro lado quando nos esquecíamos de que lado nós próprios vinhamos.
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Ligou o Automatic Check e deitou os bytes à obra. Dos 500 ficheiros que pusera em Modo "Análise em Curso", se se aproveitasse um já era uma sorte danada. A chatice do Automatic era que, apesar de mais rápido, não podia fazer mais nada enquanto estava naquilo, porque a rapidez dependia precisamente da utilização de todos os recursos do sistema para uma única actividade. Se se pusesse a fazer outras coisas, nem valia a pena pôr aquilo em Automatic porque ele corria à mesma velocidade do Manual. Era a desvantagem de se ser um ARLI de primeira geração, mas ele nunca quisera fazer o Update para a segunda geração. Chamassem-lhe sentimental. O tanas. E, para além disso, sabia perfeitamente que a percentagem de ARLIs pirados era maior nos de segunda geração do que nos da primeira.
Tinha que parar de pensar. A velocidade diminuira. Que merda! Mas era sempre mais forte do que ele. Concentrou-se e a velocidade aumentou imediatamente. Biliões e biliões (de estrelas) de palavras entravam-lhe no sistema, eram processados em segundos e voltavam a sair.
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Tuesday
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Pause
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Algo lhe chamou a atenção naquela palavra.
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I was born Tuesday.
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Desligou o Automatic e passou para o Manual.
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Registo nº 00828.934.567.102
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Análise comparativa.
Check.
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Reparou que aquele registo tinha sido categorizado como "Análise em Curso". Lembrou-se. Antes de entrar em hibernação, quando fora interrompido pelo J., acabara de pôr de lado aquele como "laranja"- código para os registos que o haviam interessado por algum motivo. Mas este não tinha nenhuma NOTA anexada.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

PALAVRAS EMPRESTADAS 58


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"The worst part of being old is remembering when you was young."
Uma História Simples (David Lynch)
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"When my kids were real little I used to play a game with them. I'd give each one of them a stick, one for each one and then I'd say 'You break that'. Of course they could, real easy. Then I'd say 'Tie those sticks in a bundle and try to break that.' Of course they couldn't. Then I'd say 'That bundle, that's family'."
Uma História Simples (David Lynch)
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"There's no one knows your life better than a brother that's near your age. He knows who you are and what you are better than anyone on earth. A brother is a brother."
Uma História Simples (David Lynch)

domingo, 29 de novembro de 2009

Macro Secrets 19

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There's a limit to persistence ...

It's called stuborness ...

sábado, 28 de novembro de 2009

MAGIC MOMENTS 89

Dazzling Duets - Duet #30 - George & Queen
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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

