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segunda-feira, 14 de junho de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 110

O Fim
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É o fim de uma pesquisa que deu pano para mangas. É o fim aqui, porque ela continua. Foi engraçado, didáctico, curioso, interessante e deu trabalho.
Esperemos que dê frutos, não sei quando.
Hasta la vista, baby.

sábado, 5 de junho de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 109

A Vida
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A vida é uma estupidez. Sem sentido nenhum. Ao contrário da morte, a vida não é chata, é idiota.
A vida é uma sucessão de alegrias, sofrimento e muitos tempos mortos pelo meio. Mas, até isso é preferível ao vazio.
A vida por vezes pode ser absolutamente engraçada, irónica, com um sentido muito próprio dentro da ausência de sentido total.
A vida existe e pronto. Não há nada a fazer. Estamos aqui porque o ADN quer que estejamos. Quando o ADN "decidir" começar a evoluir para outra coisa qualquer diferente do esquisito ser humano, acabou-se e não haverá nada a fazer. Bem podem construir umas naves e meter lá para dentro uns pacóvios de forma a perpetuar a espécie, congelarem-nos para que se mantenham para todo o sempre com o mesmo ADN que faz da nossa espécie a humana, mas não passarão de aberrações, monstros do passado glorioso preservados em criogénio e enviados para o espaço para andarem à deriva até serem encontrados por outra raça qualquer que os colocará em tubos de vidro para serem expostos em museus da fauna galáctica.
A vida é curta e pode acabar a qualquer momento. Não sabemos a sorte que temos.
A vida, como dizem alguns, é bem capaz de ser um milagre.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 108

A Morte
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A morte é chata. Porque a morte é presente, mesmo quando não a vemos na curva da estrada. Sempre. Presente.
Não gostamos de falar dela. É tabu. Como o incesto consentido. Uma vez que o sexo já não é. Os dois últimos tabus - a morte e o incesto consentido.
A mais bela e mais doce definição de morte que conheço é de Fernando Pessoa:
"A morte é a curva da estrada, Morrer é só não ser visto."
Esta definição aquieta-nos. Pronto. É só não ser visto. A pessoa continua lá, queremos acreditar ... Continua lá na curva e quando nós dobrarmos a esquina, quando chegar a nossa vez de a dobrar, lá estará a pessoa à nossa espera. Esteve a brincar às escondidas connosco, só isso. Cu! Cu! Apanhei-te!
E haverá risos e alegria. E partirão os dois de mãos dadas ao longo de nova estrada.
Queremos acreditar que sim ...
Que morrer é só não ser visto.
Mas provavelmente não é só isso.
Provavelmente a igreja tem razão - a única afirmação católica com a qual concordo - quando diz:
"Do pó vens e ao pó voltarás."
Sim. Pó. De estrelas, quiçá. Também é poético. Alimentar margaridas é bonito. Fazer parte de outra pessoa, de outro ser vivo, do ar. Continuar assim, disperso, em moléculas, por aí. Somos todos canibais, nesse caso. Ingerimos moléculas de Shakespeare e de Michael Jackson (ainda é cedo, ainda não está em estado molecular ...) e de Afonso Henriques. Talvez fiquemos mais, assim. Mais seres humanos, mais cultos, melhores pessoas. Ou piores, se andarmos por aí a inspirar moléculas de Hitler, de Mao, de Mussolini.
A morte é chata. Quando alguém quer morrer, não queremos saber. Quando alguém vai morrer, suspiramos e não queremos mais falar no assunto. Quando alguém nos pede para morrer, entramos em pânico e recusamos. Quando alguém diz que já morreu, atiramos-lhe um "não sejas parvo!" cheio de histerismo. A palavra morte assusta-nos.
Tenho uma teoria. É porque não gostamos de nenhum tipo de fim. E a morte é o "ultimate" fim. No more. No return. Game over. Over and out, forever. Caput!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 107

Laboratório de Personagens 5
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I kill to survive, it would say if it could or if it thought as humans do.
Instead ...
smell ... the smell ... a smell ... the fear ... fear ... scence ... caution ... smell ... left ... right ... straight ahead ... left ... stop! smell ... feel ... fear ... caution ... stop! bend ... look ... smell ... it comes again ... same smell ... caution ... fear ... wait ... look ... smell ... the same smell ...
I know the smell, it would say if it could. I know the human, it would say if it thought as the human who comes to him.
Instead ...
go near ... not yet ... wait ... caution ... smell ... trust? ... not yet ... smell ... not yet ... soon ... not yet ...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 106

