sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

AS TRIBOS DE ANDRÓMEDA

Inuit
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O termo Inuit é o plural da palavra "Inuk", que significa "homem" ou "pessoa".
De acordo com estudos arqueológicos, os antepassados dos Esquimó-Aleut atravessaram o Estreito de Bering há cerca de 8-10.000 anos atrás. À medida que se espalhavam pelo território, os Esquimós evoluíram para distintos grupos linguísticos.
O modo de vida dos Esquimós foi alterado drasticamente com a chegada em 1741 de exploradores Russos e o subsequente estabelecimento de estações de comércio. Os Esquimós foram explorados pelos comerciantes Russos, devido à sua habilidade na caça de lontras. Os maus tratos sofridos tiveram como consequência uma revolta na década de 1760, que foi totalmente aniquilada pelo poder de fogo dos Russos. A opressão e o aparecimento de novas doenças trazidas pelos colonos dizimaram a população Esquimó, tendo o número de indivíduos sido reduzido a 1/8, por volta de 1799. Os que sobreviveram tornaram-se escravos dos comerciantes Russos, com monopólio de comércio na zona. Outra das consequências da presença Europeia na área foi o processo de conversão dos indígenas ao Cristianismo. Ao longo do tempo, muitos abandonaram as suas crenças tradicionais e converteram-se ao Cristianismo Ortodoxo professado pelos Russos.
Em 1867 o Alasca foi vendido aos EUA por 7.200.000 dólares. Os Americanos reforçaram ainda mais o impacto cultural Europeu nos povos nativos da região. A abertura da primeira fábrica de conservas em 1883 proporcionou trabalho sazonal aos nativos, o que eliminou a necessidade de manter o estilo de vida tradicional.
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As crenças dos Esquimós reflectem a cultura de caça da qual dependiam. Acreditam que todos os animais possuem uma alma, pelo que devem ser tratados com respeito. Após a captura de um animal, era frequente proceder-se a um ritual que permitia àquele regressar ao lugar de onde proviera. Havia alguns tabus no que concernia às práticas de caça: os animais terrestres e marinhos eram mantidos separados; e as mulheres, impuras devido ao nascimento e menstruação, não podiam ter acesso à caça. Amuletos fabricados com ossos eram utilizados para incrementar as possibilidades de uma caçada de sucesso. Máscaras também eram usadas em rituais religiosos, sobretudo durante o século XIX. Estas máscaras representavam os espíritos de animais, deidades ou fenómenos naturais.
O ciclo de vida era governado por uma série de ritos de passagem. À nascença era frequentemente dado a uma criança o nome de uma pessoa recentemente morta, acreditando-se que o defunto viveria através da criança. Quando um rapaz matava a sua primeira foca, era praticado um ritual de celebração, distribuindo-se a sua carne.
Após a morte, a alma vai habitar um lugar no céu ou no mar.
Em algumas tradições dos Esquimós, o shaman assume uma enorme importância. Estes entravam em transe e recebiam mensagens dos espíritos ou deidades, ou controlavam-nos para garantir o sucesso das caçadas. Os shamans eram também curandores e podiam identificar feiticeiros que usavam os seus poderes para fins maléficos.
De entre as deidades mais proeminentes, destacam-se a Mulher do Mar (também chamada Sedna), que controlava os animais; Aningaaq, o sol; e Sila, o ar.
Sedna é protagonista de uma série de mitos sobre a origem do mundo. Num deles, ela é apresentada como uma rapariga que foi atirada para fora de um barco e, enquanto tentava saltar de novo para bordo, os seus dedos foram cortados. Estes transformaram-se nos animais marinhos e ela tornou-se a Mulher do Mar, com poder para impedir acesso aos animais caso alguns tabus fossem desrespeitados.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

AS QUATRO ESTAÇÕES

INVERNO
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Desde que caíram as primeiras folhas de Outono, acendi a lareira no meu coração.
E agora que o Inverno chegou, recolho-me debaixo do manto de neve da minha memória em hibernação interior.

Neva branco e prateado e azul. Os meus pensamentos cristalizam em gelo e guardam pedaços do tempo que passou por mim. São relíquias frias que racham no calor das chamas intensas da lareira. Nevam flocos de ideias em potência, à espera de brotarem quando o frio passar. Por vezes há tempestades arrebatadoras e impiedosas que se agarram às minhas extremidades como estalactites brilhantes refulgindo no sol branco de Inverno.
O tempo passa com lentidão absurda, apesar dos dias serem cada vez mais pequenos. Escondo-me no aconchego quente das lãs e dos veludos e das malhas grossas. Escondo-me do mundo e o mundo de mim. A neve prossegue o seu ritmo contínuo e imparável, como se cada floco e cada cristal de gelo pudesse conter no seu interior um mundo inteiro de possibilidades em potência.
O mundo renasce aos poucos, devagar. Nada pode ser esquecido nem nada pode ser adivinhado. Tudo é possível.
É Inverno, e o mundo reinventa-se, antes de desabrochar de novo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Fetiche #8