EM BUSCA DE PALAVRAS 90

Aviso: Este post é de leitura interdita a menores de 18 anos e a pessoas sem o mínimo de bom senso ou senso de humor na tola
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Truques de Sniper
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Se algum dia se vir no meio duma guerra e com uma carabina de franco-atirador nas mãos (nos tempos que correm, nunca diga desta água não beberei), é sempre bom saber estes truques:
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* Quer um fato de camuflagem prático e versátil?
Então não cosa nem cole os pedaços de pano, mas ate-os para que os possa remover e pintar de outra cor, caso mude de ambiente
* Quer uma camuflagem de rosto indetectável?
Então pinte as partes salientes (queixo, nariz, sobrancelhas e testa) de cor escura e as partes côncavas (olhos, zona em volta do nariz, centro do queixo) de cor clara, de forma a enganar o olho
* Quer uma carabina sempre em óptimas condições de tiro?
Então não dispare mais do que 2 tiros seguidos com a mesma carabina, pois o cano vai aquecer e alterar a trajectória da bala
* Quer acertar sempre no seu alvo?
Então nunca deixe a carabina repousar sobre superfícies duras. Duro-Duro nunca resulta, porque a carabina ressalta. Duro-Mole é o truque. Assim, se tiver que apoiar a carabina numa árvore ou muro, coloque a sua mão ou um casaco entre ela e a superfície de contacto e se tiver que a apoiar no seu corpo, faça-o sempre sobre músculo e nunca sobre osso.
* Quer saber a velocidade do vento e não tem como medir?
Então use estes truques:
- se sentir o vento na cara, significa que ele está a correr a 4-8 km/hora
- se as folhas das árvores se moverem continuamente, o vento está a 5-12 km/hora
- se o papel solto se mover, o vento está a 12-19 km/hora
- se as pequenas árvores abanarem, o vento está a 19-24 km/hora
- se houver espuma branca na água, o vento está a 27 km/horas
- a partir dos 27-32 km/hora já não deve sequer atirar, porque é demasiado forte
* Quer saber uma distância e não tem como medir?
- Para grandes distâncias use as medidas dum campo de futebol (entre 90 e 120 metros) e compare
- Para distâncias curtas, estenda o braço à sua frente e estique o polegar: a largura do seu polegar é igual à passada de um homem ou 76 centímetros a 45 metros; logo, se um homem estiver onde está o seu polegar e se tiver que dar um passo para percorrer a sua largura, isso significa que está a 45 metros, se andar 2 paços, estará a 90 metros e por aí fora
* Quer usar a meteorologia a seu favor?
Saiba que o tempo nublado favorece a camuflagem
* Quer um tiro perfeito?
Quanto mais próximo do chão estiver, melhor será a sua base de equilíbrio
* Quais são as melhores horas do dia para atirar?
- De manhã: porque o inimigo está distraído a conversar, comer e brincar
- Final da tarde: porque o inimigo está cansado
* Quer disparar do interior dum edifício?
Então não se esqueça de abrir todas as janelas, e não apenas a que estiver a usar, ou .... duhhhhh topam-no logo
* Quer atravessar uma clareira sem ser detectado ou atingido?
Então escolha o local mais estreito e mais baixo possível
* Reparou que falta o topo duma árvore na paisagem?
Então isso pode significar muito provavelmente que existe um sniper algures nas imediações a usá-lo como camuflagem
* Quer certificar-se que imobiliza totalmente o inimigo?
Então aponte para um destes 2 sítios e é garantido:
- Medula oblongata ou, no calão dos snipers, "Pêssego", a base do crâneo - um tiro nessa zona imobiliza imediatamente a vítima, que nem sequer consegue carregar no gatilho para responder
- No "T" formado pela área dos olhos e a boca, pois a bala vai directamente para a medula

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

MURMÚRIOS DO PARAÍSO IV

Os Pescadores
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"Se queres aprender a rezar, vai para o mar."
Provérbio
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Os pescadores são homens rudes, tisnados e crispados do sol, eternamente morenos. Levantam-se de madrugada e por vezes saem para o mar para só regressarem no dia seguinte.
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São homens que conhecem os humores marítimos de cor e salteado. A praia é deles. São os seus donos e guardiões e por isso se passeiam nela com propriedade intrínseca.
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Enfrentam as ondas revoltas apenas com um barco feito de madeira e um motor. No passado o motor eram os remos e os braços. Agora, pelo menos, o motor é mecânico e impele o barco e os seus ocupantes sem que estes tenham já de transpirar. Os mais velhos olham os mais novos com fascínio, nunca desdém, e pensam como no seu tempo era tudo tão mais difícil. Lá está, como prova, o último barco de madeira usado na pesca do Paraíso, monumento simples e singelo, à entrada da vila, discreto, rodeado de pedras brancas dispostas em onda.
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As mulheres já não esperam na praia, vestidas de negro e azul escuro, nem se lamentam presas aos próprios cabelos, escorrendo lágrimas de sal, de ansiedade e de mar. Os barcos já não correm o risco de ser totalmente destruídos pelas ondas quando regressam ao areal nas marés vivas.
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Mas a autora destas linhas ainda se lembra, pequena, de assistir à luta heróica dos pescadores no regresso a terra firme, quando os barcos pareciam rolhas de cortiça levantadas pela espuma violenta e a multidão de veraneantes se aglomerava na praia para assistir ao espectáculo para uns, vida madrasta para outros.
Os pescadores vestem calças arregaçadas até ao joelho e enterram os pés calejados nas tábuas húmidas da madeira, na areia molhada e fria. Envergam camisas aos quadrados azuis, encarnados, verdes e pretos e bonés na cabeça.
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Os pescadores lançam as redes ao mar e esperam pelas sardinhas, as tainhas, os robalos, os carapaus, as pescadas que depois irão vender na lota do mercado. A autora também se lembra de ir com a avó à praça, carregando o seu cestinho de verga onde a avó lhe colocava cachos de uvas para que ela ficasse contente por se fazer de dona-de-casa fingida por uma manhã, e recorda os pescadores com os seus baldes cheios de água e peixe fresco, o cheiro das escamas a encher-lhe as narinas, o brilho prateado dos linguados a pularem nos alguidares e nas balanças antigas de ferro e madeira.
Os pescadores escondem-se em barracas à beira-mar e sentam-se cá fora a fumar, a beber, a assar sardinhas e a galar as turistas.
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Os pescadores têm Fé e acreditam na Nossa Senhora das Dores, que os protege dos maus humores do mar. Muitos não sabem sequer nadar. Enfeitam os barcos com bandeirolas multicoloridas e saem para o mar a saudar a Senhora com as sirenes que lançam lamentos estridentes no ar.
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Os pescadores rezam e blasfemam e maldizem a sua sorte. Os pescadores d' O Paraíso são muito provavelmente como todos os outros pescadores de todos os outros Paraísos deste mundo mas, se perguntarem à autora destas linhas em quem pensa quando ouve a palavra "pescador", é certamente naqueles e não noutros quaisquer.
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

