sábado, 6 de novembro de 2010

Where The Streets Have No Name

Bor XIII
ajsakls

Macro Metal
sjazxkls
Entrou na Cúpula Central exactamente às 07.49 GMT.
A Cúpula assemelhava-se a um gigantesco cogumelo cinzento brilhante, rodopiando sobre si mesmo ininterruptamente, entoando um zumbido que se assemelhava ao das Mães-Observadoras, mas alguns decibéis mais intenso.
Em seu redor dezenas de minúsculas Mães-Observadoras e Mães-Inspectoras voavam em variadíssimas direcções, verificando sistemas e efectuando circuitos de vigilância.
O interior da Cúpula era tão asséptico quando o seu exterior. Metais brilhantes e desprovidos de formas, lisos e límpidos, reflectindo-se uns aos outros numa multiplicidade echeriana. Podia ser assustador para quem entrasse pela primeira vez ali dentro, mas Bor já visitara aquelas instalações e outras semelhantes dúzias de vezes durante a sua vida, para se impressionar facilmente.
Dirigiu-se à passadeira amarela e entrou no circuito de Check-Up. Havia inúmeras passadeiras de várias cores, que tinham início na entrada da Cúpula e que ziguezagueavam para lá do alcance da vista pelo resto do edifício, consoante o circuito a que davam acesso. Havia passadeiras para variadíssimos assuntos, entre os quais o Check-Up. Podia-se ir à Central da Cúpula para fornecer relatórios variados sobre actividades, para se tratar de assuntos técnicos, para o voluntariado para os diversos programas disponíveis, para tratar de queixas, assuntos pessoais, problemas entre vizinhos próximos, pedir mais comida ou outro fato de protecção UV. Se os pedidos eram atendidos ou não, nunca havia certezas. As pessoas voltavam invariavelmente para casa com um encolher de ombros e a sensação de que o que quer que tivessem ido lá fazer caíra em saco roto. Havia relatórios, muitos. As Mães adoravam relatórios e emitiam-nos por tudo e por nada. Se tinham efeitos práticos isso já era outra história.
Grug dissera-lhe algo do género: “Estas gajas funcionam exactamente nos mesmos termos que os humanos, quando eram os humanos a mandar nisto. Burocracia, burocracia, burocracia. Adoram complicar. Nem parecem máquinas!”
Máquinas. Máquinas …
Grug falava delas, das Mães, como se estas fossem mecanismos e não entidades, mecanismos com vontade própria mas ainda assim meros mecanismos electrónicos sem essência.
O circuito fazia-o passar por 7 Check-points assinalados por uma divisória semelhante ao umbral de uma porta, mas redondo. Aí a passadeira parava uns segundos e Bor era analisado de acordo com diferentes parâmetros:

1ª Estação: Verificação da identidade
2ª Estação: Verificação dos sinais vitais
3ª Estação: Análise quimico-biológica
4ª Estação: Análise físico-motora
5ª Estação: Avaliação psico-cognitiva
6ª Estação: Entrevista de controlo
7ª Estação: Emissão de relatório final

Na 6ª Estação a passadeira parou bem mais do que uns segundos. Um plasma desdobrou-se ao nível dos seus olhos diante de si e surgiu a imagem de uma paisagem verdejante idílica e ouviu-se uma voz metálica proferir:
“Entrevista de controlo. Bom dia, Bor Jug”
“Bom dia …”, nunca tinha sido sujeito a nada semelhante e portanto não sabia se havia de responder ou não.
“Bor Jug, iremos proceder à entrevista a partir de agora.”
“Muito bem …”
“Bor Jug, defina Bor Jug.”
“Como?”
“Bor Jug, defina Bor Jug.”

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