Laboratório de Personagens 4
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Inside of me there are a thousand voices. A thousand faces. A thousand stories. But none of them are mine. Or are all of them me?
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Going through the motions. Just going through the motions. No will, anymore. What are we all doing here? What's the point? We are born, we grow up, we learn things, we work, we play, fall in and out of love, have children, suffer pain and disappointment, have joy and sorrow. And then what? And then we all die, just like that, no reason, no purpose. Free will? To do what? That which we cannot escape follows us every step of the way. Closer than our own shadow, death waits for us all.
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Inside of me there are a thousand voices. A thousand faces. A thousand stories. But none of them are mine. Or are all of them me?
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I shall not wait for death to come. I shall escape its terrifying claws. I will outrun it and be free.

sábado, 1 de maio de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 105

Ingrediente Secreto
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Existe um ingrediente secreto, claro.
Existem armas, polícias, criminosos, snipers, assassinos, investigações e crimes. E depois existe um ingrediente secreto.
Este ingrediente é muito simples, pouco rebuscado, mas é na simplicidade que reside muitas vezes o segredo das coisas.
Porque é secreto e assim deve permanecer, não pode ser revelado, nem mesmo neste recanto discreto de palavras, lidas por quase ninguém.
É um ingrediente caro à autora por diversos motivos.
Foi escolhido por ser pouco usado e não estar na moda.
Era preciso algo interessante, que conferisse aquele toque de exotismo e ao mesmo tempo de sustentação filosófica que oferecem a um enredo uma base de reflexão sólida.
Foi escolhido porque a autora sempre viveu fascinada por ele, nas suas diversas formas e manifestações.
Foi escolhido porque a autora nutre um infinito respeito por ele.
É simples, infinitamente simples.
E sábio. E belo.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 104

AVISO: Este post é de leitura interdita a menores e a todas as pessoas sem o mínimo de bom senso ou senso de humor na tola
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Sniper 3
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Ver o filme Sniper 3 é atravessar um suplício pela mão de Tom Berenger, valha-nos isso que, nunca tendo sido um grande actor (é suficiente mesmo), enfim ... também nunca foi péssimo. Só houve um homem que lhe arrancou uma representação inesquecível e esse homem chama-se Oliver Stone. Não sei que raio de truque é que ele usou, mas a coisa resultou e o resultado foi o memorável Sargento Barnes no não menos memorável Platoon (já aqui falei dele).

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Em Sniper 3 (não consegui arranjar o Sniper 1 e o 2, se calhar felizmente ...) Tom Berenger faz de ... adivinharam ... um sniper veterano, a braços com a difícil tarefa de matar um ex-companheiro seu de guerra, que enlouqueceu lá para os lados do Vietname e decidiu juntar-se à CIA, aos Khmer Vermelhos e a todos os grupos rebeldes que pululam por essas bandas. E pronto. Depois é só tiros e uma trapalhada do caraças, mais umas dicas de sniper aqui para a pesquisa e saudades de Tom Berenger que é daqueles actores que faz sempre de si próprio, ou seja, de boa pessoa.
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O que aprendi?
* Que há snipers cuja pulsação e respiração são tão estáveis que apresentam valores idênticos aos de uma pessoa a dormir
* Que "um sniper dos Marines nunca aborta uma missão, Capitão! Só aborta se morrer!"
* Que um sniper é o único soldado que pode recusar uma missão (para se ver o nível de perigo e responsabilidade implicados em missões de sniping)
* Que uma AW Magnum é boa mas que a Remington M40 é a melhor espingarda de sniper jamais concebida (sei que os alemães provavelmente discordariam, com a sua Mauser, os ingleses também, com a sua L115A3 e os russos idem aspas, com a sua AK-74 adaptada a snipers) - portanto nestas coisas de a minha é melhor que a tua, há muito que se lhe diga ...
* Que se chama limpeza à operação de abandonar o local de sniping, fugir e trocar de identidade para abandonar o país a salvo de quaisquer perguntas indiscretas