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se lhe atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
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"O Homem é o menos possível ele mesmo quando fala na sua própria pele. Dêem-lhe uma máscara e ele dir-vos-á a verdade." - Oscar Wilde
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[Máscaras]
1. Substantivo fantástico > 2. Segunda face, que não oculta a primeira, antes a potencia > 3. Canalizador de emoções > 4. Véu da alma > 5. Teaser luxuoso > 6. Símbolo do Carnaval mais deslumbrante do Planeta, o de Veneza, e mais nenhum! que todos os outros são tão bregas em comparação ... > 7. De preferência em cetim, rendas, plumas, penas, pérolas, pedras coloridas e tintas brilhantes > 8. De preferência adquiridas directamente na fonte, numa das inúmeras lojas (antros deslumbrantes de maravilhas) que pululam pela Rainha do Adriático (que saudades de ti, cidade que não é cidade mas conto de fadas ...) > 9. De preferência em papier-maché, trabalhado por mãos hábeis e experientes, para que se ajuste ao rosto como uma segunda pele confortável > 10. De Arlequim, Casanova, Doge, Medico della Peste, Bauta, Foglia, Bobo, Moretta, Gatto, Volto ou Colombina > 11. Em qualquer ocasião, porque dão sempre bom ar ao seu portador e adoram! a máquina fotográfica

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

'Till I Found You

O Mundo Colapsa 8
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2200, Inverno, 12.45 GMT
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Normalmente uma CM durava um par de horas, até porque não convinha esticar muito o tempo por razões de segurança. O Sistema detectava qualquer movimento suspeito com margens de erro assustadoras.
A "tripada virtual" conseguia iludir o sistema momentaneamente, mas os algoritmos de detecção estavam preparados para reconhecer padrões de comportamento repetitivos e consecutivos a um tal nível que englobava também comportamentos irregulares. Isto significava que as CM's não se podiam alongar muito no tempo, ou então que tinham de ser repartidas por períodos irregulares e aleatórios, quando a informação trocada atingia proporções gigantescas.
Isto só acontecera uma vez. Logo após a Guerra, quando o Programa de Vida Artificial estava em fase de organização e todos os Resistentes se tentavam agrupar. C. lembrava-se bem deste período, mesmo sem ter de recorrer à Memória Interna. Fora uma fase de euforia, quando cada um no seu canto começara a perceber que não tinha sido o único a pensar naquela solução. E ninguém lhe tirava da cabeça que esse sentimento tremendo de euforia tinha contribuído para criar uma espécie de Esperança Colectiva que circulava ainda hoje pelo sistema e que funcionava como uma forma de combustível quase sobremaquinal. Ironicamente, o José era o único que compreendia esta ideia. Os outros Chefes condescendiam paternalisticamente, sob a forma do silêncio. Nem sequer lhe davam a satisfação do debate.
Chamassem-lhe sentimentalóide. Mas depois todos lhe vinham pedir a fotografia, de vez em quando, à sucapa.
«I'm-too-lame-to-be-a-lamer» hi
«Júpiter» hi
«I'm-too-lame-to-be-a-lamer» everything cool?
«Júpiter» here
Sending File
Destiny: «I'm-too-lame-to-be-a-lamer»
«I'm-too-lame-to-be-a-lamer» tks
«Júpiter» any time
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A guerra aproximava as pessoas, tornava-as mais humanas e mais verdadeiras. Também podia torná-las mais bestiais, era verdade. Mas aqui não havia lugar para a mesquinhez, o egoísmo ou a hipocrisia. Apenas para a loucura. Também era verdade que não havia lugar para o sentimento, de qualquer espécie, mas C. acreditava que por detrás de cada ARLI residia ainda um ser humano, ou pelo menos a ideia do que cada um deles fora.
Mais uma razão para nunca ter querido fazer o update. Os de segunda geração afastavam-se cada vez mais dessa ideia, nem que fosse involuntariamente. O tempo também ajudava. A noção de tempo deixara praticamente de existir e só era resguardada pela programação dos sistemas individuais. Com os ajustes sucessivos efectuados ao longo das décadas, já nem tinham sequer a certeza de o estar a contabilizar efectivamente.
E para quê? Para um futuro incerto, um futuro desenhado pela palavra vitória. Vitória ... C. comparava-se frequentemente e aos seus companheiros, com o nobre povo irlandês
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desenhou uma lágrimas com lágrimas minúsculas que se transformaram num rio que foi sugado por um ralo
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que durante séculos lutara por algo que já nem eles próprios sabiam o que era, apenas para ir tudo pelos ares duma vez por todas há cem anos atrás. A Irlanda fora das últimas ilhas a entrar para a Lista Negra do Círculo de Destruição. Porque era das maiores. Mesmo assim, fora destruída depois da Inglaterra, o que constituíra, ainda que com um travo amargo, uma vitória para os poucos guerrilheiros que ainda combatiam.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Macro Secrets 23

