sábado, 29 de maio de 2010

MORMORIOS DI FIRENZE XVI

Il Vero Mostro - Parte II
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Muitos países têm um assassino em série que define a sua cultura através de um processo de negação, que exemplifica a sua era não pela exaltação dos seus valores, mas pela exposição dos seus horrores.
Inglaterra teve Jack the Ripper, nascido no nevoeiro opressivo da Londres Dickensiana, que perseguia a mais negligenciada das classes sociais, as prostitutas que tentavam sobreviver nos becos imundos de Whitechapel.
Boston teve o Estrangulador de Boston, o atraente e charmoso assassino que deambulava pelos bairros mais elegantes da cidade, violando e assassinando mulheres idosas e compondo os seus corpos em "quadros" de obscenidade inimaginável.
A Alemanha teve o Monstro de Düsseldorf, que pareceu prever a chegada de Hitler através da matança indiscriminada de homens, mulheres e crianças; a sua sede de sangue era tão grande que na véspera da sua execução, apelidou a sua própria decapitação como "o prazer que terminaria todos os prazeres".
Cada assassino foi, à sua maneira, uma personificação negra da sua época e da sua geografia.
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Itália teve o Monstro de Florença.
Florença sempre foi uma cidade de opostos. Numa tarde primaveril, com o ocaso a pincelar os palácios que emolduram as margens do rio, pode parecer uma das mais belas e graciosas cidades do mundo. Mas no final de Novembro, após dois meses de chuva ininterrupta, os seus palácios antigos tornam-se cinzentos e invadidos pela humidade; as estreitas ruas empedradas, cheirando a gás dos esgotos e a fezes caninas, tornam-se ainda mais estreitas pelas fachadas de pedra escura e telhados salientes que tornam a já escassa luz ainda mais ténue. As pontes que atravessam o Arno estão cobertas de guarda-chuvas negros. O rio, tão agradável no Verão, incha para se transformar numa corrente castanha e oleosa, carregando troncos de árvores e por vezes animais mortos, que se amontoam junto aos pilares desenhados por Ammanati.
Em Florença, o sublime e o terrível andam de mãos dadas: As Fogueiras das Vaidades de Savonarola e O Nascimento de Vénus de Botticelli; os livros de notas de Leonardo da Vinci e "O Príncipe" de Maquiavel; "O Inferno" de Dante e o "Decameron" de Boccaccio.
A Piazza della Signoria, a praça principal, contém uma exposição ao ar livre de esculturas Romanas e Renascentistas exibindo algumas das mais famosas estátuas de Florença. Na sua galeria de horrores é apresentada uma exibição pública de assassínios, violações e mutilações que não encontram paralelo em mais nenhuma cidade do mundo. A encabeçar o espectáculo está a famosa escultura de bronze de Cellini que representa Perseus triunfantemente empunhando a cabeça decapitada de Medusa, como um jihad num vídeo da internet, sangue a escorrer do seu pescoço, o seu corpo decapitado espalhado aos seus pés. Por trás de Perseus encontram-se outras estátuas representando lendas famosas de assassínios, violência e caos - entre elas O Rapto das Sabinas, de Giambolona.
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No interior das muralhas de Florença foram cometidos os mais refinados e selváticos crimes, desde envenenamentos delicados até brutais desmembramentos públicos, torturas e incêndios. Durante séculos, Florença projectou o seu poder sobre o resto da Toscânia à custa de massacres ferozes e guerras sangrentas.
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retirado de "The Monster of Florence" - Douglas Preston e Mario Spezi

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