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E eis o cheirinho do sniper Tom:
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quarta-feira, 14 de abril de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 103

Pesquisa
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A partir de agora (quando conseguir acabar isto, se é que alguma vez vou conseguir acabar isto ...) juro pela minha rica saudinha que nunca, NUNCA, JAMAIS, irei escrever outra história que precise de pesquisa.
Irei dedicar-me definitivamente e duma vez por todas aos reinos do fantástico, planetas de galáxias que não existem, Terras Intermédias, universos paralelos e afins, onde posso inventar o que bem me apetecer, sem ter que ficar MALUCA com tanta pesquisa.
May the force be with me ...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 103

Laboratório de Personagens 3
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He contemplates the sea and bids farewell. To the cyclical sound, undisturbed, gentle and strong, as of the heart of a monstrous being that softly licks his feet. He stays there, erect, near the crushing of the waves and lets himself be kissed in that way, softly. Until he gets tired. He strolls to fool the weariness, to fool his body. But his body wont be deceived anymore. It's late. Too late.
Such a hurry to live ... for this ... for everything to end this way, abruptly.
And the sea murmurs, as if it wants to tell him something. And he goes forward and leans his body a little bit further and his ear and listens to the sea, as if a child holding a sea-shell larger than his hand, to his ear, to learn the secrets of the depths. But what he hears is but the sound of his own blood running inside his veins. And the sound of the sea is the sound of his own heart whispering to him "I am tired. I will stop now."

sexta-feira, 26 de março de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 102

Os Índios e a Morte
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Os índios Sioux depositam os corpos dos seus mortos em plataformas no topo de árvores, para que sejam limpos pelos pássaros e outros animais antes do seu enterro final na terra, sob a forma de esqueleto.
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É habitual na mitologia de várias tribos índias do continente americano, existirem casamentos entre pessoas vivas e fantasmas
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Para os Caddo, um povo nativo da região leste do Texas, não existia morte. No entanto, os bebés não paravam de nascer e não tardou que a Terra estivesse a abarrotar de gente. Os membros mais velhos da tribo reuniram-se para discutir o problema e sugeriu-se que talvez fosse uma boa ideia se as pessoas morressem durante algum tempo e regressassem mais tarde à Terra. O Coiote compareceu e ficou impaciente com o acordo. Se as pessoas morressem temporariamente, afirmou, isso apenas adiaria o problema. A população continuaria a crescer na sua ausência e, assim que regressassem, o mundo enfrentaria a pior das crises, pois não haveria aliemento para todos. Perante este argumento, o conselho não conseguiu consenso - embora admitissem que o Coiote tinha razão, não podiam aceitar que os seus entes queridos se perdessem para sempre. Decidiu-se, por isso, que os mortos deveriam abandonar este mundo durante algum tempo e depois regressar. Foi construída uma "casa medicinal" para onde os espíritos seriam conduzidos pelos cânticos do sacerdote, uma vez terminada a sua viagem pelo reino da morte. Quando o primeiro homem morreu, os sacerdotes esperaram 10 dias e chamaram o seu espírito de volta. Ele foi visto, um remoinho soprando no céu. À medida que se aproximava da casa, no entanto, o Coiote fechou-lhe a porta. Desviado, o tornado prosseguiu na direcção do esquecimento. A partir de então, a morte tem sido um estado permanente. Os Caddo consideram os tornados como as almas errantes dos mortos e o Coiote doi expulso, tornando-se um renegado.
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Para os índios das pradarias americanas, o cavalo era tão importante como o barco para os Vikings. Quando um guerreiro Sioux morria, muitas vezes o seu cavalo preferido era sacrificado juntamente com o seu corpo, para poder transportá-lo para a terra dos mortos.
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Em geral, os nativos americanos parece não terem tido qualquer noção de uma existência para além da terrena. Acreditavam que os mortos simplesmente se extinguiam como em fumo, podendo continuar a viver mas apenas na memória dos seus entes queridos. Era um credo austero, mas não necessariamente triste - se a morte não trazia nenhuma promessa, também não carregava nenhuma ameaça.
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retirado de "The History of Death" - Michael Kerrigan

terça-feira, 16 de março de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 101

