quarta-feira, 1 de abril de 2009

PALAVRAS ESTÚPIDAS 55

Gosto de Séries Americanas Passadas nos Confins do Mundo
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Gosto de séries americanas passadas nos confins do mundo, com personagens inteligentes, cultos e estranhos, cheios de excentricidades e idiossincracias.
Gostava de viver num sítio assim, longe do bulício do mundo, com Invernos rigorosos e Verões amenos, com florestas de abetos perenes cheias de lobos selvagens e tapetes de musgo, flores silvestres e cascatas, com bares onde se passa ao final do dia para falar sobre o universo e a próxima festa do Halloween.
Gostava de viver num sítio onde tivesse que vestir 20 peças de roupa para me sentir agasalhada, onde houvesse aurora boreal e sol da meia-noite, onde toda a gente soubesse o que é punch e marshmellows assados na brasa, onde fosse motivo de risota não se ter lido James Joyce, Dostoievsky ou Yourcenar e não se saber que Vanity Fair não é a nova starlette de Hollywood, mas uma das melhores revistas do mundo.
Gostava de viver num sítio onde a minha casa fosse de madeira e tivesse lareira, onde houvesse um lago gelado para aprender a patinar no gelo e bowling todas as quartas à noite.
Um sítio onde quem não fizesse listas seria considerado idiota e onde não comer perú no Natal fosse completamente ridículo.
Se eu vivesse num sítio desses, faria tartes de pêssego que deixaria a arrefecer no parapeito florido da janela, que seriam roubadas por ursos pardos atrevidos, teria uma espingarda para me proteger à noite e um programa de rádio onde dissertaria sobre assuntos tão díspares como buracos negros, Stanley Kubrik ou a importância cultural dos mince pies.
Viveria um romance tórrido com um lenhador de braços musculados e camisa de flanela axadrezada, saudaria todos os dias a mulher de pala no olho que escrevia romances estranhos, a caminho da livraria de que eu seria proprietária e onde viajantes literários de todo o mundo acorreriam para encontrar raridades encadernadas a capa dura encarnada, azul e verde, com títulos impressos a dourado e edições para lá do século XIX.
Haveria um clube, cujo tema mudaria todas as semanas, e uma loja de chocolates indecentemente luxuriante, uma farmácia com almofarizes antigos e balões de cristal frágeis, um talho cujo dono todos suspeitariam há muito tratar-se na realidade de um antigo agente secreto fugido e um astronauta reformado, há demasiado tempo preso à Terra.
Haveria índios, claro, que contariam histórias de guerra quando estavam bêbedos e me ensinariam a ganhar a confiança de lobos, uma escola sem crianças onde os adultos iriam andar de baloiço e um hotel com 2 ou 3 hóspedes vitalícios, provavelmente velhas lendas decadentes do Cinema.
Andar-se-ia a pé por vielas cravejadas de pedra e sempre que resolvesse ir à florista, perderia o Norte e encontrar-me-ia pela milésima vez na rua da galeria de arte. Em frente da galeria haveria um relojoeiro, cujos relógios nunca apresentariam a hora certa. O relojoeiro seria, na realidade, a minha alma gémea, mas como eu nessa altura estaria enrolada com o lenhador de braços musculados, passaria muito tempo até que os nossos destinos se cruzassem, ainda para mais porque o meu relógio teria precisão suíça.
Mas tempo era coisa que não faltaria neste fim do mundo.
Gosto de séries americanas passadas nos confins do mundo.

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