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I belong to no one but you

domingo, 10 de janeiro de 2010

MORMORIOS DI FIRENZE II

A Leveza do Pormenor
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Florença é uma cidade de pormenores, pensou, enquanto deixava o olhar alongar-se novamente pela sua pequenez pacata.
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A primeira impressão que tivera, quando largara o comboio em Santa Maria Novella, fora a de que a cidade vivia apertada, voltada para dentro de si própria mas que, ao mesmo tempo, não deixava de ser convidativa e acolhedora. Um aparente paradoxo insolúvel.
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Alguns dias mais tarde deslindou o paradoxo, enquanto deambulava pela enésima vez através do seu empedrado medieval. Florença bastava-se a si própria e não tinha, por isso, qualquer motivo para não se encerrar ao mundo, como uma caixinha de jóias antiga e preciosa, que não apresenta segredos intrincados no seu mecanismo de abertura mas que, ainda assim, ou por causa disso mesmo, se resguarda dos primeiros olhares com um pudor recatado.
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Porque Florença, acreditava, demoraria uma eternidade para ser apreciada e, ao mesmo tempo, podia ser decifrada num breve instante, logo após a largada do comboio.
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Como uma menina inocente envolta em mil saiotes ricamente adornados, que tenta a todo o custo parecer adulta mas que se trai de imediato na primeira impressão.
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Nas suas fachadas, nas suas esquinas, nas suas ruas estreitas e anciãs, no mais corriqueiro dos seus recantos, Florença foi abençoada com tal profusão de genialidade, que seria preciso um interminável palácio de memórias semelhante ao do Doutor Lecter, para fixar no carbono do seu ser a multiplicidade de detalhes da Cità Bella. Felizmente existem a prata e o seu nitrato, capazes de gravar para a posteridade essa riqueza de pormenores.
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A máquina (que já não usa o metal precioso mas que não poderia existir sem a sua nobre ascendência) dispara a uma média de 100 vezes por dia. E ela sente-se um pouco como aqueles turistas japoneses que só vêem onde estiveram quando regressam a casa. Por isso, respira fundo e não se deixa vencer pelo atropelo da tecnologia nem pela voracidade dos estímulos sensoriais.
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Respira. E sente a cidade. Deambula por pedras que em tempos longínquos foram pisadas por Dante, por Médicis vários, por Michelangelo, Leonardo, Giotto, Botticelli, Rafael, Donatello. Mas em vez de se sentir esmagada pelo peso de tanta genialidade, sente antes que um par de asas esculpidas primorosamente na dura pedra feita manteiga por mãos mágicas, se lhe agarram à imaginação.
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Sente-se leve. A genialidade, descobre, confere a quem a contempla, ao invés do esperado peso esmagador da estupefacção, uma maravilhosa leveza diáfana.
Em Florença se apercebeu disso.
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sábado, 9 de janeiro de 2010

PALAVRAS EMPRESTADAS 61


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"Sou ateu, graças a Deus!"
Luis Buñuel
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"Sexo sem religião, é como cozinhar um ovo sem sal."
Luis Buñuel
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"O que é preciso é cada um multiplicar-se por si próprio."
Fernando Pessoa
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"Não existe ser mais infeliz sob o sol do que um fetichista que suspira por uma botina e que tem de se contentar com uma mulher inteira."
Karl Kraus
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"Todos são homens. Exclusivamente homens. Segundo um costume rigidamente imposto, as mulheres estão proibidas de visitar o monte Atos desde os tempos mais antigos, atitude explicada pela fraqueza, mais do que por desprezo. Como nos disse um monge: 'Se viessem aqui mulheres, dois terços de nós iam-se embora com elas e casavam-se.' "
Reportagem sobre os mosteiros do Monte Atos, Grécia, "Apelo ao Monte" - Robert Draper - National Geographic
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"Se te queres deitar com uma mulher, fá-lo no quarto. Se a queres seduzir, dança com ela."
Saetan em "Daughter of the Blood" - The Black Jewels Trilogy - Anne Bishop