Laboratório de Personagens 2
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I played with death for a long time. Now death is knocking hard on the door. I want to send it away. I want to scream at it to get the fuck away. To leave me alone. I don't want to play anymore, I tell it.
But death is deaf and blind. Like an animal, it uses its smell to track me down. It senses fear and fear is like an addicting elixir, and so death remains outside the door.
I hear it. It says: "Game Over. I've come to collect."
Like a wild, hungry wolf, death scrapes its sharp claws on the door and it doesn't give up.
You played for too long. Too long. The fun is over.

sábado, 6 de março de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 100

Epifania
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São raras as epifanias. Os Eurekas. Os Ahas!!! Mas existem. Vão acontecendo ao longo da longa escrita de um livro. Normalmente são o fruto do trabalho inconsciente de processamento de toda a informação e pesquisa e ideias que concernem o enredo da história.
As "epifanias", como lhes chamo, são quando um personagem decide ir por um caminho completamente diferente daquele que tinhamos pensado para ele. São quando ele decide ser outra coisa qualquer que não era suposto ser. São quando o enredo desemboca num desenlace em que nunca tinhamos pensado, mas que faz todo o sentido.
Chamo-lhes epifanias precisamente por causa disso - porque fazem sempre sentido, apesar de surgirem aparentemente do nada e de serem completamente novas e frescas, tão novas que poderiam ser também muitíssimo verdes. Mas não são.
E por isso são epifanias. Porque mesmo não tendo, aparentemente, uma base concreta de justificação, elas funcionam, são aquilo e não poderiam ser substituídas por mais nenhuma outra opção. Sabemos, instintivamente, que só pode ser assim.
As epifanias têm outra enorme vantagem - é que não dão trabalho nenhum!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 99

The Saviordçfk
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Provavelmente o último filme sobre snipers que me faltava ver (acho que já os vi todos!!!!).
Dennis Quaid é um mercenário americano ao serviço da Legião Estrangeira, que se vê atirado para o meio do conflito Bósnio. É forçado a proteger uma mulher e o bebé fruto de violação, que ela rejeita inicialmente.
Esperava um pouco mais deste filme produzido por Oliver Stone, mas depois lembrei-me que Oliver Stone de facto só fez um grande filme na sua carreira - Platoon. O resto são americanadas competentes e lacrimejantes, incluindo JFK e esse terror em cadeira de rodas chamado Nascido a 4 de Julho (medo! medo! de Tom Cruise paraplégico e com a mania que está a ter o papel da sua vida).
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O que aprendi com Savior? Nada que não soubesse já. É um bom filme, até comovente. Dennis Quaid, esse, continua o "boy next door" que sempre foi. Giro e com um lado profundo que surpreende sempre, actor competente e com jeito para vestir fardas, de qualquer espécie (desde The Right Stuff que tem sido sempre assim, god bless him...).
kjlkk
E o cheirinho do Salvador:
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domingo, 14 de fevereiro de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 98

À Velocidade da Vida
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Há pouco tempo perguntavam-me como corria o livro. Respondi que devagar. O meu interlocutor voltou a retorquir que pensava que "estava a correr à velocidade duma bala". Respondi "quem me dera ..." Mas depois reconsiderei e pensei "não, não queria isso, mesmo que fosse possível".
Nenhum livro, pela experiência que tenho, pode correr à velocidade duma bala ou sequer de um comboio. As palavras são como frutos dum pomar da condição humana e precisam, por isso, de tempo para amadurecer, ganhar corpo, cor e sabor, brincar com a luz e a escuridão, ser transplantadas e recombinadas e voltarem a florescer.
Não. Um livro não é como um filme, em que num minuto um personagem sofre um choque, tem uma epifania e decide mudar de um dia para o outro um importante ítem da sua lista personalítica. Os filmes são (têm de ser, mesmo os melhores) sumos de fruta concentrados, ou então transformam-se em séries de televisão.
Não. Um livro é como a vida, real, compassada, respirada, por vezes dolorosamente lenta.
Não. Um livro é como as pessoas, que demoram muito tempo a perceber certas coisas ou a mudar.
Não. Um livro respira como uma pessoa, nunca como uma bala, mesmo que seja sobre balas que viajam a uma média de 300 quilómetros por segundo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 97