PALAVRAS ESTÚPIDAS 79

Como Pão
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"Não sou capaz de deitar um livro fora. Para mim, um livro é como o pão."
António Lobo Antunes
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A primeira coisa que a minha mãe faz quando se depara com um livro novo nas mãos, é cheirá-lo. Abre-o numa página ao acaso e mergulha o nariz lá dentro, regressando à superfície momentos depois com um sorriso satisfeito e a frase "Adoro o cheiro de um livro novo."
Acho que é daí que provém a minha paixão por livros. Quando era miúda este acto materno deve ter-se entranhado inconscientemente de tal forma em mim, que procuro livros como quem procura pão quente acabado de sair do forno, estaladiço e a fazer crescer água na boca.
Cedo aprendi a devorá-los, tal e qual pão. Cedo aprendi a mexer-lhes, a revirar-lhes páginas novas e estaladiças ou velhas e crispadas. É bom começar por devorar livros, embora não muito produtivo. Não faz mal. Com o tempo e a experiência, com a maturidade, vai-se aprendendo a saboreá-los e degustá-los como as iguarias ou licores que na realidade são (os que assim merecem esse epíteto, bem visto). Mas é importante começar por devorar, sem olhar à qualidade, apenas à quantidade e ao desejo, como um animal faminto. Porque dessa forma o nosso cérebro aprende a precisar deles incondicionalmente, e eles permanecem pela vida fora connosco, saceando-nos de formas distintas, fazendo-nos companhia, ensinando-nos mundos de coisas diferentes, despertando em nós uma panóplia de emoções.
Será talvez por este motivo que sou incapaz de não acabar um livro que comecei (é raríssimo acontecer), mesmo que não esteja a gostar nada dele e que o resto da leitura acabe por constituir algo próximo de um martírio (As Vinhas da Ira e o Conde de Monte Cristo continuam atravessados na minha garganta ...) e que sou de igual forma incapaz de deitar um livro fora. Só mesmo com uma pistola apontada à cabeça. Deitar um livro fora?!!!!?? Não concebo. Impossível. Impensável. Inconcebível. Hecatombe. Surreal. Anti-natura. Fico nervosa só de pensar nisso, com tremores, com suores frios. Porque, mais ainda do que o pão, os livros são o alimento da minha essência, daquilo que sou, do que me tornei, do que serei.
Admito que haja quem o faça e não sinta quaisquer remorsos. Conheço até quem os use para efeitos decorativos (!!!!!!!!!!!! conheci em tempos uma senhora (uma pindérica) que usava livros ocos - só as lombadas - para encher as estantes da sua casa very fashion - lord almighty have pity on her soul!!!!!!).
Tudo bem. Há gente para tudo.
Agora, os meus livros são pães, senhores, que alimentam a minha alma. E sempre ouvi dizer que deitar pão fora é pecado.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

