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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

AS QUATRO ESTAÇÕES

Veo
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Das profundezas da terra a vida renova-se e volta a florescer

Flui, em movimento incessante e vibrante
Como as ondas do mar






E ergue-se à superfície em alegria contagiante

As flores oferecem frutos

Os frutos, sabores

O sol desponta na pele, nos sentidos, no coração

Apetece viver

As tardes não têm fim e as noites são doces
Os dias mornos e dormentes


É Verão

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

AS QUATRO ESTAÇÕES

INVERNO
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Desde que caíram as primeiras folhas de Outono, acendi a lareira no meu coração.
E agora que o Inverno chegou, recolho-me debaixo do manto de neve da minha memória em hibernação interior.

Neva branco e prateado e azul. Os meus pensamentos cristalizam em gelo e guardam pedaços do tempo que passou por mim. São relíquias frias que racham no calor das chamas intensas da lareira. Nevam flocos de ideias em potência, à espera de brotarem quando o frio passar. Por vezes há tempestades arrebatadoras e impiedosas que se agarram às minhas extremidades como estalactites brilhantes refulgindo no sol branco de Inverno.
O tempo passa com lentidão absurda, apesar dos dias serem cada vez mais pequenos. Escondo-me no aconchego quente das lãs e dos veludos e das malhas grossas. Escondo-me do mundo e o mundo de mim. A neve prossegue o seu ritmo contínuo e imparável, como se cada floco e cada cristal de gelo pudesse conter no seu interior um mundo inteiro de possibilidades em potência.
O mundo renasce aos poucos, devagar. Nada pode ser esquecido nem nada pode ser adivinhado. Tudo é possível.
É Inverno, e o mundo reinventa-se, antes de desabrochar de novo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

AS QUATRO ESTAÇÕES

OUTONO
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Luz de mel silvestre.
A brisa morna carrega histórias encantadas escrevinhadas em velhos tomos esfarelados pelo tempo.
Folhas voam pelos ares, como ninfas perdidas, douradas, carmim, chocolate. Varrem as pedras frias e cobrem-me de melancolia. Estalam nos meus dedos, como castanhas assadas.

Arranco as mantas e os abrigos ao sono estival e enrosco-me em chás e livros.
A lareira arde e crepita na minha imaginação, tocando a música do Outono.
Sou feiticeira, capaz de magia. Congemino poções doces e inebriantes no caldeirão dos meus sonhos. Espalho poeira cintilante e viajo nas asas de remoinhos intemporais.