KillShot
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Um filme sobre um assassino profissional, protagonizado pelo Mickey Rourke?
É que é já a seguir, mesmo que seja a maior bodega deste mundo, pensei eu.
Mickey Rourke sempre teve um grave defeito - é aquele tipo de actor que, ou tem a sorte de aterrar num argumento sólido e com um realizador que sabe dirigir actores e então é capaz de milagres; ou então escolhe porcarias só para ganhar uns trocos (e aí é muito parecido com Brando) e abeira-se do precipício. Ele nunca é mau, note-se, mas às vezes balança periclitantemente na corda bamba entre o génio e o mau gosto absoluto.
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Este filme é uma bodega, confirma-se, MAS é comestível e o seu assassino (já com algumas plásticas em cima - os homens quando fazem plásticas ficam verdadeiras aberrações, ainda mais que as mulheres) é sofrível. Confirma-se, MR nunca é mau.
O único problema é que neste filme o Botox já era tanto que ele nem sequer consegue ter expressões faciais o que, verdade seja dita, até calha bem num rosto de assassino frio e calculista, mas também é demais!
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O que aprendi com este assassino Rourkiano?
* Num serviço temos de saber o que fazemos. Temos de ter tudo planeado. São essas as regras do jogo. Saber como entramos e como saímos, quantos tiros temos de disparar. Temos de saber onde estão os alvos e certificar-nos que ninguém nos vê. Não nos devemos demorar ou interessar-nos. Assim não há erros.
* Um homem com medo nem sempre é previsível
* Não deves falar demasiado, nem dizer-lhe o que tens em mente (quando ameaças alguém). O ideal é apanhá-lo de surpresa
* A única altura em que deves sacar da arma é quando vais matar alguém. É o mesmo que com os caçadores. Um gajo que sabe o que faz não dispara se acha que pode falhar. Depois temos de ir atrás do animal e acabar com ele (se o ferirmos)
* Nunca se deve deixar pontas soltas. Nunca deves achar que não se lembrarão de ti (caso haja testemunhas)
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E aqui vai o cheirinho do Mickey Mau:
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 96

Violência
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Que mecanismos despertam a nossa agressividade?
O sociólogo norte-americano Erich Fromm, no seu livro "Anatomia da destrutividade humana" define dois tipos de violência, uma esquematização apoiada pela maioria dos estudiosos:
1. Violência Compulsiva - o nosso corpo está geneticamente programado para ela; é a que compartilhamos com os animais; um impulso instintivo de atacar que surge quando sentimos que a nossa sobrevivência está em perigo
2. Violência Humana - exclusiva das pessoas; não tem base genética e a sua única finalidade é sentir satisfação; a este tipo de violência devem-se a maioria dos actos criminais e de vandalismo que acontecem
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Maioritariamente, os protagonistas de episódios violentos, como assassínios, violações e maus-tratos, são pessoas com perturbações mentais. Mas isto não significa que todas as situações de perturbação mental sejam associadas à violência. Há pessoas que têm episódios de violência associados a situações de tensão extrema, que habitualmente são pacíficos e sem nenhuma perturbação mental específica.
A agressão maligna não é instintiva mas adquirida, é o que pensam a maioria dos estudiosos. As sementes da violência semeiam-se nos primeiros anos de vida, cultivam-se e desenvolvem-se durante a infância e começam a dar frutos malignos na adolescência.
No entanto, estudos recentes com animais outorgam uma possível origem biológica aos comportamentos agressivos:
* Lesões no lóbulo frontal do cérebro
* Lesões no lóbulo temporal
* Diminuição do óxido nítrico
* Carências enzimáticas
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Apesar de deixarem os cientistas cépticos, uma vez que defendem que a conduta humana é decisivamente influenciada pela aprendizagem cultural, não obstante, estes estudos são interessantes e poderão explicar alguns comportamentos desviantes que a ciência ainda não consegue deslindar, como é o caso das características muito próprias dos assassinos em série. Existem teorias que defendem que, assim como há casos raros de pessoas que nascem sem o sentido do tacto, por exemplo, também há casos em que as pessoas nascem sem conseguirem sentir qualquer tipo de emoção. Desta forma, a única maneira que encontram para conseguir sentir algo são experiências extremas, como provocar a morte a animais ou pessoas. Por sua vez, este tipo de comportamento torna-se um ciclo vicioso porque, exactamente como uma droga, uma vez praticado o primeiro crime, o organismo pede mais e mais intenso.
Esta é uma das explicações possíveis para o comportamento obssessivo e psicótico dos assassinos em série, que vão progredindo e refinando os seus crimes ao longo do tempo.
Outra teoria interessante defende precisamente que poderão existir indivíduos que nascem com determinadas áreas cerebrais defeituosas e, por isso mesmo, estarão mais propensos a actos violentos contra os quais não possuem qualquer tipo de consciência moral.
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A violência constitui uma das três fontes principais de poder humano; as outras 2 são o conhecimento e o dinheiro. Mas a violência cruel é a forma mais baixa e primitiva de poder e ao mesmo tempo a mais acessível a todos.
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baseado n' "Os Filhos da Ira" - Revista Quo