AS TRIBOS DE ANDRÓMEDA

Aymara
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"O homem não pode fazer nada com o dinheiro, porque o dinheiro não se pode cultivar nem comer." Provérbio Aymara
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Os Aymara são um povo antigo com uma história complexa e ainda algo deconhecida. São um povo rico em mitologia, conhecimento e espiritualidade. Foram os membros de uma grande cultura das Américas pouco conhecida, centralizada na antiga cidade de Tiahuanaco. Entre 400 e 1000 d.C. Tiahuanaco era a capital de um império que cobria grandes territórios da zona central e sul dos Andes. A cultura Andina indígena contrasta fortemente com a de outras áreas da América do Sul. Para obter um desenvolvimento óptimo, a economia Andina requeria um solo rico, o adequado abastecimento de água e a ausência de florestas ou ervas enraizadas profundamente, difíceis de erradicar. Assim, faziam colheitas adequadas ao clima dos Andes. Estas características gerais foram encontradas nos vales costeiros e grandes bacias dos Andes centrais. Cada bacia e cada vale costeiro podem ser considerados como unidades culturais distintas. Cada um destes estados regionais era geograficamente isolado pela distância e pelas montanhas. Antes da conquista pelos Incas, os Aymara dividiram-se numa série de estados independentes concentrados no Altiplano do que hoje em dia é o Perú e a Bolívia. Consistiam em 12 reinos separados, colectivamente referidos como Collas. Foi explorando estas divisões que os Incas conseguiram penetrar no norte do Altiplano e eventualmente estender a sua soberania ao território Aymara no final do século XV. A comunidade índia Aymara foi grandemente transformada durante a era Colonial Espanhola, como resultado de transformações na terra e nas leis do trabalho. Como resultado das reformas sociais, políticas e económicas que se seguiram durante a Revolução Boliviana de 1952, os Aymara tornaram-se cada vez mais integrados na sociedade boliviana regional e nacional. O império Tiahuanaco desapareceu há 1000 anos mas os seus descendentes ainda cultivam a mesma terra e adoram os mesmos espíritos da terra e do céu. Os Aymara são um poco colonizado e adaptaram muitos dos seus comportamentos culturais e sociais à realidade actual. E é por isso que podem ser intitulados Povos Antigos/Modernos dos Andes.
Para os Aymara, os espíritos habitam não o céu mas as montanhas circundantes, os rios, os lagos e por aí fora, ou antes, esses locais sagrados são espíritos personificados. Os intermediários entre as esferas natural e sobrenatural são diversos tipos de mágicos como os yatiri (diviner) e laiqa e paqu (praticantes de magia negra ou branca). O objectivo das suas actividades é o equilíbrio entre os fenómenos naturais e sobrenaturais. A magia é usada na corte, nos nascimentos, para curar doenças, nos rituais de cultivo e colheita e em ritos de controlo das condições meteorológicas. São realizados ritos de passagem para os mortos, onde os alimentos e as bebidas desempenham papéis importantes. Esta série de rituais (de 3 a 10 anos) inclui o velório, o funeral, ano de luto e festas de Todos os Santos. Acredita-se que desta forma as almas dos defuntos regressam à terra, onde devem ser tratadas de forma apropriada, ou seja, alimentadas, de forma a não se vingarem. São também colocadas roupas junto do defunto, para a sua difícil viagem pelas terras altas, onde os espíritos se encontram.
Recentes estudos sobre os Ayamara revelaram que possuem um conceito de tempo totalmente oposto ao de todas as culturas estudadas até à actualidade: o passado está diante deles e o futuro para trás, um conceito muitíssimo curioso.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

