terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

PALAVRAS ESTÚPIDAS 49

The Boss
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"Blind faith in your leaders, or in anything, will get you killed."

Bruce Springsteen
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O ferry dá a volta à ilha de Manhattan e a certa altura o guia oferece-nos 2 informações importantes: Do outro lado do rio podem observar New Jersey; foi ali que nasceu Bruce Springsteen e foi ali que foi filmado Há Lodo no Cais, de Elia Kazan, com Marlon Brando.
Aparentemente estes dois acontecimentos nada têm que ver um com o outro, mas já veremos como podem estar relacionados :)
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Quando Bruce Springsteen apareceu, um crítico de música da prestigiada Rolling Stone afirmou: "Hoje ouvi o futuro do rock'n'roll e o seu nome é Bruce Springsteen."
Desde o início, na década de 70, quando apareceu, que Bruce canta a alma do povo americano. A vida do homem comum americano, do operário, do tipo que se levanta às 5 da manhã para ir trabalhar para uma fábrica ou uma mina, que se apaixona pela cheerleader, que vai beber umas cervejas ao bar antes de regressar a casa para a sua família e que um dia tem de partir para o Vietname ou para o Iraque para ir matar "the yellow man" (sic "Born in the USA), que ele nem sequer conhece ou entende.

Isto é Bruce Springsteen. A Voz da América comum, a voz da América mais pura e mais inocente, a mais bela, longe dos postais e das luzes da ribalta e do show off. E é por isso que o Boss é imensamente amado pelo povo que canta. Mas também é por isso que continua a ser imensamente respeitado por outros povos que o ouvem, precisamente porque não tem papas na língua e diz sempre a verdade, doa a quem doer.
Mais comercial ou mais artístico, a maioria das suas canções tiveram e têm sempre uma vertente política e social muitíssimo marcada, que passará apenas despercebida a quem não estiver atento às suas letras. Born in the USA, por exemplo, parece um hino à América, um hino daquele patriotismo exagerado que estamos habituados a ver e criticar, mas as aparências iludem. Se ouvirmos a letra atentamente, rapidamente percebemos que é, isso sim, uma crítica profunda à América e a um patriotismo estúpido de olhos vendados.
Bruce, como ninguém, cantou e canta a sua América, a América que ele conhece e que ama. A boa, a simples, a má, a ingénua, a falsa, a ignorante, a oprimida e a livre - o seu genuíno coração. A sua voz poderosa é e sempre foi a voz da classe operária e ele próprio, com o seu corpo rijo e musculado, a sua aparência de "beautiful boy next door" foi durante algumas décadas a personificação dessa classe. Não foi por acaso que Barack Obama o escolheu como um dos principais porta-vozes de campanha, numa altura em que se temia que os votos mais difíceis de alcançar fossem precisamente os da classe operária branca.
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Como um bom vinho, Bruce tem envelhecido para se tornar cada vez mais profundo, mais encorpado e mais próximo das raízes da sua terra-natal, emprestando uma voz cada vez mais patriarcal ao folk puro, repescando canções de séculos passados e trazendo-as de volta à luz do dia com arranjos cada vez mais genuínos, cada vez mais depurados, cada vez mais minimalista.
Não foi por acaso, portanto, que Mickey Rourke lhe pediu para escrever uma canção para The Wrestler, a história de um homem esventrado e maltratado pela vida, que ressuscita - afinal, a coluna vertebral de quase toda a mitologia americana, o herói solitário que reconquista o seu lugar ao sol depois de muito suor e lágrimas.
E não foi por acaso que comecei este texto com aquela introdução. Há Lodo no Cais é um dos filmes mais políticos de Elia Kazan. Retrata as primeiras lutas da classe operária americana pelo direito à representatividade dos sindicatos, que os protegeriam das máfias locais. Marlon Brando representava o icónico Terry Malloy, o ex-boxeur sem rumo que, por amor e por missão, decide fazer com que a sua vida faça algum sentido e acaba por simbolizar o herói solitário contra os usurpadores do poder.
Foi precisamente isso que Bruce Springsteen cantou toda a vida. A sua América e pela sua América. Foi por ela que nunca se calou, doesse a quem doesse. Porque quem mais ama, é quem mais duramente critica.
É por tudo isto que a voz do Boss será para mim, sempre, a mais genuína Voz da América.
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