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 95

Playing With The Boys
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Construir um enredo criminal é, estou a descobrir, como apresentar um puzzle em que só nós estamos em poder das peças todas e decidimos quando e onde é que elas podem ser posicionadas correctamente. Este processo é divertido como o caraças.
Quer dizer, passada a fase do primeiro rascunho, claro, que é sempre uma tarefa herculeana, desgastante, que às vezes parece quase impossível e que nos faz exclamar semana sim, semana não: "MAS ONDE É QUE EU ESTAVA COM A CABEÇA QUANDO DECIDI TER ESTA BRILHANTE IDEIA????!!!! EU NÃO CONSIGO FAZER ISTO!!!!"
Ainda estou nessa fase, que ainda vai durar mais algum tempo (MESES!!!! OH MY GOOOOD!!!), mas já começo a vislumbrar por baixo da porcaria toda que o lápis vai escrevendo, por baixo da poeira toda levantada pela borracha, algo parecido com uma forma com algum sentido, o desenho minimamente coerente de um enredo com pés e cabeça. E esse formato já permite brincar com algumas das peças e decidir o que quero ou não mostrar.
Esta vai para aqui e só mostro isto por enquanto. Aquela viaja para ali e só se vai perceber mais lá para o fim.
Outra coisa engraçada é que tenho um personagem que é investigador da polícia. Seria de esperar que eu tivesse algum poder de decisão sobre o rumo da investigação que ele está a tomar para deslindar este quebra-cabeças. Mas não. Mais uma vez, os personagens é que mandam. E como este não é excepção à regra, ele é que me diz para onde quer prosseguir, o que se torna um processo no mínimo divertido, no máximo quase místico. Percebi isto quando constatei um facto que me tinha passado despercebido, mas que era óbvio - é que ele é muito mais esperto e inteligente do que eu. Eu tenho espírito de Sherlock e sou bastante atenta aos pormenores, mas sou uma autêntica azelha em perceber uma série de coisas. Ele não é. Para além disso, tem mais uns 10 anos que eu, 20 dos quais passados atrás de criminosos.
Quanto ao criminoso, não sei se é mais esperto do que eu, mas de certeza que é muito mais perfeccionista. Não falha absolutamente nada e pensa em tudo. É também muito mais concentrado e focado. Por este motivo, exige de mim loucuras, que nenhum personagem jamais exigiu, como o ter uma réplica duma carabina em casa para treinar as posições e lhe sentir o peso e as formas; como obrigar-me a aprender a camuflar-me dos pés à cabeça; como o facto de se continuar a recusar a falar muito comigo, porque parece querer permanecer um mistério também para mim e desta forma adensar ainda mais o puzzle.
E como peças de um quebra-cabeças possuído de vontade própria, eles e as suas acções vão-se posicionando lentamente neste tabuleiro ainda cheio de poeira, cheio de entulho, cheio de lixo, cheio de peças soltas.
ddklç
P.S. Lembrei-me desta música, para ilustrar o meu entusiasmo. I'm really enjoying playing with these boys :)
dlklçd