City Skeletons 17


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Why go on? What if you don't need to go on? What if you don't have to go on? What if you keep pushing yourself for nothing? What if you're just being stupidly stubborn? Shouldn't you stop? Shouldn't you just let yourself fall down into some street corner and wait for the garbage pickup to come and trash you out? Shouldn't you just leave it be? Shouldn't you just quit? Simply, quietly, serenely. Fade away into the city. Melt down into the concrete and become a part of something much bigger than you. The city is there, waiting for you to waste away. It is patient and it will wait, serenely, for you.

domingo, 22 de novembro de 2009

Fetiche #3

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se lhe atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
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"People want to know why I do this, why I write such gross stuff. I like to tell them I have the heart of a small boy... and I keep it in a jar on my desk." - Stephen King
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[King]
1. Apelido > 2. Escritor norte-americano > 2. Imperador do horror e do fantástico horripilante > 3. Exímio contador de histórias > 4. Page-turner compulsivo > 5. Provocador de arrepios arrepiantes > 6. Criador de freaks desconcertantes > 7. Por causa dele se trepam paredes imaginárias no escuro da noite > 8. Por causa dele se nos arrepia a alma até aos ossos e gritamos dentro de nós gritos horripilantes de horror inimaginável > 9. Incitador da obssessão por espaços confinados, escuros, estranhos e desconcertantes > 10. Provocador de paixão que surpreende o apaixonado de forma eterna > 11. IT - o horror mais profundo que é possível congeminar > 12.
Gerald's Game - o pesadelo mais íntimo e visceral > 13. Carrie - a vingança suprema de todos os que já foram nerds nesta vida > 14. Shining - o abandono irreversível a demencia insana
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sábado, 21 de novembro de 2009

'Till I Found You

O Mundo Colapsa 3
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19/09/2030
Guardian-Angel,
I don't give a damn anymore. I can't care less. There's just this big huge emptiness swelling inside me since ... I used to think there was a part of me that was missing. Ever since I can remember, like a lost limb. I can't remember when the feeling stopped. But I know when the emptiness began. Like a cancer that grows and grows and grows, slowly but undeniably. Now I look at this lost new world and I compare it to my emptiness and it seems so much less than it. Everything seemed so much less, since your voice vanished inside my head. I'm not even scared anymore. I'm only afraid I'll never see you again. I keep lying to myself. Telling myself that this story, our story, is not, cannot, will not be over until it's over ...
Tuesday
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01/10/2030
Guardian-Angel,
I've had enough. Decided to do something about this emptiness. I'm going to war. Maybe in the jungle I can find some peace of mind. They don't really care about you or what you've done. No past and no future. Only the present. One day at a time, remember? Just as long as you're there and you're doing something about it. I'm not being fair to anyone, because I'm not going for them, I'm doing this for myself. But life isn't fair, is it? Look at what happened to us. It wasn't fair but who gives a shit about it?
Tuesday
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2200, Inverno, 10.45 GMT
dkjfkld
Blink. Blink. Blink.
O sistema de suporte de vida artificial produziu uma série de impulsos e algures num PacMaster na Austrália surgiram três esferas coloridas no écran que permaneceram apenas três nanosegundos no sistema de vídeo para poderem ser detectadas e registadas pelo sistema de vigilância.
C "acordou".
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System Hybernation Interrupted.
dlfkdsçlf
System On.
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Programara o seu sistema para entrar em hibernação 8 horas seguidas, fosse em que circunstâncias fosse. A partir do momento em que se auto-desligava, entrava numa espécie de sono profundo de beleza, com direito até a REM. Sonhava, mas os seus sonhos eram também programados, porque não havia outra forma de sonhar no seu actual estado de existência. De qualquer modo, também nunca se importara muito com isso. Sempre fora um homem prático. Não gostava de sonhar. E a programação dos sonhos era até uma vantagem porque dessa forma não tinha surpresas. Eram todos eróticos. Sofisticadamente sensuais e povoados das suas fantasias mais arrojadas. Sharon Stone aljemada. Nicole Kidman Enfermeira. Julia Roberts Sado-Maso. Hoje escolhera a Cameron Diaz Cos Azeites. Tivera 4 orgasmos seguidos, algo que há 200 anos atrás seria impensável, pelo menos sem uma pausa para um cigarro. Este pensamento fê-lo desenhar um enorme charuto com pontos de exclamação, que depois explodiu e implodiu para se transformar na língua do Mick Jagger. Os cigarros eram a única coisa que lhe fazia falta. Os cigarros e ... Apagou imediatamente este pensamento e desdobrou visualmente uma lista das
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VANTAGENS DA VIDA ARTIFICIAL
* orgasmos múltiplos
* sexo ininterrupto durante um mês inteiro se lhe apetecesse
* a boca da Sharon Stone a chupá-lo até ao tutano
* nunca mais tivera que se preocupar com nenhuma função orgânica, tipo cagar, fazer a barba, pôr desodorisante ou ter barriga de cerveja