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 94

A Dança da Morte
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No reino animal, quando predador e presa se encontram, estabelece-se uma espécie de ritual. Após desferir o golpe fatídico, o predador fixa os olhos na sua presa e esta retribui o olhar, como se existisse aqui, neste preciso instante, um pedido de autorização para prosseguir e um assentimento para deixar prosseguir com a matança.
O escritor Barry Lopez chama a esta espécie de ritual uma "conversa de morte" - "É uma troca cerimonial. A carne do animal caçado em troca do respeito pelo seu espírito." Acontece entre mamíferos de grande porte, como os lobos, os leões e os tigres, e as suas vítimas.
Decidi chamar-lhe "A Dança da Morte". E pus-me a pensar. Que também os humanos experimentarão uma "Dança da Morte", antes de exalarem o último suspiro. Mas que esta dança é muito diferente da que ocorre no reino animal, sendo que aqui não existem nem predadores nem presas. Trata-se de uma dança privada, solitária que todos os que morrem experimentarão. Uma dança consigo próprios, em que se realizam balanços, se revêem memórias, se tomam decisões e nos despedimos da vida. Esta dança pode ou não ser pacífica, isto é, pus-me a pensar que podemos ou não ir em paz.
Se formos em paz então isso provavelmente significa que atingimos o tão almejado paraíso. Mas há também quem parta, porventura, em desalinho, em desassossego. Recordo todas ou a grande maioria das mortes que presencio no Cinema ou na TV. Mortes esperadas e sempre pacíficas. Mas os filmes têm a horrível tendência para transformar o mundo num cor-de-rosa igual e sensaborão, clinicamente sensato e politicamente correcto. As coisas raramente são assim e, quando são, têm sempre um desarranjo próprio da vida, que fede e nada tem de correcto e que por isso mesmo é infinitamente mais encantador. Na vida real, pensei, haverá certamente uma enorme percentagem de pessoas que nos abandonam em pânico, em angústia, em desespero. E não falo das mortes súbitas, por acidente, crime ou azar. Continuo a falar daquelas para as quais existe um tempo de preparação. Porventura haverá quem nos deixe de forma terrivelmente inquietante, não querendo ir e é-me, é-nos, difícil imaginar o inferno de tal situação. Ir assim poderá ser o tal inferno de que tanto se fala.
Mas no reino humano também existe a "Dança da Morte" exactamente semelhante à do reino animal, estou em crer pela pesquisa que tenho feito. É a dança entre o assassino e a sua vítima, entre o carrasco e o seu condenado. Uma dança em que, sem se pedir autorização para prosseguir, se exala pelo menos um suspiro adicional, quiçá em honra da vítima, antes de se desferir o golpe fatal. Todos os assassinos falam desse momento em que, quando a vítima sabe que vai morrer, é possível ver e sentir a sua constatação, senão a sua aceitação, antes do branco do globo ocular invadir por completo a sua visão.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

MURMÚRIOS DO PARAÍSO VIII

O Casino
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O Casino acorda tarde e deita-se de madrugada. Mas lá dentro é sempre dia.
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O Casino brilha e tilinta e oferece sonhos e fantasias. Lá dentro somos sempre crianças, com sorrisos e esperança, com medo e fé e nervoso miudinho.
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O Casino é especialista em promessas, mas apenas as faz, quase nunca as cumpre.
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No Casino os porteiros são empertigados, polidos e cuscuvilheiros, raramente sorriem, a não ser quando cochicham entre si segredos insondáveis.
No Casino entra-se com um brilho nos olhos e sai-se a maioria das vezes com a crista murcha. Às vezes, poucas, sai-se a deslizar e com asas nas costas.
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O Casino é como o metro - há de tudo: os veraneantes, como eu, que só lá põem os pés uns 10 dias por ano; a dona da tabacaria que vai lá tentar a sorte com os trocos da caixa todos os fins-de-semana; o velho habitué que enterra todos os dias pelo menos 50 euros; os bifes que experimentam uma nota azul e fogem para parte incerta.
O Casino cheira sempre a decadência e transgressão, o odor mais intenso do dinheiro.
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No Casino também há bailarinos de segunda categoria, enfiados em fatos de lantejoulas apertados e plumas frisadas. Cantam e dançam, mas não encantam.
O Casino tem cores e luzes e uma selva de sons - o relinchar de cavalos, o tinir de varinhas mágicas, o coachar de sapos tornados príncipes pela sorte, a melodia exótica de faraós longínquos, o tilintar de moedas virtuais, até o uivo de lobos.
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É para todos os gostos, é só escolher. E perder. Ou ganhar, nunca se sabe.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