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 94

A Dança da Morte
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No reino animal, quando predador e presa se encontram, estabelece-se uma espécie de ritual. Após desferir o golpe fatídico, o predador fixa os olhos na sua presa e esta retribui o olhar, como se existisse aqui, neste preciso instante, um pedido de autorização para prosseguir e um assentimento para deixar prosseguir com a matança.
O escritor Barry Lopez chama a esta espécie de ritual uma "conversa de morte" - "É uma troca cerimonial. A carne do animal caçado em troca do respeito pelo seu espírito." Acontece entre mamíferos de grande porte, como os lobos, os leões e os tigres, e as suas vítimas.
Decidi chamar-lhe "A Dança da Morte". E pus-me a pensar. Que também os humanos experimentarão uma "Dança da Morte", antes de exalarem o último suspiro. Mas que esta dança é muito diferente da que ocorre no reino animal, sendo que aqui não existem nem predadores nem presas. Trata-se de uma dança privada, solitária que todos os que morrem experimentarão. Uma dança consigo próprios, em que se realizam balanços, se revêem memórias, se tomam decisões e nos despedimos da vida. Esta dança pode ou não ser pacífica, isto é, pus-me a pensar que podemos ou não ir em paz.
Se formos em paz então isso provavelmente significa que atingimos o tão almejado paraíso. Mas há também quem parta, porventura, em desalinho, em desassossego. Recordo todas ou a grande maioria das mortes que presencio no Cinema ou na TV. Mortes esperadas e sempre pacíficas. Mas os filmes têm a horrível tendência para transformar o mundo num cor-de-rosa igual e sensaborão, clinicamente sensato e politicamente correcto. As coisas raramente são assim e, quando são, têm sempre um desarranjo próprio da vida, que fede e nada tem de correcto e que por isso mesmo é infinitamente mais encantador. Na vida real, pensei, haverá certamente uma enorme percentagem de pessoas que nos abandonam em pânico, em angústia, em desespero. E não falo das mortes súbitas, por acidente, crime ou azar. Continuo a falar daquelas para as quais existe um tempo de preparação. Porventura haverá quem nos deixe de forma terrivelmente inquietante, não querendo ir e é-me, é-nos, difícil imaginar o inferno de tal situação. Ir assim poderá ser o tal inferno de que tanto se fala.
Mas no reino humano também existe a "Dança da Morte" exactamente semelhante à do reino animal, estou em crer pela pesquisa que tenho feito. É a dança entre o assassino e a sua vítima, entre o carrasco e o seu condenado. Uma dança em que, sem se pedir autorização para prosseguir, se exala pelo menos um suspiro adicional, quiçá em honra da vítima, antes de se desferir o golpe fatal. Todos os assassinos falam desse momento em que, quando a vítima sabe que vai morrer, é possível ver e sentir a sua constatação, senão a sua aceitação, antes do branco do globo ocular invadir por completo a sua visão.

sábado, 2 de janeiro de 2010

EM BUSCA DE PALAVRAS 93

Assinaturas
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Os Assassinos gostam de deixar assinaturas. Especialmente os assassinos em série, procuram o reconhecimento por parte da polícia e da sociedade pela "obra" deixada, como se o crime fosse uma obra de arte e o assassino o seu autor. Em segundo caso, as assinaturas servem para "jogar (com) e provocar" a polícia.
Um estudo do FBI indica que os assassinos que usam armas de fogo são mais propensos a seguir os crimes (82%) do que aqueles que têm contacto físico (estrangulamento, apunhalamento) com as suas vítimas; 64% dos homicidas com pistola guardam recortes e diários e 44% voltam aos locais dos seus crimes.
A chamada Fase "Totem" caracteriza-se pela recolha de objectos pessoais da vítima, especialmente no caso dos assassinos com motivos sexuais e sádicos. Alguns chegam mesmo a coleccionar "recordações" dos crimes, recortando as notícias dos jornais e seguindo os meios de comunicação social. Alguns guardam cassetes de video com a gravação dos seus crimes. Cartas de Tarot ou outros elementos deixados no local do crime são também comuns.
A vaidade comum aos assassinos em série não suporta que ignorem os seus crimes ou se lhes retire importância e muitas vezes, mesmo depois de serem capturados, vangloriam-se dos seus crimes, chegando mesmo em certos casos a inventar um número maior do que aquele que na realidade cometeram.
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Em determinadas zonas italianas, um cadáver com os genitais na boca significa que o homem se tinha deitado com quem não devia, provavelmente a mulher de um mafioso.
Em Espanha usa-se a "gravata colombiana", um buraco na maçã de Adão da vítima por onde se puxa a língua, de modo que fique pendurada do pescoço - a assinatura que grupos de delinquentes deixam naqueles que falam demasiado perante a polícia.
Os snipers de Washington deixaram uma carta de Tarot que representa a morte, com a mensagem: "Queridos Polícias, sou Deus."
O assassino do baralho madrileno deixou um ás de copas junto ao corpo da sua segunda vítima.
Uma dupla de enfermeiras lésbicas a trabalhar numa clínica norte-americana, começou a matar pacientes de acordo com as iniciais dos seus apelidos, para formar a palavra MURDER, mas o jogo teve de ser alterado quando a segunda vítima (a letra "U") lhes resistiu.
Jack, o Estripador, levava órgãos das suas vítimas e chegou mesmo a enviar uma carta (de entre as milhares que a polícia britânica recebia durante esse caso, esta é a única que se pensa ter sido realmente enviada pelo verdadeiro criminoso) com um pedaço de rim de uma das vítimas, referindo que comera o resto do órgão.
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baseado n' "A Morte Joga às Cartas" - Revista Quo