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Macro Secrets 18

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I want you ...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

MAGIC MOMENTS 88

Dazzling Duets - Duet # 29 - Lionel, Stevie, Paul, Kenny, James, Tina, Billy, Michael, Diana, Dionne, Willie, Al, Bruce, Kenny, Steve, Daryl, Huey, Cindy, Kim, Bob & Ray
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

EM BUSCA DE PALAVRAS 89

A Máfia - Parte III
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O conceito e a palavra "máfia" foram exportados do Sul de Itália para outras partes do mundo.
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Japão
Conta com a célebre Yakuza, organização caracterizada pelo ultranacionalismo, a obediência absoluta aos superiores e um rígido e brutal código de honra. Quem falha é castigado com a amputação do dedo mindinho, o que permite reconhecer os membros afastados ou dissidentes. Conta com 85.000 membros e está envolvida no negócio da prostituição, apostas, raptos, especulação imobiliária, drogas e extorsão a políticos.
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China
As tríades chinesas dedicam-se ao tráfico de drogas, armas e pessoas, à prostituição, ao jogo legal e ilegal, à extorsão e aos sequestros. A sua implantação no mundo acompanha os emigrantes chineses, pelo que poucos países se livram da sua presença. Conta com 150.000 membros.
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Balcãs
A violenta máfia albanesa impõe a sua lei, dedicando-se ao tráfico de carros roubados e de armas, assim como à adjudicação corrupta de contratos públicos. Em Inglaterra, por exemplo, 70% do negócio do sexo em Londres está nas mãos de bandos albaneses. É constituída por 10.000 membros.
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Turquia
A Maffya turca, que também se aproveita dos imigrantes turcos espalhados pelo mundo, controla o mercado da heroína. 20.000 indivíduos estão nas suas fileiras e dedica-se aos negócios da heroína, armas, tráfico de pessoas e órgãos, jogo e extorsão.
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Características de uma organização mafiosa:
* Aspiração ao controlo do território, no interior do qual não aceitam a influência nem a presença de outros grupos criminosos
* Comportamento semelhante a um Estado paralelo: cada família exerce o poder e aplica a extorsão às empresas e estabelecimentos comerciais da sua zona, obrigando-os a pagar o pizzo
* O mafioso é um criminoso integrado na sociedade e não deve ser considerado sob a perspectiva da marginalidade. Hoje em dia as máfias conseguem condicionar sectores fundamentais da vida pública num cada vez maior número de países, sendo que em muitos é impensável ganhar as eleições ou conseguir um contrato importante se se menosprezar a sua força
* Embora necessite da cumplicidade do Poder para sobreviver e desenvolver parte da sua actividade de forma legal, a origem e razão de ser da máfia são os negócios ilegais. A sua principal actividade é a violência e a extorsão, procurando obter lucros por qualquer meio e reinvestindo parte das receitas na compra de advogados, juízes, polícias e jornalistas
* Possui características duma sociedade secreta: submete os candidatos a um ritual de iniciação e um juramento de fidelidade. Esse ritual varia consoante o tipo de máfia. Na Cosa Nostra a cerimónia inclui a apresentação do aspirante por um iniciado ao resto do grupo, a descrição da sociedade e das suas regras e o juramento do candidato, acompanhado de uma picada no dedo para deixar uma impressão com o seu sangue. A Ndrangheta possui uma liturgia chamada fidelizacione em que o aspirante mostra a sua aptidão em provas de resistência física. Entre os yakuzas e as tríades o ritual é mais cerimonial, com oferendas religiosas e banquetes.
* Vigia o comportamento dos seus membros na vida privada e rege-se por um código machista. Um homem de honra não pode deitar-se com a mulher de outro mafioso, sob pena de ser morto, nem fazer alarde da sua riqueza ou conquistas femininas. Se quiser casar, precisa de autorização do seu capo. Na Camorra, por exemplo, os membros são instigados a nunca fazerem amor "debaixo de uma mulher: se decidires ficar por baixo, estarás a submeter-te a tudo; receber sexo oral é lícito mas fazê-lo a uma mulher é próprio dos cães." As mulheres podem ordenar uma morte mas não podem ter um amante ou abandonar um homem. Podem investir num sector do mercado, mas não maquilhar-se se o seu homem estiver preso. A mulher existe apenas em função do homem, mas as mulheres dos chefes presos são, muitas vezes, as que mais mandam.
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retirado da reportagem "O Império dos Padrinhos" - Revista Super Interessante