PALAVRAS ESTÚPIDAS 81

A Ponte de "Cherokee"
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"This is the chick I was playing by when I found my style. I didn't even have a regular gig. I was washing dishes and jamming after hours. (com ironia) 'Course that was before I became the titanic commercial success that you see siting before you. That's before I captured the fancy of the adoring public. But I started playing these little ... these figures behind her, see. And they fit with the song but it was like going inside the melody. And she says, right on the stage she says: 'Nigger! Don't be playing that shit behind me while I'm trying to sing!' After that, a little bit later on, me and the piano player we got together and we were working on 'Cherokee'. Now this is the song that I had played 10.000 times and I was sick to death of this song. But I found this new way of extending the chord changes so it was like a whole new song. And they still fit. And this is what I've been trying to do ever since they galled me off the Reno Club. The Bridge of 'Cherokee'. That's the bridge I crossed 2 days before Xmas, in 1939. What a Xmas present!"
Charlie "Bird" Parker em "Bird", de Clint Eastwood
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Já tive as minhas pontes de "Cherokee". São privadas e não mudaram mundos, apenas o meu mundo. São raras, também. Acontecem quando percebo que subi um degrau na escadaria da escrita. Não são fáceis nem acontecem quando quero. Aliás, a sua essência reside precisamente no facto de serem inesperadas e só assim poderem acontecer. Resultam de trabalho, não de inspiração mas são, elas próprias, A inspiração. Ou seja, são a vertente inconsciente do resultado do trabalho consciente. Simplificando, são quando percebo que passei a escrever um pouco melhor do que escrevia até aí.
Esta escadaria da escrita é interminável e é composta por uma quantidade infinita e desconhecida de degraus. Nunca se chega ao fim, claro. Se existisse um fim, não existiria razão de ser para a existência da escada em si. Ela auto aniquilar-se-ia por razão de paradoxo, como uma serpente que engole a própria cauda.
Mas existe outra simbologia adicional para essa escadaria. Quando Charlie Parker atravessou a ponte de 'Cherokee', significa que encontrou o seu estilo musical próprio. A sua forma única e inimitável de tocar o saxofone. Uma forma que mudaria para sempre a história do jazz. Essa é a parte mais difícil de todas. E a mais importante, claro. Um escrevinhador (ou outro qualquer género de artista) pode passar a vida a tentar encontrar o seu estilo. Durante grande parte da sua busca, o escrevinhador limita-se a imitar os escritores que admira, os que o marcaram ou os que habitualmente lê. Mas só quando se consegue libertar deles (e isto nunca é uma vontade consciente), deixar que larguem a mão da bicicleta que tenta conduzir sem se estampar sozinho, só então é que o escrevinhador ganha asas e pode voar.
Nem sempre isso acontece, claro. But one keeps trying ...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

AS TRIBOS DE ANDRÓMEDA

Delaware
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O nome DELAWARE foi dado aos povos que viviam ao longo do rio Delaware e o rio, por sua vez, foi nomeado de acordo com Lord de la Warr, o governador da colónia de Jamestown. O nome Delaware foi depois aplicado a quase todo o povo Lenape. Na língua dos Delaware, pertencente ao ramo Algonquian, os Delaware auto-denominam-se Lenape (len-NAH-pay), que sinifica "O Povo".
Os antepassados dos Delaware encontravam-se entre os primeiros índios que tiveram contacto com os Europeus (Holandeses, Inlgeses e Suecos), no início do século XVII. Os Delaware eram chamados a tribo "avó" porque eram respeitados por outras tribos como pacificadores, servindo frequentemente de mediadores em rivalidades entre tribos. Eram também conhecidos pela sua bravura e tenacidade como guerreiros, apesar de preferirem a paz com os Europeus e as outras tribos.
Muitos dos tratados e vendas de terras que os Delaware assinaram com os Europeus eram considerados como empréstimos. Os Delaware não faziam ideia que a terra pudesse ser vendida. Ela pertencia ao Criador e o povo Lenape limitava-se a utilizá-la para se abrigar e alimentar. Quando os exploradores desembarcavam dos seus navios, cansados e famintos, os Lenape partilhavam a terra com eles. Foram-lhes oferecidos alguns presentes, que os Lenape consideraram apenas oferendas de gratidão para com a sua hospitalidade, mas que para os Europeus constituíam na verdade o preço de compra da terra.
Os Delaware assinaram o primeiro tratado com o recentemente formado governo dos EUA a 17 de Setembro de 1778. No entanto, tiveram de continuar a ceder as suas terras e a deslocarem-se para Oeste (primeiro para o Ohio, depois Indiana, Missouri, Kansas, e finalmente, Oklahoma). Existem também reservas de Delaware no Canadá, em Ontário.
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Os Lenape acreditavam haver espíritos - chamados manetu - em seu redor. Acreditavam que o grande espírito Kishelemukong criou o mundo e que espíritos maléficos, chamados manetuwak, eram responsáveis pela doença e a morte. Acreditavam existir um espírito em cada tempestade e em cada rebento novo das árvores. Estes espíritos podiam ajudar ou dificultar a vida e deveriam ser tratados com respeito. Para ganhar a confiança de um espírito, as pessoas deixavam pequenas oferendas no local onde achavam que esse espírito vivia - por exemplo, perto de uma grande árvore, uma queda de água ou uma rocha. Estas oferendas podiam ser ramos de flores, pedaços de madeira esculpidos ou cachimbos.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Fetiche #7