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

EM BUSCA DE PALAVRAS 92

Lobos
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"O lobo é uma das espécies selvagens mais perfeitas e evoluídas que até agora apareceram na Terra." - Grupo Lobo
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A maioria dos predadores vive com uma hierarquia muito rígida e os lobos não são excepção. O Alfa, ou líder da alcateia, determina o comportamento de todos os outros membros. Na altura da refeição, é ele quem come primeiro e são para ele os órgãos mais nutritivos da presa - fígado, coração, rins e pulmões.
O "segurança" desempenha um papel de travão entre o Alfa e os outros membros, afastando-os até o líder terminar a sua parte da refeição.
O "apaziguador" serve de muralha, colocando o seu corpo entre 2 rivais enquanto comem, para aliviar a tensão.
Uma alcateia constrói-se em torno de um casal e das suas crias, que estão imediatamente a seguir na hierarquia da alcateia, podendo o número de membros variar de 4 até mesmo 30, mas sendo habitualmente de cerca de 8.
O córtex cerebral complexo dos lobos está assim concebido para que possam dispender tempo suficiente na educação das suas crias. Estas são cuidadas por todos os elementos da alcateia, não apenas os progenitores, e são alimentadas através de regurgitação - as crias lambem o focinho do adulto para estimularem a regurgitação. No entanto, e apesar deste desvelo, quando atingem 1 ano de vida podem ser obrigadas a abandonar a alcateia sozinhas, quando já não houver alimento para todos, sendo abertamente expulsas pelos outros membros.
As manhãs são dedicadas à patrulha do território. O macho Alfa leva os outros membros para examinarem a fronteira da área ocupada pela alcateia. Esta é delimitada remexendo-se o solo e deixando um cheiro muito intenso na zona limite.
Durante as caçadas, em grupo, existe um chefe da caçada que normalmente é o Alfa, porque mais velho, mais experiente e mais sábio, ou este pode permitir aos elementos mais jovens e mais agressivos que tomem conta das fases iniciais, avançando apenas no final. Os lobos preferem perseguir animais em fuga a um animal encurralado e defensivo, porque este último caso pode ser-lhes fatal. As manadas de presas são, por isso, colocadas em movimento para que os lobos possam observar os seus elementos individualmente e avaliar as presas mais fracas ou doentes. Cada lobo segue o seu alvo, sempre alerta para qualquer companheiro que tenha uma presa mais fácil.
Os sentidos de um lobo são poderosíssimos, sobretudo o olfacto e a audição. Um lobo é capaz de cheirar centenas de milhares de odores químicos a 2 quilómetros de distância e consegue detectar doenças nas suas presas. Por sua vez, as orelhas pontiagudas assim desenhadas para melhor receberem os sons, são capazes de detectar ruídos fracos até 16 quilómetros de distância. Em corrida, um lobo consegue atingir os 45 km/hora.
Os uivos característicos servem para comunicar entre si até distâncias de 16 quilómetros, existindo uma gama variadíssima de diferentes tipos de sons que ainda estão longe de ter sido totalmente estudados: existem uivos defensivos (para avisar as outras alcateias que se devem afastar), de resposta (a alcateia rival responde para garantir que não há disputas territoriais por causa da caça), chamativos (para atrair outros membros da alcateia), sinalizadores (para informar os outros da sua localização).