terça-feira, 17 de novembro de 2009

MURMÚRIOS DO PARAÍSO III

As Gaivotas
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As gaivotas são as imperatrizes do areal. Mais do que os pescadores, elas pressentem todas as ínfimas mudanças de humor do mar e agem de acordo.
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Quando levantam vôo levam o céu na ponta das asas, e quando regressam a terra planam de forma tão elegante e aerodinâmica que fazem inveja aos melhores e mais avançados aviões de combate do mundo.
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De madrugada, assistem, serenas, à partida dos marinheiros. Durante o dia perseguem os barcos em bandos ruidosos, à procura de alimento, e brincam em vôos picados com os conquilheiros. Ao entardecer pousam próximo dos barcos de pesca e fitam o sol poente, como se em adoração, como se em despedida.
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Pergunto-me se todos os dias elas pensam que é a última vez que o vão poder ver e se todas as madrugadas rejubilam ao vê-lo de novo. Se assim for, deve ser bom existir assim, sem memória, surpreendidas eternamente pela magia do nascente, mas também carregada de melancolia uma existência que assim se despede diariamente do astro.
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Os machos, brancos e negros, são magníficos navegadores dos céus. As fêmeas, mais lentas e discretas, seguem os seus itinerários. As crias correm em alta velocidade pelo areal, desprevenidas, ensaiando os primeiros vôos sobre as ondas que vêm morrer à praia.
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Como sentinelas astutas e prevenidas, as gaivotas patrulham a costa com os seus vôos imperiais e são, verdadeiramente, as imperatrizes do areal.
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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

PALAVRAS ESTÚPIDAS 78


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Somos efémeros. Nada perdura. Somos pestanejares na imensa sinfonia celestial. Somos como formigas, lançadas ao acaso, espezinhadas, varridas, sopradas. Mao-Tsé-Tung tinha razão quando disse que um milhão de mortos é apenas estatística. Somos meros acasos milagrosos, vírgulas na gigantesca enciclopédia da vida. Mesmo os maiores de nós, apenas deixam uma frase completa.
Nada faz sentido, a não ser o sentido que lhe queiramos dar. Afectos. Ouço muito falar deles. Não passam de genética e química. Somos reféns da Tabela Periódica. E o nosso maior tesouro é também a nossa maior maldição - a inteligência. Que nos oferece consciência e, consequentemente, noção da finitude.
As religiões brotam precisamente do nosso pavor do fim. Não ser é-nos estranho, um conceito impossível de imaginar, como a extensão do Universo ou a quantidade de grãos de areia num único areal. E por isso criamos mundos alternativos, onde esse fim não existe ou se prolonga um pouco mais, onde tudo é eterno e doce e pleno de segurança porque duradouro.
Nesta selva de acidentes que é a vida, de tentativas falhadas e bem sucedidas, neste laboratório vivo de experiências infinitas, apenas o amor se eleva acima do turbilhão escuro da lotaria de possibilidades. Não porque exista, de facto. Mas porque ao crermos nele, o criamos.
Não sei qual é a origem da expressão "fazer amor", "make love", "faire l'amour". Mas faz sentido que assim se diga porque é isso na realidade que duas pessoas fazem quando se amam - criam-no do nada, a partir do vazio terrível do sem sentido. E o amor real, verdadeiro, profundo, aquele que de nós exige por vezes o impossível e nos transforma em gigantes inabaláveis, é a única coisa que poderá dar sentido às nossas miseráveis, insignificantes, passageiras, efémeras vidas.