Fetiche
Nome masculino > 1. Objecto a que se presta culto por se lhe atribuir poder mágico ou sobrenatural > 2. figurado. aquilo a que se dedica um interesse obssessivo ou irracional > psicologia. objecto gerador de atracção ou excitação sexual compulsiva.
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"I'm saving your life, stupid." - Gloria
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[Gloria]
1. Nome próprio > 2. Mulher com M grande > 3. Mãe contrariada, à força > 4. As mais belas mãos do Cinema > 5. Gena Rowlands, musa maior e mulher de Cassavetes > 6. John Cassavetes, grande, grande auteur independente > 7. Garina durona da máfia, que se vê a braços com a protecção forçada de um miúdo órfão e irritante, cuja vida corre perigo > 8. Mulher de armas, que as usa contra a sua própria "famiglia" > 9. Gloria corre por Nova Iorque sem parar, com um miúdo que ela não quer carregar, agarrado às suas saias, de quem Gloria se tenta primeiro livrar diplomaticamente e a quem mais tarde Gloria acaba por quase ser capaz de oferecer a sua própria vida > 10. Gloria = Gena = Gloria para sempre, em mim
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domingo, 3 de janeiro de 2010

'Till I Found You

O Mundo Colapsa 7
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2200, Inverno, 12.15 GMT
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Fora Jorge quem também urdira a única forma das CM's funcionarem em tempo real, que era precisamente o que estava a acontecer nesse momento. Nos velhos tempos humanos este esquema teria sido impossível fisicamente, mas na Era da Vida Artificial, era não só possível como até divertido e tão simples que dava até vontade de rir. Jorge não fizera mais do que basear-se na velhota técnica de hacking apelidada de "cirurgia virtual" - entrar, enviar e sair. Nos velhos tempos os hackers usavam esta técnica para não serem detectados - entrar e sair de computadores apagando o rasto antes que a polícia os pudesse detectar. O problema é que esta técnica tinha um calcanhar de Aquiles - os hackers eram humanos, tinham corpo físico, logo, eventualmente tinham de estar fisicamente em algum lugar, o que era condição suficiente para poderem ser apanhados. Nos tempos modernos este calcanhar não existia, pura e simplesmente porque um ARLI não tinha de estar em lugar algum, uma vez que era constituído apenas por bits de informação.
Portanto, o que acontecia durante as CM's era uma espécie de jogo da apanhada, em que cada Chefe e Assistente "saltava" de PacMaster em PacMaster, deixando pedaços de informação o tempo suficiente para que o Chefe ou Assistente que o seguia a registasse e respondesse, saltando para outro PacMaster aleatoriamente. Não era por acaso que na gíria, as CM's fossem também conhecidas como "tripadas". E não era também por acaso que o único efeito secundário das CM's fosse a chamada "bezana virtual" - um período de euforia do sistema de suporte de vida artificial, provocado pela velocidade supersónica da deslocação, entrada e saída de dados e mudança constante de localização, cujos efeitos eram normalmente dois: entrada em funcionamento de todos os programas de cada ARLI a 100%, logo seguida de paragem absoluta e entrada involuntária em hibernação - dito por outras palavras, depois de uma CM toda a gente flipava e a seguir caía para o lado.
C. adorava as CM's. Eram como as velhas saídas à noite, em que toda a gente bebe até cair e ninguém se lembra de nada no dia seguinte. Pelo menos a seguir às CM's conseguia esquecer ...
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25/11/2030
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Guardian-Angel,
I've come so far only to find pain and anguish. What is it with us that we never value what we have until it's all gone and there's no way of getting it back? Humans are stupid.
I started taking pictures again. I went for a walk with the camera, although I didn't intend to use it. Then I saw some jungle children playing with stones. I sat down on the floor to watch them and, before I knew it, I heard myself clicking non-stop. I stood still, trying to realize what had just happened and I guess I attracted the children's attention because they started laughing at me and their laughter brought me back to reality. And then I realized something I hadn't felt for a long time - I missed being a shadow, capturing life and feelings because I was invisible and people weren't afraid of being themselves around me and my camera.
I don't know if I feel better because of this, I don't even know if I wanted this that much, but now I can't put the camera down again. And even this reminds me of you. You changed me. I am not the same person you met. And at the same time I am. Because of you I became a better version of myself, an upgraded version. Maybe that's why I came here. Not to fill the emptiness, because somehow I know the emptiness will never end. But to prove to myself that I am not the coward I believe I am.
Tuesday
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26/11/2030
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Guardian-Angel,
Yesterday there was a violent battle a few miles north from The Bridge. Hundreds of men were wounded, others killed. The dead are left behind, for no time can be wasted on them. Hundreds of mothers and fathers are going to receive a call from the Ministry of War telling them their son has gone missing in action. For years these parents will never forget the pre-recorded voice of the high-tech machine telling them they will probably never see their son again.
The Bridge is a deep, large, dark swamp area stretching miles from one side to the other, where the sun never shines. It is filled with all sorts of mortal insects carrying fatal deseases and wild terrifying beasts, the ones our government produced in laboratory before The Raging Fury Week, 10 years ago. Those beasts are said to be the real cause of this war. I don't know about that. What I know is no human being whishes his best enemy such encounters.
The men say there have been some survivors from the attacks of the beasts. They believe some strange force is responsible for that. Strangely or not, the survivors die shortly after, without sharing with anyone their experience. I don't know if such a force exists, but if it helps the men to hope, then it must be of some use.
Did you ever stop to think that love is like religion? Did the scientist that breaths inside you ever realized you're a walking talking paradox? I never told you my theory, did I? I believe love is like religion. People want to believe in love as much as they want to believe in a faceless God, because they're too scared of what they might become after they're gone - nothing. At best, stardust. I like stardust. Beats being an angel every day. Stardust is cooler. I know you'd smile at this one. Love works the same way. It only happens when two people believe so much in their love for eachother that the mutual feeling created by them is almost like a kind of energy. I believe we did that in our own private brain labs. We created love. In the end, it was like Frankenstein. We made something we couldn't control anymore. And we both screwed up ...
Tuesday

sábado, 2 de janeiro de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 93

Assinaturas
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Os Assassinos gostam de deixar assinaturas. Especialmente os assassinos em série, procuram o reconhecimento por parte da polícia e da sociedade pela "obra" deixada, como se o crime fosse uma obra de arte e o assassino o seu autor. Em segundo caso, as assinaturas servem para "jogar (com) e provocar" a polícia.
Um estudo do FBI indica que os assassinos que usam armas de fogo são mais propensos a seguir os crimes (82%) do que aqueles que têm contacto físico (estrangulamento, apunhalamento) com as suas vítimas; 64% dos homicidas com pistola guardam recortes e diários e 44% voltam aos locais dos seus crimes.
A chamada Fase "Totem" caracteriza-se pela recolha de objectos pessoais da vítima, especialmente no caso dos assassinos com motivos sexuais e sádicos. Alguns chegam mesmo a coleccionar "recordações" dos crimes, recortando as notícias dos jornais e seguindo os meios de comunicação social. Alguns guardam cassetes de video com a gravação dos seus crimes. Cartas de Tarot ou outros elementos deixados no local do crime são também comuns.
A vaidade comum aos assassinos em série não suporta que ignorem os seus crimes ou se lhes retire importância e muitas vezes, mesmo depois de serem capturados, vangloriam-se dos seus crimes, chegando mesmo em certos casos a inventar um número maior do que aquele que na realidade cometeram.
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Em determinadas zonas italianas, um cadáver com os genitais na boca significa que o homem se tinha deitado com quem não devia, provavelmente a mulher de um mafioso.
Em Espanha usa-se a "gravata colombiana", um buraco na maçã de Adão da vítima por onde se puxa a língua, de modo que fique pendurada do pescoço - a assinatura que grupos de delinquentes deixam naqueles que falam demasiado perante a polícia.
Os snipers de Washington deixaram uma carta de Tarot que representa a morte, com a mensagem: "Queridos Polícias, sou Deus."
O assassino do baralho madrileno deixou um ás de copas junto ao corpo da sua segunda vítima.
Uma dupla de enfermeiras lésbicas a trabalhar numa clínica norte-americana, começou a matar pacientes de acordo com as iniciais dos seus apelidos, para formar a palavra MURDER, mas o jogo teve de ser alterado quando a segunda vítima (a letra "U") lhes resistiu.
Jack, o Estripador, levava órgãos das suas vítimas e chegou mesmo a enviar uma carta (de entre as milhares que a polícia britânica recebia durante esse caso, esta é a única que se pensa ter sido realmente enviada pelo verdadeiro criminoso) com um pedaço de rim de uma das vítimas, referindo que comera o resto do órgão.
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baseado n' "A Morte Joga às Cartas" - Revista Quo

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

MAGIC MOMENTS 93

Welcome
2 the Genius Xperience

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Step 1: Touch the Play button

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Step 2: Turn Ur Volume Up
Step 3: Listen and read the lyrics below
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We hope U have enjoyed the Genius Xperience
If U wish to relive the Genius Xperience, please return to Step 1.
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Long ago, there was a man
Change stone 2 bread with the touch of his hand
Made the blind see and the dumb understand
He died 4 the tears in your eyes
Your eyes
Many people came from all around
Hear this man preach, glorious sound
Spoke of man in harmony and love abound
He died 4 the tears in your eyes
Your eyes
Your eyes
Your... eyes...
Died 4 the tears in your eyes
4 the tears in your eyes
And the tears of sorrow 4 cents may be all that they're worth
For the rising sun each day assures us
The meek shall inherit the earth
The earth
Faith is a word, we all should try
Describing the man who willingly died
Believe that your hunger, sorrow, and fears
Is less than the tears in your eyes
Your eyes
Less than the tears in your eyes
4 the tears in your eyes
And the tears of sorrow 4 cents may be all that they're worth (All they're worth)
For the rising sun each day assures us
The meek shall inherit the earth
Say it again...
4 the tears in your eyes
And the tears of sorrow 4 cents may be all that they're worth (All they're worth)
For the rising sun each day assures us
The meek shall inherit the earth
The earth
Thank you