domingo, 15 de novembro de 2009

AS TRIBOS DE ANDRÓMEDA

Apache
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"Trabalha-se sempre em grupo, nunca individualmente. Não existe esse conceito para o Apache. Dizemos, 'Eu caminho contigo', não 'Eu caminho à tua frente' ou 'Eu caminho atrás de ti' ... Não se é líder, é-se parte de." Phillip Cassadore, Apache.
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Nativos americanos do Sudoeste que reúnem seis grupos relacionados culturalmente. Falam uma língua com diversos dialectos e que pertence ao ramo Athabascan das línguas Nadene. Os seus antepassados povoaram a área cerca do ano 1100. O nome pelo qual são conhecidos na língua inglesa provém do termo Zuni apachu, que significa "inimigo". No entanto, os Apache nomeiam-se a si próprios "Shis-Inday", ou "homens dos bosques" provavelmente porque no Inverno os seus acampamentos eram localizados no interior das florestas, muito acima das pradarias. Em tempos, os Navajo também pertenceram aos Apache do Oeste.
A subsistência desta nação consistia na caça, frutos de cactos, sementes selvagens e erva, gado, agricultura e alguma horticultura. A organização social envolvia a residência matrilocal - o casal vivia com ou próximo dos pais da mulher - e o marido trabalhava para os parentes da mulher.
Historicamente os Apache são conhecidos primordialmente pelas suas terríveis capacidades guerreiras. Resistiram com sucesso ao avanço da colonização espanhola, mas a aquisição de cavalos e novas armas aos espanhóis conduziu a progressivas guerrilhas inter-tribais. Os Apache de Leste foram afastados da área de pradarias que ocupavam tradicionalmente quando (após 1720) sofreram uma derrota contra os Comanche. As relações entre os Apache e os colonos brancos pioraram gradualmente com o domínio dos espanhóis no México. Em meados do século XIX, quando os EUA adquiriram a região ao México, as terras dos Apache situavam-se precisamente no caminho das rotas de colonos para o Oeste. A fútil mas forte resistência que durou até ao início do século XX trouxe fama nacional a vários líderes Apache - Cochise, Geronimo, Mangas Coloradas e Victorio.
Hoje em dia os Apache, contando 50.000 indivíduos em 1990, vivem primordialmente em reservas que totalizam mais de 3 milhões de acres no Arizona e Novo México e mantêm muitos costumes tribais. Criação de gado, madeira, turismo e o desenvolvimento de recursos minerais proporcionam-lhes subsistência.
Os Apache acreditam na existência de poderes sobrenaturais associados aos fenómenos naturais. Estes poderes são neutros (nem bons, nem maléficos) mas podem ser utilizados para diversos fins individuais. O controlo destes poderes pode ser procurado e desenvolvido ou concedido a uma pessoa naturalmente. Os agentes destes poderes chamam-se diyin (shaman) ou, se detiverem esses poderes em segredo e os usarem para os seus próprios fins, 'ilkashn (bruxos).
As divindades mais importantes são Life Giver (Dador de Vida), muitas vezes identificado com o sol; Changing Woman (Mulher que se Transforma), uma fonte de juventude eterna e vida; e as suas irmãs gémeas, Slayer of Monsters (Destruidora de Monstros) e Child of Water (Filha da Água). Também importantes são espíritos da montanha antropomórficos chamados "gaan". Outras figuras importantes da mitologia Apache são o Coiote e Old Man Big Owl (Velho Homem Grande Mocho).