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

For You

And if I never do anything worth a dime
At least I loved you
And if I had not even known your name
What would that have mattered too?
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If I can feel you around, somehow
That will be all that I ever need
If I never forget your wonderful face
On that alone I can feed
flkfçld
And they would have to rip my chest open
To take you away from me
They would have to kill me first
Before I ever forgot you
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You could have been a murderer
I would not have cared
Don't you know that?
You must know that
dçlfº
You should know
That I would follow you to hell and back
That I will love you until there is not one hint of stardust
In the entire universe
You should know that
dlfdfç
And if you would ask
I would meet you at the deepest depths of the world
You just have to ask
And I will fly wingless into your open arms
sdçldk

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Para ti, P.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Macro Secrets 22

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All I want for Xmas is You

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

MURMÚRIOS DO PARAÍSO VII

O Relojoeiro
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Numa certa rua d'O Paraíso, entre o restaurante do italiano que é um verdadeiro italiano e o italiano que é somente um português italiano,
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encontra-se o relojoeiro. Vende e arranja relógios. É alto, moreno, apesar de já estar a ficar grisalho e tem um semblante atraente e nostálgico. Desconhece-se se se importa com o tempo,
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ao contrário dos seus conterrâneos que parece pouco valor lhe darem.
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Também se desconhece se chega sempre atrasado aos seus encontros ou se, pelo contrário, é britanicamente pontual.
Com efeito, tudo o que diz respeito a este relojoeiro é desconhecido, à excepção do facto de estar sempre onde é suposto estar, ano após ano - na relojoaria. E de ser muito atraente e misterioso. E de suscitar na autora destas linhas pensamentos altamente pecaminosos, que envolvem dunas
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e temperaturas elevadas
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e perca total e absoluta da noção do tempo.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

MORMORIOS DI FIRENZE I

O Canibal - Parte III
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São quatro as razões que tornam Florença a cidade de eleição do Doutor Lecter. Aqui as descreveremos com o máximo cuidado:
1º - Florença cheira bem. É um facto. Por toda a parte do Berço da Renascença paira no ar o odor agradável a massa doce acabada de sair do forno. O apurado, delicado e sensível olfacto do canibal regozija com um deleitamento suave.
Não devemos esquecer também que, para além deste aroma doce e quente, o Doutor Lecter tem a oportunidade de, sempre que assim o deseja, dar uma rápida caminhada até ao número 16 da Via Della Scala, próximo da Piazza di Santa Maria Novella.
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Sempre que aí entra, o Monstro queda-se durante alguns momentos a observar as cores brilhantes dos frascos de vidro guardados no interior dos dois grandes armários da Farmacia di Santa Maria Novella, e só depois desse momento quase sagrado, em que uma infinitude de moléculas perfumadas lhe penetram o apurado apêndice, é que realiza o seu pedido.
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2º - Os florentinos são fechados e desconfiados. É sempre agradável, pensa o Doutor Lecter, estar num sítio onde nunca nos perguntam de onde viemos e não querem saber para onde vamos. Ele reflecte sobre esta característica e chega sempre à mesma conclusão - esta timidez terá algo a ver certamente com a geografia do local - em Florença todos os lugares vão sempre desembocar em qualquer outro deles, o que evita perguntas desnecessárias.
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3º - Florença não é exactamente uma cidade, antes uma galeria a céu aberto da mais refinada arte, por onde nos podemos passear sem pressas, se assim o desejarmos, apreciando cada pormenor atempadamente, reflectindo-o e gravando-o no interior do nosso palácio de memórias até esgotarmos todas as suas possibilidades e antes de prosseguirmos em diante.
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4º - O Doutor Lecter aprecia particularmente um recanto no coração da Cità Bella onde faz questão de passar sempre que possível, realizando até desvios propositados - a inusitada Piazza Della Signoria. O Doutor acha mesmo que esta Piazza é caracterizada por um fino toque de humor negro, irresistível. Para além de terramotos em igrejas, o Doutor Lecter também tem um gosto particular em coleccionar pedras das estátuas da Piazza Della Signoria. Lá estão Perseus segurando vitorioso a cabeça de Medusa, cujo corpo jaz inerte aos seus pés;
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o romano que rapta a sabina perante o olhar impotente do seu esposo;
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a Judite assassinando Holofernes com a sua afiada espada erguida; Hércules atingindo com um cajado o monstro Cacus.
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Existe uma Piazza exactamente idêntica a esta num dos locais mais importantes e belos do palácio de memórias de Hannibal. A única diferença que existe entre a Piazza Della Signoria florentina e a Piazza Della Signoria Lecteriana, é que nesta última existe mais uma estátua, que foi esculpida no palácio de memórias do Doutor Lecter e colocada no espaço central vazio diante da fonte do Neptuno
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- nela, Hannibal caminha em diante com passo leve e cuidadoso, carregando nos braços o Mel do Leão, enquanto um grupo de javalis sedentos de carne o rodeia.
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inspirado no personagem Hannibal Lecter, criado por Thomas Harris e na deslumbrante Florença